A Resistência
28 27- Alex: Vingança
Notas iniciais
Eu e Julia subimos os degraus de três em três, até que chegamos ao terceiro andar e encontramos Nicolas e Kamila.
_Vocês estão vivos._ Disse Nicolas, aliviado.
Então ele viu nossas caras, e seu rosto tomou uma expressão sombria.
_Nora está morta._ Avisei.
Nicolas e Kamila retesaram. Nicolas olhou para o chão.
_Quem a matou?_ Perguntou.
_A bruxa._ Disse Julia, e pra minha surpresa, Nicolas e Kamila entenderam na hora de quem ela estava falando. Kamila cerrou os punhos.
_Aquela filha de uma p...
_Eu sei._ Cortei-a antes que ela pudesse completar o palavrão. _Mas não podemos nos lamentar. Estamos aqui. Vamos acabar logo com isso.
Nicolas assentiu, e começamos a correr, com nossas pistolas na mão, rumo à sala do Marechal.
Chegamos, e (advinha só?) a porta estava trancada.
_Batemos?_ Perguntou Nicolas.
_Com toda certeza._ Falei. E juntos, eu e Nicolas demos um chute na porta.
Ela caiu na hora. O Marechal estava em pé, atrás de sua mesa, segurando um revólver. Na sua sala, havia uma estante de cada lado, cheia de livros, e sua mesa estava vazia. Na direita, havia uma varanda que dava vista a toda Aeon.
Eu e meus irmãos apontamos nossas pistolas pra cabeça do Marechal.
_Abaixe a arma, Marechal._ Disse Nicolas.
_Sou eu que faço as exigências por aqui._ Disse ele.
_ABAIXE A ARMA!_ Gritei, e tive certeza que alguém no campo de batalha havia ouvido.
O Marechal abaixou a arma, e pude perceber que ele tremia. Se fosse uma situação diferente, eu até sentiria pena dele, mas ele havia matado o meu pai, e Lívia, e Nora, e tantos outros inocentes, que ele não era digno de pena.
_Por que está fazendo tudo isso, Marechal?_ Perguntou Julia. _Todas essas pessoas inocentes, o senhor está arriscando a vida delas. E pra quê?
_Porque eu posso._ Disse o Marechal, sem rodeios. _Garota tola. Você está do lado errado, do lado traidor, não deveria sentir pena deles, e sim da Resistência.
_O senhor não é um resistente._ Disparou Kamila, com mágoa na voz. _O senhor é o único traidor aqui. Desistiu da pesquisa da cura pra tornar a Resistência uma força militar? Só por poder? Esse não é o objetivo da Resistência.
_Tente achar a cura você mesma!_ Ele tentava colocar raiva na voz, mas tudo o que eu via era medo. _Eu tentei. Não há outra saída. Temos que derrotar os Exodus a força.
_Mentiras, Marechal!_ Rugiu Nicolas, de um modo baixo e calmo (sim, por incrível que pareça). _O senhor sabe que havia um jeito de curar os Exodus, sem precisar da força militar. Havia um veneno que estava em fase de testes. Mas você o destruiu. Havia uma cura para os humanos infectados, estávamos perto de achar uma maneira de trazer os infectados de volta à forma humana, e torna-los imunes. Mas você desistiu de tudo isso. Pra ter poder. É desprezível.
_30 anos de estudo, e você simplesmente pega tudo, e joga no lixo. Tem ideia do que fez?
Ele sorriu, e eu pude ver que ele estava louco.
_Você sabe o que está fazendo, Alex?_ Perguntou. _Se acha tão esperto, formando uma rebelião, fingindo liderar um exército, fingindo ter coragem. Quando na verdade, o seu exército está lutando por você. Você é tão covarde quanto seu pai._ Ele colocou ênfase em cada palavra na última frase.
Eu retesei, sentindo meu corpo tremer de fúria.
_Está errado._ Disparei, calmamente. _Você nunca entenderá o que é coragem, Marechal. É colocar-se na frente de tudo e de todos para proteger o que é importante pra você. Foi isso que meu pai fez. Enfrentou até o senhor para proteger a mulher que amava, enfrentou um exército pra proteger os filhos._ Eu balancei a cabeça, lançando um olhar de desprezo ao homem à minha frente. _Você nunca entenderá o que é coragem, Marechal, pois só se preocupa consigo mesmo. Meu pai merecia muito mais o seu posto do que você.
O Marechal ergueu os olhos, e nada falou. Pareceu entender que aquele era o momento quem que íamos acabar com ele.
_Pelos crimes cometidos contra a Resistência, por exemplo: traição, homicídio, desrespeito à organização e é claro, fraude, declaramos o senhor culpado._ Disse Nicolas, quase que mecanicamente. _Olhe nos nossos olhos Marechal.
Ele obedeceu.
_Você traiu todas as pessoas que confiaram em você._ Declarou Kamila. _Tratou seus iguais como escravos, foi egoísta, e causou a morte de centenas.
_Você matou o homem que chamava de melhor amigo._ Declarou Julia. _Acabou com as esperanças do povo de Aeon, desmembrou a Resistência apenas por poder. O senhor é deprimente.
_Marechal._ Chamei, com a voz suave. _Quero que você olhe uma última vez para os nossos olhos. Quero que o azul que há neles e o loiro que há em nossos cabelos fiquem marcado em sua memória em ferro e fogo. Quero que você se lembre que a sua última visão como um homem vivo seja nós, os irmãos Linz.
E juntos, eu e meus irmãos puxamos o gatilho, dando um fim à loucura do Marechal.
Fale com o autor