A Química do Amor
15 Café da Manhã

Sinto a minha cabeça latejar de dor enquanto, pouco a pouco, meus olhos vão se abrindo para a claridade de um novo dia. Agora, com a dor da ressaca tomando conta de mim, percebo que foi uma péssima ideia beber tanto na noite anterior, mas, com a raiva que eu estava sentindo com tudo o que Rafael aprontou, me pareceu uma ótima ideia beber para esquecer os problemas e, principalmente, esquecer o meu companheiro indesejado de quarto, agora, porém, com essa dor de cabeça proveniente da ressaca, percebo que talvez essa não tenha sido uma de minhas melhores ideias.
Estou prestes a levantar e ir até onde deixei a minha nécessaire a fim de pegar um comprimido para a enxaqueca quando olho para o lado e, o que vejo faz meu coração parar no mesmo instante, para em seguida começar a bater freneticamente contra o meu peito!
Edan dormindo tranquilamente do meu lado na cama!
DO MEU LADO!
Como uma coisa dessas foi acontecer?
Como eu não me lembro de nada disso?
RAFAEL!!!!!
Por que você me fez passar por uma situação dessas? E por que diabos Edan não foi dormir no sofá como ele disse que faria?
Sem querer, me pego olhando para Edan, que dorme apenas de cueca box. E, por mais que eu não queira nada com ele, não consigo simplesmente fingir que o corpo dele não está ali, tão maravilhoso! Os músculos bem torneados, os cabelos lisos caindo por seu rosto, o tórax bem trabalhado...
Regininha para!
Para de ficar olhando para a beleza deste homem!
Não posso e não devo ficar pensando nele nestes termos!
Decidida a parar de olhar para ele, me levanto da cama, vou até o toalete, onde abro a torneira da pia e lavo meu rosto com água fria, a fim de acordar completamente.
Volto até onde deixei minha bagagem e abro minha nécessaire, onde pego um analgésico e o engulo sem água mesmo, tamanha a enxaqueca que sinto, em seguida, volto ao toalete a fim de tomar um banho, onde, não me demoro mais do que o necessário, decido me trocar no toalete mesmo, colocando um vestido vermelho de alcinha e deixo o quarto, onde não me surpreendo ao ver Edan acordado e, pior, me olhando como se quisesse me comer com os olhos.
Sei que parece hipócrita eu reclamar da forma como ele está me olhando, visto que eu o encarei da mesma forma, mas, o olhar dele me irrita justamente por seus olhos serem tão idênticos aos daquela outra pessoa, a qual eu simplesmente não consigo esquecer o que ela me fez.
Imediatamente, fecho a cara.
― Vai ficar mesmo me encarando? – pergunto, ainda de cara fechada.
― Até onde eu sei não sou cego, logo, posso olhar para onde eu quiser.
― Ainda por cima é grosso.
― Só estou retribuindo o seu tratamento na mesma moeda, querida! – ele sorri para mim de forma irônica.
Simplesmente não o respondo, ao invés disso, deixo o quarto, a fim de ir tomar o meu café da manhã. Pego o elevador que, felizmente, está parado em meu andar e sigo diretamente para o salão das refeições, onde eu escolho uma mesa vazia e me sento, imediatamente, um garçom chega, me oferecendo o menu do café da manhã, o qual eu pego imediatamente.
Estou prestes a escolher o que quero comer quando uma voz bastante conhecida chama a minha atenção.
― Posso me sentar com você?
Desvio o meu olhar do cardápio e encaro o homem a minha frente com cara de bem poucos amigos, pois, ele simplesmente não espera pela minha resposta e se senta em uma cadeira em frente a minha, me deixando ainda mais irritada.
― Eu por acaso disse que você poderia se sentar comigo? – pergunto, sem conter o tom de irritação em minha voz.
― Dizer você não disse. – Edan me responde, com a maior cara de pau – Mas, como a maioria das mesas estão cheias, você é a única pessoa que eu conheço e eu não quero tomar café da manhã sozinho, resolvi me sentar aqui com você a aproveitar a companhia.
― Como você é insuportável!
― Vou tomar isso como um elogio!
Edan está começando a tirar minha paciência. Estou prestes a me levantar e procurar por uma mesa vazia, mas, para meu azar, uma rápida olhada ao meu redor e vejo que, infelizmente, todas as mesas do salão estão cheias. Uma rápida olhada para Edan e percebo que ele está rindo, certamente ele percebeu qual era a minha intenção.
O garçom chega e, Edan e eu fazemos nossos pedidos, e, não demora muito para que nossos pedidos cheguem e comecemos a tomar o nosso café da manhã.
Quero comer em silêncio e dar o fora daqui, mas, infelizmente, Edan parece não se importar com o que eu quero, começando a conversar comigo como se fôssemos grandes amigos, o que, obviamente, não somos.
― Seu congresso começa hoje? – ele me pergunta.
― Creio que isso não seja da sua conta. – eu respondo.
― Regininha, sei que você não gosta muito de estar aqui comigo e respeito isso, mas, já que estamos juntos nessa, poderíamos simplesmente fingir que somos bons amigos e conversar de forma civilizada, até para não chamar muita atenção para nós.
Sinceramente, não sei de onde este homem tirou que nós estamos juntos nessa, porque eu sinceramente não estou com ele em canto nenhum do mundo.
― Olha, Edan. – falo, tentando ser o mais educada possível – Eu estou com dor de cabeça por conta da ressaca, então, por favor, agradeceria se você pudesse, uma vez em sua vida, ser um pouco gentil e me deixar quieta no meu canto, eu só quero comer em paz, está bem?
Minhas palavras parecem ter causado algum efeito nele, pois, ele não me diz mais nada, muito pelo contrário, começa a tomar o café da manhã dele em silêncio, fingindo até mesmo que eu não estou ali.
Era para eu estar grata, por finalmente ter um momento de paz, mas, não é isso o que acontece. O silêncio de Edan me incomoda, mas até do que eu gostaria. O que está acontecendo comigo, afinal de contas?
Vejo Edan terminar o seu café da manhã e deixar a mesa, sem nem ao menos dirigir a palavra a mim, e, me sinto confusa, querendo que ele me dissesse algo, um breve até logo.
O vejo sumir de minha vista com meu coração estranhamente apertado.
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