A Relíquia De Urano

19 Um pouco de descanso.


Depois de ajudar os feridos a irem para dentro do QG, fui para um dos vários quartos do QG e me deixei cair em um dos beliches, senti minhas costelas doerem um pouco. Me perguntava o que eu havia feito, havia acabado de cortar a garganta de uma pessoa friamente e nem sequer havia me abalado. O que estava acontecendo comigo? Quando eu havia me tornado tão fria para chegar a esse ponto? A resposta era simples. Eu havia me tornado uma deusa, e deuses sabem ser muito frios e distantes, era extamente isso o que estava acontecendo comigo. E no fundo eu sabia que já era uma pessoa fria para chegar a esse ponto a algum tempo, quando eu vi o que fizeram com meu amigo Rafael.

- Filha? — escutei uma voz conhecida e um pouco insegura me chamar.

- Pai! — exclamei me levantando muito rápido e sem querer bati a cabeça na parte de cima do beliche. — Ai!

-É, é você mesma. Minha princesa, você está bem? — perguntou meu pai, e ao olhar para a mensagem de Íris, vi a procupação em seus olhos.

- Sim papai. Estou bem, até agora não estou gravemente ferida nem nada. — falei dando um pequeno sorriso para ele.

- Por que você diz que está bem, mas não é isso o que parece na sua expressão? — perguntou ele, e eu suspirei, então rapidamente lhe contei o que havia acabado de acontecer. — Ah... não fique assim.

- Pai você escutou o que eu disse? Eu matei uma pessoa — falei, então respirei fundo e algo passou por minha cabeça. — Como você sabia que eu estava aqui?

- Sua mãe veio nos fazer uma visita... ér quer dizer, ela veio me fazer uma visita. — disse papai, se atrapalhando um pouco com as palavras.

- Como assim "nos fazer uma visita"? — perguntei me sentando direito e cruzando as pernas.

- Eu disse " me fazer uma visita" — disse ele, mas eu apenas ergui uma sobrancelha e ele suspirou — Tá bom, tá bom. Não consigo mentir para você, eu vou me casar.

Ao ouvir isso me engasguei, e só depois de muito tempo consegui voltar ao normal, graças a uma ajudinha de Renato que apareceu por ali.

- Como é? Com quem? — perguntei alarmada enquanto Renato olhava para mim sem entender nada.

-Ér... com a mãe do seu amigo ai. — falou meu pai apontando com o queixo para Renato.

- O QUÊ?! — gritamos ao mesmo tempo e a mensagem de Íris se desfez, a última imagem que tive de meu pai, foi dele sorrindo.

- Legal, vamos ser meio — irmãos agora ! — exclamou o garoto enquanto eu fazia uma careta.

Tudo bem que ia ser legal ter um meio — irmão, ainda mais se fosse o Renato, mas eu ainda estava tentando processar essa informação. De repente me preocupava apenas com o meu amigo, iria proteger essa criança de qualquer forma, mas não porque sentia que era uma obrigação. Mas agora que sabia que nossos pais iam se casar era exatamente isso o que eu sentia. Tinha a obrigação de protegê-lo, mas ainda assim ao olhar para o garoto não consegui deixar de dar um sorriso.

- Sim, muito legal. Agora vou ser tipo sua irmã mais velha. — falei — E você vai ter de me obedecer.