― Tem certeza de que vai querer outra garrafa? – pergunto a Regininha, enquanto vejo aquele belo par de olhos claros me encarando.

― Eu já disse que sim. – Regininha me responde, a voz levemente alterada por conta da bebida.

Ante a resposta dela, eu apenas dou de ombros, ao mesmo tempo em que pego o telefone do hotel, ligo para a recepção e peço outra garrafa de Whisky.

Confesso que eu não esperava por isso, passar a minha primeira noite na Índia bebendo com Regininha, mas, apesar de tudo, não está sendo de tão ruim ter de dividir o quarto com ela, pelo menos enquanto ela está bêbada por conta do Whisky.

Mas, infelizmente, eu sei que essa paz não vai durar muito, pois, no momento em que Regininha estiver sóbria, tudo vai voltar ao normal, e, ela vai voltar a me tratar com a mesma hostilidade de sempre.

Escuto algumas batidas na porta, me tirando de meus pensamentos e, vou atender, abro a porta e um dos funcionários do hotel me entrega uma bandeja com outra garrafa de Whisky, indo embora em seguida.

Fecho a porta do quarto e volto a minha atenção para Regininha, que sorri animada ao ver a garrafa em minha mão.

― Até que enfim! – ela diz, se aproximando e pegando a garrafa.

Eu apenas a encaro em silêncio, enquanto a vejo se servir de mais uma dose e se sentar de forma displicente no sofá.

― Não sabia que você gostava tanto assim de Whisky. – comento, como quem não quer nada.

― Há muitas coisas que você não sabe sobre mim, Edan. – ela responde, tomando outra dose da bebida.

― Garanto que não é por minha vontade. – me pego dizendo, ao mesmo tempo em que me aproximo dela, pego a garrafa de sua mão e me sirvo de uma dose da bebida.

― Ei, o que pensa que está fazendo? – Regininha me pergunta, no momento em que tiro a garrafa das mãos dela.

― Me servindo. – eu respondo, dando de ombros – Acha mesmo que vai beber essa garrafa sozinha?

― Essa era a intenção. – ela me responde, meio de má vontade.

― Sinto muito, mas, como eu já disse, vai ter de dividir essa garrafa comigo! – não consigo deixar de sorrir de forma irônica para ela.

Sem escolha, ela acaba cedendo e, com isso, continuamos bebendo, terminamos a garrafa e pedimos outra, e, quanto mais Regininha bebe, mais ela vai se soltando e, com isso, conseguimos conversar de forma quase que civilizada, mesmo com ela trocando as palavras por conta da bebedeira. E, como ela está bebendo muito mais do que eu, enquanto ela está completamente bêbada, eu ainda me mantenho sóbrio.

― Voxê ainda nhaum me disse o que está fazendo aqui. – Regininha, fala, completamente embriagada.

― Um congresso. – eu respondo – Vou apresentar um trabalho.

― Eu também vim para um goncreto, só que não vou apresentar trabalho. – ela continua trocando as palavras.

― Então agora nós viramos amigos? – me vejo perguntando, mesmo sabendo que ela muito provavelmente não vai se lembrar de nada amanhã de manhã.


― Nós nhaum somos amigos. Voxê é amigo do traidor do meu irmão, não meu.

É impressionante como, mesmo bêbada, ela simplesmente não dá o braço a torcer.

― Voxê tem olhos lindos, Edan. – a ouço dizendo, ficando completamente espantado com suas palavras – Uma pena que eles sejam iguais aos olhos dele.

― O que você disse? – eu pergunto, completamente confuso – De quem você está falando, Regininha?

― Voxê sabe de quem estou falando. – a voz dela é cada vez mais bêbada – Não se faxa de desentendido, Edan.

― Regininha, eu juro por Deus que não sei de quem você está falando. Será que você pode me dizer de quem está falando?

Ela não me responde, então eu a encaro e, não me surpreendo nem um pouco ao vê-la dormindo no sofá. Com o tanto que ela bebeu, mais cedo ou mais tarde isso ia acabar acontecendo mesmo.

Infelizmente, ela foi adormecer no pior momento possível, pois, eu tinha certeza de que ela iria me dizer o motivo de ela me odiar tanto. Mas, infelizmente, eu sou um grande de um azarado e, a maior prova disso é que nem bêbada Regininha foi capaz de me dizer o motivo de seu ódio desmedido por mim.

Não quero deixar que ela durma no sofá, então caminho até ela e, delicadamente a pego em meus braços. Ela está tão bêbada que nem acorda, o que eu acho bom, pois, certamente, ela faria um escândalo daqueles somente por estar em meus braços. E, tudo o que eu não quero neste momento é brigar com ela.

Aliás, se dependesse de mim eu nunca brigaria com ela, muito pelo contrário. Mas, infelizmente, há coisas na vida que não podemos controlar.

Caminho com ela até a cama e a deito, cobrindo-a em seguida. Mas, ao invés de deixar o quarto e ir para a sala, permaneço ali, meu olhar completamente fixo no rosto adormecido dela.

Sinto-me preso a beleza dela, sem sequer conseguir desviar os meus olhos. Essa mulher mexe comigo de uma forma que eu simplesmente não consigo explicar. Sinto todos os meus sentidos aguçados quando estou perto dela e, meu desejo é o de poder estar ao lado dela sempre.

Infelizmente, este é um desejo que nunca vai se realizar, pois Regininha já deixou muito mais do que claro que me quer bem longe da vida dela, e, por mais que isso me doa, eu já aceitei este fato.

Vejo uma mecha dos cabelos de Regininha cobrindo o seu rosto, e, delicadamente a tiro. Em seguida, me sento na cama, ainda sem conseguir deixar o quarto e a companhia dela.

Não sei por quanto tempo permaneço ali, olhando para ela, se são minutos ou horas. A única coisa que sei é que sou incapaz de deixa-la, e, sem que eu me dê conta, me deixo ser dominado pelo cansaço da viagem e acabo adormecendo, ali, ao lado dela na cama.