A RUNA BRANCA DE ODIN
12 CAPÍTULO ONZE: A força do destino
Notas iniciais
Dizem que, instantes antes da morte, você vê sua vida inteira repassar em sua mente. O mais estranho, é que isso está acontecendo agora e não quando eu caí no mar e quase me afoguei. As imagens da minha infância, as perdas, meu corpo vibrando nos braços do homem conhecido como o guerreiro sem coração...
Eu ouvi direito? Hades querendo trocar votos comigo na frente de todos?
Enquanto sua mente fervilhava e o som pulsante do sangue, somado às batidas frenéticas do seu coração se sobressaíam no silêncio ensurdecedor que se instaurara no salão, Minos via-se diante de um dilema: aceitar ou não a proposta de Hades.
Tinha plena consciência que, como jarl, Hades havia abalado as estruturas vigentes e aceitas não só em seu clã, mas na visão de mundo daqueles homens. Entretanto, uma coisa era ter um amante de forma declarada. Outra, era trocar votos com outro homem, como se este tipo de relacionamento fosse natural entre os vikings. Ele sabia que nem todos aceitariam tal comportamento e isso poderia dividir os clãs.
Por outro lado, como ignorar aquela prova explícita de amor? Como negar que desejava viver aquele sentimento poderoso com o homem da sua vida sem hipocrisias e fingimentos?
Hades seria sempre o seu primeiro e único amor. Não havia como ignorar aquela declaração pública que deixava Hades exposto frente aos homens e mulheres que liderava. Mas, estaria pronto para pagar o preço?
— E então?
A voz grave de Hades soou como uma carícia, puxando-o daquele mar de confusões e sentimentos. Os olhos sempre frios, agora pareciam tomados pelo fogo e tão exigentes como se fossem de um deus...
Os olhares se encontraram e tanto para Hades, quanto para Minos, a resposta significava muito mais que um pedido de casamento. Era um caminho sem volta para a mudança e a quebra de crenças e conceitos que existiam desde o início dos tempos.
— Eu... Eu aceito. – disse Minos e sua voz soou tão forte quanto a do jarl. – Mas, continuo não achando uma boa ide...
A frase ficou pela metade. Após ouvir o que queria, Hades puxou-o com força contra o peito e tomou-lhe a boca num beijo brutal. O silêncio de segundos atrás foi rompido por gritos e batidas de mãos e pés. Algumas exclamações eram de pura alegria, outras maliciosas. Porém, ninguém ficou indiferente ante a ousada proposta de seu jarl.
A grande maioria estava alegre, alguns poucos pareciam desconfiados e outros, apesar de não concordar, aceitavam a decisão de seu líder, afinal, ele já tinha um herdeiro para dar continuidade a sua linhagem e já mostrara força e destemor para liderar.
Shina, que havia se unido ao pessoal há poucos instantes antes da fala de Hades, ria alto e enchia o copo de hidromel. Hades tem colhões! Tomara que ele aguente o tranco com Minos, porque aquele ali não é fácil!
Quando as bocas se afastaram, Hades voltou a falar:
— Como eu disse antes, quem desejar trocar votos como eu e Minos, Guthrum fará a cerimônia!
Houve um burburinho e vários olhares buscavam-se entre si. Aiacos olhou para Lune e estendeu-lhe a mão, fazendo-o corar. Radamanthys buscou Pandora, mas foi ela quem tomou a dianteira e lhe estendeu a mão, trazendo um brilho de contentamento àqueles olhos dourados. Tormund, um homem alto e avantajado olhou na direção de Alna. Ela ainda exibia uma expressão sofrida e ao encontrar o olhar do guerreiro, ela desviou. Entretanto, ele abriu caminho até ela e lhe estendeu a mão. Alna balançou a cabeça, mas Tormund insistiu:
— Venha. – disse ele.
— N-Não posso. Eu lhe dou a opção de encontrar outra mulher e casar-se com ela.
— Bobagem, quero você.
— Olhe pra mim! Eu... agora sou uma aleijada.
— Você é a mulher que eu quero, com mão ou sem mão! E que eu saiba, não precisa de mão pra gerar um filho. – disse ele com uma expressão intensa de ternura e desejo.
Lágrimas escorreram pela face de Alna, enquanto Tormund a tomava nos braços e a beijava com a mesma intensidade que Hades beijara Minos.
Guthrum colocou-se no centro do salão tendo a sua frente um braseiro, um chifre com hidromel, tiras de couro e um ramo verde de teixo. Ela abriu os braços e fechou os olhos, enquanto erguia o ramo de teixo e dizia as palavras:
— “Meus ossos e minha carne são a terra e a terra é meu corpo. Eu ofereço minha vida aos mistérios e aos deuses. Freya, Odin, Thor, Frigga, as Nornes... Que eu seja um instrumento de vossas vontades e também daqueles cuja natureza se compraz em unir seus destinos. Unidos, só separem se vossas almas assim o desejarem, se os seus corpos já não encontrarem calor um no outro. Possa o amor guiá-los nesta vida e nas que se sucederem ao longo da existência e que o voto proferido por vossas bocas seja o cumprimento dos vossos destinos!”
Hades posicionou-se frente à Guthrum e os demais, ao seu lado direito e esquerdo. Olhando para Minos, Hades tomou-lhe a mão entre as suas e pronunciou os votos:
— Minos de Griffon, eu, Hades Ragnarsson, o aceito como companheiro, prometendo honrá-lo e ser fiel até a morte. Pronuncio estes votos perante os deuses e a todos aqui presentes com toda a verdade do meu ser.
Minos sentiu o coração bater ainda mais rápido ao pronunciar:
— Hades Ragnarsson, eu, Minos de Griffon o aceito como companheiro e prometo honrá-lo e ser fiel até a morte. Pronuncio estes votos diante dos deuses e de todos aqui presentes com toda a verdade do meu ser.
E assim, cada um dos casais foi pronunciando seus votos com olhos brilhantes e coração pleno. Aiacos e Lune, Pandora e Radamanthys, Tormund e Alna.
Quando todos haviam falado, Guthrum tomou as tiras de couros e uniu as mãos de cada casal que, em seguida, erguia os braços unidos simbolizando a aceitação da união. Seguindo-se ao ato, o chifre com hidromel foi passado por todos que bebiam um gole fitando os olhos do companheiro. Quando a lua se tornasse crescente, aqueles que tivessem uma joia ou anel para dar ao companheiro ou companheira o fariam na intimidade do quarto, reafirmando seus votos de amor.
Os vivas recomeçaram e mesmo aqueles que mantinham sua posição curiosa ou descontente, posicionaram-se junto às mesas para celebrar a troca de votos. A ceia foi como sempre, farta de carnes assadas em espetos, pães quentes e hidromel. Todos comeram e beberam rindo e conversando. E, quando os casais se preparavam para deixar o grande salão, os gracejos recomeçaram, mulheres davam risadinhas e cutucavam umas às outras, os homens falavam alto frases maliciosas e até as crianças batiam palmas e os pés.
Quando Hades tomou Minos pela mão fazendo menção de sair, a porta da frente do salão se abriu.
— Ora, vejo que chegamos em boa hora. Saudações, Hades Ragnarsson! – disse Wulfgar.
O jarl assumiu uma postura ainda mais ereta. Seu olhar recaiu sobre Wulfgar e os cinco homens mais uma mulher que o acompanhavam. Com o salão fechado e a algazarra, não tinha ouvido o som dos cascos dos cavalos.
— Saudações, Wulfgar. Parece que estamos fadados a nos encontrar em cerimônias importantes. O que o traz aqui?
— Aye! Vida e morte parecem se entrelaçar e nos atrair um ao outro, jarl. Soube que tinha voltado e depois, soube também que havia encontrado invasores liderados pelo traidor Guilty. Infelizmente, estávamos longe demais, quando isso tudo aconteceu e peço desculpas por não estar aqui para ajudá-lo. No entanto, trago notícias importantes. O ataque a Lindsfarne e a morte dos monges chamou a atenção do o rei Offa. Ele tinha um de seus parentes por lá, um tal de Venden, homem cruel e excelente com a espada que todos dizem ter sido morto pelo “Kriger hjerteløs”.
De imediato, as imagens do homem de pele branca e olhar frio voltaram à mente de Hades. O homem da Nortúmbria...
— O que era nosso foi resgatado e se o rei deseja uma compensação, podemos discutir com os membros do félag um meio de fazê-lo. No entanto, esse assunto pode esperar. – disse Hades.
Um sorriso de canto fez a cicatriz de Wulfgar ficar mais evidente.
— Pelo que vejo aqui, está ousando, mais uma vez, jarl. É certo que todos sabem da sua preferência, mas, trocar votos com um igual e dar a mesma permissão aos seus... Não teme perder o respeito dos outros clãs?
Todos voltaram seus olhares para Hades, a pergunta de Wulfgar traduzindo o pensamento de alguns.
— Minha liderança é fundamentada na verdade. Nunca fui homem de rastejar nas sombras e exijo o mesmo daqueles que vivem comigo. Se alguém estiver descontente e achar quer não pode conviver com isso tem a liberdade de escolher viver em outro clã. E quanto ao respeito, creio que ele independe de quem divide a cama comigo. Com a ajuda de Shina, recuperei o que nos foi roubado, matei o traidor e aqueles monges ordinários que se escondem sob a fachada da religião. Querem falar de respeito? Sejam destemidos e eficientes como eu e meus guerreiros e não percam tempo dizendo com quem eu devo foder!
O tom de voz e a maneira tranquila com que tudo foi dito reverteram em uma reação positiva. Os homens voltaram a bradar e elevar os punhos. As mulheres se mostraram entusiasmadas e até os cachorros que circulavam por entre as mesas, pareciam entender que algo acontecia ali e latiam alto balançando os rabos.
Wulfgar baixou a cabeça e tocou a barba crescida sobre o queixo. Quando ergueu os olhos, novamente, Hades o encarava.
— Muito bem, Kriger hjerteløs. Acho que temos uma comemoração acontecendo e não devemos interrompê-la. Eu e os meus partilharemos da sua alegria.
Sem largar a mão de Minos, Hades sinalizou e logo todos estavam com canecas com hidromel nas mãos.
A única mulher que acompanhava Wulfgar olhou na direção de Shina. Seus cabelos eram tão loiros que pareciam brancos e sua face, bela e forte, com se fosse a perfeita encarnação de uma Valquíria. Ela elevou a caneca de hidromel e deu um meio sorriso. Shina fitou-a de cima a baixo e então, também sorriu.
A festa continuou com risos, comida, piadas de mau gosto e até alguns estranhamentos entre aqueles que bebiam demais. A comemoração da troca de votos adentraria a madrugada e então, os casais iriam para seus aposentos.
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Chegara o momento. Pandora dispensou o copo de hidromel e conduziu Radamanthys para o seu quarto. Os dois sorriam com a decisão tomada, as expectativas de cada um encerradas sob a felicidade explícita em cada olhar.
O ambiente estava silencioso, iluminado por dois castiçais de velas, a janela aberta deixando entrar a brisa noturna e sons distantes de pássaros e insetos.
Pandora respirou fundo, seus olhos violáceos mostrando desejo e certo receio. Seu corpo não era feminino como das outras mulheres, havia cicatrizes em muitos lugares e músculos desenvolvidos nos braços e pernas. Sua pele era alva, então tudo ficava mais visível. Por um momento, sentiu-se desconcertada em ser vista nua, mas como que adivinhando seus pensamentos, Radamanthys roçou os lábios nos dela, enquanto sussurrava:
— Você é linda...
— Você também. – respondeu ela um tanto ofegante.
Devagar, ele deslizou o vestido dos ombros dela, abaixou a cabeça e lhe tomou o mamilo esquerdo na boca, sugando devagar... A ação a fez arquejar e levar a cabeça para trás. Os dedos do guerreiro a provocavam, moldando-se aos seios pequenos, enquanto seus lábios deixavam uma trilha de fogo pela pele alva.
Aos poucos, ele a despiu por completo e também se desvencilhou das próprias roupas. Pandora viu-se nua diante de um homem excitado. O pânico a tomou, um resquício da primeira e nefasta experiência ressurgiu. Então, ela olhou para os olhos de Radamanthys, claros, dourados e intensos. Ele a olhava com desejo, mas também com um sentimento profundo.
Ele é diferente! Ele me ama! Repetiu mentalmente para si mesma, enquanto mordia o lábio para segurar o medo. Alheio a tudo que não fosse ela Radamanthys se ajoelhou, ergueu-lhe o pé direito tirando a macia sandália de couro e fazendo o mesmo com o outro. Ela prendeu a respiração enquanto olhava para aquela cabeça com fios da cor do sol. Parecia que ele lhe adivinhara o medo e se colocara a seu serviço, o ato da retirada dos calçados como um ato de devoção... Esqueça o passado! Fixe aqui e agora.
Sentindo uma ternura que nunca experimentara antes com um homem, ela tocou-lhe a cabeça e ele, gentilmente, a fez sentar-se na cama. Então ele se debruçou e beijou-lhe a parte interna da coxa, as mãos acariciando os quadris, firmando-os, e a ternura que se construíra nela se desmanchou em desejo...
Radamanthys seguiu com as carícias íntimas, beijos suaves seguidos de lambidas lascivas e molhadas até chegar à umidade secreta entre as coxas. Pandora estendeu as mãos para trás em busca de apoio, mas em seguida as mesmas mãos se aninhavam nos cabelos revoltos de Radamanthys e ela gemia e mordia o lábio até sentir seu corpo tremer e tremer fazendo-a gritar.
Radamanthys sorriu com o prazer de Pandora. Ela abriu os olhos e o estudou sob os cílios baixos. Ela nunca tivera um orgasmo e aquele primeiro, provocado daquele jeito, a fez sorrir e pensar que não queria, simplesmente, usufruir do sexo passivamente. Era diferente do horror vivenciado na sua primeira vez. Radamanthys era lindo, forte, especial e ela também queria tocá-lo, prová-lo... Agora compreendia o que era prazer a dois e queria libertar-se de todos os medos. Queria dar e receber prazer na mesma medida.
Lambeu os lábios e percebeu os olhos dele seguindo o movimento da língua. Então, ousadamente, ela girou e ficou sobre ele, segurando-lhe as mãos acima da cabeça. Os olhos dourados dele mostravam surpresa e excitação quando ela, tremendo, baixou a cabeça e passou a língua sobre os músculos rijos acima do mamilo esquerdo dele. Ele gemeu e ela continuou lambendo e mordiscando, sentindo o gosto da pele e uma fisgada de prazer pelo modo como ele ofegou e respondeu aos seus toques.
Colocando as mãos nos quadris estreitos de Radamanthys, Pandora livrou-se de seus temores e roçou o rosto e os lábios na extensão quente e rija, fascinada com a textura da pele e a pulsação que sentia.
— P-Pandora... – o nome dela escapou entre o gemido e Pandora sorriu.
Ousaria ir além?Deixaria que a agradável sensação de mexer com um homem como Radamanthys a levasse a outro patamar de audácia?
As mãos pequenas e calejadas acariciavam o falo, enquanto ela pensava a respeito, arrancando mais um gemido de Radamanthys. A expressão dele a deixava excitada e com uma sensação de poder e força. Olhando-o bem dentro dos olhos, ela baixou a cabeça e tomou-o na boca, deixando-se mergulhar na sensação de dar e sentir prazer...
As mãos dele se insinuaram entre os seus cabelos e ela pode sentir todo o corpo de Radamanthys estremecer com o empenho de não ceder ao orgasmo. Com um esforço hercúleo ele a fez parar, debruçou-se e a tomou no colo. Pandora foi deitada na cama, o colchão afundando, as mãos fortes de Radamanthys escorregando para baixo de suas nádegas.
— Sou eu quem lhe deve todo o prazer do mundo... – disse ele, ofegante.
Pandora sorriu e tocou-lhe a face corada.
— Quando se ama, o prazer é compartilhado. – respondeu ela, puxando-o para um beijo profundo.
Enquanto as línguas se buscavam e tocavam, Radamanthys tocou-a, sentindo-a molhada e preparada. Ele afastou os lábios o suficiente para fitá-la nos olhos. Então a penetrou devagar, o membro avançando e recuando com cuidado, até sentir-se inteiro dentro dela. Mesmo excitada e desejando muito, Pandora gemeu e arquejou, surpresa com a penetração.
— R-Radamanthys! – o corpo arqueou debaixo dele, buscando acomodar o membro rijo.
— Eu a machuquei? – perguntou ele, preocupado.
— N-Não... – respondeu Pandora, ainda em choque pelo prazer que sentiu.
Ela não esperava que a sensação de ser preenchida pudesse ser, ao mesmo tempo, assustadora e maravilhosa. Em nada lembrava a violência e a dor que Sweyn infringira em sua noite de núpcias. O corpo dela estremeceu e se abriu para Radamanthys, a entrega sendo a cura para as feridas emocionais que permaneceram dentro de si por anos e anos. E a cada movimento dele, ondas prazerosas irradiavam pelo corpo inteiro fazendo-a ansiar por mais de algo que ela desconhecia, mas que teria nos braços do homem que amava.
Radamanthys aumentou o ritmo, sempre olhando para Pandora que gemia e mordia os lábios avermelhados. Então ela sentiu que seu corpo estremecia convulso, parecia estar na beira de um abismo de sensações que não podia controlar e que a fazia gemer e gritar até que aconteceu. O orgasmo veio varrendo tudo ao seu redor e Pandora sentiu como se fosse desmaiar, tamanha a intensidade.
Assim que a sentiu contrair-se e gritar, Radamanthys soltou um gemido grave, seu rosto se contraiu e ele também gozou segurando-a com tanta força que ela ficou quase sem respirar.
Lágrimas escorreram pelo rosto de Pandora e, pela primeira vez, ela deixou que acontecesse. Radamanthys as colheu com os lábios, pedindo desculpas e ela acariciou-lhe o rosto e o cabelo sorrindo e lhe dizendo que era emoção e não dor.
— Eu te amo... – disse ele beijando-a nos lábios macios.
— Eu também te amo. – respondeu Pandora.
Um beijo profundo os uniu, novamente. O coração de Pandora foi acalmando e ela ficou deitada nos braços de Radamanthys, ciente que uma nova vida se descortinava a sua frente e que o êxtase e a felicidade eram possíveis. Ela apoiou-se no cotovelo e abriu um sorriso luminoso, os olhos ainda marejados.
— Eu confesso que não imaginava que seria assim. Sempre achei exagero o que as outras mulheres diziam sobre fazer amor. Mas, agora, eu compreendo.
Radamanthys tocou-lhe a face, também sorrindo.
— Nossas almas e nossos corpos estão em sintonia. E o amor faz tudo ficar melhor. Tem certeza que não a machuquei? Eu me controlei ao máximo, mas depois...
— Você foi maravilhoso. – disse ela o interrompendo com mais um beijo.
Radamanthys a abraçou e os dois entrelaçaram as pernas, olhando bem dentro dos olhos um do outro. Não havia palavras que exemplificassem aquele sentimento profundo e poderoso. Então, ele beijou-lhe os lábios, os ombros e depois o pescoço... O desejo reacendeu e os dois voltaram a se amar até adormecerem, exaustos, pouco antes do amanhecer.
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Minos franziu o cenho quando Hades o conduziu pela mão para fora da casa. A lua cheia estava em seu ápice, luminosa e, excepcionalmente, grande.
— Onde estamos indo? E onde está Alone? – perguntou Minos. — Ele não veio até nós depois da cerimônia. Será que ele...
— Não se preocupe com Alone.
— Como assim? Ele...
Hades olhou para o céu, ignorando a pergunta e fazendo uma observação casual sobre a noite.
O jovem franziu o cenho, mas não perguntou mais nada. Sentiu que Hades mantinha a mão na sua e deixou escapar um meio-sorriso. Quando poderia imaginar que isto seria possível?
— Chegamos. – disse Hades com tanta naturalidade que Minos entreabriu os lábios com a cena frente aos seus olhos.
Estavam próximos do lago e havia duas tochas acesas, uma de cada lado. Dois bancos de madeira estavam dispostos em frente à caixa de madeira que Minos usava para manipular suas marionetes quando ensinava as crianças a ler.
Hades sentou-se e Minos também. Só havia os dois como espectadores. Minos olhou para Hades que continuava com a expressão fleumática. Logo que ambos se acomodaram, uma voz infantil se fez ouvir:
— Senhores e... senhores! Estamos aqui para um espetáculo de homenagem ao meu pai, digo, ao jarl e ao seu, agora, companheiro, Minos!
Seguido à frase, surgiram dois marionetes, um com cabelos pretos e outro com cabelos brancos. Ambos foram apresentados como homens de valor e cada qualidade citada em tom solene. Uma pequena história de como os dois se conheceram foi contada de forma muito bem humorada, arrancando risos de Minos e meio sorrisos de Hades que, de vez em quando, elevava a sobrancelha e apertava a mão de Minos que continua na sua.
Após a apresentação dos dois, surgiu uma terceira marionete representando uma criança loira e este personagem declamou um poema:
“Não tenho medo da morte,
Não tenho medo da batalha.
Enfrentaria exércitos, o mundo, o universo, elevaria a minha voz
Somente para mostrar que esses versos,
Foram feitos para vós,
Sou criado para ser um guerreiro, mas de vós, aprendi o amor
Amor que me ensinou muita coisa,
sentimento forte que me faria desafiar Thor,
Todos afinal sabem do fim,
um guerreiro sabe que um dia vai morrer.
Não quero sua tristeza,
vou me banquetear com Odin.
Mas agora faço um pedido:
Nunca se esqueçam de mim.”
Assim que terminou, a marionete curvou-se para a distinta plateia e recebeu os aplausos. Hades estava sério, porém em seu íntimo, havia uma emoção profunda em relação ao filho. Quando decidira trocar votos com Minos, ele experimentara uma clareza quase insuportável em relação aos próprios sentimentos. Amar se tornara a decisão mais crucial da sua vida e ao tomá-la, tudo o mais assumiu outro aspecto. Seu filho, seu clã, Minos... Todos eles faziam parte da sua vida e do seu coração como o tesouro mais importante e precioso que possuía.
Alone saiu detrás da caixa e sorriu, curvando-se junto com a marionete. Seus olhos brilhavam de contentamento e, quando ele fez menção de ir ao encontro dos dois, foram eles que o cercaram e abraçaram forte.
— Seu... Seu *mřgunge! Me faz chorar assim! – disse Minos com lágrimas nos olhos.
— Amo você Minos. Fico muito contente que esteja com meu pai. – falou Alone correspondendo ao abraço.
Hades olhou para os dois e seu peito se aqueceu. Ainda era estranho sentir toda aquela carga de emoções, mas, ao mesmo tempo, sua vida adquiria uma força totalmente nova.
A noite estava, relativamente, quente e Minos deixou-se levar pelo espírito juvenil que possuía. Num rompante, pegou Alone nos braços e entrou no lago.
— Ei! O que você está fazendo? – perguntou o menino.
Minos riu e, quando Alone deu-se conta, ambos estavam dentro da água com roupa e tudo. Os dois começaram a rir sob o olhar surpreso de Hades.
— Vem, pai! – gritou Alone.
Hades entrou devagar com o olhar fixo nos dois. Quando chegou perto, um sorrisinho travesso curvou os lábios de Alone e Minos. Eles se olharam e, juntos, espalmaram as mãos no peito do jarl empurrando-o. Ele caiu para trás, espalhando água ruidosamente, mas levantou-se em um piscar de olhos. A água pingava por todo o corpo dele, colando a túnica ao tórax, esculpindo cada músculo.
— Vocês vão me pagar por isso. – disse ele avançando e borrifando água na direção dos dois.
Por um segundo, o olhar sério e parecendo furioso de Hades os fez estancar, mas em seguida, os dois começaram a rir e logo, os três espalhavam água por todos os lados como se fossem patos selvagens.
Brincaram por alguns minutos, até a barriga doer de tantas risadas.
— Você está parecendo um gato molhado. – disse Alone para Minos.
— Você também. – rebateu Minos.
— Bem, vamos encerrar a brincadeira. – falou Hades abrindo os braços, pingando água.
Os três saíram e Hades olhou para a pequena cabana que ficava próxima ao lago e servia para guardar alguns suprimentos.
— Acho que podemos transformá-la em uma casa de banho a vapor. O que acha Minos?
O jovem sorriu, casas de banho a vapor eram comuns nas comunidades vikings mais organizadas. Era uma maneira de manter a higiene do corpo, principalmente nos meses de frio intenso. Em sua mente, imagens foram se formando: a vedação da cabana, o lugar das pedras quentes, o fole para o fogo... Era tão fácil visualizar o espaço e como organizá-lo. E isso lhe trazia um prazer muito grande, porque traria conforto e benefícios para todos.
— Acho ótimo! Quando começamos? Amanhã?
Hades sorriu.
— Fale com Rorik e os outros. Acho que todos terão interesse em ajudá-lo. Meu pai nunca se importou com isso e também nunca permitiu outras coisas que trariam mais conforto. Agora, isso acabou.
Alone olhou para o pai e sorriu, a água escorrendo pelo rostinho afogueado.
— Eu também posso ajudar!
— Claro que pode!
Hades e Minos acariciaram a cabeça do menino e juntos, foram despir as roupas molhadas, comer alguma coisa e se recolher.
O salão continuava lotado, as risadas se somavam aos roncos dos bêbados. Shina, como sempre, bebia e desafiava alguns até pousar os olhos na jovem que viera com Wulfgar. Sua observação foi recebida com um olhar intenso, porém sério. Ela desviou e Shina deixou a mesa e a caneca com hidromel. Chegando perto dela, a guerreira arriscou perguntar:
— Me chamo Shina. Posso saber seu nome?
— Eu sei quem você é. Já ouvi falar sobre os seus feitos. – respondeu a jovem.
Shina fitou-a com o cenho franzido.
— Não creio que tenha ouvido boas coisas sobre mim, vinda do cara cortada.
A jovem riu.
— Meu pai não é tão bruto quanto parece.
— Você é filha de Wulfgar? Mas...
— Não pareço ser, eu sei. Mas, sim, eu sou filha dele e ele só soube quando ele foi até a corte do rei. Meu nome é Hilda. Hilda de Polaris.
— Muito prazer, Hilda.
— O prazer é meu... Shina. Espero que tenhamos a oportunidade de conviver mais.
As duas apertaram as mãos sem desviar os olhos uma da outra. Quando as mãos se separaram, Hilda se afastou e Shina ficou parada, sentindo uma emoção diferente que, pela primeira vez, a deixou sem palavras.
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Quando chegaram à porta dos aposentos de Hades, Alone sorriu e baixou os olhos.
— Bem, acho que vou dormir. Boa noite, pai. Boa noite, Minos.
Minos abraçou o menino com um afeto genuíno. Hades beijou-o no topo da cabeça e brincou com o nariz arrebitado.
— Durma bem. – disse o jarl.
Alone sorriu e, em sua expressão surgiu uma pontinha de malícia.
— Vocês também...
Hades empurrou a porta, encontrando os aposentos preparados como pedira. A cama estava estendida, a mesa posta, a lareira acesa com pedras sobre as brasas e uma tina de madeira.
Minos olhou ao redor, surpreendendo-se com tudo aquilo. Hades sorriu internamente, satisfeito com o que percebia nas atitudes de Minos. Não era bom em expressar sentimentos com palavras, mas seus atos falavam por si.
— Está com fome? – perguntou ele.
— Não. Tenho que confessar que ainda estou surpreso com tudo isso. Nunca pensei que desejasse ficar comigo desse jeito. Como eu ia falar antes que me interrompesse com aquele beijo, o ato de trocar votos com outro homem, vindo de um jarl como você trará consequências. – disse Minos abraçando Hades pela cintura e fitando-o no fundo dos olhos.
— Você tem medo? – questionou Hades.
— Quando eu nasci, minha mãe morreu no parto. Guilty sempre disse que eu era amaldiçoado. Você me fez sentir e descobrir coisas que mudaram a minha vida. Não quero prejudicá-lo e ser a causa de...
Hades levou os dedos aos lábios bem feitos de Minos, interrompendo-o.
— Recusou-se a ser meu amante. Devia saber que eu não aceitaria perdê-lo, não depois do que vivenciamos. Nunca mais diga que é amaldiçoado. Após o nascimento de Alone, eu jamais sonhei ser abençoado, novamente. E então, você surgiu em minha vida, me deu prazer e me fez sentir amor. Jamais abrirei mão disso, nem mesmo se os deuses me exigissem.
Ao ouvir a declaração de Hades, Minos não se conteve, roçou os lábios na boca entreaberta do jarl, enfiando a língua, devorando-o. Os dois caíram na cama e Hades deixou-se explorar pelas mãos ávidas e agora experientes.
Sentindo toda a ânsia do outro, Minos puxou o cordão da calça e desceu, buscando, com os lábios a ereção do jarl. Depois, tomando o falo entre as mãos, colocou-o todo na boca quente, criando um ritmo forte e cadenciado. Continuou, roçando a língua em toda a extensão, molhando-o com a saliva e depois sugando, levando-o nas profundezas de sua garganta.
Gemendo, Hades segurou o rosto de Minos, perdendo o controle dos movimentos do corpo, movendo os quadris, fazendo amor com a boca que o fazia perder todo o senso, sentindo a pressão em sua virilha, o calor, a umidade...
O clímax veio, arrasando qualquer noção do que quer que fosse e Hades derramou-se na boca do outro, soltando um gemido alto e abafado. Minos sorveu todo o gozo, impregnando-se do gosto e do cheiro, sentindo prazer em ver a expressão lânguida daquele que, agora, podia amar livremente, sem reservas. Levantou-se e foi puxado de encontro a boca sedenta, a língua buscando a sua, o corpo ainda quente e convulso.
— Eu te amo... Hades Ragnarsson! — sussurrou Minos enquanto sentia as mãos do jarl em seu corpo.
Eles permaneceram abraçados, até os rostos se alinharem, novamente, e as bocas se encontrarem, iniciando uma dança erótica de línguas sedentas que se tocavam e sugavam com volúpia. Ambos gemiam entre os beijos profundos, enquanto se despiam totalmente, ansiando pelo contato pleno...
A luz prateada do luar iluminava a penumbra do quarto e os corpos nus que se tocavam, ofegantes. Apesar de ser sempre intenso e prazeroso, agora o sexo tinha outro sabor... A língua de Hades percorria a pele recém-banhada, enquanto se esfregava e sentia a excitação de Minos em sua coxa. O jovem se contorcia, movendo os quadris de encontro ao outro, sussurrando rouco para que Hades o penetrasse, que o preenchesse logo.
Sem nenhuma palavra, Hades baixou a cabeça e lambeu a ponta do falo ereto, explorando a ereção com a língua, roçando o interior das pernas do outro com os seus cabelos, introduzindo os dedos na entrada quente e úmida, até sentir a contração sobre eles. Afastou as pernas de Minos posicionando-se para enterrar-se no corpo quente e desejoso. Com um gemido rouco, segurou o jovem pelos ombros e com um movimento rápido, preencheu-o, completamente, arrancando um grito abafado da boca arfante que agora sorria e puxava o ar.
O corpo de Minos estremeceu sob o dele e ambos começaram a mover-se forte e rápido, a boca de Hades desceu selvagem sobre os lábios, pescoço, mamilos fazendo-o gemer mais alto e rápido, enquanto ele mesmo sentia o controle se esvair e arremetia-se com mais força, mergulhando no corpo, na alma, na intensidade do amor que sentia e que se expressava na comunhão das peles.
Faziam amor como dois insanos, as mãos se apertavam, arranhavam, redescobriam a textura da pele em fogo e Hades afundava-se mais, profunda e desesperadamente tocando-o no âmago, fazendo-o seu...
Gozaram alto, bocas unidas, gemidos que se misturavam, corpos tremendo em espasmos fortes e ritmados, o nome sussurrado ao sentir o sêmen quente na pele e entre as pernas...
— Eu ainda não acredito que estamos casados ...- disse o jovem roçando o nariz no pescoço de Hades.
— Você terá muitas noites e muitos dias para se convencer. — respondeu Hades mordendo o lábio inferior de Minos e puxando-o para deitar sobre si.
Minos sorriu e beijou Hades, novamente, embalado na doce sensação de sentir-se merecedor de toda aquela felicidade...
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Finalmente, estavam em um quarto. O moreno estava com os olhos fechados, porém percebeu a presença dele... Sem abrir os olhos, Aiacos virou-se e sorriu, passando a língua sobre o lábio inferior e exibindo o corpo musculoso e nu.
Ante aquela provocação, Lune avançou, uma das pernas insinuando-se entre as coxas de Aiacos, sentindo-o ficar excitado. A mão agarrou-se aos fios negros e molhados do banho recém tomado, puxando-o de encontro à boca ávida, enquanto a outra percorria aquele corpo cobiçado. Apertou-o, agarrando-o da cintura à coxa e murmurando baixo:
— Seu safado...
Em seguida, afastou os lábios e mordeu o queixo do moreno com gula e desejo... Fitou-o uma última vez antes de afundar a boca na curva daquele pescoço, conseguindo sentir o cheiro da pele. Da coxa foi à virilha e tocou com os dedos os testículos de Aiacos, que logo abriu a calça do amante e moveu o próprio corpo de maneira que os membros se tocassem.
— Safado é você que me tentou desde a primeira vez que o vi... – disse o guerreiro atraindo Lune para a cama.
Lune gemeu e deitou-se sobre Aiacos. O moreno sorriu, satisfeito e começou a despi-lo, enquanto ele gemia com aquela fricção. Logo, Lune estava completamente nu, revelando o corpo bem feito e bastante excitado.
— Não me canso de olhar você... — elogiou Aiacos com sinceridade, inclinando-se para um beijo lento e profundo, sentindo aquele gosto cálido que o envolvia e que seu corpo recebia tão bem. – Você é lindo... – sussurrou quando Lune mordiscou seu lábio e tocou sua língua.
— Sabe que eu adoro quando me possui... Mas... eu também gostaria de ter você... Queria sentir como é me enterrar nesse seu corpo quente... Você deixaria? – falou Lune.
Aiacos sorriu e estreitou os olhos... Parecia uma daquelas feras maravilhosas e mortais com seus olhos castanhos espreitando o violáceo intenso que o observava. Jamais imaginaria que Lune gostaria de fodê-lo, assim como jamais imaginaria que se sentiria tentado a tê-lo dentro de si.
— Tudo bem... Eu deixo... – disse Aiacos, após alguns segundos.
O rosto de Lune se iluminou e ele exclamou um jura?
Aiacos deitou-se na cama e virou de costas, fechou os olhos e se esfregou no falo que se insinuava em suas nádegas, permitindo, mostrando o seu desejo...
As mãos de Lune se moveram para aquele rosto já afogueado, segurando-o para então começar a mordiscar o seu maxilar e deslizar a língua até a orelha, mordendo o lóbulo, circundando toda a região, deixando a respiração pesada escapar por sua garganta.
Já ofegante, Aiacos sentiu o falo do amante iniciar a invasão e gemeu de prazer com a pegada forte em seus quadris... Mordeu o lábio inferior com força quando a movimentação lenta tornou-se mais intensa e forçou o corpo para trás, aprofundando aquela invasão que se revelava dolorosa, mas também lhe dava prazer...
A penetração ritmada e certeira atingia Aiacos com ardor e atravessava o seu corpo deixando um rastro cada vez mais quente, luxuriante... Ele arquejava, sentindo o falo de Lune mover-se cada vez mais rápido dentro de si, tomando-o com fúria, arrancando gemidos entrecortados e cada vez mais altos de sua garganta.
A mão de Lune escorregou até uma das coxas de Aiacos e a apertou, deixando a marca dos dedos na pele morena, enquanto enfiava mais e mais dentro da cavidade estreita e gemia ao seu ouvido, deixando-o entontecido, ofegante...
— Você é... delicioso... quente, apertado... – gemeu Lune rente ao ouvido de Aiacos.
O guerreiro sentia seu corpo ferver, o calor exalado por ambos os corpos misturando-se ao ambiente do quarto, o ar ficando cada vez mais carregado de luxúria...
Tomar Aiacos daquele jeito deixava Lune ensandecidamente excitado e sentia que o moreno, realmente se entregava a ele. Aspirou o ar próximo da pele dele e afundou mais do membro, movendo-se com mais velocidade.
Os gemidos de Aiacos eram longos e misturavam o prazer da sua excitação com um pouco de dor. Abriu mais as pernas e inclinou-se ainda mais, aspirando o ar de forma entrecortada para dentro dos pulmões, enquanto era arremessado para frente e puxado para trás pela mão forte que prendia sua cintura.
Lune grunhia e apertava a pele ardente de Aiacos e quando o moreno virou a cabeça para beijá-lo, enfiou a língua em sua boca de um jeito quase animalesco, mordendo, sugando e apertando-se contra ele que agora tinha o corpo sacudido pelas estocadas fortes e intensas.
— Aiacos... Eu te amo... – gemeu Lune apertando-se junto ao moreno, sentindo seu falo derramar-se em longas pulsações dentro da cavidade quente, enquanto seu corpo era sacudido por um intenso prazer.
Fechando os olhos, sentindo o sêmen inundá-lo e continuando a ser masturbado no ritmo do pulsar da penetração, Aiacos também gozou estremecendo e se contorcendo de um modo avassalador.
O membro de Lune ainda latejava e se movia apertado no corpo de Aiacos, enquanto seu corpo estremecia e seus dedos cravavam nos quadris do amante. Ele jogou a cabeça para trás, deleitando-se com o aperto delicioso e o calor que emanava do corpo do moreno quando o orgasmo o atingiu, mas forçou-se a ficar com os olhos abertos. Não queria perder um instante sequer daquelas reações que Aiacos demonstrava em seus braços e que lhe davam um prazer imensurável... Os tremores do corpo, os lábios se abrindo, a ponta da língua rosada, os olhos fechados completamente transtornados de prazer...
Os dois ficaram trêmulos e abraçados, a entrega plena tornando-os um...
— Eu não achei que você me deixaria possuí-lo. Nunca senti tanto prazer em ter alguém como foi ter você. – murmurou Lune.
— Eu te amo. Se você me pedisse o Inferno de Hela, eu o traria...
— Sabe, eu nunca pensei que poderia amar alguém assim. Você me salvou de mim mesmo.
Aiacos tocou a face alva e sorriu.
— E eu nunca poderia imaginar que alguém com a sua beleza fodesse tão bem.
Lune riu.
— Você me desperta ambos os lados... Quer me foder, agora? – perguntou ele tocando o falo de Aiacos e sentindo-o inchar e pulsar.
— O que você acha...? – respondeu Aiacos rindo e puxando Lune para cima dos quadris.
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Pandora acordou com os primeiros raios do sol, sentindo o peso agradável da coxa musculosa de Radamanthys sobre si. Havia uma força e uma emoção que a fazia rir sozinha. Estava livre e podia vivenciar o amor e o sexo com inteireza e muito prazer!
Radamanthys abriu os exóticos olhos dourados e sorriu para ela.
— Já acordada?
— Estou faminta! – disse ela tocando-o no rosto.
O guerreiro sustentou o peso do corpo em um dos cotovelos, sorrindo.
— Vou buscar algo.
— Espere...
Os dedos longos de Radamanthys se esticaram para puxar uma mecha de cabelos negros de Pandora.
— O que foi?
— Nada, apenas não quero que este momento acabe.
— Não vai acabar meu amor. Nunca. Nem mesmo depois da minha morte.
— Não fale em morte. – disse ela puxando-o para um beijo.
Radamanthys sorriu e deitou-se sobre ela.
— Eu te amo, Pandora...
— Eu também te amo...
Ambos se apossaram dos lábios um do outro e só se afastaram quando ouviram alguém bater à porta. Pandora enrolou-se no lençol e abriu uma pequena fresta.
— Hades?
O jarl a olhou e deu um meio sorriso.
— Preciso de todos no salão. Vistam-se e desçam.
Pandora assentiu e logo, ela e Radamanthys estavam ao lado de Hades, Minos, Alone e Shina na grande mesa central.
O jarl levantou-se e ergueu a mão.
— Haverá mudanças e obras por aqui. Preciso da ajuda e trabalho de todos. Temos que tornar este lugar mais fortificado e também promover algum conforto. Quando tudo estiver encaminhado, será o momento em que Odin guiará o nosso destino.
Todos ergueram os braços e um brado em uníssono irrompeu naquelas primeiras horas. O desjejum foi servido e todos comeram e beberam com um companheirismo renovado.
Wulfgar foi ter com Hades, enquanto sua filha conversava com Shina.
— Estamos partindo após o desjejum. Pode contar com meu apoio, mas se o rei decidir enviar mercenários para atacá-lo pelo que fez em Lindsfarne, precisará da ajuda dos outros clãs. Sabe disso, não é?
— Sim, eu sei.
— E, como eu disse, nem todos aceitarão seu modo de vida por aqui.
Com tranquilidade, Hades olhou na direção de Minos, vendo-o sorrir e conversar com Rorik, Alone e Aldebaran.
— Você ama a sua filha, Wulfgar?
— Hilda? Claro, eu a descobri somente agora, mas ela é destemida e uma guerreira formidável.
— Você a abandonaria se os outros clãs não aceitassem a sua decisão de trazê-la para o seu lado?
— Claro que não!
— Então, você sabe que eu já fiz minha escolha e não voltarei atrás.
Wulfgar encarou os olhos frios de Hades.
— Começo a ter pena do homem que tentar dominá-lo. Conte comigo.
Os dois apertaram as mãos e logo, as despedidas começaram.
Ao entardecer, quando o navio de Shina adentrou o mar, com a promessa de voltar caso ele precisasse, Hades permaneceu nas pedras, o olhar fixo no horizonte e muitos pensamentos em sua mente. Sabia que Wulfgar tinha razão e que as decisões que tomara eram um caminho sem volta. A morte do parente do rei o tornara um homem marcado e era, somente, uma questão de tempo, até uma nova batalha ter início. Mas, ainda assim, quando Minos juntou-se a ele, a simples visão do homem que amava o fez interromper seus questionamentos e guardá-los para si. Tudo a seu tempo...
— Todos se foram, mas logo isso vai mudar. – disse o jovem abraçando-o pelas costas.
— É mesmo? Além dos seus talentos para organizar e construir, herdou também as visões de sua avó? – perguntou Hades.
Os olhos violáceos se encontraram com os dele.
— Às vezes eu tenho visões. Não é nada claro, mas eu vejo. Eu perguntei a Guthrum sobre isso.
— E o que ela disse?
Minos sorriu.
— Disse pra eu viver o presente e deixar o futuro para o deus Odin.
— Ela é uma mulher sábia. – falou Hades puxando Minos para si.
— No que estava pensando, tão sério?- perguntou o jovem.
— Pensando em experimentar algo novo na cama, esta noite. – respondeu Hades.
O corpo de Minos reagiu no mesmo instante àquela proposta.
— É mesmo? E o que faremos...? – questionou o jovem.
Hades sorriu e cobriu-lhe os lábios com um beijo, pensando em usar as tiras de couro que os unira nos votos em uma brincadeira excitante.
— Você saberá no momento certo... – sussurrou antes de voltar a beijá-lo profundamente.
E se o rei contratasse mercenários para caçá-lo? Bem, ele os enfrentaria como o guerreiro que sempre fora. Seu corpo era forte e sua mente conhecia os segredos da batalha, mas, acima de tudo, a principal e mais forte arma de que dispunha, era um coração pleno e forte que aprendera a amar. E era este coração que protegeria aqueles que amava contra tudo e contra todos, até mesmo se precisasse enfrentar os deuses!
FIM?
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