Quíron estava sentado na cadeira de rodas, jogando Pinochle com D.

–Olá, crianças. O que trazem vocês até aqui?

–Rachel ficou verde – disse Isabela, dando de ombros.

–E quem é o sortudo dessa vez? – D sorriu ironicamente.

–A querida do deus do vinho – disse Isabel – acho que você conhece a sortuda muito bem.

D ficou sério, como se fosse sufocar.

–Não, a Daiane não. A Richel falou errado, só pode.

Engoli em seco:

–Não, eu ouvi. Ela falou certo. — sentei no segundo degrau da varanda.

–E foram citados outros semideuses, pelo o que eu entendi – disse Léo.

–É, Cara Morta. Dois filhos de Poseidon, um de Deméter e um de Hermes. Cinco campistas ao todo.

Quíron levantou na sua forma de centauro.

–Vamos para a mesa de ping-pong. Todos vocês. E, Rachel, por favor, traga Rafael, do chalé quatro. Tenho um palpite sobre isso.

Rafael, pensei. Ele não foi para casa esse ano. Deméter. Claro, Daiane, às vezes você é tão lerda.

Sentamos ao redor da mesa. Isabel sentou ao meu lado:

–Você está bem?

–Não, que confusão – fiz uma careta e deitei a cabeça no ombro de minha irmã.

–Relaxa, cabeção. Vai ficar tudo ok.

–Acho que não tão cedo – fiquei com a mente na profecia e quase nem reparei quando Rafael chegou. O garoto entrou e ficou sentado ao lado de Léo, cumprimentou-o e eles conversaram até Quíron bater o casco no chão.

–Qual foi a profecia, inteira? – ele pediu. Falei automaticamente:

– A querida do deus do vinho, finalmente sairá e o Sequestrador Divino ela enfrentará. Mais quatro precisam ir junto. Dois de Poseidon, um de Deméter, um de Hermes e isso é tudo.

–Certo, acho que uma parte da profecia já está completa. – o centauro apontou um de cada vez. – Poseidon. Leonardo e Isabel. Hermes. Isabela. Deméter. O que eu acho mais provável, Rafael – ele olhou para mim e senti meu rosto esquentando.

Isabel sussurrou em meu ouvido:

–Você está corada – deu uma risadinha e calou-se.

Quíron continuou:

–Acho que vocês são os cinco. Concordam? – afirmei com um movimento de cabeça.

–Sim, concordo. Mas, realmente, eu gostaria de entender a parte do “Sequestrador Divino”.

Quíron ficou sério:

–Semideuses e deuses menores estão desaparecendo em todo o mundo. Apenas uma pessoa está por trás disso, provavelmente um deus menor. Mas não sabemos quem. Ele sequestra e só libera se ganhar poderes ou algo do tipo. Zeus não tomou parte, já que nenhum de seus filhos sumiu. O dever de vocês é descobrir quem é e como derrotar esse deus revoltado. Vocês irão começar a busca pelo Olimpo, ouvindo relatos e tentando encontrar pistas. Para saberem onde procurá-lo.

Todos assentiram, olhei em volta e ouvi uma voz vinda da entrada da Casa.

–Eu tenho alguns relatos. — D estava escorado no batente — O sequestrador pegou muitos semideuses e deuses menores filhos de Hefesto, Hermes, Deméter, Poseidon e Ares. Graças aos deuses, só assim para o chalé onze ter menos campistas.

–Não se pode pensar dessa maneira – Quíron repreendeu. D levantou as mãos, como se pedisse desculpas.

–É isso crianças, vocês sairão amanhã, às oito horas rumo ao Olimpo, alguém ai sabe como entrar lá? – Rafael levantou a mão – Ótimo, arrumem roupas e armas. Arranjaremos algum transporte, dracmas e dinheiro mortal. Descansem bastante. Podem ir.

Todos se retiraram. Fui até a varanda, onde D me chamou para um canto.

–Ouça, — ele abriu a mão e na palma havia um descanso de copo – Se precisar de mim. Qualquer coisa. É só chamar. Use isto. É só molhar com água e eu irei responder. – ele abriu um sorriso. Agora vá descansar, você tem uma missão para resolver.

Descansar. Não é fácil, quando se está com a mente cheia.