A Resistência
2 1- Alex: Conselhos
Notas iniciais
Olhava-me na frente do espelho, não acreditando no fato de que finalmente ia entrar na Resistência, o único lugar seguro para imunes ao vírus Exodus. Muito tempo atrás, um grupo de cientistas estava estudando um jeito de deixar seres humanos imortais (a partir de uma água viva, se não me engano). Porém, a molécula que eles estavam estudando acabou virando o vírus. As pessoas afetadas viravam feras. O corpo ficava quase inteiramente coberto de pelos e as unhas viravam garras. Por sorte, foi descoberto que algumas pessoas (como eu e meus irmãos) eram imunes. Então, um grupo de imunes criou a Resistência, que servia para conter o caos causado pelas pessoas infectadas, e tentar achar uma cura.
De qualquer maneira, hoje era o dia onde eu e meus irmãos íamos entrar para a Resistência. Aos dezesseis anos, os jovens tinham essa possibilidade, mas só se tivessem feito o treinamento (que começava aos treze, se quer saber). Coincidentemente, o dia da cerimônia de iniciação era no dia do nosso aniversário.
Alguém bateu a porta do meu quarto. Falei para entrar, e quem apareceu a porta era meu pai.
_Oi pai.
_Meu filho, hoje é o dia.
Eu assenti, sorrindo, sentindo finalmente aquilo se tornar real.
_Sua mãe estaria orgulhosa. Olhar pra vocês hoje, sabendo que mais tarde, vestiriam o uniforme da Resistência.
Eu ia responder, mas senti que minha voz ia tremer e só assenti de novo.
_Seus irmãos estão lá embaixo. Nora trouxe bolo pra vocês.
Eu sorri.
_Nora, sempre fazendo favores a você, pai.
Tive a impressão de vê-lo corar, algo que só durou milésimos de segundo.
_Ela é uma boa moça, filho.
_Eu sei. Acho que faria bem a você.
Meu pai deu um sorriso melancólico, olhando para a foto da mamãe em cima da cabeceira.
_Faz muito tempo pai. Não foi culpa sua, é hora de esquecer.
Mas ele olhou pra mim, com aquele olhar que sempre fazia quando eu tocava nesse assunto. Aproximou-se e me abraçou, dando tampinhas em minhas costas.
_Vou colocar meu uniforme._ Disse. Pra quem ainda não entendeu, meu pai também é da Resistência. _Desça, seus irmãos estão esperando você.
_Ok, já vou.
Ele sorriu uma última vez pra mim e saiu do quarto. Eu voltei a me olhar no espelho. Apesar de todos dizerem o contrário, eu não me sentia parecido com a minha mãe. Mesmo com os cabelos loiros os olhos azuis que eu e meus irmãos herdamos dela, eu não conseguia imaginar como conseguiria parecer com ela. Parecia uma pessoa tão alegre, tão despreocupada (ou tão despreocupada quanto dava pra ser no momento atual). Pensei no que Julia diria se eu falasse esses pensamentos em voz alta.
Virei às costas pro espelho e peguei minha mala. Peguei a foto da mamãe e a coloquei dentro da mala.
_Ainda não está na hora de ouvir seus próprios conselhos._ Falei e desci ao encontro de meus irmãos.
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