A Resistência

31 30- Nicolas: A cura


Pra resumir: a boa notícia é que eu havia descoberto o segredo do cofre. A má notícia é que estávamos sem tempo.

Eu e Alex dissemos para nossas irmãs falarem com todos sobre o que estava acontecendo, e então virem encontrar a gente na sala do Marechal (ou ex-Marechal, já que ele está morto). Fizemos a mesma coisa com Renne, Jack e Ruth. Quando chegamos na sala do Marechal, eu comecei a explicar o plano.

Quando terminei, todos olharam pra mim com olhares confusos. Exceto Julia e Kamila.

—Ele tá certo._ Disse Julia.

Alex parecia olhou pra ela.

—Jura?

Julia lançou um olhar sarcástico pra ele (o que me deixou um tanto desconfiado que talvez eles estivessem brincando comigo, mas foi só uma impressão).

—Tá, quero dizer, mesmo que saibamos disso..._ disse Alex. _ O que quer que esteja lá dentro... Como vai nos ajudar a lidar com isso?

Eu suspirei.

—Alex, acho que tem algo mais lá dentro, algo além dos mapas de Aeon.

—Por quê?

Outro suspiro.

—Quando você estava fora, quando eu era da elite, vim algumas vezes na sala do Marechal._ Apontei para o cofre. _Ele tratava essa coisa como se fosse o filho dele. E eu tenho um pressentimento que seja lá o que for que estiver lá dentro, ele queria manter longe da gente.

—Talvez seja por isso que ele guardou num cofre._ Disse Jack.

—Talvez seja pra isso que cofres sirvam._ Rebateu Alex.

—Alex, você ouviu o sentinela._ Argumentei. _Um exército de 160 Exodus se formou. Os ninhos tem no máximo 20, porque mais Exodus que isso causaria um carnificina entre eles. O fato de eles se unirem desse jeito significa que algo muito perigoso está acontecendo.

—Tá, mas ainda assim...

—Alex!_ Chamou Kamila. _Temos que tentar.

Foi então que percebi que Kamila tinha um poder incrível de convencer o meu irmão. Alex suspirou, então disse:

—Ok, abra.

Eu obedeci. Digitei os quatro dígitos, e a porta do cofre se abriu. Todos olharam com expectativa, e como eu esperava os mapas estavam lá dentro. Mas não eram só os mapas.

—Aeon é uma ilha._ Anunciou Ruth. Eu tive que me esforçar pra me concentrar na voz dela.

Os mapas mostravam isso. Aeon era uma ilha. No centro dela, ficava a Resistência, e havia alguns círculos no mapa, alguns marcados com um “x” vermelho.

—Os ninhos._ Falou Alex, e eu assenti. Os círculos que não estavam marcados eram todos os ninhos que ainda não haviam sido destruídos, e os que estavam marcados, já haviam sido destruídos.

Eu ainda não havia me concentrado o suficiente para perceber outra coisa. Felizmente, Alex sempre percebe tudo (sim, eu estou puxando o saco dele).

—Você disse que tem 160 Exodus lá certo?

Eu olhei pra ele.

—Sim.

—Cada ninho tem no máximo 20, não é?

—Alex..._ Chamei. _Ao ponto.

Ele me deu um pequeno empurrão para o lado.

— Olha isso. Só tem 10 círculos que não foram marcados.

Eu arregalei os olhos.

—Isso significa..._ Começou Ruth.

—Que pelo menos 8 dos 10 ninhos que ainda faltam destruir em Aeon estão unidos._ Terminei.

Renne franziu a testa.

—Ok, deixa eu ver se entendi. A boa notícia é que 160 dos 200 Exodus que existem em Aeon estão nos atacando ao mesmo tempo, e estamos com um exército de 400 pessoas. A má notícia, é que 160 dos 200 Exodus que existem em Aeon estão nos atacando ao mesmo tempo, e estamos com um exército de 400 pessoas. Entendi certo?

Alex suspirou.

—Sim.

Jack então, decidiu se pronunciar.

—Eu não entendo. São 160 contra 400. Por que temos que ter medo?

—Porque estamos enfrentando seres imunes às ações do tempo, que só podem morrer em combate, e são praticamente invulneráveis._ Respondeu Ruth.

—As maneiras mais fáceis de detê-los são com espadas, lança-chamas, ou escopetas, ou seja, armas que requerem muita aproximação física. E ficar muito perto de um Exodus não é muito recomendável._ Disse Kamila.

Finalmente consegui achar uma brecha para olhar o outro papel. Lá tinha algumas anotações estranhas, mas que eu consegui entender.

—Jack._ Chamei. Ele se aproximou e leu o papel. Jack Hord olhou para o cofre, e colocou a mão dentro dele, e tirou... balas.

—O que é isso?_ Perguntou Alex.

—Balas._ Respondi. _De revolver, para ser mais específico.

Alex revirou os olhos.

—Disso eu sei gênio, mas o que as diferenciam de balas de um revolver comum.

—O Marechal estava tentando militarizar a Resistência por um motivo, Alex._ Explicou Jack, e ergueu a embalagem transparente que continha cerca de 600 balas. _Essas balas contém o veneno dos Exodus. Uma bala dessas, e um Exodus morre.

Alex retesou, e cerrou os punhos. Eu sabia o que ele estava pensando.

—Não importa._ Falei. _A forma como ele fez isso ainda foi errada.

Ele me deu um sorriso, como se estivesse agradecendo.

—O que fazemos agora?_ Perguntou Julia.

Alex foi para a janela do Marechal.

—Equipem todos. Deem aos generais e comandantes algumas dessas balas. Nós sete vamos ficar com a maioria. Entendido?

Todos nós assentimos, e fomos nos organizar.