A Resistência
4 3- Alex: Os Exodus
Meu pai e o Marechal saíram da parte de trás do palco, em direção à saída. Antes que eu pudesse perceber, já estava os seguindo, empurrando com os cotovelos os outros jovens. Ouvi Nicolas gritar meu nome, e percebi de que meus irmãos estavam me seguindo.
Cheguei à entrada da sala de cerimônias e comecei a subir as escadas. Ao chegar ao topo, os vi pela primeira vez.
Os Exodus eram mais assustadores quando vistos ao vivo. As garras eram mais afiadas que as lâminas das espadas dos soldados da Resistência, e cada dente era maior do que o meu dedo. Havia dois Exodus caídos, mortos no chão e um vivo. Esse pegou um soldado e lançou ele na minha direção. Eu me escondi atrás da parede, torcendo para que o Exodus não tivesse me visto. Quando tornei a olhar a cena, vi que o Exodus se preparava para pular em cima do meu pai. Eu peguei, então, a arma do soldado morto caído no chão e atirei nele. Acertei-o na cabeça, o que só serviu pra fazê-lo recuar e virar sua atenção pra mim. Eu tentei dar outro tiro, mas justo naquele momento, as balas acabaram. “Maldita sorte”, praguejei mentalmente. ~
O Exodus veio na minha direção, correndo em alta velocidade. Eu tentei correr, mas minhas pernas travaram. Por sorte, Nicolas fora mais rápido. Ele pegou a espada do soldado, correu contra o Exodus e pulou, brandindo a lâmina, decepando a cabeça do monstro.
Quando tudo acabou, percebi que todos, inclusive minhas irmãs, olhavam para mim. Nicolas se aproximou de mim e segurou meu braço com força.
_Você está bem?_ Perguntou, com a expressão séria e a voz grave.
Quando meu irmão falava assim comigo, eu sabia que havia feito besteira.
_Sim._ Respondi, sentindo meu rosto esquentar. _Obrigado por salvar a minha vida.
_De nada._ Disse Nicolas, sorrindo. _É o meu trabalho.
O Marechal pigarreou, fazendo com que nós dois olhássemos para ele.
_Suponho que esses sejam seus filhos, General Linz.
_Sim, Marechal._ Falou meu pai, me olhando seriamente.
_Bem, bom trabalho rapazes. Tenho certeza de que serão um grande reforço para a Resistência._ O Marechal olhava mais para Nicolas do que para mim quando falou isso.
_Obrigado, senhor._ Falou Nicolas, fazendo sinal para que eu ficasse calado. Eu não ousaria fazer o contrário de qualquer jeito.
_Bem, Thiago, peço para que leve seus filhos de volta à sala de cerimônias enquanto a gente arruma essa bagunça.
_Sim, Marechal.
Meu pai andou na nossa direção, puxando a mim e a Nicolas pelo braço. Quando viu Julia e Kamila nas escadas, mandou que elas o seguissem. Ao chegarmos na sala de cerimônias, mandou que meus irmãos seguissem o seu caminho até a parte de trás do palco. Quando eles se afastaram, meu pai começou a bronca.
_O que deu em você?
_Aquele Exodus ia te matar.
_É, aí você faz aquilo e quase se mata. Faz ideia de como eu me sentiria se te perdesse?
_E você, faz ideia de como eu e meus irmãos íamos nos sentir se perdêssemos você logo hoje, no dia do nosso aniversário, no dia em estamos entrando pra Resistência?_ Falei, quase gritando. Meu pai ficou calado. _Me desculpe por tentar salvar a sua vida.
E me afastei, sem pensar duas vezes, sentindo as lágrimas chegarem ao meu rosto. Eu as reprimi. “Órfãos não tem tempo pra chorar.”
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