A Resistência
11 10- Kamila: O projeto explosivo
Eu e Julia estávamos no refeitório, após nosso primeiro treinamento como lecionadoras. Foi dividido em duas partes. A primeira era uma parte escrita, onde devíamos responder perguntas de lógica. A segunda foi basicamente um teste de confiança, onde devíamos dar instruções para alguns lecionadores veteranos passarem por um caminho. Foi bem fácil, apesar de ter certeza que Julia havia se saído melhor do que eu. Aquela altura, nos perguntávamos como Nicolas e Alex haviam se saído nos seus testes.
_Chegaram._ Disse Julia ao meu ouvido. Eu olhei para a porta do refeitório, e lá estavam eles.
Eles estavam com Lívia e com um soldado de cabelos negros. Os quatro conversavam animadamente, porém bem baixo. Pareciam falar sobre alguma coisa, arrumar alguns detalhes. Eles pararam quando Alex me viu. Então, Lívia e o soldado falaram mais alguma coisa com eles, e se afastaram.
_O que vocês estavam conversando?_ Perguntei, quando eles chegaram à mesa.
_Sobre o nosso teste._ Falou Alex, mas Nicolas meio que entregava que algo estava errado.
Eu ergui uma sobrancelha.
_Nicolas?
Ele olhou pra mim.
_O quê?
Alex olhou pra ele com um olhar meio decepcionado.
_Julia?_ Me dirigi à minha irmã. Ela simplesmente deu de ombros.
_Eu não tentaria tirar uma informação de nenhum dos dois.
_Obrigado, querida irmã._ Falou Alex, sorrindo.
_Você sabe que eles são tão flexíveis quanto uma pedra.
Alex fechou os olhos, e fez uma expressão de carinho sarcástico.
_Obrigado, querida irmã._ Essa vez foi com mais ênfase.
_De nada, querido irmão._ Julia inclinou a cabeça pro lado, sorrindo.
Continuamos conversando, apreciando a comida, e falando das nossas expectativas para o resultado dos testes.
_E como foi andar com a Lívia?_ Provocou Julia.
Alex se recostou na cadeira e olhou pra Nicolas com um olhar engraçado.
_Hilário, isso, viu? Muito engraçado._ Disse Nicolas, corando.
_Eu concordo._ Falou Alex rindo, e eu e Julia o acompanhamos. Mas uma explosão fez a gente se calar.
_O que é isso?_ Perguntou Nicolas.
_Veio do subsolo._ Respondeu Alex.
De uma hora pra outra, o caos começou. As pessoas começaram a conversar, falar, transformando o refeitório num debate bem animado. Alex e Nicolas trocaram olhares, se levantaram, e andaram em direção à saída do refeitório. Eu e Julia também trocamos olhares, e fomos atrás deles.
_Ei, voltem!_ Pediu Julia. Eles não obedeceram.
Chegaram à escada que levava ao subsolo, e descemos. Descemos pelo que pareceu um minuto, até acharmos o lugar da onde veio o ruído.
_As masmorras._ Falou Alex.
_Masmorras?_ Falou Julia.
_O lugar onde os poucos criminosos ficam._ Esclareceu Nicolas.
_É sério que mesmo com todos esses problemas...
_Ainda tem gente que se aproveita de outras pessoas, é, exato.
Nós quatro paramos por um tempo.
_Vamos andando._ Falou Alex.
Andamos pela escuridão, sem parar por nada, procurando o local exato do barulho, Alex à nossa frente.
_Sério, Alex, você tem que parar de fazer isso._ Disse Julia.
_Calada._ Retrucou Alex.
_Não me mande ficar calada.
_Então não vai escutar os passos que estão vindo.
Paramos e realmente havia barulho de passos. Entramos na primeira masmorra aberta que apareceu, e nos escondemos. Esperamos, colados à porta, por mais ou menos dois minutos. Ouvimos vozes quando os passos se aproximaram mais. Uma, reconhecemos, ser do nosso pai, e a outra, do Marechal.
_Eu não entendo, Marechal._ Disse papai. _Por que está tão preocupado com esse projeto?
_Meu caro General Linz, tem que entender que a mente de um líder trabalha 24 horas por dia, e cada vez mais cria mais problemas. Eu quero me livrar de certas coisas no nosso território, e esse projeto é o melhor jeito.
Os dois ficaram em silêncio. Depois, meu pai falou:
_O pessoal lá de cima deve ter ouvido isso.
_Ah, deve._ Disse o Marechal. _Com certeza, o General Light deve ter cuidado disso. Ou talvez um outro tenente. Aliás, Thiago, já que tocamos nesse assunto... Eu devo dizer, seus quatro filhos são notáveis.
_Obrigado, Marechal._ Falou meu pai, cautelosamente.
_Disponha._ Disse o Marechal. _Essa geração nova de membros deve ser muito boa, com certeza será uma das melhores. E eu devo dizer, que um dos seus filhos deve ser o novo Marechal.
_Sério?_ Falou meu pai, deixando escapar a alegria na voz.
_Sim, General Linz. Agora, você está liberado.
Então os passos foram se distanciando, um pareceu ir para cada lado. Antes de sairmos, nos entreolhamos, e meus irmãos também não pareciam ligar para o fato de um de nós ser o possível futuro Marechal (ou a futura).
_Ele quer se livrar de algo._ Falou Alex. _E pra isso, tem que fazer esse alvoroço todo.
_Nora tem razão._ Falou Julia. _Tempos difíceis estão por vir.
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