A Redentora

1 Purificação


Notas iniciais
Eu não sou sociopataPlagio é crimeTotalmente originalEla realmente ama a Lídia, por isso a escolheu.NÃO TERÁ CONTINUAÇÃO.Boa leitura.A Serena é bissexual, não lésbica.Espero que gostem, tentei inovar e acho que me empolguei muito >Eu realmente gosto da Serena, ela não é cruel só meio perturbada.

Eram 9 horas da manhã. Todos os dias, nesse mesmo horário, ela saia de casa e caminhava sozinha por cerca de 30 minutos, até chegar a uma pequena lanchonete no fim de uma rua sem saída.

A lanchonete se chama Hope’s, um lugar velho com 7 mesas e uma garçonete gorda que cheirava a fritura e perfume barato. As cadeiras já começavam a soltar o estofado de tão velhas e gastas, e as paredes soltavam lascas de tinta e tinham marcas de mofo e umidade.
Era um local degradante, feio e esquecido.
Mas ela gostava, era excluído e sempre havia pouquíssimas pessoas, nenhuma delas era aparentemente simpática ou teimavam em puxar conversa com ela. Vez ou outra algum espertinho flertava com ela, mas era ignorado com uma frieza controlada e polida, um olhar tão cruel que os homens a deixavam de lado e ela se via em paz. Era bom.

Sua mãe a chamava de Serena. Ela gostava de como soava e também da perfeição que o nome caia sobre ela. Sua mãe, já morta, era muito sábia, porém fraca. Serena era um nome perfeito, sempre tão controlada que seus amigos a achavam assustadora, quase macabra.
Ela sorriu, sempre escolheu pessoas espertas para estarem ao seu redor.
Sim, tudo nela era controlado. O sorriso, as palavras, as roupas e até o perfume, tudo tinha um propósito. Serena gostava de estar no controle, sempre foi capaz de fazer a mesa virar ao seu favor e aprendera muito cedo a conseguir o que queria.

As pessoas eram tão tolas, pensava. Tão fracas. Quanto mais fraca era, mais facilmente as manipulava. Mas ela não era uma pessoa ruim, oh não. Não se considerava ruim, do contrário, era muito amável com os insetos que atravessavam seu caminho.

Morava em um pequeno bairro ao sul de sua cidade. Aconchegante e muito calmo, ela era rodeada de vizinhos. A jovem sempre tinha sido tão gentil, lhes diziam. Tão bonita. E Serena ria, adorava a ignorância das mulheres, a incapacidade de ver o que estava debaixo da educação minimalista que ela apresentava. Mas adorava ainda mais conquistá-las. Não eram como os homens, fáceis e bobos, as mulheres eram para ela um mistério, e Serena adorava um mistério. Ela precisava agradar, mentir, manipular, fingir e dar a elas o que queriam várias e várias vezes e nem sempre as atraía de primeira. Era como uma brincadeira de gato e rato, o predador se preparando para capturar a pobre presa. No fim ela sempre conseguia, claro. Ahn se soubessem da verdade, que diriam? Ela gostaria de saber, mas não saberia. O segredo era um alívio reconfortante e um estímulo promissor.

Lembrava-se da primeira vez que a rapariga chegou a sua casa, pedia uma colher de açúcar. Bonita, sem dúvida era bonita. Com os cabelos cor de café e os olhos amendoados, chamava-se Lídia e tinha pouco mais de 20 anos. Parecia-lhe uma flor pronta para desabrochar, delicada, efêmera.

Serena gostara dela. Tinha um sorriso lindo e cheirava a pão fresco.

Convidou-a para visitar sua casa, conversaram, trocaram receitas e falaram sobre a vida. Lídia a entretinha de uma forma que nem ela entendia. Havia algo naquela jovem que brilhava cada vez que falava, sorria ou olhava para ela.

– Ei gracinha, o que acha que dar uma passadinha no meu barraco, ehn? Posso te mostrar como é dar uma trepadinha gostosa, uma delícia como você ia me divertir por horas – irritada com a voz que tinha lhe tirado de seus pensamentos, ela bufou de raiva. Odiava ser atrapalhada.
– O que você acha de pegar essa sua trepadinha gostosa, e enfiar no cú? – ela sorriu com desdém. A expressão incrivelmente calma.
O homem olhou para ela, nervoso. Ele abriu a boca para falar alguma coisa e ela lançou-lhe um olhar tão frio que o homem ficou tenso. Ele resmungou alguma coisa e se afastou.

Malditos, pensou ela. Maldita escória.

Suspirou, levando a xícara de café barato a boca. Não era bom, muito doce. Serena odiava coisas muito doces, menos Lídia. Oh sim, Lídia era perfeita do jeito que era.

Tomou mais um gole do café quente e mergulhou em seus pensamentos.

Ela começou a frequentar sua casa. Toda semana elas conversavam e riam. Serena servia biscoitos e chá enquanto Lídia se abria cada vez mais para ela.

– Conte-me sobre sua família – pedia, e ela dizia.

– Conte-me sobre o que gosta – e ela lhe dizia.

– Diga-me do que tem medo – e tão cegamente, a jovem contava.

Em um mês de amizade, Serena conhecia todos os segredos de Lídia, todos os medos e fobias e demônios que a atormentavam.

Lídia pedia que ela contasse da sua vida. Perguntou por que uma mulher tão bonita ainda estava solteira. Ahn se ela soubesse a verdade! Pensava.
Serena sabia que era bonita e usava isso a seu favor. Sabia que seus cabelos negros eram uma tentação aos homens. Os seios fartos e a cintura perfeita. Tinha total consciência dos seus atrativos e adorava usá-los a seu favor.

Serena amava os homens. Amava a facilidade que era para ela tê-los na palma de suas mãos. Eram movidos pelo sexo, movidos pela cabeça de baixo e não ouviam a de cima. Ainda mais quando uma mulher sexy se insinuava para eles, alguém como ela. Ainda tinha os suvenires que tirara de cada um dos homens que fizeram sexo com ela. Sexo, nunca tinha feito amor com um homem, nunca faria.

As mulheres, porém a intrigavam. Era um contraste entre o óbvio e o fútil. Eram difíceis de ter nas mãos e levava tempo, e paciência, para consegui-las por completo.

Dois meses, quando completara o segundo mês desde que conhecera Lídia, Serena a beijou.

Estavam na casa de Serena, e Lídia falava sobre os homens, visivelmente cansada de todos eles. Disse a ela que eles eram mentirosos e chorou no ombro dela. Serena acariciou os cabelos dela com cuidado, aproximando-se devagar para não assustá-la. Deslizou as mãos pelos ombros, braços, costas. Massageando a pele em uma carícia nada amigável. Depois a beijou.

Lídia olhou para ela confusa. Levantou-se e foi embora sem dizer uma única palavra. Ela voltaria, Serena sabia. Desde pequena tinha aprendido a ler as pessoas, sabem quem eram e o que queriam. Era fácil, e foi ainda mais fácil com a doce vizinha.

Então ela voltou.

As duas se beijaram e Serena a empurrou para o quarto. Começaram a se tocar e se despir. Fizeram sexo e tomaram café. Serena tinha preparado algo para ela.

Durante muito tempo ela olhava, tinha essa característica. Serena gostava de observar, analisar. Considerava a espécie humana uma escória, como seu pai, como sua mãe. Mas ela era diferente. Soube disso quando tinha seis anos, e não diferentes da maioria, era diferente de todos.

Ela nasceu assim, foi escolhida, abençoada. O corvo negro tinha lhe dito isso, o pássaro que apareceu em sua janela quando ainda era muito nova para entender o que via, e ela via muitas coisas. Imagens, vozes, sonhos que mostravam o que ela era, sussurros do que precisava fazer, do que precisava saber.

Era uma redentora e poucos eram seus escolhidos.

Achava que eles eram impuros, todos eles. Sentia nojo da sujeira que representavam, pisando em seu solo puro e sagrado. Somente ela nasceu pura. Incapaz de sucumbir à sujeira do coração humano, só ela entendia a verdade, via com clareza enquanto todos os outros insetos vagavam pelo mundo, carregados de toda a merda que representavam.

Ela era a única capaz de purificar.

Então viera Lídia.

Ela era linda, tão linda que fazia seu corpo ferver de tesão. Não da mesma forma pobre que os impuros, os sujos, faziam. Sentia-se em êxtase por encontrar sua escolhida. Serena caminhava durantes anos para encontrar alguém como Lídia. Os homens eram os mais raros, sempre mergulhados na podridão de suas almas, eles a fascinavam por sua capacidade de se entregar sem se preocupar com quem ou por que. Mas as mulheres eram o mais perto que se podia chegar de um escolhido. Suas almas eram brilhantes e envolventes, seus corpos eram uma perfeição sem limites.

Serena soube que Lídia era perfeita.

Precisou dela em sua cama. Lambendo seus pontos mais sensíveis, mordendo, tocando, tomando controle da submissão tão doce das mulheres, principalmente daquela mulher que estava redescobrindo quem era.

Os seios eram fartos, arredondados e os mamilos eram um pedaço da perfeição. Ela tinha gosto de pão e mel, lembrando a Serena o quanto aquele momento era doce e memorável. Seus lábios e língua seguiam por todo o corpo feminino, servindo para purificar. Era parte do ritual tocar, limpar, sentir.

Marcou-a com mordidas e chupões por todo corpo e enfiou a língua na parte úmida entre suas pernas, simulando uma penetração. Os gemidos eram o hino da redenção.

Por fim elas terminaram na banheira branca.

Lídia estava deitada dentro d’água, as pernas nuas estendidas com os pés apoiados na ponta da banheira. Linda, repedia ela. Lídia precisava saber que era linda.

Um sorriso bonito brotou em seus lábios, era tão doce que Serena notou que seu trabalho estava no fim. A voz melodiosa chamou-a para dentro da banheira, mas ela negou. Não, ainda não.

Ela correu para a cozinha, ainda estava nua e não ligava. Sempre ficava nua em momentos como este. Pegou um copo de vinho e levou para ela.

– Um presente – disse sorrido.

Lídia bebeu da taça até a metade.

– Eu amo você, Serena – disse ela. O coração dela bateu rápido. Sorriu com uma alegria palpável – Não entendia isso antes, mas agora entendo. Amo-te.

– Eu também amo você, Lídia.

Então um espasmo tomou o corpo dela e os olhos giraram nas órbitas. Lídia sussurrou algo incompreensível e a taça caiu no chão.

– Oh minha linda, você não precisa sentir medo. Eu vou salvá-la.

Ela tentou se mover, tentou falar, mas não podia.

– É um paralisante, querida. Não quero que fuja ou grite.

Pegou a pequena adaga na gaveta do armarinho debaixo do espelho, e se virou para ela. A mulher olhou com horror para a lâmina e depois para o rosto de Serena.

– Shh – tentou acalmá-la – Não tenha medo, isso será para o seu próprio bem, eu a escolhi e agora devo purificá-la, meu amor.

A lâmina desceu e ela começou a retalhar a pele, com cuidado para não matá-la. Lágrimas corriam pelo rosto de Serena, frias.

Tirou toda a pele, as lágrimas salgadas caindo sem parar.

Arrancou-lhe os seios, a água manchada de sangue começava a ficar densa.

Arrancou o couro cabeludo. Mais lágrimas.

E por fim, os olhos.

Secou as lágrimas com as mãos, não eram de tristeza, eram de alegria. Finalmente ela estava pronta. Finalmente estava purificada, sua dela Lídia, sua amada.

Ela se levantou e tomou um banho de chuveiro, trocou de roupa, fechou a porta do banheiro e saiu de casa. Fora comer em uma lanchonete de quinta.

Ela começou a se levantar, tinha acabado de pagar a conta e foi direto para casa. Quando finalmente chegou, sentiu sono e deitou na cama, tinha dormido pouco por causa dos gracejos de sua amada. Fechou os olhos e quase imediatamente adormeceu.

Ainda sorria.

No banheiro era possível sentir o peso da vida envolvendo o pequeno corpo vermelho. A porta estava fechada e a água que antes estivera cheia de espuma branca, agora tinha uma cor tão escura que era impossível ver o que tinha ali dentro. No fim, o cheiro de sabonete foi substituído pelo adorável cheiro da morte, e a brancura do banheiro ganhava um contraste ao alcance de sua beleza, era o presente de Serena para Lídia.

Uma das mãos estava fora da banheira, o braço ficara mais fino sem a pele cor de oliva e gotas de sangue negro pingavam no piso de mármore.

Ping, ping, ping.

Aquele era o som da morte.

Notas finais
EEEi lindos, comentem, ok?Pra quem acha a Serena má, ela não é. Na cabeça dela isso é algo bom, ela salva as pessoas, e só quem ela escolhe. A Lídia foi sua amante e ela realmente se importava com ela, por isso descobriu TUDO sobre ela. Serena realmente amava Lídia.O passado da Lídia é sua mente quem faz.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!