A Queda Do Sequestrador Divino
13 Primeira Ida ao Banco
-Entendo. Não, mentira. Não entendo, será que você poderia explicar melhor?
-Ahn, vamos ver. Ah, sim! Não faz sentido porque eu te esqueci de contar uma parte importante! – bati na minha testa com a palma da mão.
-E qual é? – Isabel insistiu.
-Hum, — fiz uma careta. Diga para ela o motivo e, por favor, tente não chorar e/ou bater em alguém. – Você sabe que eu nunca havia saído do acampamento. Acho que só saí de lá por causa da profecia. Mas enfim... Ahn... Ser caçadora requer sair do acampamento.
-Hum – Isabel assentiu com uma cara de boba típica de não entendedores.
Suspirei:
-Poseidon e Dionísio concordaram em me deixar no acampamento, tipo pra sempre. E quando eu apareci com a ideia de ser uma caçadora, eles simplesmente avisaram Thalia de que eu não queria, que achava patético a troca da imortalidade. Ela ficou com raiva, e eu presa. Fim da história.
Isabel estava com uma mistura de raiva e pena, e eu a odiei por isso. E me odiei mais ainda por ter de contá-la essa parte da minha vida, onde minha fúria estridente nasceu e acabar descontando-a em minha meia irmã.
Engoli em seco:
-Desculpe. Por... Aumentar o tom de voz com você. É que... Eu realmente... Não gosto de compartilhar isso.
-Ei, garotas! Sabe, o dia está realmente bonito lá fora e eu odeio ter de interromper, mas... Nós precisamos achar um sequestrador e trazer a paz ao mundo em dois dias, então sem mais delongas... Podemos ir? – Léo estava com a porta do táxi aberto, esperando por nós.
-Ahn, ótimo, ótimo. Vamos logo.
Entramos no carro:
-Para onde, crianças?
-Fort Pierce Inlet State Park, Flórida. Mas antes precisamos ir ao banco mais próximo.
-Ahn, vocês não deveriam estar na escola?
-A gente não est...
-Pra onde você acha que nós vamos? – Interrompi Léo — Temos que estar no Navy UDT — Seal Museum o mais breve possível. Agora, será que dá pra ir?
-Tuuuudo bem.
-Flórida? – Rafael sussurrou.
-É, Fort Pierce é tipo a casa de Ártemis. É bem provável que ela e as caçadoras estejam lá.
-E se não estarem? – Isabela juntou-se na conversa.
-Bom, daí você arranja uma desculpa que engane o senhor do céu.
Léo cutucou meu ombro:
-Por que nós simplesmente não perguntamos para Ártemis quando a vimos mais cedo?
Um coro emergiu do banco de trás:
-Não é assim que funcionam as coisas!
-Tá, entendi. Mas não precisava gritar, todos ao mesmo tempo.
O táxi parou:
-Chegamos moça.
-Certo, se quiserem vir junto, venham. –falei.
-Mas alguém tem que tomar conta do táxi. – disse Isabel.
-Ele vai esperar. Nós ainda não o pagamos. – pisquei para dentro.
-Pfff – o taxista desdenhou.
-Ok, vamos logo.
Entramos no banco. Fui até o guichê mais próximo:
-Posso ajudar? – uma mulher de 30 e poucos anos nos olhava sem interesse.
-Sim, eu preciso sacar uma grande quantia em dinheiro. – disse.
-Aham, entendo. Pode se retirar, por favor?
-Conta 01745-2, ahn. Dylan C. Horkswald, eu preciso de seis mil dólares.
A mulher acessou a conta apenas pra mostrar-me que não havia dinheiro algum e se assustou.
-Eu quero seis mil. E, por favor, feche a boca, sim?
-Uh – ouvi Isabela comentar.
-Sim, senhorita Horkswald. Só um momento para providenciarmos o saque. – Uma mulher mais velha apareceu atrás do guichê e deu ordens diretas a subordinada.
– Desculpe-nos pelo mau atendimento, é que são recém-contratados. – ela deu um sorriso conciliador. — Devo dizer que é um prazer finalmente conhecer a filha do Sr. Horkswald. E vejo que você trouxe amigos. Gostariam de sentar e tomar chá enquanto aguardam?
-Não, obrigada. Só o dinheiro, por favor. – dei um sorriso.
A mulher mais nova voltou logo depois, e entregou um grosso envelope para sua chefe:
-Aqui está, Srta. Horkswald. Tenha um bom dia.
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