A Resistência
30 29- Alex: Uma nova guerra
Se passaram dois dias desde a nossa vitória contra os resistentes. Mas a fuga deles não nos fez relaxar. Sabíamos que eles poderiam voltar.
—Relaxe._ Disse Renne, enquanto eu conversava com ele. _Nenhum dos sentinelas viu nada até agora, e eu não acho que os traidores vão voltar tão cedo. É até capaz que eles se matem uns aos outros.
Parte de mim sabia que ele estava certo, mas eu não podia tirar de mim o sentimento que algo iria acontecer. E Nicolas parecia sentir a mesma coisa.
—Onde está ele?_ Perguntou Julia no refeitório, durante o jantar.
Eu dei de ombros.
—Está estudando alguma coisa._ Falei. _Eu não tenho a menor ideia do que é, mas parece estar obcecado.
Julia e Kamila fizeram um careta. Julia tinha começado de vez a namorar com Renne, e Kamila estava ficando muito próxima de Jack. De vez em quando eu agia como o irmão ciumento, mas eu não me importava. Gostava de Jack e Renne, eram boas pessoas (Kamila tinha me dito uma vez que eu parecia o papai).
—Fiquem tranquilas._ Falei. _Ele vai ficar bem.
Como se ele tivesse ouvido, Nicolas entrou no refeitório naquele momento. Ele nos avistou, e veio sentar ao lado de Kamila.
—Onde estava?_ Perguntou Kamila.
—No quarto._ Falou. _Estudando.
—Que milagre._ Disse Julia, ao meu lado, com um sorrisinho.
Nicolas também sorriu, o que me deixou um pouco aliviado. Desde a morte do nosso pai e de Lívia, Nicolas agia daquele jeito.
—Alex, preciso falar com você._ Disse ele.
Eu suspirei.
—Pela milésima vez Nicolas: não, não pretendo ser o novo Marechal.
—Não é isso!_ Rebateu. _Apesar que eu realmente ache que você deva assumir esse posto oficialmente. Até porque, todo mundo já te vê com um líder mesmo.
—O que você quer?_ Falei, começando a ficar irritado.
—Eu descobri algo sobre os Exodus, e sobre Aeon._ Ele sussurrou.
Eu franzi a testa, e retesei. Desde a nossa vitória, eu queria entender como era Aeon. Os mapas de Aeon ficavam num cofre, na sala do Marechal, e ninguém consegui abri-lo, não importava o que fizéssemos (acredite, eu dei um tiro de escopeta naquela droga).
—Como?_ Perguntei.
—Eu fiz contas._ Falou Nicolas. _Fui pra sala do Marechal, estudar o cofre, e então eu percebi. Tudo na sala do Marechal era uma pista de cada número.
Às vezes eu me esquecia de como Nicolas era inteligente (mesmo tendo escolhido ser um soldado). Eu sempre me assustava quando ele resolvia uma equação do tamanho deu um quadro (aconteceu uma vez, mas falei isso metaforicamente).
O cofre do Marechal funcionava num sistema de quatro números, números que mudavam aleatoriamente de acordo com as mudanças do Marechal. Ninguém sabia os números, a não ser o próprio líder da Resistência.
—Uau!_ Falei. _ E então, são boas ou más notícias?
Quando Nicolas estava prestes a falar, o sentinela que estava de guarda entro no refeitório, me chamando aos gritos.
Corri até ele, e meus irmãos me seguiram.
—O que houve?_ Perguntei.
Ele estava com os olhos desfocados, e cheios de medo.
—É o exército de resistentes?_ Perguntou Nicolas.
Na hora que ele perguntou aquilo, eu já sabia o que era que estava acontecendo. Algo muito pior do que o exército de resistentes.
—Não!_ Disse o sentinela. _São Exodus.
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