A Quinta Marota - Frutos de Uma Guerra
3 Carpe Diem
Notas iniciais
Daniella Black narrando:
Acordei novamente e Remus não estava do meu lado, ouvi gritos do outro lado da casa e imaginei que deveriam estar aprontando alguma coisa. Bocejei e olhei para o lado, logo seria lua cheia e teríamos que nos esconder até Remus virar humano de volta.
Espreguicei-me. Quanto tempo demoraria para os Bruxos perceberem que tinha uma guerra começando a acontecer?
Uma guerra nada fácil já que não era apenas entre um país Bruxo e outro dessa vez e sim uma parte da sociedade contra outra parte, quase uma guerra civil. E se o Reino Unido não vencesse aquele maluco provavelmente aqueles ideais iriam se espalhar por aí e então... Bem, haveria muita confusão em muitos países.
–Dani – ouvi Lilly bater na porta, eu respondi com um “Quê?” mais sonolento do que eu estava me sentindo – Dumbledore está aqui, acho melhor você se vestir.
Aquelas palavras me despertaram mais do que qualquer outra coisa e eu levantei como um raio, colocando o primeiro par de jeans e camiseta que encontrei, prendi o cabelo e fui direto para a sala, aonde Marlene e Sirius discutiam feio e Dumbledore estava sentado observando.
James estava irritando Peter e Remus estava sentado com outro jornal aberto parecendo abismado. Ao menos, tudo parecia o mais normal possível.
–Agora que tá todo mundo aqui, vocês podem, por favor, fingir que são gente? – Lilly falou com aquela voz de “eu-sou-monitora-chefe” e todos se calaram imediatamente, Dumbledore deu um de seus sorrisinhos enigmáticos, ajeitou os oclinhos meia-lua e limpou a garganta.
–Não gostariam de sentar? – todos se sentaram, porque apesar de ter soado como uma pergunta era tipo uma ordem.
–Bem Prof. Dumbledore, o que você gostaria de falar conosco? – perguntou James assumindo o seu papel de “não-sou-monitor-chefe-mas –tenho-autoridade-também”.
–O mundo bruxo está em guerra contra o pior bruxo das trevas que já existiu – levantei uma sobrancelha com isso – Não senhorita Black, Grindewald não chega aos pés de Lord Voldemort – Peter soltou um guincho com isso, aparentemente estavam começando a temer o nome do lunático – Temer o nome, Peter, não é algo inteligente e não irá te proteger se o enfrentar.
–É um nome de mau agouro – Peter sussurrou em resposta – Não traz sorte dizê-lo – tirando Dumbledore todo mundo revirou os olhos, e provavelmente se perguntaram porque o chapéu seletor colocou o Wormtail na grifinória.
–Não precisamos de sorte e sim de habilidade, coisa que sei que todos vocês tem – Dumbledore replicou – Como o nosso ministro não quer admitir que estamos em crise, alguns bruxos que não concordam com o que está acontecendo tem se reunido, aurores, professores e qualquer um que tenha habilidade contra a arte das trevas. Sei que vocês ainda estão em Hogwarts, mas são alguns dos alunos mais talentosos de lá, alunos que estão sendo diretamente prejudicados com isso e também que tem desejo de lutar – ele olhou para cada um de nós, com aqueles olhos magnéticos azuis – Por isso, ano que vem, se quiserem se juntar a nós serão bem vindos, e durante ano se quiserem nos ajudar dentro de Hogwarts isso seria de grande valia.
–Ajudar como? – Marlene perguntou erguendo uma sobrancelha e cruzando os braços — Vá dizer que tem comensais lá dentro?
–Sim, alguns alunos maiores de idade que quiseram se juntar a Voldemort, e nós professores tememos que aconteça algo lá dentro, controlaremos a situação, mas quanto mais ajuda melhor – ele olhou para James e depois para Sirius, quase como se comunicassem silenciosamente juntos. Depois ele olhou para Remus, que assentiu e então ele olhou para mim, que por incrível que pareça entendi o que ele dizia com o olhar, ele não esperava que eu ajudasse tanto, entendia que eu estava abalada, mas estava ganhando um passe livre para aprontar, sorri com isso. E assim foi, um por um.
Então ele disse mais algumas palavras, sem dizer muito e foi embora.
–Isso foi interessante – Sirius disse e então sorriu – Esse ano vai ser divertido.
–Você não devia pensar nesse ano, Sirius – Marlene disse olhando para fora – E sim nos que ainda vão vir.
–Está com medo, Lene? – ele perguntou com um tom de ironia na voz, e a McKinnon o encarou quase o fulminando, mas ainda assim preocupada.
–Pelo seu próprio bem, seu cachorro, você também deveria estar – e com isso ela saiu marchando para cima, Lily encontrou meu olhar e nós duas a seguimos, conseguindo entrar junto com ela no quarto.
–O que houve, Lene? – Lils perguntou, abraçando-a e sentando-a na cama, Lene respirou fundo e mordeu o lábio.
–Meus pais são aurores, estão em perigo, assim como meus irmãos – eu sentei ao lado dela e passei o braço em volta dela também – Creio que eu deveria voltar para casa, ao menos até Hogwarts e aproveitar o tempo que vamos poder passar juntos antes que tudo estoure de vez.
–Sim, você deve – eu e Lils falamos juntas, mas deixei Lily prosseguir, ela era bem melhor naquele lance de consolar e aconselhar do que eu – Você recebeu uma carta deles, não é?
–Recebi, eles querem que eu passe o resto das férias lá – ela suspirou – E é pra eu levar o Six, mas não sei se ele vai querer ir e te deixar sozinha, Dani.
–Não vou estar sozinha, vou estar com o James e com o Remus – falei – Além do mais se ele não quiser ir, Lene, você não deve se obrigar a ficar por causa dele.
–Dani, ele é meu namorado.
–Lene, é da sua família que estamos falando – ela desviou o olhar – Família é mais importante do que namorado, eu estou aqui, porque Os Marotos estão aqui e eles são a minha família.
–Eu entendo, mas o Sirius não ficaria magoado?
–Ele entenderia – foi Lily quem disse isso – James e Six são iguais nisso, a família para eles é mais importante.
–E se ele não entender? – Lene mordeu o lábio voltando a olhar para nós duas.
–Então ele estará sendo infantil, mesmo que ele pareça e se comporte como uma criança na maior parte do tempo, meu irmão tem miolos ainda – ela deu um sorrisinho com isso – Além disso, se ele não entender agora, vai entender com o tempo.
–Tudo bem, eu vou segunda-feira – ela disse dando um sorriso –Esperemos que o Sirius não tenha um ataque ou não exploda nada até lá.
–Se anime, Lene – eu dei um soquinho no braço dela de leve – Vai dar tudo certo.
–Eu espero que sim – ela sorriu novamente e se virou para Lily, que agora parecia preocupada – Que foi, Lils?
–Eu também deveria ir – ela olhou para longe – Todos nós deveríamos ir para casa, você e o Sirius deveriam ir para casa junto com o Jay e aproveitar alguns momentos em família – Lily disse – Remus também.
–É verdade – considerei – Ficar aqui só vai nos deixar mais preocupados.
–E a eles também, ao menos aos de vocês que são bruxos e sabem o que está acontecendo – Lily levantou e bateu as mãos – Agora precisamos comunicar isso aos meninos.
–Não vai ser fácil – Lene suspirou e eu revirei os olhos levantando.
–Eles vão entender – comentei por fim.
E estava certa, depois de três janelas quebradas, vasos jogados e uma zona na cozinha os meninos pararam de fazer birra e concordaram de irem com as suas famílias. James tentou argumentar dizendo que Dumbledore nos queria ali por segurança e eu revirei os olhos rebatendo que Dumbledore poderia ir fazer o que quisesse com o orifício anal dele e parasse de se intrometer com as nossas vidas, já que éramos adultos e podíamos fazer o que quiséssemos com as nossas vidas e segurança.
Por fim fomos fazer as malas e deixar aquele chalé reconfortante, para irmos ter os últimos momentos de paz. Ainda não tínhamos certeza que seria, ainda tínhamos esperança que fossem apenas rumores, mas lá no fundo uma voz berrava para que agarrássemos nossa última chance e aproveitássemos o momento.
Carpe Diem, foi o que pensei.
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