A Razão do Rei
9 Capítulo 9
Notas iniciais
“E aquele foi o início, Legolas, da parceria que um dia você terá a oportunidade de ver em batalha. Depois daquele dia, começamos a treinar para entrar em sincronia um com o outro. Era difícil fazer isso às escondidas, porque não tínhamos ninguém para simular um ataque, mas Thranduil parecia querer esconder nossos treinamentos juntos tanto quanto eu. Eu não fazia ideia do motivo, mas preferi não perguntar, especialmente porque eu queria continuar em segredo, mesmo não tendo mais nada a perder.
Diferentemente do que acontecia antes, nosso progresso foi imenso. Em poucos meses, eu já conseguia prever os movimentos de Thranduil facilmente sem precisar de nenhum comando, e o mesmo valia para ele. Eu não sei explicar como conseguimos nos entender tão rápido. Talvez seja porque fomos feitos um para o outro.
Aliás, foi durante um treinamento que eu percebi esse pequeno, mas importantíssimo fato...
– Excelente! – ele exclamou, depois de se abaixar no instante exato em que minha flecha passou voando onde antes estava sua cabeça e atingiu um tronco que havia sido disparado por aquela geringonça estranha que tem no campo de treinamento. Eu nunca soube o nome daquela coisa... – O que você acha de uma pausa?
– Por favor! – respondi, ajeitando o cabelo com as mãos e correndo para o lugar onde nós havíamos deixado nossas coisas. Ele me seguiu. Chegando lá, peguei meu cantil, erguendo-o aos lábios avidamente, apenas para descobrir que estava vazio. – Ah, não! Eu não acredito!
– Eu te ofereceria o meu... Mas parece que estou na mesma situação. – ele virou o cantil dele, e uma triste gota pingou. A última.
– Eu sabia que estava bebendo água demais. Esse calor insuportável! – eu ergui o punho para o sol, fazendo seu pai rir.
– Já reparou?
– O quê? – subitamente, eu fiquei de mau humor. Thranduil riu de novo, desta vez da minha expressão. Eu joguei meu cantil nele.
– É verão outra vez. Isso quer dizer que já faz um ano que começamos a treinar para lutar como parceiros.
– É mesmo, não é? Como passou rápido...
– Muito.
– Nunca gostei do verão. – eu estava devaneando. – É abafado, as pessoas ficam grudentas, eu morro de preguiça e meu cabelo não para limpo.
– Ah, não é como se o verão não trouxesse nada de bom, também...
– Cite uma coisa.
– Os vagalumes. As estrelas-do-verão. As festas à beira dos rios. Os banhos de cachoeira.
– Ei, ei, ei! Eu pedi uma coisa.
– Desculpe, eu não sabia qual escolher. – o sorriso torto que nunca deixou de me irritar estava de volta.
– Que seja. Eu continuo com sede e suada.
– Se eu te arrumar água, seu mau humor passa?
– Quem está de mau humor? – fiz cara feia para ele, que riu de novo.
– Tá bom, siga-me. – ele se virou e entrou na floresta. A contragosto, eu o segui.
Thranduil começou seguindo pela trilha em direção às habitações dos servos de Oropher, onde eu morava com meus pais. Mas logo ele parou, deu duas batidinhas numa árvore e virou à esquerda, abandonando a trilha. Eu pensei que ele estivesse delirando.
– Thranduil? Aonde estamos indo? O que foi aquilo que você fez na árvore? E como você espera encontrar o caminho de volta?
– Você é uma elfa da floresta ou um anão?
– Mas até elfos da floresta seguem trilhas. E eu nunca vim para esses lados.
O terreno começou a descer, tornando-se cada vez mais íngreme e terminando, pelo que eu podia ver, numa vala. E era para ela que seu pai estava indo. Eu escorreguei numa rocha cheia de musgo e Thranduil me segurou pelo cotovelo.
– Cuidado!
Quando eu escorreguei pela segunda vez, pouco depois, ele segurou a minha mão com firmeza e se recusou a soltar.
– Já que você não consegue parar em pé, eu não tenho outra escolha.
Eu ia protestar, mas senti meu pé deslizando de novo e desisti.
Nós paramos quando chegamos à vala, e eu comecei a ouvir um barulho estranho, parecido com um sussurro, vindo do fundo. Mantendo uma distância segura da beira, eu olhei para baixo. Devia ter uns nove metros de profundidade. Se você caísse ali, provavelmente morreria. Thranduil parecia ignorar isso, andando bem na beirada, olhando para baixo como se procurasse alguma coisa. Meu coração ficou apertado ao vê-lo ali e a cada passo que ele dava, eu sentia um frio desconfortável na barriga. Minha vontade era a de puxá-lo para perto de mim e arrastá-lo de volta para um lugar seguro, longe daquele abismo.
– Thranduil...
– Quieta. Onde é que está...? Ah! Ali! – ele voltou e segurou minha mão de novo. – Venha, Syndel.
– Para onde? – eu me apavorei, conforme ele me puxava mais para a beira do buraco e depois se dirigia a um trecho que parecia particularmente inseguro. O solo, com enormes partes de rocha exposta, parecia que ia ceder a qualquer momento. – eu prendi os calcanhares no chão com força.
– O que foi? – ele olhou para mim.
– Você só pode estar louco.
– Não, vem cá... Você vai gostar.
– Você vai acabar matando nós dois, isso sim!
– Syndel... – a voz dele parecia de veludo. – Confie em mim.
Encarei seus olhos profundos e suplicantes. Eu me pergunto se ele tem a menor noção do poder que eles têm sobre mim. Acabei cedendo.
– Eu devo estar louca também. – suspirei, deixando que ele me guiasse.
Quando paramos na beira, ele apontou.
– Está vendo? É uma escada.
De fato, saliências deformadas de rocha formavam uma espécie de escada natural naquele lado. Mas o musgo sobre elas e seu aspecto geral as fazia parecer muito perigosas.
– Você não está sugerindo...?
– Eu vou na frente.
– Não! – eu agarrei o braço dele com força, subitamente vencida pelo desespero.
– Eu já fiz isso milhares de vezes. – ele soltou os meus dedos de seu braço com delicadeza. – Confie em mim. – sem dar tempo para que eu tentasse impedi-lo de novo, ele pôs o pé no primeiro “degrau” e começou a descer com agilidade, agarrando-se à rocha. Eu fiquei olhando e meu coração parecia pesar uma tonelada. Só consegui respirar direito de novo quando o vi são e salvo no chão lá embaixo. Os raios de sol filtrados pelas copas das árvores mal conseguiam chegar até lá e era difícil vê-lo.
– Venha! – ele gritou.
– Nem pensar!
– Vamos lá, Syndel...! Falta pouco!
– Nem morta!
– Eu vou te pegar se você cair!
– Não!
– Você não confia em mim? Que tipo de parceira você é?
– Eu confio! Mas tenho amor à minha vida!
– E que tipo de confiança é essa?
– A minha!
– Vem... Eu prometo que vou te pegar se você cair!
– ...
– Quando foi que eu deixei de cumprir uma promessa que fiz a você?
– Você nunca me prometeu nada!
– Então você não tem porque não acreditar em mim! – mesmo não conseguindo vê-lo, eu podia ouvir aquele sorrisinho idiota na voz dele.
Eu suspirei. Que escolha eu tinha, afinal? Não podia deixa-lo lá embaixo sozinho, mesmo porque eu não estava certa se saberia voltar para casa sem ele. Fechando os olhos, eu me agarrei à rocha. E comecei a descer. Não foi fácil, porque o lodo tornava a descida muito traiçoeira. Faltando mais ou menos seis “degraus” para chegar lá embaixo, eu escorreguei pela milésima vez, e desta vez não consegui me segurar de novo. Eu gritei apavorada, mas no segundo seguinte estava aterrissando nos braços de Thranduil, perfeitamente segura.
– Viu? Não foi tão ruim. – ele me pôs no chão, rindo da minha cara.
– Eu nunca mais vou fazer isso de novo, ouviu?
– É? Boa sorte andando três milhas naquela direção para voltar à superfície, então. – ele apontou. – Depois, ande mais uma milha e meia ao norte para encontrar a trilha de volta para casa. E sei lá mais quanto ao leste para realmente chegar em casa.
– Você está brincando, ne?
– Não mesmo.
Eu dei um empurrão nele. Ele levantou as mãos e começou a rir.
– Olha, pelo menos está mais fresquinho aqui embaixo, não está?
Ele tinha razão. Lá embaixo era fresco, quase frio na verdade, como quando você está subindo uma montanha, na metade do caminho. Um vento frio soprava vindo da direção contrária à que Thranduil tinha me apontado como a saída, arrepiando os cabelos da minha nuca. Eu fechei os olhos, curtindo a sensação.
– Vem, vamos lá. – ele começou a andar na direção de que vinha o vento. Eu o segui.
O barulho que eu tinha ouvido lá de cima agora parecia menos com um sussurro. E se tornava mais familiar a cada passo que eu dava. De repente, eu fiz a ligação e minha boca começou a salivar.
– Você só pode estar brincando. Isso é...?
– Aham.
Eu imediatamente comecei a correr para lá, mas ele segurou meu pulso.
– Espere! Você não vai querer assustá-los, se não...
Eu me desvencilhei dele e voltei a correr. Ele logo me alcançou.
– Você é a elfa mais teimosa que eu conheço. – ele olhou para frente. – Isto é uma corrida. E eu não vou perder. – e acelerou.
Eu acelerei também, tentando ultrapassá-lo. Pouco à frente, eu visualizei uma tênue luz esverdeada, mas ela se apagou tão subitamente que eu pensei tê-la imaginado. Então Thranduil parou de uma vez, estendendo o braço para que eu parasse.
– Você ia cair dentro... – ele estava tão ofegante quanto eu.
– Uma cachoeira! – eu me atirei sobre os joelhos e comecei a beber sofregamente. Thranduil esperou um pouco, tentando parecer durão, mas logo desabou também. Aquela foi a melhor água que eu já provei na vida.
Além de beber, nós lavamos os rostos e os braços e enchemos nossos cantis. Depois sentamos na pedra fria, apreciando a sensação de saciedade e frescor.
– Essa é a água mais deliciosa que eu já bebi.
– Eu sei. A água nasce ali naquela fenda na rocha. – ele apontou, e eu pisquei, tentando enxergar na escuridão. Eu mal conseguia ver a mão dele. – E corre para baixo do solo ali. Deve ser um rio subterrâneo que corre por léguas e léguas, porque eu não faço a menor ideia de onde fica o ponto em que ele volta para a superfície. Eu já procurei, mas deve ficar muito além dos limites da Floresta Verde.
– Isso é incrível... – eu passei a mão pela água, sentindo-a escorrer entre meus dedos. – Como você descobriu este lugar?
– Eu, ahnm... Sofri um acidente enquanto tentava caçar. Eu tinha uns quinze anos de idade, acho. Escorreguei no musgo e caí na fenda. A sorte foi que caí perto da “escada” e consegui me segurar. – eu estremeci só de imaginar. – Nunca contei deste lugar a ninguém antes... – ele olhava distraído para a água. – Agora, shh... Fique quietinha.
– Por q...?
– Shh! Confie em mim. – ele disse pela quarta vez naquele dia.
Eu fiquei quieta e imóvel, imitando-o. Passados alguns minutos, eu já estava achando que ele estava fazendo algum tipo de brincadeira comigo, quando a primeira luzinha esverdeada acendeu. E foi como se uma faísca tivesse caído no álcool, porque imediatamente centenas de outras luzinhas de acenderam, iluminando todo o lugar, cobrindo as paredes daquela espécie de caverna (agora eu podia ver) em que nós havíamos entrado. Eu arfei e algumas das luzinhas se apagaram, assustadas. Thranduil levou o indicador aos lábios.
– São vagalumes. – ele sussurrou, sorrindo.
– São lindos! – eu sussurrei em resposta, sorrindo também.
– Eles só aparecem no verão. – o tom dele foi de provocação.
– Eu já comentei que adoro o verão? – de fato, a partir daquele verão, essa passou a ser minha estação do ano preferida. Thranduil riu um pouco alto demais e os vagalumes se assustaram e apagaram. – Shh! – eu o repreendi, e ele tapou a boca com as mãos, como quem diz “ops!”, seus olhos ainda sorrindo.
Ficamos quietos de novo. Os vagalumes se reacenderam pouco depois. Thranduil fez sinal para que eu não me movesse. Logo, vários dos pequenos insetos se desprenderam das paredes e começaram a voar à nossa volta. Um até pousou no meu nariz! Eu o espantei com a mão, mas estava completamente encantada. Eu nunca tinha visto nada como aquilo. Estendi as mãos abertas, e alguns vagalumes curiosos se aproximaram, pousando nelas. Eu não conseguia parar de sorrir, sentindo uma alegria quase infantil inundar meu peito.
Thranduil ficou apenas me observando em silêncio. Quando eu olhei para ele, ele sorriu de leve, e meu coração bateu em falso uma vez. E aí aconteceu.
Meus olhos encontraram os dele, e eu me perdi em seu olhar. Ficamos assim nos encarando por alguns instantes, até que ele desfez o contato visual e baixou os olhos para a minha boca. Meu coração parecia que ia rasgar meu peito, tão forte que batia. Meu rosto estava pegando fogo. Os olhos de Thranduil se fixaram de novo nos meus e ele começou a se aproximar lentamente. Eu não consegui esperar e me atirei em cima dele, passando os braços em volta de seu pescoço. Quando nossos lábios se tocaram, eu senti como se estivesse entrando em combustão instantânea.
Ele retribuiu o beijo com a mesma vontade que eu, erguendo as mãos para segurar meu rosto.
Subitamente, porém, eu percebi o que estava acontecendo e me afastei violentamente. Levantei-me, cambaleando porque minhas pernas estavam completamente bambas. Meu corpo inteiro tremia.
– Pelas estrelas...! – eu estava ofegante, e ele também. – M-Me desculpe! E-Eu não... – eu estava gaguejando, não conseguia fazer meu cérebro funcionar o suficiente para formar uma frase coerente. Thranduil me olhava como se não estivesse entendendo nada. – E-eu... A-Alteza... Perdoe-me... E-Eu... – não conseguindo mais suportar aquilo, eu me virei e saí correndo, tropeçando e escorregando na escuridão até que o suave borbulhar da cachoeira desapareceu atrás de mim.
“Desnecessário dizer que eu não consegui dormir naquela noite. Era impossível não pensar no que tinha acontecido, no que isso significava e principalmente no quanto era errado. Afinal, ele era o príncipe e eu, uma simples súdita. Eu não tinha o direito de nutrir esse tipo de sentimento por ele. E muito menos de fazer o que eu tinha feito. Ele podia muito bem me banir de Greenwood para sempre. Mas a questão que mais me incomodava era: afinal, o que ele tinha pensado daquilo? O que ele tinha sentido? Porque eu já não tinha como confundir meus próprios sentimentos. A felicidade, o coração disparado e a ansiedade que se agitavam dentro de mim não deixavam dúvidas. Mas e Thranduil? Para mim, ele parecia ter retribuído meu beijo com a mesma intensidade. Mas seria verdade? Eu poderia muito bem estar fantasiando tudo. Nunca tinha estado apaixonada antes.
Passei as longas horas da madrugada pensando, planejando, indagando, fantasiando. Quando os primeiros raios de sol surgiram no horizonte, eu havia tomado minha decisão: eu iria até o príncipe e pediria desculpas. Claro, porque ele só podia estar muito ofendido comigo naquele exato momento. Se não, se tivesse gostado, ele teria ido atrás de mim quando eu saí correndo no dia anterior. Com certeza, ele devia estar me achando uma insolente. Eu precisava consertar o meu erro.
Saí de casa sem tomar o café da manhã e me apressei em direção ao palácio, perguntando-me o que eu faria para entrar lá. O primeiro desafio seria adentrar a vila da nobreza, na realidade. Você talvez não tenha muita noção disso, já que cresceu aqui dentro, Legolas, mas é muito difícil entrar neste lugar. Todos os guardas e barreiras...
Mas eu dei sorte naquele dia. Era muito cedo e só havia dois guardas na entrada principal da vila. Eu parei atrás de uma árvore fora da vista deles enquanto pensava no que fazer. De repente, tive uma ideia. Era meio desesperada, mas, bom, eu estava desesperada. Não conseguindo pensar em nada melhor, soltei a bainha do meu cinto e segurei a “Terror” solenemente sobre as duas mãos. Saindo de trás das árvores, eu me dirigi à entrada.
– Bom dia. – um dos guardas me cumprimentou, me olhando de alto a baixo. Eu sorri, plenamente consciente das olheiras sob meus olhos e da minha aparência geral de cansaço.
– Bom dia! Eu vim trazer esta espada para Vossa Alteza. Ele a tinha deixado comigo para que eu a amolasse e lustrasse.
O guarda olhou com desconfiança. Todos no reino sabem o quanto o seu pai é meticuloso com as espadas dele e não confia em ninguém para cuidar delas, só nele próprio.
– Você é ferreira?
– Sim, minha família trabalha com lâminas há muitas gerações.
– Verdade? De que família você é?
Ops!
– Luz-da-manhã.* – inventei, rezando para que eles não me conhecessem.
– Luz-da-manhã... Nunca ouvi falar. Tem certeza de que sua família trabalha na área há tanto tempo?
– Sim, claro! Desde quando ainda vivíamos nas Terras Imortais. Talvez vocês não se lembrem de nós porque nós sempre trabalhamos para as famílias do povo, nunca para a nobreza. – eu estava me enrolando cada vez mais e sabia disso. Minhas mãos começavam a suar, e eu precisei de todas as minhas forças para conseguir manter meu sorriso no rosto.
– E o príncipe pediu a você para cuidar da espada dele?
– Sim, meu senhor Thranduil descobriu minha família por acaso, quando viu a espada de um de nossos clientes.
– Perdão, senhorita, mas eu posso ver a lâmina de Vossa Alteza?
– Claro! Mas tenha cuidado com ela, por favor. Está afiadíssima.
Eu desembainhei a espada e entreguei para o guarda, que a segurou pelo cabo e a girou com cuidado, olhando com muita atenção todos os detalhes. Ele certamente reconheceu a marca da rainha, porque logo me devolveu a lâmina e abriu caminho para que eu passasse, sem dizer mais uma palavra. Eu entrei, e só voltei a respirar normalmente quando virei uma esquina e fiquei finalmente fora da vista dos vigias.
Fiquei confusa, sem saber ao certo que direção tomar. Eu só tinha estado na vila da nobreza algumas poucas vezes, nos Bailes da Estrela de Achernar a que eu tinha ido e no dia da celebração do nascimento do Thranduil. E nessas ocasiões tudo estava agitado, havia elfos por todos os lados e várias indicações de direções para os convidados. Naquela manhã, o sol ainda nem havia nascido por completo, a lua ainda brilhava com vontade no céu e toda a vila dormia.
Por fim, eu acabei encontrando o caminho que levava ao palácio e comecei a seguir naquela direção. Você sabe como o terreno é ondulado aqui, não sabe, Legolas? Então, numa dessas ondulações, quando o chão sob meus pés começou a subir, eu o vi. Thranduil estava logo adiante, vindo em minha direção.
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