A Quarta Maldição Imperdoável
3 Apenas Duas Semanas
Rose estava deitada de costas, respirando com esforço como se tivesse corrido. Acabara de acordar de um sonho estranho, tão estranho que até Scorpius estava nele. Olhou pela janela, o céu já estava claro, olhou em volta e não havia mais ninguém no quarto além dela.
–Droga, droga, droga!- Falou enquanto se trocava às pressas- Não me olha assim Bichento, você dorme o dia todo e eu não falo nada.
Bichento era um gato gordo com pelos ruivos, era o gato da mãe de Rose, a mesma preferiu o gato a coruja.
Assim que Rose conseguiu colocar cada peça de roupa na parte certa do corpo, saiu correndo para o Salão Principal, onde Scorpius estava tomando café da manhã na mesa da Grifinória. Tinha esquecido que hoje seria o primeiro dia de duas longas semanas em companhia do garoto. Azedou a cara e se sentou perto dele.
–Bom dia Malfoy- Disse enquanto se servia de mingau com aveia.
–Bom dia Weasley -Malfoy respondera já levando a boca sua ultima colherada de mingau.
–Vamos fazer um trato? – Enquanto falava isso Rose levou a colher até o prato e virou-se para olhar melhor Scorpius.
–Depende, se for algo que faça essa punição me separar de você- Scorpius continuava a encarar o seu prato, e brincava com o resto de aveia que tinha sobrado.
–Ontem a noite eu andei pensando, não precisamos fazer isso sabe? Quero dizer, fingir que somos amigos, claro somos obrigados a andar juntos, mas não precisamos ficar conversando, enfim é só... só um não dirigir a palavra a outro. Acredito que assim o tempo passará mais rápido, e acredite eu não quero passar nervoso por duas semanas... Então o que acha?!- Rose tinha virado para mais perto de Scorpius.
–Muito bom Weasley, gostei da ideia ainda mais sobre você ter gastado suas preciosas horas de estudo pensado em mim ontem a noite.- Finalmente Scorpius tinha se virado para olhar Rose, e enquanto falava isso deu o típico sorriso de canto de boca, o que fez Rose corar e virar-se para outro lado.
–Para seu conhecimento Malfoy, não gastei meu tempo, realmente precioso pensando em você, e sim pensando no meu bem, porque convenhamos, não quero passar duas semanas passando nervoso sendo que eu posso me dedicar aos meus estudos e fingir que você não existe.- Assim que terminou de falar isso, apanhou seus livros e saiu da mesa – Se não se importa vou ao banheiro, creio que você não precisará me acompanhar nesses momentos.- E saiu pisando duro.
Malfoy deu risada com a cena e ainda a imitou de maneira cômica.
– Olhe pra mim, sou uma ruiva inteligente e dedicada aos estudos e não vou passar nervoso com o Malfoy. — Várias pessoas a mesa observavam ele falar sozinho –Estão olhando o quê? Nunca viram ninguém falar sozinho não- E também saiu pisando duro.
A 5 metros dali, Bárbara assistira a cena com uma pontada de ciúmes, torcia para que aquelas duas semanas passassem logo, ou tomaria providencias ela mesma.
–Vai mesmo ter que passar duas semanas com...- Mal conseguiu terminar a frase para chegar perto dele antes que estivesse longe demais.
–Bom dia para você também senhorita Shootter.- Apesar de Malfoy te-la interrompido seu tom saiu como uma brincadeira, o que a fez sorrir.
–Ainda não me respondeu senhor Malfoy.- Dizia ela já com o sorriso frouxo. –Se tivesse outra saída, o que faria?!
– Vamos é sair daqui, preciso respirar um pouco antes de passar um dia inteira com uma grifinoriana.
Ele apenas gesticulou para que Bárbara o seguisse, mas a garota segurou em sua mão esquerda sem que ele esperasse. Com a surpresa na atitude da menina, ele apenas apressou o passo.
Andavam em direção a floresta proibida, embora não pretendessem realmente entrar lá. Bárbara falara o caminho inteiro sobre alguma garota lufana que a irritara na aula de poções, mas Scorpius não prestava atenção, apenas dava respostas automáticas.
–Pensei que não fazíamos mais isso.- Embora ela não esperasse dele tal atitude, sentia falta das noites em que fugiam juntos para a floresta proíbida, as lembranças de vários momentos que passaram juntos naquele lugar ainda ecoavam em sua mente. Por alguns instantes, sentiu raiva por ele ter escolhido aquela vista.
–O que?!... ah não, nós não vamos para a floresta, só sei lá, estava pensando em um lugar mais afastado.
Scorpius se sentou na gramado de uma árvore mais próxima, e encarava o horizonte. Na verdade não sabia o por quê mas seus pensamentos estavam em Rose, estava pensando em um jeito realmente bom de ter de aturar aquela garota. Poderia invocar o feitiço “silêncio”, antes de ela falar qualquer coisa. Mas talvez não desse certo ela daria um jeito de chamar atenção de algum professor e ele ficaria mais encrencado do que já estava.
–Sinto falta. Eu fui a floresta noite passada e lua estava linda!- Finalmente sua atenção se voltara a garota de olhos verdes.
–Como foi? Viu algo de diferente?
–Não, bom, nada no chão pelo menos. Aquelas aranhas asquerosas parecem aumentar a cada dia.
–Se lembra do dia em que uma do meu tamanho apareceu?- Ele ria como se tivesse se lembrado de uma boa piada.
–Eu me lembro de você ter se mandado na vassoura e me deixado para trás.- desviu o olhar dos olhos dele.
–Mas, caramba! Você é um víbora! Digo. Você pode se transformar em uma, deveria ter feito aquelas aranhas correrem de você.- Dizia enquanto passava sua mão no rosto de Bárbara, como uma forma de desculpa despretensiosa.
– Ah Sim! Isso é quando uma aranha de tamanho normal. Infelizmente o único animal que sou capaz de me transformar é um víbora normal! Não um basilísco.- empurrando a mão dele para longe.
–Seria legal se conseguisse.
–É, seria legal. Acho que eu entraria na sala comunal da Grifinória e faria questão de petrificar a casa toda com meu olhar.- Ela riu e piscou os olhos que mudaram de cor.
–É realmente uma ótima ideia. Mas existem possibilidades melhores.
–Como?!
–Meu pai sempre me diz que antes as coisas eram muito diferentes, nós, sonserinos éramos tratados com respeito. Sangues ruins não se misturavam a nós. Não que eu me importe mas ele fala como se um bruxo que não fosse de uma família de sangue puro era digno de ser chamado de bruxo. Mas enfim, não gosto é da forma que nós menosprezam.
–Queria ter nascido nessa época! – A garota de olhos verdes encostou a cabeça nos ombros de Scorpius.
–Se Voldemort tivesse ganhado a segunda guerra Bruxa, as coisas seriam melhores. E é a única coisa que eu queria que acontecesse, pelo menos aconteceria algo de emocionante nessa escola monótona.- Scorpius bufafa de decepção, tanto por seus pais terem vivido algo empolgante e ele não.
–Bom. Vendo por esse lado nós não teríamos a companhia dos Weasley né?
–Exato! Mas Alvo não existiria e, ele é meu melhor amigo!
– Você superaria.
–Claro.- Respondeu rispidamente e sem pensar.
Bárbara colocou sua mão sobre a dele e fechara os olhos. Mas os dele ainda estavam completamente abertos e atentos. Andy, uma garota loira da Sonserina os encarava. Ele sabia quem ela era, embora nunca houvesse realmente converssado com ela, sempre achou curioso a forma como ela passava grande tempo o observando. Sempre a achara bonita, mas não era o tipo dele, estava sempre envergonhada e corava quando ele percebia que ela o observava. A garota pareceu naquele momento uma ótima distração para horas vagas.
Seus olhos azuis brilhavam e a claridade do sol fazia seus cabelos louros lisos parecerem ainda mais claros.
–Vamos! Tenho que encontrar a sardinha para a aula. –Ele disse já se levantando, o que assustará Bárbara.
–Scor, não ficamos juntos nem por meia hora! -Bárbara se levantara as pressas para que ele não desse as costas. Apertou sua mão para que ele não a soltasse.
– Vou te ver no salão comunal só a noite, acho digno que a gente se despeça!
– Essa é a despedida, eu vou para a aula, não para uma guerra!- Seu tom foi suave, mas a frase pareceu ignorante, o que sempre parecia.
A garota de olhos verdes se aproximara dele o suficiente para que ele a beijasse, mas ele não o fez.
–Já falamos sobre isso, não vamos voltar à isso de novo.
–Claro! Só amigos.- A garota forçou um sorriso e soltou a mão de Scorpius. — Te vejo a noite então.
Ela andava rápido e ele permaneceu parado, observando ela desaparecer, se perguntava se ela iria chorar quando ninguém estivesse olhando. Logo seguiu seu caminho ao encontro de Rose.
–Sua mãe devia ter-lhe ensinado que espionar pessoas é um hábito horrível. — Disse quando passou pela garota loira que tentou se esconder atrás de uma árvore.
–Bom. Não era espionar, era apenas cuidar. Fama de bom aluno você nunca teve e...- Scorpius a interrompeu.
–E de fato também não sou o melhor ex namorado do mundo. – Forçou um sorriso- Seu cabelo ta com algo estranho aqui!
Andy olhou mas não havia nada de estranho, quando foi perguntar o que tinha em seu cabelo, Malfoy já havia a beijado. Demorou alguns segundos até que ela se desse conta do que acabara de acontecer, o empurrou com toda a força que tinha.
–Qual é o seu problema? -Sua voz estava falha. — A vida não é um joguinho para você brincar com as pessoas.
Os olhos de Andy estavam molhados por lágrimas que escorriam conforme ela se virara e caminhara para sentido contrário dele
–É por isso mesmo que eu sempre ganho. -Embora Malfoy soubesse que a menina não poderia ouvi-lo mais, respondeu em alto e bom tom, provavelmente afirmando isso a si mesmo.
No meio do caminho para sala de aula Scorpius encontrara seu melhor amigo Alvo Potter. Ele sempre fora praticamente o espelho de Scorpius, a única diferença era que Alvo sabia fazer amizades, porém só amizades que lhe trouxessem benefícios. O amigo avistou Scorpius e na mesma hora correu ao encontro do mesmo.
–Scorpius! ah cara! já estou com saudades, é quase insuportável a Sonserina sem você. E tenho uma coisa para lhe contar. -Scorpius que na mesma hora se sentiu muito bem pela companhia do amigo sorriu e perguntou o que havia acontecido.
– Você não vai acreditar! ontem tive aula junto com o pessoal da Corvinal e sabe o colar do Vira-Tempo? Então me disseram que há uma aluna nessa escola que tem, e você não vai acreditar em quem é!- Alvo não se cabia de tanto empolgação.
Scorpius a muito tempo havia ouvido falar desse colar, e durante anos planejou encontrar o mesmo. Porém a principal ideia não era apenas poder voltar no tempo e evitar ou deixar que algumas coisas bobas acontecessem. E sim trazer o bruxo com o qual ele crescera ouvindo as histórias dele. Para muitos o Bruxo tinha encontrado seu destino, afinal, Voldemort só trouxera dor e tempos de angustia para comunidade bruxa. Mas para aqueles como Scorpius e até mesmo para algumas famílias da comunidade, Voldemort seria aquele que colocaria as coisas erradas em seus devidos lugares e traria paz e ordem a todos aqueles que fossem, apenas sangues puros. O que para Scorpius seria de grande satisfação já que, para ele a comunidade com a qual vivia não passava de monótona. E agora que ele havia descoberto com quem estava o colar, uma chama de esperança se acendeu no peito de Scorpius. Afinal poderia ser ele a quem colocaria o fim nas injustiças e desigualdades no mundo bruxo, trazendo de volta então aquele que governaria melhor a comunidade bruxa.
–E quem é esse aluno? -Scorpius falou em seu tom habitual, embora fervesse de curiosidade e ambição pelo objeto, jamais poderia demonstrar os verdadeiros interesses, por um momento sentiu medo que Alvo descobrisse.
–Na verdade é aluna e essa luna é a Rose! Se conseguirmos, cara seria perfeito, você voltaria no tempo e não brigaria com a sardinha e eu, eu me impediria te ter salvado Thiago. -Sua cabeça latejou em raios de lembranças, nunca se perdoara pelo dia em que salvou seu irmão de uma queda da vassoura de seu pai, Thiago sempre amara ser o melhor em tudo, no dia em que roubara a vassoura de Harry sem sequer ter voado em alguma, Alvo Severo fez o que seu pai julgou o mais puro ato de amor. Mas ele se arrependera no mesmo instante.
–Então quer dizer que esse colar é da Rose?! Com a Rose? Droga! Ela me odeia não vai nem deixar eu ver!- Scorpius tinha colocado a mão na cabeça, como se esperasse que uma lâmpada pudesse se acender em cima dela.
Na mesma hora, a professora Minerva tinha virado o corredor e dado de cara com os dois que por irônia estavam atrasados.
–Senhor Potter por favor pra sua sala já. E Malfoy a senhorita Weasley está esperando na sala de Poções! Pelo que eu me lembre, o senhor deverá estar em companhia dela pelas próximas duas semanas.
Malfoy perplexo pela noticia do amigo concordou com a cabeça e seguiu a professora. Não antes de virar o corredor ouvira Alvo gritar: A NOITE A GENTE SE FALA! — E o mesmo saiu correndo em encontro a sua aula.
Após 10 minutos descendo as escadas e virando corredores, Malfoy pediu licença e sentou-se ao lado de Rose, a mesma fingia que ele não tinha chegado pois mal olhara para ele.
Ele por sua vez, não conseguiu prestar atenção na aula, ficou observando-a e se questionando por quê nunca tinha notado que, a tal menina que seu pai tanto falara que assistia à varias aulas voltando no tempo era, da Grifinória e tinha se casado com um Weasley. Mas haviam tantos Weasley na escola que ele provavelmente nem perderia tempo procurando quem era dono do colar. Porém a resposta estava bem ao seu lado agora. Era Rose. E se fosse realmente pensar no assunto Rose sempre foi uma aluno modelo, assistia a varias aulas e claro! Devia ser por conta do tal objeto. Se sentia bobo por não ter reparado antes. Rose o pegara de surpresa.
–Por que você está me encarando Malfoy?!- Perguntou a menina intrigada, pois ele tinha esquecido que a encarava não muito discretamente.
Scorpius vermelho de vergonha por ser pego encarando alguém, virou pro outro lado.
–Nada é só que... a resposta esteve sempre perto de mim.
Rose ainda intrigada perguntou:
–Que resposta, o professor ainda nem passou exercícios!
–Não se pode pensar alto não?!- Então Rose olhou feio e voltou a prestar atenção. Porém Malfoy não tirava da cabeça. Rose e o colar.
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