A Rainha Branca
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Eu tou super ocupada esses dias, mas arranjei um tempinho pra postar aqui antes que vcs pensassem que eu abandonei essa história ;D
Agora vamos ao que interessa:
Mara levantou e foi até a janela. O dia estava adorável, era sábado e não tinha nada para fazer. Exceto continuar a investigação que começara no cemitério dois dias atrás. E falar para Ricardo que, mesmo que ele não queira e que essa ameaça não passasse simplesmente de uma farsa, ele iria ter que brigar com monstros.
Foi até a cozinha e pegou uma maçã na geladeira. Encontrou um bilhete da mãe junto à mesa, ela foi passar o dia com uma amiga em um sítio. Mara ganhou um dia sem a mãe lhe enchendo a paciência, um dia de investigação tranqüila e sem precisar estar em casa na hora do almoço.
Sentou, ligou a TV, mordeu a maçã e deu uma olhada no relógio. Ricardo prometera que estaria lá às nove em ponto, e só quando estivessem reunidos pensariam no que fazer. Estava pensando em falar com as amigas da morta, que participaram da brincadeira, seria bom falar com aquela que apareceu no jornal, mas não sabia onde encontrar nenhuma delas, e, mesmo que soubesse onde moravam, não saberia se falariam para dois completos desconhecidos.
O noticiário já havia acabado, e Mara estava assistindo, ou melhor, deixara a TV ligada em um desse programas infantis que sempre passam pela manhã. Não parava de olhar para o relógio, em dez minutos seriam nove horas, será que não estava atrasado? Acabou de comer a maçã. Levantou e ficou dando voltas pela sala. Amigas, cadáveres, armas, brigas...
-Não acha que está se envolvendo demasiado nisso?
Mara parou de andar e viu Michael sentado no sofá. Ele estava alegre e sorria muito. Continuou andando.
-Estou falando sério, está assumindo responsabilidades que não são suas e achando que só quem deve pensar em tudo é você. E também está muito nervosa por que não quer que Ricardo se envolva, mas não pode fazer nada.
Mara parou de andar e sentou um pouco, mas não falou nada, e se, quem sabe, ele estivesse certo? Com ou sem razão, ele tem que entender que é a única coisa que ela pode fazer, afinal quem vai ter que fazer tudo é ela, quem vai tentar falar com mais pessoas e, quem sabe, dar de cara com uma porta se fechando bem em seu nariz e é ela que vai ter que falar pra Ricardo que agora ele tinha uma nova profissão para o resto da vida. Como queria que estivesse?
Ficou parada, sem fazer nada, olhando para o teto sem dirigir a palavra a Michael, que também agia como se não estivesse lá. Até que o interfone tocou. A garota correu até ele e disse ao porteiro que o garoto motoqueiro, revoltado e baderneiro podia subir. Ricardo nem precisou tocar a campainha, Mara já o esperava na porta, quando ele falou com ela, Natã apareceu instantaneamente.
-E então, por onde vamos começar?
-Vamos falar com uma das amigas delas. Não, não a que saiu na TV. A outra. – falou Ricardo. – a que mora no prédio onde aconteceu o acidente.
-Como você descobriu que uma delas morava naquele prédio? – quando Mara perguntou isso, Ricardo virou o rosto para dar um bocejo e resmungou um “não interessa”. Mara fez uma cara de desprezo, mas depois continuou – Mesmo que saibamos onde ela mora, eu tenho certeza que não vamos conseguir falar com ela. Vamos chegar lá e dizer pro porteiro que somos especialistas em demônios e que já matamos um monte deles e queremos saber se ela poderia nos falar sobre o dia em que morreu uma garota aqui, sabe, achamos que foi um demônio. E então ele vai ligar para o hospício mais próximo, e nós vamos passar uma eternidade lá dentro. Tá bom assim pra você?
-Quem disse que vamos até a casa dela? – Ricardo falou. Seus olhos pareciam um pouco distantes, assim como sua mente parecia estar também – Hoje ela vai passar o dia na casa da avó, é perto da casa dela, ela sempre vai a pé. Podemos falar com ela no caminho
Mara estava boquiaberta. Depois de perguntar como ele sabia de tudo aquilo, e receber outro “não interessa”, ficou mais pensativa que já estava. Como ele descobriu tudo isso? Isso parece coisa de quem ficou dias observando a garota e seguindo todos os seus passos, e depois descobrir algo que ela não faz regularmente? Isso é estranho, e muito. Mas era melhor ir logo, caso contrário, não encontrariam a garota e nem conseguiriam falar com ela.
O prédio ficava longe, do outro lado da cidade, Mara estimou pouco mais de meia hora se fosse de carro. Mas estava na traseira de uma moto que estava sendo guiada por um garoto de dezoito anos, revoltado e que não respeitava o limite máximo de velocidade permitido, portanto, o tempo da viagem foi bem reduzido. Estacionaram a moto em frente a um barzinho desses de esquina e foram andando até o lugar que Ricardo indicara. Os anjos estavam observando tudo, mas de bem longe e fora de vista.
E lá vinha a garota. Camila andava rápido e estava visivelmente alarmada, sempre olhando para todos os lados, principalmente para trás. Quase saiu correndo quando viu os dois jovens que vinham em sua direção, mas eles não pareciam ser agressivos, pelo menos a garota não parecia.
-Olá, como se chama?
-E-eu? C...Camila, por que?
-Não precisa ficar com medo. Eu sou Mara, e esse aqui é o Ricardo.
Camila olhou torto para Ricardo, não foi com a cara dele. Um garoto de jeans rasgados, jaquetas e um rosto sério até demais. E se estivesse pensando em fazer alguma coisa com ela? E se aquela garota só estivesse encenando, e fosse uma cúmplice dele?
Mara percebeu o jeito que Camila olhava para Ricardo. Deu um cutucão discreto no rapaz. Ele deu um sorriso amarelo.
-Está tudo bem — disse ele – pode confiar na gente. Nós só queremos conversar um pouco, será que dá?
-Não, não dá! – falou a garota – eu tenho que ir agora. Por que deixaria que dois estranhos me levassem para outro lugar estranho para conversar sobre o que eu nem sei ainda? – deu as costas e continuou andando.
Ricardo a segurou pelo braço e a puxou de volta, ela olhou para ele muito assustada. Uma pancada indiscreta de Mara o fez perceber que estava sendo agressivo demais. Ele soltou a garota.
-Desculpa. Por favor, será que você poderia ficar para conversar? Pode ser aqui mesmo.
Ela aceitou mais por medo do que ele poderia fazer a ela se não aceitasse, não era porque estava curiosa sobre o assunto desconhecido que dois estranhos queriam falar com ela. Os três sentaram na calçada.
-Camila, nós... Nós queremos falar sobre aquele dia. – falou Mara.
-Que dia? – Camila fez-se de desentendida.
-Você sabe... Aquele dia...
-E o que vocês têm a ver com isso?
-Bom... – falou Mara medindo as palavras – Nós só queremos saber o que realmente aconteceu
-Por que?
-Bom... Porque...
-E se nós dissermos que é porque acreditamos naquela sua amiga? – dessa vez foi Ricardo que falou – que realmente acreditamos que pode ter sido obra de um... Um... Você sabe o quê.
Camila olhou para ele, depois para o chão, abraçou os ombros e começou a chorar baixinho, cobrindo o rosto com os cabelos muito cacheados.
-Eu não sei... Ela só caiu, eu não consegui fazer nada. Depois nós gritamos, gritamos muito, até aparecer alguém, e foi só. Depois estava tudo nos jornais. Agora eu só sinto uma culpa, uma culpa enorme por não ter ajudado, por ter sido na minha casa... A Pâmela é muito impressionada, não sabemos se foi a tal da rainha mesmo. Ela só falou aquilo por que tava assustada.
-Mas, você nunca sentiu nada?
-Às vezes eu sinto uma culpa maior que o normal, e a voz na minha cabeça me diz pra eu fugir... Da minha vida, se é que vocês me entendem. Ela não para, vem todos os dias, mas vai embora de repente e eu fico feliz de repente, aliviada. Mas eu acho que isso não tem nada ver – ela nem sabia por que estava falando aquelas coisas todas para duas pessoas que nunca viu, coisas em que ninguém nunca acreditam. Tem certeza que depois de tudo eles iriam levantar, rir muito dela e dizer que nunca acreditaram nela.
Mara olhou para Ricardo, e viu que ele pensava o mesmo. Uma vozinha em sua cabeça mandando-a se matar? Olhou para cima. O que você acha disso Michael? Levantou.
-Foi muito bom conversar com você. Tente não se sentir tão culpada, e pense mais nesse sentimento bom que você sente. Acima de tudo, NÃO dê ouvidos à vozinha que te diz que você é culpada, lute contra ela, lute ferozmente.
Ricardo se levantou também, os dois se despediram e foram embora. Michael e Natã juntaram-se aos dois. Não era nada bom, tinham uma garota que era constantemente atormentada por um demônio que a aconselhava a se suicidar, que sabia que o ponto fraco dela era o fato de tudo ter acontecido na sua casa e que cutucava cada vez mais a ferida. Se os dois quisessem ir, tudo bem, Michael os acompanharia, mas Natã ia ficar e conversar um pouco com o anjo da guarda de Camila.
E foi isso que fizeram, Mara subiu na moto com Ricardo e Michael desapareceu de vista. Ricardo deu umas voltas a mais durante o caminho de volta, e foi mais devagar. Não estava com pressa, a garota apareceu rápido e a conversa não demorara muito, ainda tinha tempo, a viagem de volta à casa de Mara foi mais demorada do que seria se fosse de carro.
Mas assim que Mara desceu da moto, Ricardo lhe fez um convite.
-Ei, você tem alguma coisa pra fazer até a hora do almoço?
-Não, minha mãe vai passar o dia fora hoje, não sei nem que horas eu vou comer – falou Mara estranhando a pergunta – por quê?
-Vem comigo, eu queria te mostrar um lugar.
Mara subiu novamente na moto. Que mal faria? Não tinha nenhum plano para o dia mesmo, e aproveitaria para tentar falar com Ricardo sobre a visita que teriam que fazer a Blank.
Ricardo a levou para uma parte da cidade que não era muito movimentada, mas Mara conhecia bem aquele local, aparecia lá de vez em quando, seguindo o rastro de algum demônio. O que será que teria pra ver lá, fora um bando de marginais e casas velhas, além dos barracos? Um grupo de garotos, mais ou menos da sua idade olhou para eles com um olhar que demonstrava alguma coisa a mais que curiosidade. Ricardo acelerou, Mara apertou mais ainda os braços em volta dele, sabia que os olhares eram para ela.
Pararam em frente a uma casa abandonada. Apesar de velha e surrada, ainda tinha uma porta, e Ricardo tinha a chave. A porta se abriu com um rangido alto, e os dois entraram. A casa tinha cheiro de mofo e poeira, o chão estava coberto por uma grande camada de pó, e alguns móveis também.
Mas Mara tinha certeza que se não fosse pela poeira, era um bom lugar. A sala era muito grande, no fundo havia uma entrada, quem sabe para a cozinha, e do lado esquerdo havia um corredor, do lado da escada, que dava para os quartos do andar de cima. Ricardo sentou no primeiro degrau da escada.
-Dá pra acreditar que há uns vinte anos esse bairro era um dos melhores da cidade? Minha mãe morava aqui, essa casa é dela, ela diz que só não vende por que essa é a única coisa que a faz lembrar-se do meu pai. Às vezes eu venho aqui, quando eu tô com raiva ou coisa parecida...
-Ou seja, quase sempre? – perguntou Mara distraída, dando voltas pela sala, olhando tudo muito admirada.
-É – falou ele sem jeito – quase sempre. Sabe o que eu faço, eu venho aqui e tento pensar no meu pai, em como ele era, se ele gostava muito da minha mãe, por que ele foi embora... Eu sei que a mamãe ainda ama muito ele, tanto que não vendeu essa casa, e nunca teve um relacionamento desde o dia em que nasci.
-E... E ele? – perguntou Mara olhando para o topo da escada. Havia um homem lá, um homem velho e desajeitado.
-Não sei quem é, deve ser algum morador antigo da casa. A primeira vez que eu o vi, pensei que fosse uma alucinação por causa do... De nada, esquece, mas ele não chega muito perto de mim, eu sempre ignorei isso, você sabe.
Escuta o barulho de alguma coisa caindo no andar de cima. Ricardo se adiantou, e subiu para ver o que era. Então veio o silêncio, era um silêncio que incomodava Mara. Ela se sentia observada por alguém em algum lugar. Mas não deu importância, ou pelo menos tentou. Pensou em como diria a Ricardo que ele agora era um guerreiro a favor dos anjos, a carta estava no bolso da sua calça se ele não estivesse disposto a acreditar. E a viagem que ele teria de fazer, claro, com ela de guia, será que ele iria?
Ele estava demorando muito, será que aconteceu alguma coisa? Não custava ir conferir. Mas quando Mara pôs os pés no primeiro degrau da escada, alguém atrás dela segurou seus braços firmemente atrás de suas costas e pôs a outra mão em sua boca para que não gritasse.
Não conseguia olhar para trás e ver quem era, só sabia que era alguém mais alto que ela. Então esse alguém a fez abaixar até ficar de joelhos, e a virou de costas para a escada. Então ela viu mais dois rapazes, um era alto e tinha os cabelos compridos, o outro não era tão alto assim, tinha os olhos baixos e fumava alguma coisa que Mara não achava que fosse um cigarro convencional.
O de cabelos compridos se aproximou, agachou-se e fez um sinal para que ela ficasse calada e quieta.
-Sabe, não vai dar pra gente conversar direito se você ficar se debatendo assim. – falou ele baixinho – quando eu vi você passando por aqui, eu pensei: nossa que gatinha, eu tenho que falar com ela. E eu estou aqui falando com você, agora. O Ítalo aqui só deu uma forcinha por que eu não queria que você fosse embora logo. E então? – perguntou ele colocando a mão na perna da Mara – vamos ter uma conversinha?
Mara se mexeu com mais força e conseguiu levantar o joelho e, forçando o pé para trás, conseguiu atingir o garoto na perna. Ele a segurou com força e levantou a mão para bater nela.
-Deixa, ela tá comigo – Mara ouviu a voz de Ricardo atrás dela, na escada.
Ao ouvir isso, o garoto abaixou a mão e deu um sorriso.
-Ora, ora, ora... Que más ventos o trazem aqui? Faz tempo que não aparece por aqui cara!– olhou para Mara – e o que tem ela estar com você? Vai dizer que não vai dividir?
Mara tentou olhar para trás, mas uma cabeça careca foi tudo o que conseguiu ver. Dividir? Dividir? Esses caras conheciam Ricardo?
Então aquela grande cabeça pelada saiu de seu campo de visão, e seu dono a soltou. Tudo graças a um chute de Ricardo. O rapaz de cabelos compridos não gostou muito daquilo. Pegou Mara, atirou-a no chão e se jogou em cima dela, comentando como as pessoas de hoje em dia eram egoístas.
Mara ouviu o barulho de uma arma sendo engatilhada.
-Eu... Falei... Pra soltar ela!
O rapaz olhou para trás, estava na mira de uma arma que estava na mão de Ricardo. Então ele saiu de cima dela, levantou, e saiu, gaguejando qualquer coisa e puxando seus amigos. Ricardo guardou a arma no jeans, na parte de trás, e ajudou Mara a levantar.
Mara olhou para ele, ainda muito assustada. Ricardo, aqueles garotos... Será que foi só para aquilo mesmo que ele a levou para lá? Mas como era burra! Claro que sim! Por que ele perderia tanto tempo pensando em um pai que nunca vira? Soltou a mão dele bruscamente e se dirigiu à porta. Ele a segurou pelo braço.
-Você não está achando realmente que eu vim aqui pra isso, está?
Mara se soltou pela segunda vez.
-O que você quer que eu pense, depois dessa cena?
-Mara, por favor, por que eu faria isso?
-Por que você é do jeito que é! E tem uma arma! Ah, meu Deus... E eu caindo naquela sua conversa...
-Se você sair sozinha, eles vão te pegar de novo. E eu não vou estar lá pra te defender.
-Então me leva pra casa, agora!
-Só vou te tirar daqui quando você acreditar que tudo que eu disse é verdade! – Ricardo estava gritando, mas não estava com raiva, era qualquer coisa que Mara não sabia dizer o que era. Alguma coisa nos olhos dele dizia que deveria acreditar, mas ela se recusava.
Deu as costas para ele e ficou parada, esperando.
-Por favor, Mara, eu não tenho motivos para fazer isso, você é a única amiga de verdade que eu acho que tenho... Acredite, eu não faria isso. – apesar de não estar olhando para ele, ela podia jurar que ele estava quase chorando.
-Mas isso não justifica o fato de você estar com uma arma – pulou em cima dele – me dá isso, não tem motivos para usá-la também.
-Mara, sai... Sai de cima de mim! Eu tenho que me defender sabia? – falou ele fugindo – você tem uma espada e eu não tenho nada!
Então ela lembrou que tinha que falar com ele.
-Bom... Você pode conseguir uma arma melhor se quiser.
-Quê? – perguntou Ricardo surpreso.
-Eu recebi uma carta, uns dois dias atrás, do Blank.
-Lembro de você ter falado esse nome em alguma hora... – disse tentando lembrar aonde já tinha ouvido aquele nome.
-Foi, eu falei... Foi ele que fez a minha espada. Então, ele me mandou essa carta. Disse que os anjos foram falar com ele, e que pediram pra ele fazer outra arma, ele até achou que fosse pra mim, que eu tivesse quebrado minha espada, mas eu falei com Michael, e ele disse que eu tinha que falar com você, e te levar lá, pra você pegar sua arma.
-Sei... Onde é que ele mora?
-Ele mora no meio da estrada, entre essa cidade e a que eu morava antes... É um pouco longe, acho que leva um pouco mais de meia hora.
Ricardo foi até a porta, e ficou parado, olhando para o nada. Depois olhou para Mara.
-E então? A gente almoça no meio do caminho?
***
Ricardo palitava os dentes impacientemente enquanto Mara acabava de comer, mas ela não estava mais comendo, limitava-se a ficar observando o prato, que estava praticamente intacto.
-E antão, ainda vai comer?
Ela não respondeu, sequer levantou a cabeça.
-Se não for comer mais, eu acho que vou pagar logo e ir embora. Aquela mulher ali no balcão tá olhando estranho pra gente e eu não...
-Por quê?
-Hein?! Você quer mesmo que eu saiba?
Mara deu uma pancada na mesa.
-Idiota! Não foi dela que eu perguntei! Aquela doida deve tá achando que a gente é gente é um casalzinho daqueles que fugiu dos pais pra casar ou coisa parecida. O que eu quero saber é por que você aceitou tão fácil a idéia de comprar essa briga.
-Ah... Isso? Bom, eu... Não sei... Só aceitei.
Mara levantou-se bruscamente e caminhou até o meio da estrada. Ricardo foi atrás dela.
-Você sabe... – começou ela de costas para ele – que o caminho que você escolheu não tem volta, não sabe?
-Agora eu sei – respondeu ele hesitante – mas não é por isso que vou desistir agora – falou com voz firme.
-Mas você falou que não queria, por que mudou de idéia agora?
-E você também mudou de idéia. Não foi você que deu um escândalo porque queria que eu lutasse?
-Mas naquele dia eu tava com a cabeça quente, nem pensei direito. Depois eu pensei melhor e...
-Pois eu digo a mesma coisa. Eu também pensei muito e acho que essa coisa de virar a noite lutando, de enfrentar todas essas guerras e coisas do tipo deve ser muito pra você fazer sozinha. Não devia recusar ajuda, sabia?Agora eu vou pagar a conta e nós vamos continuar a viagem. – falou ele dando meia-volta.
-Ricardo?
-Sim?
-Obrigada.
-Disponha.
Ela ficou observando enquanto Ricardo pagava a conta. Quando ele já estava voltando, a mulher do balcão o chamou e começou a falar, estava muito empolgada e nunca dava tempo para que ele respondesse, até que finalmente ele conseguiu falar qualquer coisa e fugir.
-E então? – perguntou ela quando estava subindo na moto – qual era o assunto tão importante?
-Você acertou em cheio. Ela estava recomendando m hotelzinho bom e barato e estava começando a contar alguma história sobre a adolescência dela.
-E como você fugiu?
-Eu disse que a gente tava com pressa porque nossos pais podiam nos encontrar a qualquer minuto. – falou colocando o capacete – Mas, e eles? – perguntou indicando com a cabeça a estrada que seguia para o lado oposto – o que a gente faz com eles?
-É... Nos seguiram o caminho todo. Eu realmente pensei que fossem desistir. De qualquer jeito... Deixa eles aí, quando a gente chegar lá, a gente pensa em alguma coisa.
Notas finais
P.S.: Os reviews que não foram respondidos ainda eu responderei, tenham só om pouquinho de paciência ;]
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