A Quimera
1 Prólogo
Notas iniciais
No final do século XIX, alguns cientistas começaram a estudar genética baseados nas teorias de Gregor Mendel. Eles queriam ver se seria possível modificar o ser humano para algo mais forte, mais inteligente, mais rápido. E assim eles ignoraram toda ética e com seus equipamentos rudimentares eles criaram laboratórios que ninguém pensava que poderiam existir naquela época. Nesses laboratórios os cientistas começaram a fazer experimentos com embriões criados de um óvulo humano e um espermatozóide animal. Esses experimentos eram chamados de Quimera.
Durante anos eles não tiveram sucesso, até que um dia um embrião começou a se formar sem defeitos. Logo uma pequena criança, curiosa, com suas orelhas grandes, garrinhas nos dedos e uma cauda que balançava de lá para cá começou a correr pelos corredores do prédio. Galileu, o primeiro experimento que deu certo, usando o espermatozóide de um rato, abriu um leque de ideias para novas criações, cada qual com um animal diferente.
Anos haviam se passado. Na facilidade agora se encontravam mais de 150 quimeras, Galileu, o mais velho cuidava deles como um líder.
Em uma noite calma, uma das crianças rato estava investigando o local quando encontrou uma entrada para um duto de ventilação. Por causa da curiosidade a menina entrou pelo lugar e foi observando as estranhas salas que passavam debaixo dos pés dela, até que parou em uma onde parecia estar tendo um tipo de reunião. Vozes, irritadas, alarmadas eram ouvidas vindas daquela sala.
- Eu entendo, mas se não podemos controlá-los, do que adianta? Eles podem destruir tudo se tiverem essa chance. — Uma voz ríspida falava, através da grade ela pode ver que era um dos doutores. Deveria estar em seus 60 anos.
- É perigoso demais, tem riscos demais, é melhor continuarmos com o plano original. — Disse outra voz, essa mais jovem, concordando com o que o velho disse. Dessa vez ela não conseguiu ver de quem vinha.
- Todos de acordo? — O senhor perguntou.
- Sim! — Responderam em uníssono.
- Então, na semana que vem estejam prontos para a primeira dissecação que será feita no experimento Galileu.
Naquele momento a ratinha entendeu o que estava havendo. Desesperada voltou correndo sem fazer barulho e foi falar com Galileu. Ao encontrá-lo, caiu em seus braços, chorando em desespero.
- O que houve, pequena? — Galileu perguntou com preocupação.
A garota o contou tudo o que tinha visto e ouvido, aquilo alarmou o rato que decidiu que o plano de fuga que ele fizera por precaução há anos precisava ser posto em prática naquele momento.
Sabendo que durante aquela semana os cientistas estariam ocupados com as preparações, Galileu juntou as quimeras mais fortes e lhes deu informações para que eles protegessem os mais novos. A ideia deu certo e eles fugiram, mas não sem queimar o lugar antes, para que não houvessem mais experimentos. Na colina onde estavam, Galileu lhes deu explicações sobre o que fazer e como se misturarem em meio a humanidade. Algo que as quimeras tinham, como se fosse um tipo de mecanismo de camuflagem era modificar suas características animais para se parecerem com humanos comuns, mas, como os cientistas explicaram para Galileu e ele agora explicava para os outros, esse mecanismo se enfraquece com o tempo. De acordo com eles não era algo muito preciso, mas essa habilidade poderia desaparecer completamente por volta dos seus 30 anos.
Explicações feitas, as quimeras se dividiram e fugiram pelo território que eles naquele momento não sabiam, mas pertencia a Rússia.
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