A Reconquista
9 VIII- Mais Terríveis Do Que Eu (Melinoe)
Notas iniciais
Melinoe->
O sol já começava a se pôr, e logo o frio chegaria para engolir o Porto da Cidade Livre de Tyrosh. Uma névoa densa rastejava do mar em direção às tendas e aos barcos ancorados, e Melinoe observava as nuvens cinzentas e pesadas que também se insinuavam no horizonte com um ar taciturno.
—Vai cair uma tempestade, garota, você deveria ir para casa— uma voz feminina, mas rouca e áspera, disse às suas costas. Melinoe se virou para encarar quem havia lhe oferecido o conselho, uma velha comerciante, que desmontava sua tenda de quinquilharias enquanto também parecia avaliar o céu.
—Não sou feita de açúcar, aguento um pouco de chuva— a jovem replicou, seca, o que fez a mulher mais velha arquear uma sobrancelha.
—Vejo que não é da região, garota. Nunca viu as tempestades terríveis do Verão de Tyrosh— a senhora disse, com um sorriso rebrilhante de dentes de ouro e uma disposição alegre, apesar da falta de receptividade da outra— Ainda mais uma menina magrinha como você, a tempestade te levaria antes mesmo de começar direito.
Melinoe era mesmo um pouco magra, mas não era nenhum pouco fraca. As roupas largas e simples que usava no momento poderiam esconder isso, mas seu corpo era um conjunto de curvas suaves e músculos gentilmente definidos, e não de pele e ossos, como a velha comerciante devia ter inferido. O corpo de uma assassina, não de uma menina indefesa, embora essa impressão também pudesse ser erroneamente corroborada pela beleza tímida de seu rosto. No momento, o rosto que usava era mesmo o seu próprio: queixo afilado, olhos escuros e amendoados, bochechas suaves, e lábios carnudos, arrematados por uma pele de um moreno claro e cachos castanhos. Adorável, mas isso não incomodava Melinoe. Era mesmo melhor que as pessoas não desconfiassem muito dela.
—Não planejo ficar por muito tempo, de qualquer maneira— Melinoe deu de ombros, se levantando da borda da doca, onde se encontrava assentada, com os pés balançando logo acima da água— E já estive nessa cidade antes. Conheço muito bem essas tempestades, e posso garantir que elas não são mais terríveis do que eu.
Ela então começou a caminhar em direção às outras barracas, deixando a velha comerciante falando sozinha.
O povo de Tyrosh era... efervescente, para dizer o mínimo. Todos eles falavam alto e se vestiam de modo extravagante, além pintarem o cabelo de cores vibrantes e chamativas. A mulher com quem tivera o curto e malfadado diálogo alguns segundos antes tinha madeixas de um vermelho profundo e saturado, por exemplo, e várias das pessoas ao seu redor exibiam fios e bigodes tingidos de amarelo, verde, azul e púrpura.
Melinoe achava esse um hábito peculiar, mas interessante, ao mesmo tempo. Se não tivesse de manter uma aparência neutra, talvez tentasse usar uma daquelas tintas cor de vinho no cabelo, só para saber como ficava, ela refletiu, enquanto observava um comerciante de tinturas desmontar sua barraca. Era adepta a aventuras, até mesmo aventuras pequenas e sem sentido como pintar o cabelo de uma cor estranha. Mas, no momento, tinha um trabalho a fazer, então não podia se dar ao luxo de distrações. Por isso, passou direto pela colorida barraca, continuando seu caminho em direção às ruas que levavam ao centro da cidade.
Conforme Melinoe se afastava do porto, as vozes altas e animadas iam se esvanecendo, e as ruas de pedra úmida iam se tornando mais largas e menos movimentadas. Estava chegando à parte nobre da cidade, com casas cada vez mais imponentes e pessoas cada vez mais bem vestidas circulando. Algumas delas lhe lançavam olhares de desconfiança, mas a jovem continuava caminhando como alguém que não deve nada a ninguém.
Ela, de fato, não devia nada a nenhuma daquelas pessoas. Sua única dívida era em sangue, e estava prestes a ser paga.
A casa que procurava era uma das maiores e mais suntuosas do local, e pertencia a um mercador de tecidos. Melinoe pensou no rosto do homem cujo sangue ela deveria derramar, na pele bronzeada e nariz adunco, nas rugas ao redor dos olhos e no sorriso largo. Ele não parecia alguém com muitos inimigos, mas, ainda assim, alguém estava disposto a pagar uma pequena fortuna para vê-lo morto.
“Interesses econômicos, provavelmente”- ela ponderou, em pensamento- “Um concorrente do ramo de tecidos, é quase certo.”
O homem que a havia contratado se vestia de maneira rica e extravagante, barba tingida de vermelho, bigode amarelo-canário, mas seu sotaque não era dali. Melinoe raramente questionava a origem do dinheiro que recebia, mas algo a respeito de toda aquela situação parecia suspeita para ela. Tecidos eram um ramo rentável, sim, mas alguém mataria por tecidos? Aparentemente, a resposta era afirmativa. Por mais que uma parte dela ainda se ativesse a uma certa desconfiança. Dinheiro bom era dinheiro em seu bolso. Um assassino bom era um assassino silencioso. O homem que havia conversado com ela, e pagado metade adiantado, era obviamente apenas um emissário, um mensageiro. Alguém com muito mais dinheiro, ou seja, muito mais poder, estava verdadeiramente por detrás de tudo aquilo. Melinoe era curiosa, mas não era tola. Sabia que havia sido escolhida justamente porque não era de seu feitio fazer perguntas estúpidas. Ela permaneceria sem fazê-las. Mas todo o seu treinamento, e a desconfiança cuidadosamente cultivada ao longo dos anos, protestavam contra cada passo que ela dava em direção àquela casa.
A morada de um homem rico habitualmente possuía a mais diversa miríade de recursos de segurança. Ela sabia disso pois já tivera que vencer todos esses obstáculos por incontáveis vezes. Cães raivosos, guardas, cercas altas, arqueiros escondidos em torres. Aquela casa não tinha nada. Absolutamente nada. Era uma construção belíssima, e muito rica, pintada de azul-pavão, com detalhes em ouro, ladrilhos pintados à mão, e mármore. Mas a cerca era ridiculamente baixa, Melinoe mal teve de se esforçar para passá-la, e não havia indício de qualquer criatura, homem ou animal, vigiando o perímetro dos enormes jardins. A casa toda tinha um certo aspecto de abandono, de vazia, de inabitada. Se Melinoe não fosse tão silenciosa, seus passos amortecidos teriam ecoado pelo vazio dos corredores, após abrir a fechadura demasiadamente simples de uma das portas laterais.
Apenas um único cômodo da casa estava iluminado, a luz de uma pequena quantidade de velas visível nas sombras tremeluzentes que se projetavam pelo corredor. Se o homem estava em algum lugar, era ali, o resto da construção estava completamente ermo. Melinoe não hesitou, e se esgueirou para dentro do quarto, tendo perfeita segurança em sua habilidade de observar, e, eventualmente, atacar, sem ser notada.
Uma figura esguia, com um capuz cinzento cobrindo a cabeça, estava ajoelhada de frente para a janela. Uma única vela estava posicionada no parapeito, iluminando sua silhueta estranhamente graciosa. Melinoe deu um passo para trás, certa de que aquele não era o homem que ela procurava. Foi somente então que ela notou que as mãos da pessoa encapuzada, quem quer que ela fosse, estavam sujas de sangue.
—Não se preocupe— uma voz melódica, agradavelmente grave, se ergueu, embora o desconhecido não tenha se virado para ela— Eu não eliminei sua vítima. Sei que quem precisa terminar o trabalho é você. Só precisava de um pretexto para encontrá-la sozinha.
Em um movimento lento, mas deliberado, as mãos sujas de sangue se ergueram, e o capuz caiu. Cabelos prateados como as estrelas daquele início de noite, e olhos claros e frios, receberam Melinoe, causando uma certa dose de supresa.
O instinto de Melinoe normalmente seria colocar a mão sobre sua faca, mas não foi isso o que ela fez. Algo lhe dizia que uma lâmina adiantaria de muito pouco contra aquela mulher de aparência desconcertante.
—Ele está no porão— a estranha disse, agora virando a cabeça para encarar Melinoe— Faça o que tem que ser feito. Mas volte. Nós precisamos conversar.
A voz dela era quase hipnótica, gerando um efeito próximo à compulsão. Mesmo com seus anos de treinamento, Melinoe se pegou tentada a obedecer sem questionar, mas, felizmente, sua força de vontade era mais feroz que a magia que aquela mulher brandia.
—Eu posso até conversar. Mas vai ter que me falar quem você é primeiro, bruxa— ela replicou, sustentando o olhar.
A mulher sorriu, parecendo satisfeita com a reação.
—Você é mesmo formidável, Amarílis. Já deve ter ouvido isso antes, mas nunca de uma Princesa— ela disse.
Foi como se um soco fosse disferido diretamente contra a boca do estômago de Melinoe. Já se faziam muitos anos desde que ela ouvira aquele nome. Como aquela mulher sabia? Não tinha como saber. Ou tinha?
A mulher se levantou, e deu um passo curto, elegante, controlado, em direção dela. Melinoe não era baixa, mas a outra era ainda mais alta, com uma certa imponência na inflexão dos seus ombros ossudos. O rosto era anguloso, afiado, o olhar, altivo.
—Você perguntou quem eu sou, órfã de Braavos. Me chamou de bruxa, e acertou. Mas já deve saber que as bruxas mais perigosas são aquelas que possuem o sangue da antiga Valíria— a estranha disse, sua voz se propagando com uma força quase sobrenatural— Eu sou Vhaella Targaryen. Princesa Vhaella Targaryen. A herdeira legítima do trono de Westeros. E eu tenho a impressão de que podemos ser muito úteis uma para a outra.
Melinoe voltou alguns minutos mais tarde, e Vhaella a aguardava no mesmo lugar. Segurava uma tina de água quente e uma toalha.
—Venha. Vou te ajudar a limpar as mãos— ela disse.
Melinoe reparou que as mãos da outra mulher estavam limpas, agora. Ela tinha dedos magros e compridos; unhas pálidas, em formato de amêndoa, sem qualquer resquício do vermelho de antes; e um anel com uma pedra de ametista no indicador da mão esquerda. Se perguntou como ela havia conseguido tirar as manchas de sangue tão rápido, Melinoe sabia por experiência própria o quanto era difícil limpar sangue de debaixo das unhas.
A água estava mais quente do que Melinoe esperava, soltando fumaça e quase escaldando sua pele. Vhaella parecia não reparar, esfregando as unhas de Melinoe com uma expressão distante, ausente; a própria pele começando a ficar vermelha devido ao contato com o calor. Talvez fosse a penumbra finalmente caindo sobre elas, e o frio que sempre fazia nas noites de Tyrosh a tornando menos sensível às altas temperaturas, mas nenhuma das duas parecia incomodada.
—Ele foi corajoso?— Vhaella perguntou após alguns minutos, ainda sem erguer seus olhos pálidos para Melinoe— Ou morreu gritando?
A pele dela era macia, mas suas unhas eram afiadas. O toque extremamente delicado escondia uma força latente, fora do comum, perigosa.
—Ele nem me viu entrando— Melinoe respondeu— Eles raramente veem. Morreu como se estivesse caindo no sono.
—Hmm— Vhaella murmurou— Ele não era uma pessoa muito terrível, uma pena que tivesse que morrer. Foi um marido bastante razoável enquanto durou. Pelo menos ele não sofreu, eu sabia que você seria rápida.
O homem morto também tinha um anel de pedra de ametista no dedo, igualzinho ao que Vhaella usava. Melinoe se perguntou quantos anéis de quantos homens mortos a Princesa tinha em sua coleção.
—Ele não sabia quem você era, sabia?— Melinoe perguntou após alguns segundos, percebendo que, contra seu melhor julgamento, estava caindo na tentação de fazer perguntas estúpidas.
Vhaella Targaryen deu de ombros, e disse:
—Ele achava que meu nome era Jaesa. Me achou em uma casa de prazeres de Lys, e me comprou, então eu não me sentiria tão mal por ele, se fosse você. Sei o que bravoosis acham a respeito de escravidão, e, se eu não estivesse com a situação sob controle, eu teria continuado a ser uma mera escrava.
—Minha opinião sobre escravidão não é importante— Melinoe respondeu, indiferente— Eu só sei que ele não é o primeiro homem a achar que está comprando um brinquedo bonito e acabar colocando a perdição debaixo do próprio teto sem saber.
—Não mesmo— Vhaella concordou— Mas eu não vou reclamar. Eu não seria uma mulher tão rica se esse não fosse um hábito de muitos homens.
Melinoe ergueu os olhos para Vhaella, a encarando com uma certa frieza analítica.
—É uma tarefa degradante para uma Princesa. Se casar por dinheiro, se livrar do marido, e sumir com a herança— ela comentou— Eu aposto que não estaria fazendo isso se não tivesse um propósito, e muito menos teria se revelado para mim se ainda não tivesse uma utilidade em mente.
Vhaella, inesperadamente, sorriu. Era a primeira vez que Melinoe via a Princesa Targaryen sorrindo. Ela percebeu que era algo que não gostaria de ver novamente. Nunca mais. Os dentes eram brancos, e o rosto era bonito, mas havia uma ironia e um desprezo tão grandes no gesto que ela quase se pegou desviando o olhar. Até mesmo ela não gostaria de estar no caminho de alguém capaz de projetar semelhante hostilidade apenas com um curvar de lábios.
—Ah, Amarílis. Eu sabia que você era uma escolha excelente— ela ainda sustentava aquele mesmo sorriso de lobo, afiado, cruel— Esperta demais para não ver a verdade, e com uma autoaversão tão forte que jamais poderia ser bajulada, ou manipulada. É realmente notável que seja quase completamente imune à magia, outros Homens Sem Face ainda tinham alguma susceptibilidade, mesmo com todo o treinamento.
Melinoe não desviou o olhar, apesar de se sentir tentada. Vhaella ainda segurava suas mãos, e a água começava a esfriar; a pele dela parecia pegajosa contra a sua, como uma grande cobra pálida prestes a dar o bote.
—O meu nome é Melinoe, não Amarílis. Você vai me chamar pelo nome certo, ou não vai viver para usufruir de sua viuvez endinheirada por muito tempo… Alteza— ela replicou— E vai me pagar adiantado. O meu preço não é barato, mas tenho a distinta impressão de que, com a trágica morte do seu marido, você pode pagá-lo.
Vhaella inclinou ligeiramente a cabeça, entretida, como se estivesse observando um inseto se contorcendo sob a lente de uma lupa.
—Tudo bem, parecem exigências justas… Melinoe— ela respondeu— Mais alguma?
—Você vai me dizer exatamente o que quer, e qual é a minha parte. E se eu te pegar tentando usar em mim aquela voz esquisita, ou qualquer que seja o tipo de bruxaria que você pratica, você morre— Melinoe respondeu.
Vhaella assentiu lentamente, e largou as suas mãos.
—Você está limpa, agora. Mas não por muito tempo— ela respondeu, novamente o olhar distante e ausente tomando sua expressão— Sabe, Melinoe, o meu irmão sempre dizia que, para controlar o Trono de Ferro, são necessárias apenas três pessoas: um feiticeiro poderoso, um herdeiro obediente, e um assassino que nunca é pego… é por isso que eu preciso de você. Eu suponho que você já saiba qual das três pessoas você representa.
—Eu de fato nunca fui pega— Melinoe respondeu— Suponho que você seja a feiticeira. Devo te dar os parabéns, futura mamãe; ou tem outro herdeiro em mente?
Vhaella sorriu, mas não foi tão cruel quanto o sorriso anterior. Esse carregava uma pontada de divertimento genuíno.
—Ninguém em Westeros sabe que eu estou viva, cara Melinoe. As pessoas que tentaram se livrar de mim tomaram ciência da minha misteriosa ressureição há pouquíssimo tempo— ela respondeu— Mas até mesmo vocês de Essos devem saber que existe uma última Targaryen ainda com vida.
—A menina? Ela é uma refém. Como espera que ela seja a sua herdeira obediente se podem cortar a garganta dela a qualquer segundo?— Melinoe replicou.
—Eles não fariam isso. Ela ainda pode ser útil para unificar as dinastias por casamento, e uma criança é leal àqueles que a criam— Vhaella replicou— Twylla é minha sobrinha, e é muito jovem. Se tudo der certo, mal vai ter lembranças dos Blackfyre, ou da própria mãe, apenas da querida tia.
Melinoe refletiu por alguns segundos, então disse:
—Eu não me importo muito com quem vai acabar no trono. E, mesmo que você morra tentando virar Rainha, eu ainda vou estar com o ouro real no bolso.
Vhaella desviou o olhar do de Melinoe, a expressão inescrutável.
—Eu não quero somente virar Rainha, isto é o de menos. Ficaria igualmente feliz se eu acabasse morta e Twylla herdasse o trono. O que eu quero de verdade é vingança, e justiça. É não ver o legado da minha família esmagado debaixo das botas de bastardos e traidores— ela respondeu— Eu gostaria de te mostrar algo, Melinoe. Isto é, se não se ofender demasiadamente com pessoas nuas.
Melinoe riu, deboche e supresa em iguais medidas permeando o seu tom.
—Eu não sou nenhuma donzela envergonhada, se é isso o que quer dizer— ela replicou— Embora essa seja a primeira vez que alguém se oferece a tirar as roupas para mim tão rápido.
Vhaella deu de ombros, e, em um gesto perfeitamente indiferente, deixou a longa capa de tecido escuro cair no chão. Por baixo, ela usava apenas uma camisola, de cetim tão fino, que era como se não estivesse vestindo nada. Havia uma elegância estranha naquele corpo ossudo e pálido, os seios pequenos, as clavículas pontudas. Toda aquela harmonia esculpida em mármore era completamente perturbada pela cicatriz enorme e retorcida bem no meio peito, ligeiramente para a esquerda, bem onde deveria ficar o coração. Vhaella deu uma volta lenta, deliberada, ao redor do próprio eixo, e Melinoe viu que a cicatriz se estendia até as costas, como se a mulher tivesse sido trespassada por uma lâmina de modo violento e brutal.
—Eu não tiro as roupas sem um propósito, Melinoe. E você não parece que gostou muito do que viu, de qualquer forma— ela replicou, a voz ainda totalmente fria.
—É uma das cicatrizes mais feias que já vi— Melinoe concordou— Como você ainda está viva?
Vhaella enrolou a capa novamente contra o próprio corpo, e deu de ombros.
—Há uma profecia sobre mim. Aparentemente isso quer dizer que eu não possuo o direito de uma morte normal até cumpri-la, então eu rastejei para fora do túmulo— ela respondeu— Para o eterno desgosto dos Lannister.
Melinoe sentiu um arrepio trespassando seu peito, como o fantasma da mesma cicatriz no peito da Princesa; mas acabou se convencendo que era apenas o frio da janela aberta. As cortinas dançavam, frenéticas, conforme a ventania aumentava, e ela percebia que a velha senhora de mais cedo estava certa: logo cairia uma tempestade.
—Bem, se depender de mim, realmente será um grande desgosto na vida deles— Melinoe replicou— Desde que eu seja bem paga.
Vhaella não sorriu, mas uma pontada de divertimento brilhou no tom pálido assombroso de seus olhos; e ela disse:
—Você será, Melinoe. Muito além de seus sonhos mais loucos.
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