A Queda {Nova Versão}

6 Capítulo 5. Almas Caridosas


Notas iniciais
Cheguei (tuts tuts tuts tuts)

— Oh, veja. Ela está acordando! – Uma voz feminina veio ao fundo.

Minha cabeça estava estourando, meu corpo estava todo mole, e meus olhos não pareciam quererem se abrir. Para piorar – ou não – o lugar que eu estava era incrivelmente confortável, fofo e quente.

— Silêncio, mãe. Deixe ela acordar, para nós vermos o que iremos fazer.

— Não tem o que discutir, Cameron. Assim que ela acordar, ela voltará para o castelo. E nós retornaremos a nossas vidas normais.

— O justo seria nós levarmos ela até em casa. A recompensa por ela está alta, mãe!

O que? Abri os olhos, e vi duas figuras completamente desconhecidos, me olhando fixamente. Uma mulher, mais velha, com alguns fios brancos surgindo no topo de seus cabelos castanhos, estava ao lado de um rapaz alto e de cabelos pretos. Ele tinha olhos incrivelmente azuis, pareciam de vidro! Ele me lembrava alguém. Mas, não sei quem.

— Olá, querida. – A mulher falou, sentando na cama. – Meu nome é Acsa. Meu filho, Cameron, a encontrou desmaiada na floresta, e a trouxe junto com o seu cavalo para cá.

Abri a boca para falar, mas nenhum som saiu. Era uma dor estridente dentro dela. Me mexi, mas Acsa me segurou.

— Não, querida. Não se mexa, você ainda está muito debilitada. Dormiu durante três dias seguidos. Cameron, pegue um pouco de água e sopa para ela.

O rapaz logo desceu, e eu e Acsa ficamos sozinhas. Minha cabeça doía, mas só pensava em Avalanche.

— Avalanche... – Falei, de maneira baixa e falha.

Acsa franziu o cenho. Tocou na minha testa para julgar de eu estava com febre – E alucinando.

— Você está um tanto quente.

— Ela está falando do cavalo, mãe. – Falou Cameron, entrando com uma tigela na mão. Uma jarra na mão. – Ele está em um espaço coberto, que usamos como celeiro. Não se preocupe.

Ele pôs um pouco da água no copo e me entregou. Bebi, e agradeci com um gesto de cabeça. E os dois caíram em silêncio, até Acsa falar.

— Camie, posso falar com você no andar de baixo?

O rapaz bufou, e saiu batendo o pé. Eu fiquei sozinha. Bebi um pouco da sopa – deliciosa por sinal – E me encostei na janela. A vista da floresta era vasta, bela.

Mas uma coisa estava ressoando na minha cabeça. Por que Cameron e sua mãe moravam em um lugar tão isolado?

— Se eu fosse a senhorita, eu me deitava. – Falou uma voz masculina atrás de mim.

Me virei e lá estava Cameron, em pé perto da porta. Ele era uma rapaz notável, e aparentemente, salvou a minha vida. Mas o que ele fazia tão tarde na floresta, em um dia tão chuvoso?

— Obrigada... Acho que eu já estou um pouco melhor. – Falei com mais facilidade, apesar da minha voz estar um pouco rouca ainda.

Cameron assentiu, e eu voltei para a cama.

— Não tem de quê. – Fez uma pausa, antes de continuar. – Não quero ser rude, mas a senhorita assim que melhorar, terá que voltar para casa. Sua irmã está preocupadíssima, e oferecendo recompensa por seu paradeiro.

É claro! Por que alguém ia ser tão hospitaleiro, gentil e educado se não fosse por dinheiro? Eu não o culpava, até porque parecia que ele e a mãe não viviam com muito conforto aqui. Apesar da casa ser aconchegante.

— Com o que você trabalha? – Perguntei, com uma ideia na cabeça.

Eu não confiava cem por cento nele, mas é melhor trabalhar em conjunto, do que correr o risco de ir sozinha, e não conseguir nada.

— Sou caçador. Vendo carne para a cidade, inclusive para o castelo. – Ele falou, baixo de maneira assustadora.

De repente, minha cabeça vagou. Me vi diante de um Cameron, apontando uma flecha bem para meu peito. Balancei a cabeça, afastando esse pensamento.

— Quanto minha irmã ofereceu por mim?

Cameron cruzou os braços, e me encarou com uma sobrancelha erguida.

— 20 mil. Por você inteira, sem nenhum arranhão.

Típico de Audrey. Ela me destrata, eu apronto, ela se arrepende e tenta se retratar de maneira errada. Eu também tenho minha parcela de culpa, mas ela era... Ela!

— Eu te ofereço o dobro disso. Mas, eu vou precisar de sua ajuda. Em um negócio perigoso.

Cameron nada falou, e eu continuei.

— Eu preciso de sua ajuda para descobrir as causas de uma rede de assassinatos no país. Mas, isso nos colocaria na linha de fogo. Você aceita, sabendo de todos os riscos que isso trará?

Estendi a mão, e o rapaz a encarou. Pela cara dele, ele estava refletindo. Até que falou.

— Fechado.

Notas finais
Já fui (tuts tuts tuts tuts)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.