A Resistência
22 21- Julia: É hora do show
Descemos com Lívia e Renne. Os Generais davam armas pra gente e nos mandavam entrar em posição. Eu tentei conversar com meu pai.
_Pai, não podemos lutar contra Alex._ Reclamei.
Meu pai deu um olhar na direção do exército de fugitivos. 150 pessoas, com armas diversas e o uniforme a prova de balas da Resistência. Ele então olhou pra mim.
_Querida, apenas espere por Nicolas.
_Mas pai, Nicolas vai ordenar que a gente ataque!_ Tentei.
Meu pai me deu um olhar sofrido.
_Por favor, Julia, confie em mim e no seu irmão.
Eu queria reclamar. Por que meu pai agia daquele jeito? Nicolas podia ser um membro da Elite, mas ainda assim, era seu filho. Ele devia fazer alguma coisa, devia impedir.
_Vem, Julia._ Renne me puxou antes que eu pudesse reclamar mais.
Paramos numa formação retangular, Lecionadores de um lado e Soldados do outro. Eu percebi que no total, havia 50% dos membros da Resistência ali. Eu estava do lado de Renne, e Kamila estava a minha frente.
Eu olhei para o exército de fugitivos. Estavam no mesmo tipo de formação que a gente, e quem liderava o grupo era Alex, apesar de ter outros membros bem mais velhos no grupo. Ele olhava pra cima, para onde o Marechal estava.
_Vai mandar essas pessoas lutarem por você, Marechal?_ Gritou Alex. _Vai ser um covarde e se esconder atrás de seu uniforme?
O Marechal riu com desdém.
_Garoto, eu tenho questões muito mais importantes do que seu ataque idiota.
_Questões tão importantes que você expulsou todas essas pessoas da Resistência?_ Alex apontou para seu exército.
_Eu não devo nada a ninguém Alex._ Disse o Marechal, mas seu sorriso fraquejou.
Alex pareceu responder, mas um grito o interrompeu.
_Alex!
Nicolas chegou para liderar o nosso exército.
Alex sorriu.
_Vejo que entrou para a turma de lacaios do Marechal, irmão.
Era doloroso ouvir Alex falando assim. Nicolas cerrou os punhos.
_Alex, lhe darei uma última chance para ouvir a razão. Por favor, ouça o Marechal.
_Não, irmão!_ Retrucou Alex. _Até quando vamos continuar essa encenação? Até quando vai fingir que acredita no Marechal?_ Ele sorriu. _Sinceramente, estou cansado.
Nicolas também sorriu, e de repente, meus irmãos começaram a rir.
_Bela encenação._ Disse Nicolas.
_É, enganamos todos._ Riu-se Alex.
Marechal olhava pra tudo com estranheza.
_Sargento Nicolas._ Chamou o Marechal.
_É hora do show?_ Perguntou Nicolas a Alex
_É hora do show.
Nicolas se virou para o Marechal.
_Infelizmente pra você, Marechal..._ Nicolas começou, com fúria. _meu irmão está certo. Você é um mentiroso, e deve ser deposto. Mas eu vou dar a você mais uma chance. Renuncie agora, e será poupado.
Marechal olhava com fúria para Nicolas. Eu não conseguia acreditar.
_Todo esse tempo..._ Começou Kamila.
_Foi tudo um plano._ Concluí.
Ao meu lado, Renne sorriu. Eu dei um tapa nele.
_Você sabia o tempo todo e não me contou.
Renne riu.
_Eles queriam que isso fosse uma surpresa pra vocês.
_Filhas da mãe!_ Disse Kamila.
_Traição!_ Rugiu o Marechal. _Vocês, Linz, pagarão. Resistência, ataque.
Eu temi pelos meus irmãos, mas o exército da Resistência sequer se moveu. Nicolas sorriu de um modo perverso.
_Eles estão do meu lado, Marechal.
_Resistência!_ Rugiu Alex. _Unam-se ao exército de fugitivos. Pois hoje, somos um só exército, contra o MARECHAL.
O exército da Resistência e o dos fugitivos gritaram em aprovação. O primeiro correu em direção ao segundo, mas não pra atacar, e sim para se unir. Eu e Kamila íamos acompanhando, mas paramos ao lado dos nossos irmãos.
_Nem pra dizer que fazia tudo parte do plano._ Eu disse.
Alex sorriu.
_Vocês falam demais, provavelmente iam estragar tudo.
Eu e Kamila demos tapas neles, mas estávamos tão felizes em vê-los assim, que não ficamos com raiva (não tanto).
_Traidores!_ Gritou o Marechal. _Vocês todos vão pagar!
_É melhor sairmos daqui._ Disse Alex. _Não reunimos todos os membros da Resistência, certo?
Nicolas balançou a cabeça.
_Só conseguimos reunir metade, mas lhe garanto que todos que estão aí são a favor do Marechal.
Alex assentiu.
_Não podemos simplesmente partir._ Disse Nicolas.
_Eu sei, temos que fazer uma defesa, para que o resto de nós possa fugir._ Ele olhou pra Nicolas._ Eu lidero.
Nicolas balançou a cabeça.
_Não. Eu lidero.
_Não, os dois, não podem!_ Falei. _Tem que deixar outro liderar.
_Quem?_ Falou Alex.
_Nós lideramos a revolução._ Falou Nicolas, calmamente.
_Mas não podem!_ Eu percebi que estava entrando em pânico.
_Já perdemos vocês uma vez!_ Disse Kamila, que também parecia estar entrando em pânico. _Não podemos perder de novo!
Alex e Nicolas se entreolharam. Eles estavam prestes a dizer alguma coisa, mas nosso pai interrompeu.
_Eu lidero.
Alex e Nicolas arregalaram os olhos.
_Pai, você não pode._ Disse Alex.
_Posso sim._ Ele retrucou. _Sou um General. Vocês tem que ir, tem que liderar a revolução.
Nós quatros nos entreolhamos. Então, Alex suspirou.
_Resistentes e fugitivos._ Chamou. _Preciso que um grupo acompanhe o General Linz para fazer nossas defesas, para que possamos voltar para a sede.
Um grupo se reuniu ao redor do meu pai. Entre eles estava Renne e Lívia.
_Lívia!_ Chamou Nicolas.
Lívia foi em direção a ele, sorrindo.
_Você...
_Eu tenho que ficar._ Concluiu Lívia. _Fique tranquilo, eu vou voltar.
Nicolas suspirou. Foi então que uma ideia surgiu na minha mente. Eles estavam... namorando?
Eu olhei pra Alex, que se limitou a piscar pra mim. Lívia deu um abraço em Nicolas.
_Cuide-se._ Disse Nicolas.
Quando Lívia se afastou, Alex provocou Nicolas:
_Temos que fugir, Romeu.
Nicolas o fuzilou com olhar, mas Alex sorriu. Ele guiou o que restou do nosso exército rumo à sede dos fugitivos, e nós estávamos do lado dele. No caminho, decidi me divertir um pouco também.
_Podia ter contado pra gente que tínhamos uma cunhada pelo menos.
_Calada._ Ordenou Nicolas, mas ele estava sorrindo, e eu, Alex e Kamila rimos.
Era bom ter meus irmãos de volta, mesmo que estivéssemos no meio de uma guerra. Afinal, com os irmão Linz, é sempre hora do show.
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