A Relíquia De Urano
8 Um deus me dá alguns conselhos.
Quando se é um filho de Atena e tem irmãos muito sacanas, você descobre que as vezes é bom ser filho único de seu pai.
Estava dormindo a um bom tempo e quando acordei estranhei um pouco que ninguém havia ido me acordar nem nada, um verdadeiro milagre. Esfreguei os olhos algumas vezes, mas com eles ainda fechados notei o quanto estava claro no chalé. Me sentei e notei que a cama pareceu oscilar um pouco, era impressão minha ou a cama estava rodando? Abri os olhos e vi que eu não estava no chalé, e sim no meio do lago flutando em meu colchão. Olhei ao redor e vi ao longe Bruno e Jeff rindo muito.
- SEUS DESGRAÇADOS!-gritei e eles riram ainda mais. — Idiotas...
Não vi outra opção senão mergulhar no lago para poder tirar meu colchão dali. Depois de levar o colchão até a margem do lago, saí o mesmo totalmente molhada e comecei a arrastar o colchão até o chalé 06. Ao chegar lá, deixei o colchão na varanda então entrei no chalé e vi todos meus irmãos ali, inclusive Bruno e Jeff, os dois ao verem a minha cara começaram a se levantar de seus lugares lentamente.
- Phodeu. — disse Bruno simplesmente, e ele e Jeff tentaram correr para o dormitório masculino, então fui atrás deles.
*
Naquele dia tinha aula de escalada na Parede de Lava e também instrução de equitação com pégasus. Não estava nem um pouco animada para a aula de escalada, pois da última vez que eu tentara subir cheguei a um certo ponto que a parede começou a tremer e eu acabei escorregando e caindo dela, para a minha sorte foi uma queda de uma altura pequena. Mas mesmo assim, ainda meio traumatizada, fui para a aula que naquele dia, graças aos deuses, foi teórica. O professor, Róger, filho de Deméter, falou sobre os melhores pontos para poder apoiar os pés e as mãos. Quando a aula finalmente acabou, segui junto com alguns campistas em direção aos estábulos aonde seria realizada as aulas de equitação com a Caçadora Mayomie, que era uma filha de Poseidon e estava a MUITO tempo na Caçada. Já estava nos estábulos em pé no portão da baia de Raigon, um pégaso totalmente branco , exceto por sua crina que era cinza. May ainda não havia chegado, de forma que nos estábulos muitos campistas conversavam entre si. Eu por minha vez falava com meu pégaso.
- Ei Malu, por que está ai quieta? — escutei alguém perguntar. Era Renato. — Eu sou uma pessoa quieta tá? — falei mostrando a lpingua para ele. — Aham, quem te iludiu? — perguntou ele erguendo uma sobrancelha e eu sorri relutante. - Ninguém me iludiu o.k.? Estava só pensando... - falei dando de ombros, então pulei do portão da baia, aonde estava em pé, para o chão. — Sobre...? — perguntou ele, mas não o respondi. Pois May chegou e antes de começar a aula me chamou. — Malu, o sr. D quer vê-la na Casa Grande. Ou seja, você está dispensada da aula hoje. - falou ela e todos ali me olharam. Fiz uma careta para o Renato tipo "Depois falo com você". Então fui para a Casa Grande sem ânimo algum. Acho que eu preferia tentar subir na parede de escalada do que saber o que o sr. D queria falar comigo.
Fui em direção a Casa Grande andando lentamente, mas ainda assim não demorei muito a chegar lá, infelizmente. Na varanda da Casa Grande estavam Quíron e o sr. D jogando algum jogo de cartiado. Fui até eles e me encostei na sacada e cruzei os braços.
- Muito bem, o que você quer? — perguntei para Dionísio, enquanto Quíron apenas se mantinha em silêncio, uma sábia decisão.
- Ora está de mal — humor é criança? — perguntou Dionísio.
- Eu. Não. Sou. Criança. — falei respirando fundo. — Agora fale logo o que você quer pois eu estou perdendo uma aula muito legal de equitação.
- Se lembra o que eu lhe disse no verão passado? "Prove-me o contrário e irei parar de te chamar assim" — ele suspirou. — Bem te chamei aqui para continuar seu treinamento é claro.
- Treinamento? Você? Aham, ta bom — falei balançando a cabeça.
- Sim, o seu treinamento. Você tem que aprender a usar seus poderes direito garota. — falou ele e eu olhei suplicante para Quíron.
- Bom eu tenho que dar uma aula de Arco e Flecha agora... — falou Quíron saindo de dentro de sua cadeira de rodas, e logo indo em direção ao anfiteatro.
- Sente-se. - falou Dionísio acenando para uma cadeira na sua frente.
- Não, obrigada - falei ainda de braços cruzados, mas Dionísio me lançou um olhar tão maléfico quanto o da Lisa, então me sentei.
- Muito bem, o que você sabe fazer além de evocar olivas como seus irmãos, se misturar nas sombras como Hades, evocar coisas e se teletransportar para o Japão?
- Não sei, ainda não tentei fazer nada a não ser essas coisas. — falei dando de ombros.
- Certo, pelo visto vou ter mais trabalhos ainda com você - suspirou Dionísio.
Para começar o meu "treinamento" Dionísio mandou que eu evocase uma Coca — Dieat, mas tudo o que eu consegui foi evocar um tijolo (que caiu na cabeça dele), uma cadeira e um prato (que também caiu em sua cabeça). Depois de algum tempo Dionísio desistiu de me fazer evocar coisas (acho que ele ficou com medo), e tentou fazer com que eu mudasse minha aparência, mas o máximo que eu consegui fazer foi acrescentar alguns centímetros a mais na minha altura.
- Você não está devidamente concentrada — falou Dionísio, exasperado.
- Sim, eu estou! — exclamei.
- Não, não está. Parece que tem algo te incomodando, o que é? — perguntou ele. Por um momento hesitei, então por fim dei de ombros e falei.
- É só que ando pensando no que Hades disse sobre o meu prazo, até depois da guerra. Mas eu me pergunto que guerra é essa. — falei para Dionísio. Por que eu havia falado aquilo para ele hein?
- Porque você precisa de um conselho - disse ele como se tivesse lido minha mente. — Quer um conselho? - Seu? Não obrigada, eu dispenso. — falei.
- Sabe, você só tem que parar de pensar nisso. Mais hora menos hora você vai descobrir o que Hades quis falar. — disse Dionísio do mesmo jeito, e eu apenas suspirei. Acho que pela primeira vez na vida ele tinha falado algo inteligente.
- Bom já que estamos no momento "Conselhos do Cara do Vinho" o que você acha que eu devo fazer com relação à proposta que o Conselho me fez? — perguntei a Dionísio, e pelo visto ele não gostou muito quando o chamei de "Cara do Vinho".
- Bem isso é fácil. Faça o que você acha que é o melhor para você — falou ele. - Bom por hoje terminamos. Amanhã quero você aqui neste mesmo horário.
Ele então se levantou e entrou na Casa Grande, me levantei pensando nos Conselhos que Dionísio me dera. Que por incrível que pareça haviam sido bons conselhor. Suspirei e fui para os estábulos para ver se a aula de equitação já havia acabado ou não.
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