Notas iniciais
eu sei que eu tenho outras fics para atualizar, mas enquanto o bloqueio criativo não passa para as outras fics, vamos inicializando umas novas heheh espero que gostem

Acordei naquela manhã de domingo cinzento, abri meus olhos lentamente, e olhei para o relógio ao lado da cama, a hora marcava oito horas da manhã. Suspirei. Ainda era cedo para um domingo ela podia acordar às dez, não às oito. Não tinha nada para fazer, dispensei meus colaboradores, dera o fim de semana de folga para eles. Pensei em ver minha sobrinha, Laurie, que já estava com um aninho. Há males que vem para bem, minha irmã ter engravidado do meu ex-namorado, claro que a minha irmã não fazia ideia, mas quando soube do jogo baixo de Robin, terminou o relacionamento no mesmo instante, até porque a ruiva vivia na Inglaterra, antes de voltar para os EUA. Mas o baque foi saber que estava grávida, e era do embuste. No fim das contas, Robin não quis conhecer a paternidade, e como Zelena não precisava do homem para nada decidiu criar a pequena e agora ela já tinha um ano e a semelhança que tinha com Robin era totalmente nula, a pequena era ruivinha e tinha os olhos cor de mel, como os meus, o rosto em nada lembrava o pai, mas sim as irmãs, eu brincava que a pequena Laurie era minha filha postiça. Mas a pequena estava viajando com a mãe para a casa dos pais da amiga Ruby, uma mulher linda pelo qual a minha irmã está totalmente apaixonada, mas não tem a coragem de admitir.

Me espreguicei e levantei. Apenas escovei os dentes e me levantei para fazer o meu café e me surpreendi ao ver Nora, uma senhora mexicana que era minha cozinheira e segunda mãe.

“Nora? Não te dei folga hoje? Bom dia.” Disse ao cumprimentar a mulher de sessenta e três anos, mas seus cabelos pretos e seus olhos castanhos a deixava mais nova do que sua atual idade.

“Ora, filha, até parece que eu ia deixa-la sem tomar café da manhã. Te conhecendo do jeito que eu sou, você ia sentar naquele escritório apenas com uma garrafa d’água e o seu notebook e não sairia tão cedo de la.”

“Touché! Esse cheiro tá delicioso, vamos termine logo e venha se sentar para tomar café comigo.”

Tomamos o café da manhã em risos e conversas, até que entramos no assunto romance.

“E os seus romances, filha?”

‘Vish, mami, estão eu não sei, na verdade, eu não estou preocupada com isso, sabe? Eu sei o que a senhora vai falar, que a gente precisa de alguém, mas eu ainda não achei essa pessoa e penso que não vou acha-la tão cedo.”

“Todo mundo que fica procurando o amor sempre irá se decepcionar com ele. Ouvi uma frase de uma desses programas que a minha neta assiste, e lá dizia se o amor verdadeiro fosse fácil, todos teriam, e essa é uma frase realística, embora tenha saído de uma série de contos de fada. O que eu quero dizer é que você não precisa procurar ninguém, quando chegar, vai ser de maneira inusitada e cômica.”

“Está em dizendo que o suposto amor da minha vida virá que nem naqueles filmes clichês? Trombada no meio da rua, papéis voando? A senhora é uma eterna apaixonada, dona Nora”

“Mas, e por que não? Nunca duvide do destino, filha. Mas agora que estamos tomamos café, eu vou para casa e você não esquece de almoçar ou vá lá para casa para almoçar conosco, sabe que é bem-vinda em minha casa”

“Claro que sei. Vamos, te deixo lá, preciso passar no shopping para comprar um presente para Laurie.”

***

E sou diretora de televisão e em minha carreira já havia dirigido teles jornais matutinos como noturnos, programas de entretenimento, e agora a emissora em que eu trabalhava queria que eu dirigisse uma série para o canal, e o público seria os adolescentes e adultos, o nome já estava em pauta, mas ainda precisariam fazer o casting para selecionar os atores e atrizes que fariam as personagens da série. Pelas contas, eles já tinham uma temporada completa. Todos os programas que eu dirigi, modéstia à parte, foram de sucesso e sempre que eles chegavam ao fim, os espectadores reclamavam e sempre surgia algo novo para poder dirigir, mas, dessa vez, dirigir uma série televisiva era, de fato, um passo e tanto na minha vida, porque tinha chance de dar certo como de dar errado. E foi com esse pensamento que eu voltei para minha casa, o meu domingo não tinha sido grande coisa, mas nem vi o tempo passar quando estava dentro do shopping, almocei e jantei no lugar, e estava entrando em casa quando senti o cansaço de não fazer nada me alcançar.

Na verdade, passei um bom tempo questionando o que minha segunda mãe tinha me dito e ri, coisas inusitadas nunca iam acontecer comigo, porque eu sempre estava um passo à frente justamente para nada sair do meu controle.

Já se passava das dez da noite quando ouvi os carrinhos e brinquedos da Laurie, que ficava em meu quintal, e o barulho de alguma coisa caindo em sua piscina. Me assustei e peguei a primeira coisa que eu vi na frente. Um cabo de vassoura, liguei a luz da piscina, e vi uma mulher loira saindo de lá, ela estava xingando em francês, reconheci o linguajar e torci o nariz.

‘Quem é você e o que você está fazendo na minha casa?”

“Valha. Minha nossa Senhora! Eu posso explicar, eu não sou nenhuma assassina ou ladra.” Quando a loira foi se explicar, eu ouvi a campainha de casa tocando, a mulher loira segurou em meu braço impedindo que eu fosse atender à porta.

“Por favor, se alguém disser meu nome, apenas diga que eu não estou? Eu prometo que eu te conto tudo, que eu não movo um passo daqui até você voltar, mas por favor, não diga a quem quer que seja nessa porta que eu estou aqui. É caso de vida ou morte, e está mais para morte do que para vida.”

“Fique aqui, e sem fazer barulho.”

Corri até a porta e vi meu vizinho, Gold, com um taco de baseball na mão, o velho estava de pijama e a cena estava cômica demais.

“Gold?”

“Cadê ela?”

“Ela quem?”

“A loira?”

“Gold, eu moro sozinha e a única irmã que eu tenho é ruiva e não loira”

“Ela pulou aí. Se essa garota aparecer aqui de novo, eu mato ela.”

“Mas o que aconteceu?”

“Essa mulher tá ai dentro, Regina. Peguei ela pulando do quarto da minha filha, eu não quero nem saber o que ela estava fazendo com o meu bebê.”

“Bebê é? Sei. Mas se ela passou por aqui, deve ter corrido Gold, porque quando eu cheguei no meu quintal eu ouvi o barulho, mas não vi ninguém, sinto muito, mas se eu a vir por aqui eu mesma capturo para você”

“Boa noite, Regina. E desculpe o incomodo. ”

“Boa noite, Gold.”

Eu dei uma gargalhada ao ver o velho com o taco na mão, que cena mais cômica aquela. Ia subindo quando me lembrei da loira que estava toda molhada no meu quintal. Corri até lá para saber se a mulher ainda estava lá e sim, estava, mas a peguei brincando com um dos brinquedos de Laurie, na verdade, ela estava brincando com os brinquedos de montagem da minha sobrinha.

“Hei.”

“Oi, me desculpa eu juro que eu não queria incomodar.”

“Gold te pegou com as calças arriadas, senhorita...?

“Swan, Emma Swan.”

“Swan. Venha, você está tremendo” peguei uma toalha para ela se secar e pedi para que me seguisse até em um dos quartos de hóspedes. Entramos em silêncio, e eu queria muito rir da situação, mas preferi ficar quieta. Abri a porta para que ela entrasse, e peguei uma calça de moletom que eu usava para ficar em casa e outra camisa de moletom, que era do time de futebol do RedSox.

“Me admira você morar em Nova York e não torcer para os Yankees.”

“Com certeza o RedSox é muito melhor, e eu estou emprestando essa blusa para você, Vá tomar um banho quente e depois desça para a cozinha, irei preparar um lanche e você me conte porque estava fugindo da casa do Gold.”

Eu devia estar louca em abrigar uma mulher na minha casa que estava tendo uns pegas com a filha do meu vizinho, ainda acho que Gold empatou uma foda, ou ele já suspeitava das entradas furtivas da loira no quarto de sua filha e apenas quis pegá-la no pulo. Balancei a cabeça, eu tinha algumas coisas para pensar, como participar do casting para os novos atores que iam se apresentar para nós as dez da manhã, no estúdio na gravadora. Eu realmente esperasse encontrar alguém que se encaixasse perfeitamente nos personagens. Dias de casting eram cansativos demais, e eles queriam começar a gravar pelo menos algumas cenas para poderem lançar a teaser da série o quanto antes. Enquanto eu preparava o lanche, ouvi a voz de Swan entrando na cozinha.

“Então, qual seu nome? Obrigada mais uma vez por ter salvado minha vida daquele velho chato.”

“Regina Mills. E qual a sua idade Emma? Eu acho que eu teria feito a mesma coisa se eu tivesse uma filha e a namoradinha entrasse às escondidas na minha casa”

“Bom então teríamos um problema, Regina.”

“Qual?”

“se eu tivesse uma amiga com uma mãe gata que nem você provavelmente eu fugiria do marido se é que me entende...”

Mas que menina audaciosa, olhei para ela com indignação, aquela menina não devia ter nem vinte anos e já estava daquele jeito.

“Você ainda não respondei minha pergunta, qual sua idade?”

“Vinte e cinco. E a sua?”

“Trinta.”

“Hmm.. Então, eu estava ficando com a filha do Gold, na verdade mais por insistência dela do que por minha vontade, ela é gata mas sei lá, não temos química no sentido amoroso, na cama era bom, mas essas fodas vazias uma hora cansa, e ainda bem que o pai dela quase me pega no pulo, é uma boa desculpa para eu não ficar mais com ela”

Entreguei os lanches para ela, peguei suco e chocolate quente, ela me perguntou se tinha canela e eu peguei o conteúdo em pó e fiz uma careta ao vê-la despejando um pouco de canela em seu chocolate. Comemos em silêncio, suas roupas eu já tinha colocado na secadora. Ao terminarmos de comer, ela olhou no relógio desesperada.

“Meu Deus!”

“O que foi?”

“Olha a hora, eu ia dormir na casa da doida, porque eu teria um casting amanhã e daqui até lá é tão mais perto e agora já não tem mais transporte público e eu morro de medo de ir para casa de táxi a essa hora. Será que eu posso pegar emprestado aquela bicicleta? Ela é um pouco pequena, e porque você tem coisas de crianças aqui se não vi e nem ouvi nenhum choro de bebê?”

“São as coisas da minha sobrinha, ela tem um aninho, mas eu já comprei a bicicleta para quando ela tiver três ou quatro anos, e não você não vai usar a bike da minha bebê. Faz o seguinte, durma aqui, amanhã você sai cedo para o seu casting.”

“Por que você está fazendo isso? Eu sou uma estranha”

“Digamos que você é doida, mas não é assassina, porque se fosse, enfrentaria o Gold, e não ia correr dele. Pode dormir naquele mesmo quarto, suas roupas estão secando na secadora, e tem escova de dente nova na gaveta do armário no banheiro. Boa noite, Swan.”

***

Despertei as seis da manhã, e por incrível que pareça eu não enrolei na cama, como sempre costumava a fazer, em minha mente pairou a menina que estava no quarto de hospedes, espero que ela não tenha acordado antes de mim, pelo menos para eu poder fazer um café para ela ir para o tal casting, agora que me lembrei porque não pergutei para qual peça ou série que ela ia fazer, estava acontecendo muitos castings para elenco aonde eu trabalhava, ela podia estar participando de um deles, levantei, tomei banho e fiz tudo, me arrumei colocando algo confortável como calça jeans, camiseta e uma blusa de frio. Desci as escadas e comecei a preparar um café, enquanto eu estava concentrada nas coisas, ouvi Emma me chamando, ela já estava com suas roupas de ontem, e pronta para sair.

“Hei, senhorita Mills. Obrigada pela estadia e me desculpe pelo incomodo, de novo.”

“Venha, toma um café antes, já está pronto. Você vai para qual lugar?”

“Eu vou para a CBC.”

“Estou indo para lá também, aproveita, te dou uma carona.”

“Jura? Você vai fazer casting? Se bem que você nem precisa fazer essa encheção de saco, é tão linda que passaria mesmo errando uma frase de diálogo.”

“Na verdade eu trabalho lá, sou atriz mas trabalho mais como diretora, prefiro ficar atrás das câmeras, mas quem sabe um dia?”

“Modésta.”

Emma tomou café comigo e logo partimos para a CBC, quando chegamos ela agradeceu mais uma vez e fomos para caminhos diferentes. Estávamos preparando tudo, os que estavam no casting, foram para fazer uma das cenas ao vivo, pois os que estavam ali eram os que tinham passado na primeira fase: mandar um videio com a cena enviada por email. Um diálogo, e esses que passaram teria que decorar a cena em nossa frente.

Tínhamos um cenário preparado, era o mesmo cenário, mas com diálogos diferentes. Durante a manhã vimos jovens dispostos uns foram muito bons, outros deixaram o nervosismo falar mais alto, mas o ponto x que me surpreendeu foi quando em uma das cenas, uma das nossas atrizes que já estava escalada para essa audição não apareceu, e quem entrou para fazer a cena era nada mais nada menos que Emma Swan.

O papel de Emma quando eu peguei, era para ser de uma das personagens principais da história, ou seja, ela seria regular caso passasse, mas um impasse nos pegou desprevenidos, a atriz que faria cena com Emma mandou nos avisar em cima da hora que não iria mais comparecer e que estava deixando o papel livre para outra pessoa. Eu fiquei transtornada e puta da vida, xinguei até a última geração dela.

“Regina, acho que podemos solucionar isso”

“Ora, mas como?”

“As características da personagem bate com a sua, podemos fazer pelo menos essa cena com você até encontrarmos uma atriz, o que acha?”

“Não sei...”

“não custa tentar.”

“Certo. Vamos.”

Voltamos para a sala e Emma estava relendo o script, ela estava compenetrada e nem notou que eu estava ali, ela não tinha me visto porque na hora que ela estava entrando eu estava saindo para resolver o problema causado. Um dos produtores a chamou e contou a situação, a loira concordou mas pelo jeito eles não disseram que eu substituiria a má empregada e péssima profissional.

A cena era a seguinte: uma discussão entre as personagens. Estavam em uma sala, a loira andava de um lado para o outro, parecia nervosa, e ela falava sozinha, xingando a pessoa que iria entrar, quando Emma termina de falar, eu entro batendo a porta e a nossa discussão começa, entramos no clima da cena, eu decorei tudo aquilo em dez minutos. Nossas falas era uma discussão e tanto, e no fim nos encarávamos, próximas, respiração se misturando, descompassados. A briga parecia de um casal, porque no fim, eu dizia “nunca mais olhe na minha cara, você não devia ter feito isso.”

Quando a cena acabou, só desprendemos nossos olhares quando ouvimos aplausos e assovios vindo do teatro, eu tomei um pequeno susto e voltei minha atenção ao que estava acontecendo, nossa audição foi gravada, todas eram, abracei Emma e falei em seu ouvido ‘relaxa, estamos nos vendo só agora’ e ela me abraçou de volta, no fim, tudo deu certo. Lembram que eu tinha dito que ‘talvez, um dia, quem sabe’ sobre voltar para a frente das câmeras? Acho que o dia chegou, e bem rápido.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.