A Resistência
24 23- Nicolas: Eu me arrependo
Parecia que uma névoa caiu sobre nosso exército.
_Não._ Sussurrou Julia, com lágrimas no rosto. Kamila chorava também. E Renne parecia se controlar com todas as forças.
Eu não sabia como reagir, e Alex também parecia não saber. Ele xingou o Marechal baixinho.
_Se recomponham!_ Ordenou. _Temos que atacar.
Eu olhei para ele. Renne fez o mesmo.
_Bones..._ Chamou Renne (Bones era o apelido de Alex entre os soldados). _Precisamos descansar. A batalha foi difícil.
Alex quase discutiu, mas eu o interrompi:
_Alex, Renne tem razão. Precisamos descansar.
Meu irmão me fuzilou com o olhar.
_E o que vamos fazer?_ Ele indagou, com a fúria estampada nos olhos. _Eles não esperam outro ataque. Se esperarmos, vamos dar tempo pra eles se organizarem.
_E se atacarmos agora vamos ter mais baixas._ Argumentei. _Não temos um plano, Alex. Quero atacar o Marechal tanto quanto você, mas não podemos.
Alex estava prestes a discutir de novo.
_Parem!_ Gritou Kamila. _Parem de discutir! Isso não vai levar a nada!
Meu irmão olhou pra Kamila, e seu olhar suavizou um pouco. Alex nunca gritaria nem com Kamila, nem com Julia.
_Ok._ Disse ele, e sua voz falhou. _Jack, Nicolas e Peter, quero que façam o nosso plano de ataque.
Ouvir Alex chamando Renne pelo verdadeiro nome foi estranho. Meu irmão foi pra sede.
_E você, o que vai fazer?_ Perguntei.
_Vou organizar uma droga de funeral!_ Rugiu, com olhar me desafiando a falar algo mais. E então, entrou na sede.
Um silêncio enlouquecedor caiu sobre nós, quebrado apenas pelo choro de Kamila e Julia. Eu olhei pra Renne.
_Sinto muito._ Falou, com lágrimas nos olhos e a voz falhando.
Eu balancei a cabeça.
_Não foi culpa sua._ Eu olhei para a sede, para a porta por onde Alex tinha passado. _Onde está Jack?_ Perguntei, sem ter a mínima ideia de quem era Jack.
Jack se aproximou. Eu coloquei a mão em seu ombro.
_Por favor, obedeça Alex._ Pedi. _Junte-se a Renne e faça o plano de ataque. Eu vou ver como Alex está.
_Pode deixar._ Disse Jack, assentindo.
_Os demais..._ Falei, erguendo os olhos. _ajudem a cuidar dos feridos.
E fui em busca de Alex. Ele estava nos fundos da sede, numa espécie de jardim que tinha ali. Na verdade, era só um espaço aberto. Mas as pessoas gostavam de pensar que outrora aquilo fora um jardim.
Alex estava sentado no chão, com lágrimas nos olhos. Ele olhava para o nada, mas assim que eu cheguei ele olhou pra mim.
_Que é?_ Perguntou.
Alex odiava chorar na frente de outras pessoas, principalmente quando essas pessoas eram eu e minhas irmãs.
_Estou tão abalado com você, Alex._ Falei. _Mas você não pode agir assim.
Ele deu um sorriso sofrido e se levantou.
_Você está certo, Nicolas._ Disse ele. _Até porque eu não posso errar, não é? Eu tenho que ser perfeito. Tenho que ser um exemplo pra vocês!
_Ninguém disse isso, Alex._ Repliquei. _Você que assumiu essa responsabilidade. E não pode assumir uma responsabilidade sem que as pessoas esperem que você a cumpra.
Eu esperava que ele discutisse, que ele falasse algo, que ele gritasse. Qualquer coisa seria menos doloroso do que ele fez.
_Certo, Nicolas._ Disse ele, com a voz suave. _Faça o que quiser. Fale o que quiser. Julgue quem você quiser._ Ele passou por mim, sem olhar nos meus olhos. _Eu não ligo.
Ele saiu, me deixando sozinho. Eu sentei no chão, e olhei para o nada. As lágrimas vieram, mas eu não tentei evita-las.
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