A Pátria.
10 É sua vez — Blair
Na manhã seguinte a minha chegada, acordei cedo para conhecer melhor o centro de treinamento. Ele era tão magnífico que eu não entendia o porque de não ter ido para lá antes; E então eu me lembro, mas logo me forço a esquecer de tal passado. Primeiro porque estou no melhor centro de treinamento do que restou do mundo, e segundo porque eu estou tão feliz, que não há nada que me faça ficar triste e presa em meu próprio mundo novamente.
Saio de meu quarto percorrendo os corredores lentamente observando tudo com tamanha atenção, que nada me tiraria daquele transe. Nada exceto dois gêmeos completamente idênticos com cabelos ruivos, pele branca e olhos de um tom verde maravilhoso. Os dois eram exageradamente magros e eu me pergunto o porquê dos dois estarem nessa nação.
— Você é Blair de La Court, não é? — Perguntou o gêmeo número um.
— Sim, sou. Como me conhece? — Perguntei quase exitando. Como ele sabia meu nome, e meu sobrenome?
Os gêmeos se entreolharam e riram.
— Quem não te conhece seria a pergunta certa, não é mesmo? — Disse o gêmeo número dois.
— Certo. — Abri um sorriso de canto para os dois e me virei, voltando para minha caminhada, então os dois me alcançaram e fecharam o meu caminho. Cruzei meus braços e lhes lancei um olhar arrogante.
— Precisamos falar com você Blair. — O gêmeo número um, olhou para o número dois e então prosseguiu. — Por acaso você não toparia uma parceria? — Seus olhos começaram a brilhar e percebi o quão ficou animado quando começou a dar pulinhos que avaliei serem engraçados.
— Uma parceria? — A proposta parecia ser um tanto engraçada. Será que aqui eles faziam mesmo esse tipo de proposta?
— Sim. — Proferiu o gêmeo número dois.
— É o seguinte, você percebeu a nossa aparência, não percebeu? — Disse o número um fazendo cara de tédio.
Concordei com a cabeça.
— Na verdade eu percebi sim, e também percebi esses dois livros gigantes, me expliquem, no que isso ajudaria vocês? Por acaso é um manual de luta ou coisa do tipo? — Perguntei parecendo interessada, pois na verdade, eu não estava nem um pouco.
— Nada disso. São livros um tanto complexos para estimular nosso cérebro, assim, talvez, com um raciocínio mais rápido, nós conseguimos ser bons de luta. — Disse o número 1 e ambos sorriram, aquilo me cortou o coração. — Mas, enquanto isso não acontece, você é a nossa única salvação. Nós temos a inteligência, você a força. Não que você seja burra, longe disso, mas é questão de raciocínio, sabe? E... — Então o interrompi.
— Certo, chegue logo ao ponto principal. — Revirei os olhos.
— Só precisamos que você nos proteja de agressores astutos, sabe? — O número dois disse, finalmente completando uma frase.
— O que é isso? O colegial? — Não pude disfarçar o tom de deboche em minha voz.
— Parece ridículo, mas só precisamos disso. Por favor. — O tom de clemência em sua voz me fez ceder, mas não foi só isso, os dois estavam interrompendo meu passeio.
— Certo. Agora eu tenho de ir. — Os dois abriram caminho e eu finalmente pude continuar meu passeio.
Cinquenta minutos depois de encontrar os gêmeos, o sinal do café da manhã tocou. Todos dos dormitórios saíram imediatamente do aconchego de suas camas, se arrumaram em questão de segundos e se encaminharam para o grandioso refeitório que abrigava tanta gente, que conseguia ser quase maior que o auditório do meu antigo colégio.
Tudo fluía bem. Estava sentada na mesa de Clarice, nós duas estávamos comendo em silêncio, mas o bater da porta me fez acordar de meu transe e olhar em direção ao barulho. Lá estava ela, Verônica.
— Bom dia, guerreiros. — Disse Verônica sorrindo. — Esse é um dia especial. Iremos testar suas capacidades e treina-los separadamente por conta de novos guerreiros introduzidos recentemente em nosso centro de treinamento. — Ela parecia contente enquanto falava da novidade. Mas os guerreiros nascidos em Nova York, pareciam desanimados com a novidade. — Claro, não é nada trabalhoso. São apenas alguns testes. Precisamos organiza-los para que não vire uma confusão ainda maior. — Verônica virou-se, sem se despedir, e saiu da sala junto de seus assistentes equipados com eletrônicos.
Todos do refeitório se calaram, não houve sequer um barulho por um minuto, então todos pareceram soltas suas respirações guardadas e começaram a falar com uma certa raiva na fala. Por outro lado, Clarice estava pálida, olhando para o nada. Eu não queria, mas tive de tira-la daquele transe assustador.
— Clarice? — Perguntei calmamente enquanto balançava minha mão na frente de seu rosto.
— Oi, Blair. Meu Deus! — Clarice despertou-se e desviou seu olhar para mim. Percebi imediatamente que ela estava com medo, muito medo. — Eu não acredito! Tenho poucas horas para treinar e aprender a fazer coisas que deveria ter aprendido durante toda minha vida! Se eu não passar nesse teste para uma boa posição na guerra, talvez eu nem sobreviva, isso é essencial! — Ela estava desesperada e alucinada com a noticia.
— Calma, é sério. — Eu não sabia o que falar, eu nunca havia ajudado alguém em uma espécie de surto pré-guerra. — Você vai conseguir, você tem capacidade. E se não se der bem com luta e essas coisas, tenta tecnologia, é tão essencial quando saber lutar, sabia? — Para mim, aquela não era a verdade. Nada era mais essencial do que saber lutar, manusear uma arma e matar. Mas Clarice não sabia nada, então tive de inventar uma desculpa que a ajudasse.
— Você jura? — Perguntou Clarice com seus olhos cheios de lágrimas.
— Sim, eu juro. — Forcei um sorriso para Clarice, que pareceu acreditar.
— Obrigada, Blair. Obrigada mesmo! — Clarice levantou-se imediatamente e correu para fora do refeitório. Provavelmente ela iria treinar, mas eu continuei ali, pensando na minha mentira.
Depois do segundo sinal que indicava a saída do refeitório para os treinamentos, me levantei e caminhei preguiçosamente até a porta de saída, a qual empurrei e sai pelos corredores. Não, eu não estava cansada e nem nada do tipo, só estava com medo de ter iludido Clarice de alguma forma.
Assim que o primeiro tempo do meu treinamento do dia acabou, cerca de três horas depois do café da manhã, todos foram chamados para o Hall de Entrada do Centro, onde Verônica se encontrava com seus assistentes vestidos de branco. Eu já não via Clarice a horas e aquilo de alguma forma me preocupou.
— Boa tarde. É bom rever vocês. — Iniciou Verônica. — Interrompemos seus respectivos treinamentos para que o teste comece. — Verônica olhou para um de seus assistentes e assim, o homem lhe entregou um dos eletrônicos. Ela começou a ler. — Como o primeiro teste desde o começo de tudo isso que estamos vivendo atualmente, precisamos nos organizar e lhes informar algumas regras do modo o qual iremos agir com vocês. — Ela olhou para o lado e começou a falar.
Eu então comecei a me preocupar ainda mais com Clarice e aonde ela estava, então a encontrei, no meio da multidão junto de um garoto alto e forte, que a ajudava. Clarice estava suando muito e parecia chorar, mas assim que me viu seu rosto iluminou-se, mas logo seu choro voltou.
— Blair eu não vou conseguir, eu sei que não vou! — Lamentava Clarice elevando suas mãos até seu rosto e cobrindo-o de vergonha. — Eu tentei, eu juro que eu tentei. Eu treinei tanto, mas eu não consigo nem segurar uma arma direito. Eu apostei na tecnologia, mas eu não sei se só isso vai me ajudar. — A voz dela saiu um tanto abafada, mas eu consegui entender.
— Acredite em mim, tecnologia vai te ajudar tanto que se você não souber atirar direito eles nem vão se importar. — Sorri para Clarice, que agora me ouvia com atenção. — Tudo que você tem de fazer é chegar lá e mostrar que você é filha de um gênio que lhe ensinou tudo que sabe. — Suspirei aliviada e então ela sorriu, foi quando ouvi seu nome sendo chamado, Clarice gelou na hora, mas logo caminhou até a porta a qual foi levada.
— E eu sou o Matt, prazer. — Ouvi uma voz masculina e olhei na direção. Era o rapaz que acompanhou Clarice.
— Eu sou Blair. Obrigada, tenho que ir. — Rapidamente corri até o meio onde aguardei meu nome ser chamado pacientemente.
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