Passei a tarde inteira em meu quarto, arrumando a minha mala para levar para Nova Delhi. Sei que vou passar apenas uma semana lá na Índia, mas, mesmo assim, toda vez que vou viajar demoro uma eternidade para arrumar as minhas malas, principalmente porque sempre fui uma mulher muito indecisa quanto ao que levar em uma viagem.Sei que esta é uma viagem de trabalho, mas, mesmo assim, se eu tiver algum tempinho, vou querer passear pela cidade, conhecer os pontos turísticos, afinal, quem não vai querer aproveitar uma oportunidade dessas, não é mesmo? Eu é que não vou desperdiçar esta oportunidade, ainda mais agora sabendo que meu irmão está fora de perigo, fico bem mais calma e vou poder aproveitar tanto o congresso quanto as horas livres para turistar que, eu sei que vou ter.

Termino de arrumar minha mala, e, em seguida, arrumo a minha nécessaire, colocando ali todos os meus produtos de higiene pessoal. Estou terminando de arrumar as minhas coisas quando algumas batidas na porta de meu quarto chamam a minha atenção.

― Pode entrar. – eu digo, animada.

A porta do meu quarto se abre, e, meu pai entra. Ele se aproxima e, beija meu rosto de forma carinhosa, retribuo o gesto de meu pai da mesma forma.

― Já terminou de arrumar a sua mala, Regininha? – ele me pergunta.

― Já sim, pai. – respondo, animada – Só preciso terminar de arrumar a minha nécessaire e vai estar tudo pronto. Aí só precisarei tomar um banho e me arrumar para ir ao aeroporto.

― Perfeito, querida. Vou levando a sua mala para o carro enquanto você termina de se arrumar.

― Vai mesmo me levar para o aeroporto? Sabe que não ligo de ir de táxi, não é mesmo? Eu não quero que o senhor perca algum compromisso importante por minha causa.

― Minha querida, para mim nada é mais importante do que você e seu irmão, e, além do mais, será um prazer levar você para a rodoviária.

― Obrigada, pai. Eu te amo muito!

― Também te amo, Regininha. A você e a seu irmão, vocês não imaginam o tamanho do amor que sinto por vocês.

Termino de arrumar minha nécessaire e entrego ela junto com a minha mala para o meu pai, que, ele leve tudo para o carro, o vejo saindo de meu quarto, e, sigo para o banheiro, onde tomo um rápido banho, pois não quero me atrasar.

Depois de me banhar, visto um robe e sigo para o meu closet, onde escolho uma blusa social branca, uma calça social preta e scarpin pretos. Penteio os meus cabelos, deixando-os soltos e, faço uma maquiagem bem casual, pego a minha bolsa e deixo o meu quarto, indo diretamente para a garagem, onde o meu pai já está em seu carro. Adentro o assento do passageiro, fecho a porta, coloco o cinto de segurança para então voltar a minha atenção para o meu pai.

― Estou pronta! – falo com animação.

― Está linda, filha. – meu pai me responde – E fica mais linda ainda com toda esta animação!

Ante as palavras de meu pai, eu simplesmente não consigo deixar de sorrir.

― E a minha mãe? – pergunto.

― Está no hospital com seu irmão. Temos um tempo ainda até o seu voo, quer passar no hospital para se despedir de sua mãe e seu irmão?

― Mas é claro!

Sorrio.

Seguimos então para o hospital e, em todo o trajeto, conversamos de forma muito animada. Eu sempre me dei muito bem tanto com o meu pai quanto com a minha mãe. Posso dizer, sem a menor sombra de dúvidas, que sou privilegiada por fazer parte de uma família tão unida, onde não falta amor.

Rapidamente chegamos ao hospital e, após meu pai estacionar, seguimos direto para o quarto de Rafael, onde, ele está conversamos com minha mãe.

― Olha só quem veio se despedir de vocês! – meu pai adentra o quarto na minha frente, dizendo todo animado.

Os olhares de minha mãe e Rafinha se voltam para mim, e meu irmão assobia de forma brincalhona para mim.

― Mas você está linda, em irmãzinha. Quem você quer impressionar com toda esta produção?

― Deixa disso, Rafinha! – não perco tempo em dizer – Você sabe muito bem que não estou aberta a relacionamentos.

― Seu irmão só está brincando, Regininha. – fala minha mãe – Mas, você está realmente linda, filha, e, fico feliz que tenha vindo se despedir de nós.

― Eu não iria viajar sem me despedir de vocês. – falo, me aproximando de minha mãe e a beijando em seguida.

― Faça uma boa viagem, filha. – minha mãe volta a falar – E, não esqueça de avisar assim que chegar a Índia.

― Pode deixar. – eu digo.

Me aproximo então de Rafinha, abraçando meu irmão com carinho.

― Fica bem, Rafinha. Em uma semana estarei de volta.

― Aproveite a viagem, maninha! Tenho certeza de que ela será inesquecível!

Termino de me despedir dos dois, e, junto com meu pai, deixo o hospital, onde vamos diretamente para o Washington Dulles International Airport. Como não pegamos muito trânsito, rapidamente chegamos lá e, meu pai desce do carro, pegando a minha mala e me entregando ela.

― Filha, infelizmente eu vou ter que voltar daqui. Tenho uma reunião daqui a pouco e não posso me atrasar. Mas eu espero que você faça uma excelente viagem!

― Obrigada, pai. – eu sorrio, o abraçando em seguida – Obrigada mesmo por me trazer até aqui.

― Não há o que agradecer, querida. E, não esqueça de avisar assim que o avião pousar.

― Pode deixar que eu aviso.

― Se cuida, querida.

― Vou me cuidar, não se preocupe.

― Um pai vai sempre se preocupar com a sua filha.

Terminamos de nos abraçar e de nos despedir e, eu adentro o aeroporto, indo diretamente para a fila do check-in. Algumas pessoas estão na minha frente e, procuro logo entrar na fila. Como o aeroporto está apinhado de gente, um homem acaba me empurrando, fazendo com que eu acabe por esbarrar na pessoa que está na minha frente na fila.

― Me desculpe. – falo, totalmente envergonhada, e, olhando para o chão.

― Regininha? – ouço uma voz que me é bastante familiar.

No mesmo instante, olho para a pessoa em quem eu esbarrei e, me surpreendo ao ver ninguém mais, ninguém menos do que o melhor amigo de meu irmão.

Isso só pode piada!

Mas será que até aqui tenho que esbarrar nesse sujeito?

― Está indo viajar? – ele me pergunta.

― É o que parece, não? – eu respondo, sentindo todo o meu bom humor se evaporar.

Felizmente, a fila começa a andar, e, ele não tem mais tempo de me dirigir a palavra, pois chega à sua vez de ser atendido e, o vejo fazer o check-in e despachar sua bagagem. Chega a minha vez de ser atendida e faço o mesmo, seguindo para o portão de embarque em seguida, pois, já estão anunciando o meu voo.

Entrego minha documentação para a comissária de bordo e, ela me indica o meu assento, de acordo com a reserva do meu voo e, fico estática ao ver o homem que está sentado na poltrona ao lado da minha.

Eu devo ter jogado pedra na cruz!

Isso não pode ser possível!