A Resistência

6 5- Julia: Um primeiro dia nada bom


Notas iniciais
Eae, pessoal, tudo certo com vocês? Só pra avisar que o próximo capítulo vai sair provavelmente sexta que vem. Talvez saia antes, talvez saia depois, se sair depois, me perdoem, se sair antes... bem, vivam suas vidas.

Um lecionador (os “professores” da Resistência) veio nos acordar de manhã, mandou-nos trocarmos e irmos tomar o café-da-manhã, que hoje era o primeiro dia do nosso treinamento. Eu procurei Alex, mas ele não estava no dormitório. Por um momento, me desesperei, perguntando-me onde ele estava, mas então pensei que talvez ele apenas tivesse acordado mais cedo.

_Você ouviu?_ Perguntou Nicolas, já com o uniforme da Resistência.

_Ouvi o quê?_ Eu já imaginava o que era.

_Alex, ontem.

Eu suspirei e assenti.

_Se apresse. Vamos ver se ele está lá embaixo._ Disse ele, suspirando também.

Não achamos Alex no refeitório, o que fez com que Nicolas ficasse nervoso. Ele nos apressou para que comêssemos o café-da-manhã mais depressa, para chegar na sala de treinamentos mais cedo. E foi lá que encontramos Alex.

Ele estava com cara de muito sono, sentado num banco, balançado a perna e olhando pro nada. Quando nos viu, fez um sinal para que no aproximássemos. Havia uma mulher na sala, com o uniforme vermelho da Resistência.

_Bom dia._ Falei, mas ela fingiu não ouvir.

_Simpática ela, não?_ Disse Nicolas, quando nos aproximamos de Alex.

Sentamos perto dele. Ele não parecia querer conversar. Ainda assim, Kamila perguntou:

_Por que você acordou cedo hoje?

_Estava sem sono._ Respondeu ele, secamente.

_Bem, podia ter nos acordado. A gente podia ter feito companhia a você.

Ele contorceu a boca num gesto rude. Eu não gostava quando nenhum de meus irmãos ficava de mau humor. Nós conseguíamos passar isso para os outros, conseguindo estragar o dia até da pessoa mais feliz do mundo.

Ficamos quietos até que o resto do pessoal começou a chegar. Quando todos se sentaram, a mulher com o uniforme vermelho olhou para nós, e começou a explicar como seria o treinamento.

_Hoje é o primeiro dia de vocês na Resistência. O seu objetivo aqui vai ser proteger inocentes dos Exodus enquanto a Elite tenta achar uma cura. No próximo mês, eu vou treinar vocês para todo tipo de situação comum, e depois vocês vão ser separados de acordo com as suas escolhas. Ok, nesse primeiro dia de treinamento... estão vendo aquela máquina ali?_ Ela apontou para a esquerda, onde havia uma máquina, onde havia um corredor no meio da máquina e vários cilindros com “braços” de metal. Eu já sabia onde aquilo ia dar. _Vocês vão ter, basicamente, que passar pelo corredor da máquina, tentando o máximo possível desviar dos “braços”. Algum voluntário para tentar primeiro?

Alex levantou o braço rapidamente. Todos olharam para ele, meio surpresos. Depois, Nicolas também levantou o braço. A mulher deu um sorriso irônico.

_Ora, se não são os “salva-vidas”.

Tanto Alex quanto Nicolas lançaram olhares carrancudos à mulher, murmurando alguns chingamentos. Então, se levantaram e se dirigiram à máquina. Alex tomou a frente, deixando claro que ia na frente de Nicolas.

_Vou ligar a máquina._ Avisou a mulher.

Quando ela ligou, a máquina se mexeu, deixando claro que aquilo ia ser muito difícil. Os cilindros giravam muito rapidamente. “Duvido que uma pancada daquilo não doa”, pensei. Cheguei a pensar em falar pra Alex e Nicolas não irem naquilo. Porém, Alex já tinha entrado.

De alguma forma milagrosa, Alex conseguiu desviar de todos os braços, e chegou ao outro lado em pouco mais de 15 segundos. Ele se virou e olhou pra nós, com a expressão orgulhosa e um sorriso bem largo no rosto. Depois, foi a vez de Nicolas. Ele foi um tanto menos ágil, quase sendo atingido por um dos braços, e chegou a segurar um que iria atingir ele. Vinte segundos depois de entrar na máquina, Nicolas estava do outro lado, com uma expressão mais cansada. Eu decidi ir também, pra fazer com que aquilo acabasse logo. Estava indo bem, até que no último cilindro, um dos braços me acertou, fazendo com que eu caísse com o impacto. Senti a dor chegar no meu braço direito. Alex se aproximou, ajoelhando-se.

_Você está bem?

Eu grunhi, mas falei que estava bem. A professora deu um risinho.

_Está rindo do quê?_ Perguntou Nicolas, rudemente.

_Nada._ Falou ela. _Vai tentar?_ Virou-se para Kamila.

Kami se levantou, com o olhar assustado. Aproximou-se da máquina e olhou pra nós. Lançamos a ela olhares confiantes. Ela tremia fortemente. Quando entrou na máquina não conseguiu passar do segundo cilindro. Ela caiu com o impacto, e quando tentou levantar, foi atingida de novo, dessa vez na cabeça.

_Levante, menina._ Ralhou a mulher para Kamila.

Ela não obedeceu. Arrastou-se para o nosso lado, passando por debaixo dos braços. Nicolas ajudou-a ficar de pé, e retribuiu o abraço dela.

_Que inútil. Não consegue nem passar por essa simples máquina, como espera virar um membro oficial da Resistência.

_Cala a boca!_ Falou Alex, se levantando, e tremendo de raiva. _Você não tem o direito de falar assim com ela.

_Ah, se não é o garoto que quase se matou tentando dar uma de herói._ A mulher deu o seu sorriso irônico irritante. _Vai tentar proteger sua irmãzinha, é?

Alex tremia tanto de raiva que eu tive a impressão de ele iria entrar em colapso a qualquer segundo. Ver meu irmão daquele jeito me deixou com raiva. Nenhuma garota falava assim com ele, além de mim e Kamila.

_Pelo menos ele tentou sacrificar a vida dele pra salvar a vida de outra pessoa. Isso é um gesto nobre. O que você já fez além de gritar com garotos de 16 anos e...

_Julia!_ Chamou Nicolas, com um olhar severo. _Menos, por favor.

Eu suspirei, tentando me acalmar. A professora da Resistência parecia mais do que nunca com raiva.

_Vocês quatro, saiam da minha frente, AGORA! O treino de hoje acaba aqui pra vocês.

Nós quatro tentamos protestar, mas ela nos interrompeu. Então, sob os olhares dos outros aprendizes da Resistência, saímos abalados da sala de treinamento.