A Rainha Da Mentira
1 Prólogo
Notas iniciais
“Na vida todos temos um segredo inconfessável, um arrependimento irreversível, um sonho inalcançável e um amor inesquecível.” — Diego Marchi.
- Mamãe, podemos brincar no jardim? – Era o que eu sempre perguntava para minha mãe assim que ela chegava do trabalho.
- Sim querida, mas não demorem. Você tem uma sessão de fotos pra a Kids, está lembrada Lexi?
- Mamãe, eu sou a Lexi.
- Ah, querida. Desculpe-me, mamãe está um pouco dispersa hoje.
Mamãe sempre nos confundia, nós já estávamos acostumadas, afinal erámos gêmeas idênticas e nossas roupas combinadas não ajudavam. Mas nós usávamos pulseiras de cores diferentes para nos identificarmos, as quais nossa mãe sempre se esquecia de verificar.
Corremos para o jardim e brincamos, muito, como sempre fazíamos quando minha irmã não tinha nenhuma sessão fotográfica ou um desfile infantil para fazer, é claro.
No fundo, eu morria de inveja dela, pois sempre a acompanhava no estúdio e assistia a todos os desfiles que ela participava, mas eu não havia sido aceita no primeiro teste que fizemos. Não por um motivo aparente, já que erámos idênticas, mas por um motivo “vocacional” como minha mãe sempre dizia, ela havia me convencido de que eu não tinha a menor predisposição para a modelagem e eu já havia começado a me conformar com isso.
De repente Lexi parou de correr virando-se pra mim e assumindo um semblante tristonho.
- O que foi Lexi? – Perguntei um pouco confusa,
- Eu tenho que ir. Tenho que me arrumar para a sessão.
- Mas isso é legal. Eu adoro as sessões, você não?
Então, para minha total surpresa, Lexi meneou a cabeça em sinal de negação. Aquilo não estava certo...
- Você gosta das sessões, não é? – Ela perguntou, de repente, com um sorriso pretensioso nos lábios.
Assenti.
- E dos desfiles...
Assenti de novo um pouco apreensiva. Acho que eu estava começando a entender onde ela queria chegar.
- Me dá a sua pulseira. – Ela disse estendendo a mão.
- Não, Lexi, não! – Falei assustada com a proposta da minha irmã.
- Eu sei que é isso que você quer, para de ser medrosa. Agora, me dá a sua pulseira.
Concordei ainda hesitante.
- Promete não contar isso a ninguém?
- Prometo.
Lexi sorriu e me abraçou. Ela sabia que eu ainda estava com medo. E, sim, eu estava morrendo de medo.
- Ethan! – Ela acenou para o garoto de cabelos loiros, que se encontrava do outro lado da rua. – Ethan! – Lexi gritou de novo tentando atrair a atenção dele que parecia não notar. Tinha algo errado com ele. – Vem vamos até lá.
Ela tentou me puxar para irmos juntas, o que fez minha pulseira cair.
- Só um minuto, me deixa colocar min... – Mas antes que eu pudesse terminar a frase Lexi já estava atravessando a rua, sozinha. – LEXI, CUIDADO! — Gritei o mais alto que eu pude, mas não o suficiente.
Então eu fechei os olhos, os espremi, para ser mais específica, e depois tudo o que pude ouvir foi o barulho da ambulância e o choro desesperado da minha mãe.
Eu não queria abrir meus olhos, não queria enxergar aquilo, só voltaria a abri-los quando eu acordasse chorando e minha irmã me abraçasse dizendo que aquilo havia sido apenas um sonho ruim, o pior de todos...
- Lottie. – Senti alguém sussurrar meu nome após me envolver em um abraço forte sendo obrigada a abrir lentamente os olhos e encarar com certa surpresa um par de olhos azuis claros familiares.
Ethan Harris meu vizinho, melhor amigo e, bom tenho de confessar, primeiro amor.
- Pode deixar, eu não vou contar a ninguém...
Fale com o autor