A Relíquia De Urano

11 Perco um amigo antes da guerra.


As semanas seguintes ao aviso de Quíron foramagitadas, muitos campistas iriam para a ilha de Creta, e alguns veteranos juntos com a maioria dos novatos ficariam para proteger o acampamento. Quíron e o sr. D haviam dividido os campistas em dois batalhões. Eu havia ficado no primeiro, com Leandro, Renato, Clarinha, Duda, Nico, Gi, Pedro, meus irmãos Hevelyn, Jeff, Bruno, e Esther, Nicole, filha de Hades e seu irmão Gabriel e alguns outros campistas com que eu não falava muito. Os que sobraram haviam ficado no 2° batalhão. Quíron e o sr. D de qualquer jeito teriam de ficar no acampamento, uma vez que os deuses não podiam entrar na ilha de Creta. Estranho. E sim, eu era uma deusa, e sim eu podia pisar na ilha. Tenso. Estava tentando botar apenas o essencial na mochila, mas o saco de dormir já ocupava toda ela. Foi então que Jeff entrou no dormitório feminino com várias mochilas camufladas e me entregou uma. Tentei protestar falando que já tinha a minha, porém ele falou que aquela não era uma mochila qualquer. Era um presente de Hermes para quem estava indo para a guerra, e segundo Jeff a mochila era mágica. Peguei-a então e botei meu saco de dormir, logo em seguida botei algumas coisas minhas e tudo coube perfeitamente nela. Pus a mochila nas costas esperando que ela estivesse pesada, porém a mochila estava extremamente leve. Segundo o Jeff, Hermes falou que na mochila podíamos botar o que quiséssemos nela e ela nunca ficaria pesada.

Depois de arrumar minhas coisas na mochila deixei-a em um canto e saí do dormitório feminino. Estava prestes a sair do chalé quando escutei alguém bater na porta com muita força, que cheguei a pensar que a pessoa fosse derrubá-la. Como era a única no chalé, fui até ela e a abri, logo dando de cara com Jow, o filho de Hades. O garoto tinha uma expressão estranha no rosto e seus olhos pareciam ter visto uma coisa, realmente muito ruim.

- O que houve? Outro ataque? — perguntei já ficando mais alerta. — Pior, outra baixa. — falou ele, e não gostei nadinha disso.

*

Ao chegar correndo no lago com Jow vi minha irmã Lucia sentada ao lado de um corpo todo ferido no chão. Lucia estava com uma expressão estranha no rosto que não consegui distinguir o que era. O corpo no chão me parecia muito familiar... Me aproximei correndo e vi finalmente quem era. O corpo era de Rafael, filho de Deméter e meu melhor amigo.

- O que aconteceu? — perguntei sem conseguir acreditar no que via.

-Não sei, eu e o Jow chegamos aqui ... — disse ela corando um pouco, mas não liguei, queria saber o que havia acontecido com Rafael e não o que ela e Jow tinham ido fazer ali — ... e o encontramos assim. Pensamos que ele estava morto, então o Jow foi te chamar. Mas o Rafael não estava morto, não ainda.

- Como assim não estava morto? Eu juro que senti a morte nele quando chegamos aqui. — falou Jow.

- Não, ele ainda não estava morto. Depois de que o Jow fo, ele abriu os olhos e ficou dizendo "Diga a Coala, que tudo ficará bem..." e algo a ver com ciclopes também, mas então pouco antes de vocês chegarem... — disse Lucia, então prosseguiu — Vocês sabem que "Coala" é esse?

- Não — disse Jow.

- Sim, eu sei. Sou eu. — falei e Lucia e Jow erguerem as sobranchelhas, claramente me questionando. — Era assim que ele me chamava, Coala, e eu o chamava de Panda.

- Você sabe o que ele quis dizer então? — perguntou Lucia e eu balancei negativamente a cabeça.

- Não faço a menor ideia, só entendi talvez a parte dos ciclopes. Devem ter sido eles que fizeram isso com o Rafael, mas acho melhor avisarmor Quíron sobre isso e aos filhos de Deméter — falei olhando mais uma vez para o cadáver que um dia fora meu melhor amigo.