A Queda {Nova Versão}

3 Capítulo 2. Tipos de Venenos


Notas iniciais
Leitores fantasmas, eu sei que vocês estão aí! Apareçam para mim.

Regnum era um reino muito bonito. Ficava entre duas montanhas – ou seja, era um vale – A montanha de Terr Woods e a montanha do fogo. Nossa vegetação era única, verde e com muitas flores.

Gerávamos renda o suficiente para toda a população viver confortável e bem. Éramos especialistas na produção de carne, pães e vinhos. As famílias tradicionais – as chamadas famílias mais velhas do reino. – Produziam tudo isso e mandava para outros países. Mas a maior parte, ficava em nosso reino.

Audrey e eu tínhamos almoçado com todos esses produtos à mesa. Estávamos aproveitando um raro momento, desde que ela assumiu, entre irmãs.

— Pierre e Vittorio querem que eu me case – Comentou Audrey, com indiferença – Mas eu deixei claro que casamento é a última coisa na minha lista. Se eu morrer, sem deixar herdeiros, você se torna rainha em meu lugar.

Me benzi.

— Cruz credo, Audrey. Você ainda é jovem, há de se casar um dia, deixando seus próprios filhos para assumirem no seu lugar. Deus me livre de ser rainha.

Minha irmã espetou a carne em seu prato, e continuou.

— Não é tão ruim ser rainha...

A olhei, cética. Ela suspirou, revirando os olhos.

— Está bem, ser rainha é horrível. Mas você acaba se acostumando.

— Não sei se me acostumaria. – Afirmei, enquanto comia um pouco do arroz temperado em meu prato. – Você foi feita para o trono, eu não.

Minha irmã me encarou. Desde que assumiu, ela estava mais rígida e madura do que antes. Continuava jovem e bela, mas tudo isso, mostrando a sua face de rainha. E ela parecia majestosa.

— Arícia. – Ela me chamou, séria. – O que estou querendo dizer, é que algo pode vir a acontecer comigo. Papai era saudável, e morreu de repente. E isso é um fato, nada impede de algo assim acontecer comigo.

— Papai foi assassinado! – Gritei.

Alguns guardas na porta da sala de jantar, olharam na direção da mesa.

— Fale baixo! Não existe provas de que isso seja verdade. A única prova que existe é de que papai morreu de cólera. Ponto.

— Mas...

— Sem “mas”, Arícia.

Caímos em um silêncio desconfortável. Audrey sempre foi super protetora quanto à mim. Agora, que além de maior de idade, ela é rainha, essa superproteção piorou. E muito.

Eu estava cansada. Eu devia ajudar. Não ficar aqui parada, esperando tudo se resolver por mim. O meu reino precisava de mim, assim como minha irmã.

— Julliette quer passar algum tempo conosco. – Comentei, tentando quebrar o clima. Ao contrário de mim, Audrey gostava um pouco dela.

— Não tenho tempo. – Ela respondeu, rígida.

— Mas...

— Eu já disse que não tenho tempo, Arícia!

Chega! Não ia ficar aqui, levando patada por nada. Me levantei, jogando o guardanapo na mesa.

— Onde você vai? – Perguntou Audrey, olhando para meu prato praticamente intocado – Você não terminou de comer.

— A comida não vai descer, de qualquer jeito.

Passei voando pelo guardas, e entrei diretamente no meu quarto, puxando meu diário. Há quanto tempo eu não escrevia nele?

Colada na capa, havia uma foto minha e de Audrey crianças. Saudades desta época. A época que nós éramos realmente amigas.

Escrevi sobre o incidente no almoço no meu diário, e depois fui para minha penteadeira. Prendi meus cabelos escuros no topo da cabeça, e encarei meu reflexo.

Meus olhos azuis tinham profundas olheiras, eu parecia mais pálida do que antes, e meu cabelo estava tão desengrenado que eu pensei comigo mesma em deixá-lo solto como estava antes.

Suspirei. Estava cansada física e psicologicamente. Fui para a porta do quarto, e pedi a um dos guardas que ficava parado na minha porta, para chamar Hélène, a minha dama de companhia.

— Mandou me chamar, senhora? – A jovem e baixa Hélène apareceu em meu quarto. Sua pele negra brilhava a luz vinda da janela. Ela era muito bonita, não demoraria a achar um marido.

Mas algo estava errado. Ela parecia agitada e triste.

— Está tudo bem, Hélène? Parece nervosa hoje...

A menina olhou para baixo, e eu vi que ela chorava.

— É a senhora Úrsula. A dona da padaria perto da casa de meus pais. Ela morreu, de causas naturais na noite passada. Coitada, era tão jovem. Que Deus a tenha.

Me mexi na cadeira da penteadeira. Que estranho.

— Conte-me mais.

Apontei para uma poltrona, da qual ela se sentou.

— A pobre Úrsula começou a passar mal na noite anterior. Foi tudo muito rápido. Logo, quando seu filho entrou em seu quarto, ela estava lá deitada, sem vida. Mas ela nunca teve problemas de saúde. Nunca. Foi tudo muito trágico.

Abracei Hélène, e lhe disse que tudo ia ficar bem. A dispensei, para ela ir poder ao enterro da amiga. Passei o resto da tarde trancada em meu quarto.

A minha teoria do assassinato de papai está ganhando força. Mas porque matar outra pessoa, e não somente o rei? Para encobrir o seu crime?

Para terem matado papai sem deixarem rastros, só tinha uma explicação: Veneno. Depois que tia Julliette deu a entender que mamãe escondia segredos gravíssimos, nada tira da minha cabeça que um desses segredos foi o motivo da morte de ambos.

Resolvi agir. Fui para a biblioteca, e procurei na sessão de “medicina e especialidades”. Peguei um livro chamado “Venenos e suas ações no corpo humano”. Sentei e comecei a ler.

Notas finais
Se Arícia não inventou o poder, eu não sei quem foi ♡