A Quinta Estação

5 A Quinta Estação - Parte 1


Na LexCorp, Lex Luthor tateava sua mesa, impaciente, estava com os dedos da outra mão colocados no lado esquerdo de sua face, indo do seu nariz a sua careca, enquanto observava o vazio em seu enorme escritório. Até que sua secretária entra correndo e lhe dá um papel, ele sorri maliciosamente:

— Pode sair – ele diz

Ela sai correndo também, Lex dá um sorriso de satisfação.

Clark sai correndo em meio à multidão, espalhafatosamente trombando com todos na rua, carregando refis de café, ele se dirigia ao Planeta Diário rapidamente, enquanto o som da avenida principal pulsava com o anúncio da Lexcorp:

Se surpreendam! Se admirem!— Dizia o Lex Luthor das Telonas – Com o Luthor-Gadget, o mais novo aparelho eletrônico capaz de atender todas as suas necessidades diárias. Com L-Gadget, você poderá tornar o seu dia a dia mais prático e programável.

Clark odiava ficar ouvindo a voz irritante de Luthor, ele parecia onipotente dentro da avenida, e ao passo que entrava no Planeta Diário, ele ouvia:

Com seu sistema de comunicação único!— Clark se dirigia ao elevador – Com sua agenda Virtual!— Ele esperava pacientemente o elevador subir – E seus aplicativos únicos de logística e sofisticação, o L-Gadget é, de fato, o futuro da Tecnologia.

Clark finalmente chegou ao andar onde trabalha, lá, todos tinham consigo o apetrecho transparente que é o L-Gadget, e corriam de um lado para o outro com o diabinho nas mãos. Clark chegou ao lado de Lois:

— Querida, Café – Disse ele estendendo o Refil

— Valeu – Disse ela pegando inconscientemente enquanto escrevia no seu computador com atenção

— Sabe, – Disse Clark sentando em sua mesa – Eu não sei o que Lex anda aprontando, mas eu to muito desconfiado desses aparelhinhos dele

— É verdade, nunca mais faço nada relacionado a aquele monstro – Disse Lois lembrando amargamente de seu último encontro com Luthor

Perry White se aproximou de Clark, tirando o pequeno comunicador de seu ouvido colocando de volta em seu L-Gadget:

— Kent, preciso que faça uma coisa. Vá até o incêndio ocorrendo na 12 com a Kelvin

Clark olhou esbugalhado para Lois, que quase cuspiu seu café olhando do mesmo jeito de volta:

— Lois pode vir comigo?

— Eu insisto, já ia falar isso

Os dois se levantaram na hora e saíram correndo, no elevador, Lois disse:

— Eu cubro e você faz o que precisa ser feito, certo?

Ela mal piscara e Clark já estava vestido:

— Preciso correr, até mais tarde querida – Ele da um beijo nela e sai pela entrada do teto do elevador

Super-Homem corta o ar até o incêndio na 12 com a Kelvin, era um pequeno prédio em chamas, quando ele chega, os bombeiros já respiram mais aliviados:

— Super-Homem! – Gritou um deles – Tem um casal ilhado no penúltimo andar!

Ele arrombou as paredes do penúltimo andar e já procurava o casal com sua visão:

— Ah, prédios antigos, cheios de chumbo!

Ele consegue ouvir os gritos do casal, ele acelera entre as chamas e encontra os dois, encostados no canto do quarto, eles param de gritar quando vêem Super-Homem, mas ainda tinham desespero em seus rostos:

— Tudo bem, vou tirar vocês daqui, vamos.

Eles se aproximam:

— Não, você não está entendendo, é uma armadilha! – Diz o moço

— Como assim?

— Ele fez o incêndio, o robô! – Diz a moça

— Robô? Espera... – O pensamento do Kriptoniano foi interrompido quando ele é agarrado por trás por algo

Super-Homem se estabiliza rapidamente quando é jogado pra trás, ele percebe, “Metallo!”. O Ciborgue se aproxima, ele range de ódio:

— Olá aberração – Ele diz em sua voz metálica

— Corram para a abertura na parede, os bombeiros te pegam! – Gritou Super-Homem ao casal

Eles correram e Metallo também, Super-Homem desce um soco na face do Ciborgue, mas já começa a sentir os efeitos da Kriptonita no corpo do adversário. Metallo o chutou e ele cambaleou para trás, então, para se defender, ele jogou um sofá na direção da figura robótica, que também cambaleou para trás.

Jimmy Olsen estava teclando em seu computador, no qual tinha um L-Gadget acoplado ao seu lado, ele parecia centrado:

— Certo, certo, Senhor Luthor, vamos ver o que pretende fazer com estes aparelhinhos suspeitos

De repente, os olhos de Jimmy Olsen esbugalharam, ele começou a receber leituras estranhíssimas, ele começou a teclar rapidamente, e mais rápido ainda, até que seu computador explodiu, ele tirou seus fones, espantado, levantou e saiu correndo de sua casa, discando em seu celular:

— Vamos, vamos, Atendam!

Super-Homem mantinha uma luta acirrada com Metallo no andar em chamas, tentando manter distancia do Ciborgue:

— Porque, afinal, você queimou este prédio, Metallo?! – Perguntou Super-Homem – O que você ganha com isso?

— Eu luto com você...

— Mas porque você quer lutar comigo, eu irei te parar novamente!

— EU – Disse dando um soco – LUTO – Outro soco – COM – Um Chute – VOCÊ!

Metallo da um gancho e Super-Homem é projetado para cima, até chegar ao teto. Quando o homem metalizado chega ao teto, Super-Homem se levanta e diz:

— Mas... – Ele passa a mão no rosto e entende – Você... Esta ganhando tempo. Por quê?

O Homem de Aço olha para Metallo, claramente zangado:

— Pra quem você ta ganhando tempo?

Metallo começa a correr em sua direção:

— Pra quem?!

Super-Homem avança com sua Super-Velocidade, e desce um murro com força em Metallo, e depois usa sua visão de calor para derreter os braços de Metallo, e ainda com seus olhos vermelhos pelo poder, Super-Homem pergunta de novo:

— Quem?!

— Hahahahahahaha, Tarde demais, já começou!

— O QUE COMEÇOU?!

Lois ouve o zangado grito do Kriptoniano de longe, ela percebe que a multidão começou a ficar estranha a sua volta, todos tinham parado com o alvoroço, e estavam completamente parados e quietos, ela começou a se assustar. Ao mesmo tempo, Metallo ficou com o olhar perdido e encarava o nada:

— Metallo? – Disse Super-Homem perdendo a raiva em sua voz

Ele se levantou calmamente e começou a descer o prédio em chamas, Super-Homem olhou confuso para ele e foi até a sacada, ele viu toda a população de Metropolis completamente congelada, os carros, as pessoas e até mesmo alguns animais, apenas as cores e imagens dos telões da avenida tinham vida. Ele olhou para Lois preocupado, ela devolveu o mesmo olhar, ele pousou perto dela:

— Lois... Tudo bem?

— Tudo, eu só não estou entendendo...

De repente, todos começaram a olhar para o Homem do Amanhã:

— Lois, saia daqui.

— Não, nem pensar que vou te deixar sozinho

Ele lançou um olhar de advertência, tarde demais, pois todos os policiais do local sacaram suas pistolas e começaram a atirar, todas as pessoas avançavam para cima do seu herói; Super-Homem, com medo, não fazia nada:

— SAIA DAQUI LOIS!

Ela deu alguns passos para trás da multidão enlouquecida que atacava seu amor quando ela foi agarrada por dois grandes homens musculosos, com a mesma cara vazia. Ela começou a gritar, Clark se desesperou:

— LOIS!

Ele não sabia o que fazer, a situação o pegou de surpresa, ele não queria machucar ninguém, mas estava preocupado com Lois. A multidão raivosa ergueu-o e entregou-o para Metallo, que abriu seu coração de Kriptonita, Super-Homem começou a atordoar e sentir fortes dores, antes de desmaiar, só pode dizer:

— Loo... iss...

Tudo se tornou escuro para ele.

Quando acordou, tudo ainda estava turvo, só ouvia uma voz bem distante:

— “Come with me, and you’ll be, in a wooooorld...” – O borão se moveu em sua direção, rindo – “... Of Pure Imagination”

— Quem...

— Ora, Super-Homem, não se lembra de mim? Justo Eu?

Ele conseguia ver agora... Luthor.

— O que você fez Luthor? – Ele olhou em volta, estava em uma grande sala em tons de branco e azul, e ouvia a melodia de “Pure Imagination” ao fundo, tocando suavemente em seus tons clássicos de orquestra, percebeu também onde estava preso, numa câmara com uma forte luz vermelha. “Raios de Sol Vermelho Artificial”, pensou, sabia que Luthor já tinha pensado em alguma coisa, e ele mesmo estava tentando usar seu cérebro pra se lembrar...

— Caso esteja se perguntando, Super-Homem, você foi desacordado por Metallo, ha meu mando. O pobre coitado achou que não ia ter a mente controlada.

Super-Homem ainda processava a coisa toda, Luthor usou os aparelhos dele, pra que?

— Ah, eu consegui, Super-Homem, fiz o planeta... Meu.

— Luthor, o que você esta falando?

— Ah, eu falo coisas, Kal-El, mas acho que você não as entende... Deixe-me ilustrar.

Ele levantou-se da cadeira onde estava, e com as mãos, aumentou o volume, e então, todas as coisas na sala começaram a se mover com o movimento de suas mãos, lentamente alterando os formatos e o espaço da sala, Kal-El estava totalmente confuso. Ele girou a cabine onde ele se encontrava e abriu a parede com um movimento; as peças se moveram e revelaram a eles estarem no topo de um monte, abaixo deles, uma grande cidade parecia estar sendo destruída, as cores brancas e azuis brilhavam mais da metade da cidade, e impotente, Super-Homem olhava aquilo desolado.

Ele abriu os olhos, tinha dormido depois de fechá-los por tanto tempo, e ainda estava no mesmo lugar, jurava que só havia sido um terrível pesadelo, mas “Pure Imagination” ainda tamborilava na sua cabeça. Ele olhou para frente e viu diversas pessoas, zanzando de um lado para o outro, com expressões brancas, nulas e inumanas. Porque Lex queria fazer aquilo? Ele nunca quis controle universal, ele só repugna aliens, não humanos. Tudo estava estranho, tão estranho... Então a voz onipotente do Bilionário encheu a sala toda:

— Ah, meu querido Kriptoniano, você não conhece meus planos, não é? Não matou a charada... É, você não é o detetive entre eles... É o ridículo na roupa de morcego. Nem o mais sagaz, exatamente, isso é com a amazona.

— O QUE VOCÊ QUER, LUTHOR?

Ele fez sons de negação:

— Hm-Hm-Hm. Pergunta errada.

Tudo parecia estranhamente ordenado e diferente, Kal-El não entendia o que acontecia, estava se desesperando:

— Pessoal, falem comigo... – Ele não recebia resposta, as pessoas eram zumbis organizados – ME RESPONDAM!

Então, as pessoas pararam de repente, e rapidamente se dirigiam para fora do recinto, Super-Homem estava sozinho novamente, mas começou a escutar... Escutar tremores pareciam muito distantes, até uma explosão abrir a porta do recinto em que ele estava, e dela, sair Jimmy Olsen e mais uma brigada de homens, com grandes coisas eletrônicas em formato de armas em suas mãos. Kal começou a se sentir melhor, mas a sala começou a se mover e contorcer estranhamente de novo, deixando-o longe de Jimmy, mas todos os homens corriam em direção do seu herói, mesmo que aparecessem lombadas ou tropeçassem. No final, Super-Homem estava suspenso no parapeito da montanha, e foi aí que ele viu... Toda ela era feita de tecnologia pura, uma grande pilha de metal e eletricidade. Jimmy desempacotou equipamentos o mais rápido que pode:

— Kal! Nós vamos te tirar daí, mas, das duas, uma, ou você vai ter que dar esse pulo de uns 15 metros, ou outra, você vai ter que conseguir voar antes de alcançar o chão! – Ele começou a dar sermões em seus ajudantes – Rápido, ele deve estar quase terminando de calcular algoritmo!

— O que foi, Jimmy?! – Kal gritou

— Ele já deve estar calculando uma maneira de te jogar desse lugar e te recapturar sem conseguirmos te libertar, eu e esses... Homens “excepcionais” estivemos trabalhando num jeito de te tirar daqui, agora fique paradinho aí que já estamos quase lá!

Ele tirou uma enorme arma com um gancho e apontou para a câmara em que Kriptoniano estava preso:

— Pular ou Voar?! – Ele perguntou de novo

Mal ele falou, e um clique soou em cima da cabine, só deu tempo dele apertar o gatilho e gritar:

— É VOAR!

A câmara começou a cair, e por pouco, o gancho não atinge a porta dela, que depois de um grande estalo elétrico, puxou a arma da mão de Olsen e escancarou a porta, soltando as mãos e os braços do Homem de Aço, o libertando. Ele rapidamente saiu da câmara e se impulsionou, tentando voar, sem sucesso, para cima. Ele olhou e vi que Jimmy e seus amigos estavam sendo projetados para fora da sala e caindo também. Era um dia nublado e as chances não estavam boas para uma luz extra, então Super-Homem fechou os olhos, apertou os punhos, respirou fundo e deu um impulso com o máximo que pode. Se sentindo exausto, ele conseguir voar o suficiente para agarrar os homens que caíam:

— Voa, Super-Homem, Voa! – Gritou Jimmy

— É muito tempo sem luz do sol, e não tem quase nenhuma aqui!

Os outros dois começaram a se desesperar, mas Kal-El Respirou fundo e parou a poucos centímetros do chão. Eles abraçaram o chão, mas Super-Homem sentia-se exausto:

— Certo – Disse ele ofegante – Me diz o que ta acontecendo aqui Jimmy.