A Resistência
35 34- Alex: O novo Marechal
Eu não lembro muito bem do que sonhei enquanto estava desmaiado. Eram imagens confusas.
Mas eu lembro muito bem que fiquei aliviado ao acordar e ver os rostos de minhas irmãs.
—Alex!_ Gritou Julia, e correu pra me abraçar. Kamila fez o mesmo.
—Ai._ Arquejei. _Eu tô bem.
Isso não fez que elas diminuíssem a força do abraço. Mas sinceramente, eu não ligava. Abracei-as de volta, reprimindo as lágrimas que chegavam ao meu rosto ao lembrar de tudo.
—Como estão os outros?_ Perguntei, quando nos afastamos.
—Bem._ Disse Kamila. _Sofremos poucas baixas.
Um silêncio caiu sobre a gente por um minuto.
—Estou feliz por estarem bem._ Falei, finalmente.
Minhas irmãs sorriram pra mim.
Eu me levantei. Cambaleei um pouco, sentindo tontura, mas minhas irmãs me ajudaram a ficar de pé.
—Vamos descer._ Falou Julia.
Eu assenti. Quando chegamos nas escadas, encontramos com Ruth. Minhas irmãs olharam pra mim.
—Encontramos você no refeitório.
—Ok._ Falei.
Elas se afastaram. Eu e Ruth nos olhamos, e eu senti meu coração dar saltos. Corri pra ela e a beijei. Foi a melhor sensação do mundo.
—2 dias._ Ela disse, e então começou a me dar socos.
—O quê?_ Perguntei.
Os socos ficaram mais fortes.
—Dois dias desmaiado, após fazer a loucura de enfrentar trinta Exodus SOZINHO!
E então ela me abraçou, chorando.
—Ei._ Sussurrei. _Tá tudo bem. Nós conseguimos.
Ela olhou pra mim.
—Os outros estão esperando você lá embaixo._ Ela disse.
—Eu sei.
—Os resistentes querem que você assuma o posto de Marechal.
Eu suspirei. Pra ser sincero, eu meio que já esperava.
—Vai aceitar?_ Perguntou Ruth.
—Não sei._ Respondi, um pouco mais bruscamente do que queria. _Vamos descer.
Quando eu e Ruth chegamos no refeitório, minhas irmãs, Jack e Renne nos esperavam. Não foi surpresa pra mim quando vi Kamila de mãos dadas com Jack. Sinceramente, naquele ponto, não conseguia ser chato com as minhas irmãs. Mesmo que estivesse com ciúmes, elas mereciam ser felizes, e eu estava feliz por elas.
—Bones._ Disse Renne.
—Está se sentindo bem?_ Perguntou Jack.
Eu sorri.
—Não exatamente bem._ Falei. _Mas estou vivo, assim como vocês. É o que importa.
Jack sorriu também.
—Bones._ Chamou Renne. _Ruth já te contou?
Assenti, suspirando.
—Eles querem que a gente te ofereça o cargo._ Disse Jack.
Franzi a testa.
—Por quê?
—É comum que quando um Marechal entre, o cargo seja oferecido pelos seus melhores amigos._ Disse Kamila. _As pessoas que oferecerem farão parte da Elite.
Eu retesei. Todos olharam pra mim, preocupados.
—Olha, Bones, não precisamos fazer isso hoje._ Sugeriu Renne.
Eu suspirei e fechei os olhos.
—Precisamos sim._ Declarei. _Vamos.
Renne e Jack abriram a porta. Dentro do refeitório estavam todos os membros da Resistência. Houve expectativa por um segundo, e logo depois, palmas.
Olhei para todos que estavam ali. Apesar de alguns ferimentos, todos pareciam bem. Isso me deixou aliviado.
Julia levantou a mão, e todos pararam de aplaudir.
—Estamos aqui para oferecer a posse de Marechal ao soldado Alex “Bones” Linz.
Kamila deu um passo a frente.
—Como sabem, o soldado Alex, meu irmão, foi o líder da revolução que trouxe a óbito o traidor Philip Joe West, o antigo Marechal.
Foi a vez de Renne dar um passo a frente.
—Alex bolou planos, correu riscos, fez por essa instituição algo que ninguém jamais havia feito. Algo que poucas pessoas teriam coragem de fazer.
Jack tomou a palavra.
—Ele foi expulso da Resistência por vontade própria. O único lugar seguro em Aeon, e ele deixa para salvar todos nós.
Era a vez de Ruth.
—Ele nos liderou na guerra contra os Exodus. Enfrentou 30 Exodus sozinho, salvando a vida de muitas pessoas. Sem ele, teríamos sido massacrados pelo ex-Marechal.
—Por essa liderança..._ Disse Julia. _dizemos que ele deve ser o Marechal, se aceitar.
Kamila se virou pra mim, segurando uma capa preta na mão. A capa do Marechal.
—Alex “Bones” Linz. Irmão. Você aceita ser o Marechal?
Eu olhei para as pessoas no refeitório, depois olhei para meus amigos.
—Falando assim..._ Eu disse. _parece até que fiz as coisas sozinho._ Ergui o olhar. _Não é verdade. Nada disso seria possível sem vocês. Eu não teria conseguido nem entrar na Resistência não fosse... Todas as pessoas que eu perdi, que nós perdemos... Lívia, Nora, meu pai, meu irmão. Sem eles, sem todas as pessoas que se sacrificaram, que se arriscaram por essa causa, nada disso seria possível._ Eu fiz uma pausa. _Quando meu irmão falou na possibilidade de eu ser o Marechal, eu achei que ele estava brincando. Não sou um líder, jamais serei. Mas então eu percebi. A Resistência não precisa de um líder. A Resistência precise de alguém que esteja disposto a se sacrificar por ela._ Eu olhei para todas as pessoas ao meu redor. _Não sei se posso ser essa pessoa. Mas o que eu sei é que eu posso tentar.
E peguei a capa do Marechal.
Por um momento, houve silêncio. E então, os resistentes começaram a rugir.
—O MARECHAL! O MARECHAL! O MARECHAL!
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