A Quarta Maldição Imperdoável
2 Um Jogo de Azaração
Filch entrou pela porta segurando Scorpius pela manga da capa de seu uniforme. Embora não fosse a primeira vez que tivera sua "entrada triunfal" para o café da manhã, dessa vez não se sentia tão bem. Filch o soltou em frente a mesa da Grifinória, como mandara a diretora Minerva. Ele não tentou evitar, apenas obedeceu. Sentou em um canto da grande mesa, o mais afastado que podia dos demais alunos da casa. A mesa estava repleta de todos os tipos de comidas, assim como sempre fora na mesa de sua casa. Mas não estava com fome, deitou a cabeça na mesa, estava exausto. Não conseguira dormir um segundo com os olhos abertos e o corpo congelado. Seu cansaço era tanto que ele deixou para pensar em como se vigaria daquela garota para outro dia. Todos o olhavam com olhar de curiosidade. "Errou de mesa?", "Será que fizeram algum feitiço de esquecimento nele?". Ele ouvia os comentários e piadas sem responder ou reagir. "Não são tão diferentes da Sonserina", pensou.
– É melhor pararem de tirar com a cara dele, ou o pai dele vai chamar Voldemort pra matar a gente.
Seus olhos abriram, ele levantou a cabeça procurando o dono da infeliz frase, não foi difícil, Thiago, o irmão de seu melhor amigo Alvo Severo. Rose estava sentada ao seu lado, ela ria como se tivesse ouvido a melhor das piadas.
– E caso isso aconteça, você poderá se refugiar na casa de seu avô Potter. Ah não, espere, você não tem. Pessoas como você são um desperdício de espaço.
Ele respondeu devagar, sem alterar seu tom de voz, embora estivesse fervendo de raiva por dentro, não daria o gostinho de satisfação a Potter e seus amigos. Levantou-se ajeitando as vestes, antes de passar pela porta olhou em direção a mesa da sua casa, por um segundo se sentiu aliviado, por Alvo não ter ouvido o que ele havia dito, ele era um Potter. "De sangue, de coração não" como ele costumava a brincar. Alvo estava sentado com o mesmo grupo de amigos de sempre, mas estavam todos em silêncio. Desviou o olhar por alguns segundos para a mesa da Grifinória, seu olhar se deparou com o olhar de Rose, ambos desviaram, ele seguiu o caminho que o levaria as masmorras, se perguntando por quanto tempo ela devia estar o observando.
Scorpius entrou na sala comunal da Sonserina como de habitual, sem animo para cerimônias foi em direção ao dormitório masculino. Tirou a capa do uniforme e a jogou na cabeceira da cama, deitou na mesma praticamente se jogando, depositou todo seu peso esticando as pernas e braços.
– Mas o que...
Recolheu seu corpo para o canto da cama com os olhos arregalados, sentira algo debaixo da coberta de pelo negra que forrava a cama bagunçada.
– Você. — suspirou- O que faz ai?
Uma víbora verde esmeralda com manchas vermelho sangue estava enrolada debaixo das cobertas, seus olhos também vermelhos estavam abertos. As mãos de Scorpius passaram sobre as escamas da cobra devagar, ele sentiu sua pele se arrepiar. Nunca se acostumara com a sensação de toca-la assim. A víbora se desenrolava, sua forma mudara rápido se transfigurando em uma garota de olhos verdes e cabelos negros, sua pele era tão branca quanto a de Scorpius, a franja fazia seus olhos realçarem, ela estava deitada em sua cama, abraçou o travesseiro enquanto ele permanecia imovel no canto da cama.
– Não consegui dormir essa noite, tive pesadelos.
– E também não conseguiu comer, não te vi na mesa da Sonserina.
– Pra onde você foi? Essa noite...
– Bárbara, não importa.
– Scor, você devia me chamar, eu amaria...
– Bárbara, eu quis ir sozinho. — Seu tom foi suave, mas a frase o fez parecer ignorante, Bárbara desviou o olhar para o chão, sem responder. — Você não devia estar aqui.
– Não? — ela olhava em seus olhos agora.
– Não. E também não deve ir embora.
Scorpius virou e se deitou ao lado de Bárbara passou um de seus braços pela cabeça dela e acariciava seus cabelos negros. Ela olhava pra ele, seus olhares se encontraram por segundos até que ele desviasse, os olhos dela estavam diferentes, pareciam estar cintilantes. Ele sorriu e fechou seus olhos.
– Por que sempre temos que passar por isso?
– Porque você me ama. Só não sabe disso ainda. — Ela não parara de olhar para ele um segundo sequer. Ele se virou, passava a ponta dos dedos no rosto dela, chegou aos seus lábios e levou os mesmos aos cabelos negros, aproximou seu rosto do dela.
– Droga! — Ele se levantou da cama em um salto, alguém subira as escadas do dormitório correndo. A porta se abrira com tanta força que ele fez uma careta esperando que ela batesse.
– Alvo?
– Tive que vir te chamar, ou ficaria dormindo o jogo todo. Vamos logo.
– Jogo?
– Quadribol Scorpius, vamos logo, preciso ver meu irmão perder! E ah, bom dia Bárbara. Scorpius se virou e ela não estava mais lá. Não em sua forma humana. Estava enrolada no pé da cama com seus olhos vermelhos brilhando. Scorpius riu e se levantou.
– Te encontro lá? — Arqueou a sobrancelha direita.
A víbora verde esmeralda apenas abaixou e levantou a cabeça em um gesto que ele compreendera como "sim".
Ás onze horas Hogwarts inteiro estava nas arquibancadas que cercavam o campo de quadribol.
Rose e o restante do time estavam no vestiário para os últimos preparativos para o jogo que seria Grifinória contra Corvinal. Rose estava de muito bom humor, embora não tivesse dormido, acreditava que uma partida de quadribol seria o suficiente para lhe deixar cansada, o que a faria conseguir dormir a noite. Antes de saírem para o campo, o treinador Fred Weasley II pigarreou pedindo silencio.
– Muito bem time, está na hora. Boa sorte para todos!
Madame Hoch estava no meio da quadra esperando os dois times de vassoura na mão. Sua frase foi a mesma que era repetida fala antes de qualquer partida de quadribol.
–Muito bem meninos, quero ver um jogo limpo. Montem as vassouras por favor.
Rose subiu na sua vassoura. Madame Hoch assoviou e a partida tinha começado. Teddy Lupin narrava a partida, seu sorriso praticamente brilhava junto a seus cabelos azuis.
– E realmente hoje promete um jogo e tanto! Grifinória precisa fazer 160 pontos para ser classificada a semi-final, enquanto a Corvinal apenas 120.
Muito acima deles Rose observa o jogo, procurando um sinal do pomo, enquanto observava cada centímetro do campo, seus olhos pararam a uma visão que quase a fez querer rir. Scorpius devia estar discutindo algo com uma garota, que tinha um sorriso forçado e um olhar que sempre fizera Rose ter náuseas, mas desta vez Rose abriu um sorriso sussurrando consigo mesma “o que fizeram com ele foi é pouco”. Rose avistou um lampejo, e Scorpius foi varrido de sua mente, agora se concentrara apenas no jogo, em pegar aquele pomo, Grifinória já tinha marcado 140 pontos, se pegasse o pomo certamente seria a vitória. A torcida vibrava, porém a vassoura de Rose começou a se comportar de um modo estranho, a vassoura estava dando guinadas, subindo e descendo e fazendo zig-zagues por conta própria. Rose entrou em desespero, não conseguia controlar sua vassoura que fazia movimentos bruscos por conta própria, seu olhar baixou até a arquibancada da Sonserina, para onde a sua vassoura a levava. Scorpius estava azarando sua vassoura. Rose fez o possível para descer mas acabou caindo de uma altura de 3 metros, segurava a vassoura fortemente e quando se aproximou do chão sentiu que estava no controle novamente, descendo sem que se machucasse.
“Rose parece que se irritou com o jogo, ou não conseguiu encontrar o pomo de ouro, porque ela esta saindo do campo e... aaaah pessoal ela vai cair!”
Seu rosto estava quase tão vermelho quanto seus cabelos, que estavam ainda mais bagunçados, de cabeça erguida foi até Malfoy automaticamente, não conseguira pensar, estava dominada pela raiva. O mesmo se encontrava na arquibancada mais baixa do campo. Entrou na arquibancada da Sonserina, a casa inteira a observava com olhar de espanto, ela não deu meia volta, seguiu reto até ele.
–Da próxima vez que eu você mexer comigo Malfoy, não vou só te lançar um feitiço como também vou acabar com essa sua cara de bunda de Diabrete-da-Cornualha.
Não tinha mais domínio sobre suas atitudes, odiara mais aquele garoto a cada dia que se passava, sua mão foi direito no rosto dele que estava branco de espanto.
– NÃO TOQUE NELE SUA...
–Ah não espera. Esqueci de te avisar que ia acabar agora!
Rose subiu em cima de Scorpius e começou a esmurra-lo no rosto, que não fez nada para se defender, apenas se esforçava para desviar dela, no meio sustos, ria baixo da situação.Os olhos dele brilhavam, ele parecia espantado e assustado, mas aquilo não parecia ter sido algo ruim para ele, o que a fez sentir mais raiva. Quando se deu conta Minerva já estava na arquibancada furiosa.
–Ele professora, azarou minha vassoura! Eu vou acabar com ele!
– OS DOIS, PARA MINHA SALA AGORA!
Rose virou seu rosto para a professora como se estivesse ouvido uma noticia de morte, pareceu petrificada. Scorpius apenas acenou que sim com a cabeça e seguiu a professora ainda rindo. Rose seguiu Minerva e Scorpius ouvindo Teddy dizer que a Corvinal ganhara a partida por sua falta, seus olhos encheram de lágrimas.
Quando entraram na sala da professora, Rose tremia, sempre tivera sido uma aluna excelente, nunca havia sido chamada na sala da diretora de Hogwarts por indisciplina. Já Malfoy entrara na sala como se estivesse entrando em seu quarto, sentou-se na cadeira de frente para a mesa de Minerva olhando para as prateleiras de livros de Minerva, o que fizeram Rose segurar o riso por um segundo pensando se ele sabia ou não ler. “Idiota” foi seu pensamento final até Minerva pedir para que ela se sentasse na cadeira ao lado da dele, a cadeira estava encostada na mesa, Malfoy arrastou a cadeira para perto dela e fez um gesto para que ela se sentasse. Minerva estava no fundo da sala, “decidindo como vai nos expulsar” Rose pensava e seus olhos enchiam de lágrimas novamente.
– Você não parece ser do tipo que já levou uma advertência antes, então com minha experiencia de anos eu devo recomendar que se sente e se cale até ela mandar que saia. Não que eu faça isso, claro.
Rose fez uma cara de nojo, a voz dele lhe dava nojo e ela sentia vontade de esmurra-lo toda vez que o via. Não respondeu, apenas se sentou quando viu a professora se aproximar.
– Em todos esses anos, eu nunca, nunca, vi um aluno sair de uma partida de jogo para agredir outro.
– Mas eu nem fiz nada, pelo menos não dessa vez... ela que veio pra cima de mim. — Tentou argumentar Scorpius.
– Você não fez? Quer que eu conte o que você anda fazendo seu saco de merda?
– Senhorita Weasley por favor!- Minerva tinha se levantado agora.
–Mas prof...
–Sem mais. A senhorita estará de castigo, e sua punição será duas semanas sem jogar. Temo que o time de minha casa escolha logo um substituto temporário para apanhador.
–Isso não é problema, tem...
–E, não me interrompa. A senhorita e o senhor Malfoy deverão passar essas duas semanas na companhia um do outro, aprenderam como se respeito um com o outro- Minerva falou isso enquanto andava até a porta.
– O QUÊ?!- gritou Malfoy
–NEM QUE...- Mas a professora, mais uma vez tinha interrompido Rose.
–Sem mais! Isso não é só um castigo. È uma ordem! Nem que eu tenha que enfeitiça-los para grudarem um ao outro. Agora vocês saíram dessa sala. Amanha quero os dois juntos nas aulas, nas refeições e nas oras livres, e acredite eu vou saber se não estiverem juntos. Agora por favor saiam- Minerva já estava a ponto de empurra-los para fora da sala
Ambos saíram da sala com a mesma cara de revolta. Saíram com tanta pressa que praticamente se esbarraram na porta.
–Parabéns Weasley. Se queria tanto minha companhia era só dizer, mesmo que eu prefira ficar sozinho.
–Silêncio!
“Aquele sorriso irônico e sarcástico de sempre” Rose pensou. A boca do garota se abrira novamente, mas antes que pudesse sair uma só palavra Rose foi mais rápida.
–Parece que vou ter que te enfeitiçar pra calar essa boca, fique tranqüilo eu não ia querer sua companhia nem que fosse na mesma cela de Azkaban.
Rose se virara dando seu primeiro passo para o que esperava ser o caminho mais longe possível daquele garoto.
– Então temos pelo menos algo em comum.
Ela se virou procurando uma boa resposta mas Malfoy já havia virado e estava longe, não longe o suficiente para ouvir uma resposta, mas longe o suficiente para poder ignora-la e de qualquer forma, ela concordava com ele.
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