A Psicóloga

30 Capítulo 30


Notas iniciais
Feliz 1 ano de fic para quem me acompanha O/ Leiam as notas ;D

Capítulo 30

|Narrado por Edward|

Estava tudo escuro e ao fundo eu podia ouvir o som incessante de um bipe particularmente irritante. Respirei fundo antes de abrir os olhos, a ultima coisa de que me lembrava era da imagem de minha mãe ao meu lado em meio a uma alucinação, e logo depois dessa lembrança os últimos acontecimentos voltaram como flashes em minha mente.

Bernie chorando desesperada e me deixando preocupado. Meu pai biológico saindo do consultório de Bella. Lembro-me de sentir dor e mágoa ao ver aquela cena. Depois me lembrava de estar perseguindo um dos criminosos que há meses estava procurando e então o acidente de carro e minha mãe surgindo para mim como um anjo, me pedindo para aguentar firme e depois tudo ficou escuro.

Abri os olhos, ligeiramente confuso. Onde eu estava?

Observei melhor o ambiente onde estava, paredes brancas e equipamentos estranhos a minha volta. Um hospital. É claro que depois de ter sofrido um acidente como o que sofri é meio óbvio eu estar em um hospital.

–Como vai Edward? –um homem alto de cabelo loiro escuro e olhos azuis me encarava, ele devia ter mais ou menos a minha idade e altura, estava vestido em um jaleco branco e segurava uma prancheta nas mãos.

–Confuso. –disse sentindo minha garganta seca arranhar. –E com muita sede.

–Claro vou chamar a enfermeira. –então ele apertou um botão ao lado da minha cama. –Aliás, sou o Dr. Robert. –estendeu a mão para que eu a apertasse e só então notei que o meu braço esquerdo estava envolto por um gesso. –Você teve muita sorte Edward, o acidente que você sofreu em condições normais teria sido fatal, afinal só fraturou o braço esquerdo, algumas costelas e alguns hematomas espalhados pelo corpo e nada mais. Logo você estará em perfeitas condições para voltar a suas atividades normais.

–Como assim era para ter sido fatal? –questionei.

–O carro que você estava está completamente irreconhecível, até mesmo o caminhão em que bateu sofreu grandes danos, o motorista não se feriu e se não fosse pelas fraturas você sairia de lá completamente saudável, e como eu disse aos seus familiares, alguém lá de cima gosta muito de você, não era para estarmos tendo essa conversa agora.

Imediatamente a lembrança de minha mãe me pedindo para aguentar firme me veio à mente, lógico que ela estava lá para me proteger e cuidar de mim, como eu sabia que ela cuidava desde sempre, mesmo não estando ao meu lado fisicamente, mas preferi guardar aquela informação para mim.

–Você disse meus familiares, quem está aí? –perguntei.

–Seu pai, avós, namorada e seu amigo. –ele disse enquanto checava minha pulsação.

–Posso ver minha mãe e meu pai? –pedi imaginando que a dona Esme deveria estar subindo pelas paredes e lambendo o teto, de tão enlouquecida de preocupação que deveria estar.

–Sinto muito sua mãe não está. –ele me olhou com piedade.

–Meus avós são meus pais. –disse. –História complicada. –completei quando vi que o Dr. Robert me encarava com confusão.

–Certo. –ele respondeu com um pequeno sorriso. –Vamos fazer o seguinte, faremos um check-up em você, apenas pelos procedimentos de praxe e logo depois chamamos seus pais.

Enquanto o Dr. Robert me analisava juntamente com o apoio de uma enfermeira chamada Kristen, que não parava de encará-lo com admiração, fiquei repensando toda essa situação. Eu sabia que Bella devia ter um motivo para ter escondido o surgimento de meu pai biológico, mesmo estando magoado como estava, iria ouvir tudo que ela tivesse a me dizer e depois pensaria no que deveria fazer a seguir, a única coisa que sabia nesse momento é que nós dois teríamos que passar por tudo isso juntos, como o casal que nós somos.

~✿~

Assim que meus pais entram no quarto fiquei encarando seus rostos, meu pai tinha uma expressão preocupada em seu rosto e dona Esme tinha o rosto banhado por lágrimas.

–Quem são vocês? –perguntei, tentando fazer graça para amenizar a tensão de toda aquela situação.

–Ai meu Deus, Carlisle! –mamãe se jogou nos braços do meu pai chorando descontrolada e audivelmente, com direito a soluços e tudo.

–Calma mãe, foi só uma brincadeira! –disse antes que ela desmaiasse de desespero.

Dona Esme então tirou o rosto do peito de meu pai e me encarou com um olhar que se seria capaz de matar.

–Seu insensível! –partiu para cima de mim me enchendo de tapas.

–Ai mãe meu braço. –eu tentava me proteger com o braço bom, mas o movimento doía demais, afinal eu tinha fraturado algumas costelas também.

–Meu amor, o Edward está machucado. –meu pai veio a meu socorro e tirou minha mãe de cima de mim.

–Eu me esqueci. –dona Esme disse com o rosto corado de vergonha. –Mas nunca mais faça esse tipo de brincadeira seu ogro!

–Tudo bem. –respondi timidamente. –O que aquele homem faz aqui? –perguntei depois de um tempo de silencio.

–Nós não sabemos querido, mas achamos que ele está tentando se aproximar de você. –minha mãe disse ao se sentar na cadeira ao lado de minha cama.

–Bom já adianto que ele não vai conseguir. –dei de ombros só pra perceber que aquele era um movimento que não deveria ter sido feito, pois uma dor latejante se seguiu, mas disfarcei a dor para não preocupar meus pais.

–Edward, eu não estou gostando dessa situação tanto quanto você, mas Anthony está aqui por algum motivo, seria bom se pelo menos você lhe desse a chance de se explicar. –meu pai disse tentando ser racional.

–Ele procurou a Bella e ela me escondeu isso, eu o vi saindo de seu consultório antes do acidente, há quanto tempo ela vem me escondendo isso? –perguntei sentindo toda a frustração por aquela situação vir à tona.

–Isso eu não sei lhe responder meu querido. –disse a minha mãe. –Mas sua namorada deve ter tido um motivo muito bom, se ele a procurou para ser sua psicóloga, ela certamente não poderia lhe dizer nada se ele lhe pedisse sigilo, você sabe o quão profissional ela é.

–Tão profissional que dormiu com alguém que era seu paciente. –disse rancoroso.

–Nunca mais diga isso Edward e nem pense nisso se quiser manter o seu relacionamento, você sabe tão bem quanto eu que se você não tivesse forçado a situação que você e Bella não teriam nenhum tipo de relacionamento que não fosse profissional. –Carlisle me encarava com repreensão, seu olhar era severo.

–Me desculpe é que eu...

–Entendo o porquê de você estar se sentindo assim, mas isso não é motivo para magoar as pessoas que você ama e que te amam.

–Vamos esquecer esse assunto por hora. –mamãe disse com uma voz suplicante. –Como você está querido? –acariciou com delicadeza meu braço que não estava engessado.

–Sentindo dores, mas deve ser normal afinal sofri um puta de um acidente não é? –respirei fundo antes de dizer o que tinha em mente. –Foi ela quem me salvou. –eu disse.

–Como? –meus pais perguntaram confusos.

–A mamãe, eu a vi no momento do acidente, ela estava comigo. –eu disse um pouco envergonhado por me sentir assim tão vulnerável.

–É claro que ela estava lá meu querido, todos nós sabemos que ela nunca te abandonou. –dona Esme disse com um sorriso amável. –Lembra quando você caiu do telhado de casa e saiu de lá andando como se nada tivesse acontecido?

–É claro que eu lembro, você poderia ter parido uma criança naquele momento. –ri me lembrando daquele episódio.

–Elizabeth nunca te abandonou, ela sempre cuidou e esteve com você, comigo e com o seu pai, e nunca vai nos abandonar, pode ter certeza que da mesma forma que ela te protegeu quando caiu do telhado ela te protegeu naquele maldito acidente.

–Eu sei. –um silêncio acolhedor se seguiu.

–Bom você deve estar querendo ver a sua namorada agora não é? –minha mãe se levantou da cadeira.

–Na verdade será que vocês poderiam pedir para o Emmett vir antes dela, quero ter mais tempo para pensar antes de falar com a Bella. –pedi me sentindo envergonhado pela minha covardia.

–Certo, mas não demore muito para ela não ficar magoada. –disse minha mãe.

Fiquei observando meus pais saírem e logo em seguida Emmett entrou em meu quarto.

–E ai cara. –deu um tapa em meu ombro bom, e aquilo doeu pra porra.

–Filho da puta. –resmunguei.

–Vejo que você já esta bom de novo. –riu enquanto se sentava na cadeira ao meu lado. –Cara você deu um puta susto em todos nós.

–Imagina o susto que eu não tomei então.

–Pois é, nem consigo imaginar como deve ter sido. –Emmett resmungou e ficou encarando a parede e estralando os dedos nervosamente.

–Fala logo cara.

–Anthony esta aí fora. –ele disse.

–Eu sei.

–E ele e a Bella se conhecem.

–Sei disso também. –murmurei.

–Sabe? –me encarou confuso.

–Eu o vi sair de seu consultório antes do acidente. –expliquei.

–Entendo. –resmungou. –Então eu acho que é melhor eu sair, você e a Bella precisam conversar.

–Eu sei disso, mas eu estou com medo dessa conversa e estou me sentindo um bosta por isso.

–Posso imaginar, mas cara, só se lembre de uma coisa, qualquer que tenha sido o motivo para Bella não lhe dizer que conhecia aquele homem ela não fez por mal e se você a magoar, quando seu braço sarar eu volto a quebrá-lo. –e então riu.

–Valeu pela amizade cara, estou profundamente tocado por isso. –bati no peito dramatizando.

–Amigos são para isso. –antes de sair ele parou em frente à porta com a mão na maçaneta e disse: — Ah antes de qualquer coisa, o filho da puta que você estava perseguindo foi preso pela policia rodoviária tentando sair do estado. –e então saiu sem dizer mais nada.

Bom pelos menos aquela confusão toda tinha nos levado a algum lugar e mais para frente poderíamos dar continuidade a investigação, enquanto eu pensava nisso Bella entrou silenciosamente no quarto e parou a minha frente.

–Oi. –disse timidamente.

–Isabella vou te fazer uma pergunta e quero uma resposta sincera. –falei. –Você realmente acha que eu não sei quem Anthony Masen é?

–Não. –respondeu simplesmente.

–Então...

–Então que ele me procurou em meu consultório para eu ser sua psicóloga, eu não podia simplesmente quebrar o código de ética, mesmo querendo todos os dias dar um fim naquilo e contar tudo a você, mesmo em cada consulta tentando convencê-lo a te procurar e esclarecer as coisas com você. –disse num tom meio irritado. –Então não tente descontar nada para cima de mim okay, eu já estou nervosa o suficiente com todo esse drama e desde que eu soube do seu acidente eu não dormi um só minuto e só parei pra comer uma vez.

–Porque você está tão brava? –perguntei. –Quem deveria estar bravo aqui sou eu, você que me escondeu uma coisa importante não o contrario.

–Mas eu não tive a intenção de te magoar, ao contrario de você. –me encarou com os olhos cheio de lágrimas e um olhar acusador.

–Eu te magoei? Quando? –perguntei confuso.

–Primeiro por quase morrer por ter sido imprudente. –apontou o dedo em minha direção. –E segundo por eu não ter sido a primeira pessoa que quisesse ver quando acordasse.

–Eu não tive a intenção de te magoar em nenhuma das duas vezes. –disse.

–Então qual era a sua intenção?

–Só queria pensar com clareza antes de conversar com você, digerir tudo o que aconteceu e pensar com calma nas coisas que te falaria para exatamente não te magoar. –esclareci.

–Certo. –cruzou os braços em frente aos seus peitos fazendo com ele eles subissem e os encarei fixamente sentindo saudades de tocá-los.

Parei então para prestar a atenção em minha namorada. Bella tinha profundas olheiras sob os olhos e eles estavam um pouco vermelhos e inchados, deixando evidente que ela havia chorado recentemente. Seu cabelo estava preso em um coque e ela ainda estava com a roupa que havia saído de casa há dois dias para ir trabalhar.

–Sua porquinha nem banho foi tomar? –falei querendo amenizar o clima tenso que havia entre nós.

–Imbecil.

–Quando mais você me xinga mais eu gamo você sabe né? –sorri ao ver suas bochechas corarem.

–Para Edward. –disse sem graça.

–Vem cá Neném. –estendi o braço bom em sua direção e fui mais para o canto da cama.

–Não, você está machucado.

–Vou ficar mais machucado ainda se você continuar longe de mim. –com isso eu a ganhei.

Bella veio timidamente em minha direção e se deitou ao meu lado se aninhando com cuidado em meu peito, evitando tocar nas partes machucadas.

–Eu fiquei louca de preocupação com você. –disse baixinho. –Eu não ia suportar perder você, eu ia ir logo depois.

–Não fala isso. –abaixei a cabeça para encará-la. –Nunca mais repita isso.

–Você não pode nem imaginar o que eu senti, só de pensar em perder você eu...

–E nem quero imaginar por que eu nunca vou te perder. –a apertei com força usando o braço bom. –Pode ir se acostumando com a minha presença mocinha, vaso ruim não quebra e não vou quebrar tão fácil assim pra deixar você livre na pista.

–Não existe uma pista se você não estiver nela seu idiota!

–Acho bom. –falei e Bella deu uma risadinha estranha.

–Tenho uma coisa pra te contar. –disse depois de um tempo em silencio.

–O que?

–Bernie ganhou os filhotes no mesmo dia do seu acidente.

–O QUÊ? –eu meio que gritei meio que sufoquei e o bipe que acompanhava meus batimentos cardíacos se aceleraram.

–Fique calmo Edward, o Jake esta sendo incrível cuidando da Ber e dos filhotes.

–Não acredito nisso, meus bebês nasceram e eu não pude presenciar isso. –murmurei chateado.

–Não se preocupe, acho que o Bear não vai se importar em fazer mais uma ninhada, ai você vai poder ver eles nascendo.

–Não repita isso que dá azar. –disse horrorizado. –O próximo bebê que vai vir pra essa família você pode ter certeza que não será da Bernie.

–Então de quem? –me encarou curiosa.

–Segredo. –disse antes de fazer o que mais queria naquele momento, beijá-la.

Sentir a suavidade de seus lábios nos meus era como estar no paraíso e eu não havia me dado conta do quanto eu sentia falta daquilo até estar com ela em meus braços com seus lábios colados aos meus novamente. Eu tinha a sensação de que havia andado no deserto por semanas sem tomar um gole sequer de água e que agora eu nadava em um rio de água fresca e transparente.

–Agora dorme Neném, você está precisando. –disse ao me afastar dela depois de um tempo.

–Acho que posso tirar um cochilo. –disse com um pequeno sorriso nos lábios antes de fechar os olhos e adormecer em meus braços. –Eu te amo.

–Também amo você. –murmurei com o rosto enfiado em seus cabelos.

Fiquei observando Bella dormiu por pouco tempo, antes que eu mesmo caísse no sono.

~✿~

Quando acordei ouvi alguns sussurros, e Bella já não estava mais ao meu lado, abri os olhos a sua procura e vi que ela conversava com o Dr. Robert.

Aquela seria uma cena perfeitamente normal não fosse pelo jeito que ele olhava para ela. Não gostei.

–Neném. –a chamei para que o Dr. Robert soubesse a quem Bella pertencia.

–Amor como você está? –gostei de ela me chamar daquela forma carinhosa na frente dele, aquilo mais do que confirmaria o óbvio: ela é minha!

–Estou bem, aconteceu alguma coisa? –olhei dela para o Dr. Robert.

–Dr. Robert estava me dizendo que daqui a dois dias você poderá ir para casa, só precisava ficar mais algum tempo em observação. –Bella disse sorridente, não que eu já não soubesse que ela era linda, então quando ela sorriu deu para entender o olhar abobalhado que o médico lançou na direção da minha namorada.

–Graças a Deus, acordei faz pouco tempo, mas já quero ir embora pra casa. –disse.

–Vou dar a noticia aos seus pais e já venho tá. –ela deu um selinho em mim e então correu para fora animada.

–Minha noiva é incrível não é? –olhei vitorioso na direção do Dr. Robert que pigarreou tentando disfarçar que eu havia percebido seus olhares em direção a Bella.

–Pensei que era sua namorada. –disse enquanto regularizava a dosagem do soro que enviava analgésicos para dor diretamente em minha veia.

–Noiva. –enfatizei a palavra.

Bella não se importaria se soubesse dessa pequena troca de palavras se importaria? De qualquer forma em pouco tempo era isso mesmo que ela seria: minha noiva.

–Certo, o que acha de trocar as ataduras agora Edward? –Dr. Robert disse.

–Eu acho que é uma boa ideia. –concordei.

Enquanto a enfermeira Kristen auxiliava o Dr. Robert na troca das ataduras minha mãe e Bella entraram no quarto conversando animadamente e planejando a minha volta para casa.

–Então faz assim Esme, você e o Carlisle ficam no apartamento de Edward e ele pode ir para o meu para que eu cuide dele. –Bella disse.

–Hmm Neném você quer ser a minha enfermeira pessoal? –claro que eu não perderia mais uma vez a oportunidade de mostrar para aquele médico safado de que Isabella Swan era minha.

–Edward! –ela disse corando em um tom de vermelho que me fez lembrar de várias ocasiões em que ela havia ficado daquela cor e não era por vergonha não, mas de tesão mesmo. Não pude evitar o sorriso que se espalhou em meus lábios ao perceber que Bella sabia exatamente o que se passava em minha mente.

–Bella querida porque você não aproveita e vai para casa descansar um pouco. –minha mãe propôs. –Tome o tempo que você precisar para descansar e depois você volta para cá e vou para casa de Edward com o Carlisle.

–Não sei Esme, você deve estar cansada também.

–Vai Neném a mamãe fica aqui comigo e você pode ir ver a Bernie e os filhotes, quero saber se está tudo bem, aproveita e tira uma foto dos filhotes quero ver como eles são.

–Tudo bem. –Bella fez biquinho. –Eu vou tomar um banho ver a Bernie e voltar direto pra cá.

–Faça como achar melhor meu anjo, agora vem aqui me dar um beijo. –a chamei e ela veio timidamente.

Bella me deu um beijo rápido, mas continuou abraçada a mim.

–Você devia dar uma chance para que ele possa se explicar. –sussurrou antes de se afastar.

–Vou ver o que posso fazer. –dei de ombros sentindo o latejar da dor.

–Não se mecha muito Edward. –a enfermeira Kristen empurrou cuidadosamente meu ombro de volta para o colchão e vi que Bella lançou um olhar medonho onde as mãos da enfermeira trocaram.

–Prometo que volto o mais rápido possível. –Bella disse, mas não era para mim que ela olhava e sim para a enfermeira.

Bom saber que não sou o único com ciúmes aqui, minha vontade era de rir, mas me controlei. Será que Bella não sabia que eu só tinha olhos para ela?

Depois que Bella saiu, Dr. Robert e a enfermeira Kristen também se foram... Que se comam logo em uma salinha escura e apertada, porque se eu pegar esse homem olhando para minha mulher mais uma vez juro que não respondo por mim, e pelo olhar que Bella deu em direção à enfermeira tenho certeza de que ela também estava a ponto de perder a paciência.

Minha mãe havia ficado no quarto comigo me enchendo de carinho e falando comigo como se eu fosse um bebê e eu ria das coisas que ela falava, papai e Emmett haviam saído para almoçar e eu sabia que havia uma única pessoa lá fora esperando pela conversa que teria que acontecer uma hora ou outra, e quanto antes eu acabasse com isso melhor.

–Mãe será que eu posso conversar com ele agora? –falei depois de um tempo em silencio.

–Tem certeza querido porque eu posso chutá-lo a ponta pés daqui, é só você pedir. –mamãe me encarava com seriedade.

–Não duvido disso. –ri. –Mas eu preciso ter essa conversa.

–Certo. –ela assentiu e se se levantou indo em direção à porta.

–Mãe. –a chamei quando ela estava prestes a sair. –Seja o que quer que ele me diga quero que saiba de uma coisa, você e o papai, nunca vão deixar de ser os meus pais.

–Eu sei disso meu amor. –e dizendo isso ela saiu rapidamente do quarto.

É eu acho que dona Esme estava indo chorar em algum canto do hospital.

Dizer que estava ansioso para conhecer o homem que havia ajudado a minha mãe a me por no mundo era pouco. Eu não sabia o que esperar dessa conversa ou que tipo de coisas ele me falaria. Será que ele ia inventar desculpas para tentar amenizar o seu lado, inventar teorias malucas. Será que ele era o homem arrogante e egoísta que eu sempre pintei em minha mente?

Acima de tudo eu estava ansioso por saber o porquê de ele ter me abandonado daquela maneira. Quer dizer, Carlisle havia sido mais do que um pai para mim, mas mesmo assim, aquele homem supostamente deveria ter me amado, cuidado de mim, me dado conselhos e ter sido aquele que iria insistir para que eu fizesse uma faculdade, apesar de que eu não o teria obedecido, mas aquele era o papel dele, ou talvez, se Anthony Masen tivesse sido uma presença em minha vida as coisas tivessem sido diferentes.

Primeiro eu seria Edward Masen, não Cullen e provavelmente não teria vindo para LA para entrar na academia da CIA, não teria conhecido Emmett e não seria presenteado com a chance de ser padrinho de sua filha, Bernie não seria minha amiga e ninguém teria cuidado dela e lhe dado amor como eu dei, e eu também não teria conhecido Isabella, minha linda e sexy psicóloga e não teria essa mulher incrível ao meu lado.

É pensando bem Anthony não fez a mínima falta em minha vida, mas ainda sim eu estava curioso por conhecer e entender os seus motivos. Não que aquilo fosse realmente mudar alguma coisa há essa altura do campeonato. Ele havia chegado bem atrasado em minha vida, e é bem provável que ele não tenha espaço algum dentro dela.

–Olá. –uma voz forte disse.

Encarei o dono daquela voz parado com a porta fechada atrás de si, me encarando de volta com o olhar cheio de duvidas. Uma coisa não havia como negar, eu era realmente filho daquele homem, ele era como uma versão mais velha, grisalha e abatida de mim.

–Oi. –respondi. –Então... Você é Anthony Masen.

–E você Edward Cullen. –ele disse ainda parado perto da porta.

–Acho que você tem algumas explicações, e que eu mereço algumas respostas.

–É só perguntar.

–Certo, porque você não senta meu pescoço dói se eu ficar olhando muito pra cima. –ele deu um sorrisinho de lado e foi em direção à cadeira ao lado da minha cama e se sentou. –A Primeira coisa que eu quero saber é: porque você foi procurar a minha namorada? –ele riu. –O que foi?

–De tantas primeiras perguntas que você poderia fazer porque escolheu logo essa?

–É a que mais me atormenta no momento. –dei de ombros e senti o latejar de dor, mas ignorei.

–Bom... –ele disse com uma expressão pensativa. –Não tem como eu te responder a essa pergunta sem contar a história toda. –e voltou a me olhar, seus olhos azuis, ao contrario dos meus que eram verdes, iguais aos de minha mãe, pelo menos isso eu não tinha em comum com ele na aparência.

–Eu tenho bastante tempo de sobra se ainda não percebeu. –apontei para o quarto branco e impessoal.

–Ok.

Anthony ficou um tempo em silencio encarando a parede ao meu lado, depois respirou fundo e começou a falar.

–Depois de passar dois anos servindo o exercito eu finalmente voltei para casa, não que eu pudesse chamar aquela casa velha de lar, mas era um lugar para ir de qualquer forma. Meu pai sempre foi horrível, ele bebia, era violento e era o culpado pela morte de minha mãe, que morreu em um acidente de carro porque ele dirigia bêbado. Royce Masen era o nome do meu pai. Então quando eu voltei para Nova Orleans depois de servir ao exercito, me deparei com a sua mãe brigando feio com o meu pai, segurando uma bicicleta para jogar em cima dele porque ele estava agredindo um filhote de cachorro, eu a impedi de agredi-lo, só que não por preocupação com ele e sim por ela, assim que eu a vi notei que Elizabeth era diferente, seu cabelo ruivo parecia uma chama viva emoldurando seu rosto angelical, ela tinha a aparência de um anjo, mas uma boca incrivelmente suja. –ele riu da lembrança e me permiti imaginar minha mãe gritando palavrões.

“-Acho que foi ali que me apaixonei por ela, mas então ela me odiou só porque eu era filho de Royce, eu podia entender aquilo, às vezes eu mesmo me odiava pelo mesmo motivo. Então Elizabeth pegou a cachorrinha e foi embora. Depois daquele dia eu não havia conseguido tirá-la de minha cabeça e fui atrás de descobrir quem ela era. Não preciso entrar com muitos detalhes, mas sua mãe me odiava e eu fiz uma missão de vida fazer com que ela me amasse. E eu consegui, levei quase um ano para isso, mas consegui, eu já havia pedido minha Lizzie em casamento e tinha começado a trabalhar para poder comprar uma casa para morarmos quando ela descobriu que estava gravida, e nunca duvide disso, eu fiquei absurdamente feliz por saber que nosso amor rendeu frutos, mas mesmo feliz eu estava assustado como qualquer cara com 22 anos ficaria, mas eu não ia fugir da responsabilidade.

“Estávamos de casamento marcado e felizes juntos, nos víamos muito pouco porque eu estava em dois trabalhos para juntar mais dinheiro para poder sustentar minha família. Então de repente tudo mudou, oito meses e Lizzie estava quase para te ganhar, quando ela passou mal eu estava em um dos meus trabalhos no momento que recebi a noticia de que a minha noiva e mão do meu filho estava no hospital. Quando eu cheguei era quase tarde demais, o médico havia dito que Elizabeth havia pedido para ser feito o possível para que você nascesse, para não pensarem nela desde que você nascesse. E foi o que aconteceu, aquela mulher forte que eu conheci pronta para jogar uma bicicleta em um homem duas vezes o seu tamanho havia morrido para salvar o nosso filho, mesmo que os médicos tenham tentado todos os procedimentos para salvar a vida dos dois, a escolha da mãe era mais importante, e ela escolheu salvar você.

“E eu me odiei por não poder estar ao lado dela e dizer o quanto a amava, e ajudá-la a lutar e se manter forte. Eu não te odiei como você pensa, eu peguei você no colo, mesmo arrasado como estava e então você abriu os olhos, mesmo sendo improvável uma criança recém-nascida fazer isso e eu não aguentei, eram os olhos dela. Como eu poderia conviver com isso, te olhar todos os dias e ver ela me olhando de volta?

“Então eu fui covarde. Logo depois do enterro de Lizzie eu sumi, e você conhece a parte da história em que seus avós te criaram e educaram para ser o homem que é hoje, e eu me orgulho de quem você se tornou, talvez eu não conseguisse fazer um trabalho tão bom assim com você.

“Todos os dias desses longos 27 anos eu pensei em Elizabeth e em você. Não teve um só dia sem que eu não pensasse em vocês dois. Não foi só de você que eu me afastei, de minha família também, minhas irmãs e irmãos.”

–Espere. – o interrompi. –Eu tenho tios?

–Sim, e primos também, alguns deles já tem até filhos. –ele sorriu. –E eles estão todos ansiosos para te conhecer se você quiser.

–Certo, mas você não disse que se afastou deles?

–Sim, me afastei de minha família e me tornei um bosta, bebia todos os dias, e perdi a conta de quantas vezes quase morri por overdose e entrei em coma alcoólico. Foram longos anos vivendo feito um pária. Então depois de quase ter morrido mais uma vez eu sonhei com a sua mãe pela primeira vez, isso foi há cinco anos. –ele sorriu se perdendo na lembrança.

–Como foi esse sonho?

–Ela brigava comigo e me batia, dizendo que era para eu deixar de ser covarde e ir atrás de você. Então aquela foi meio que a epifania da minha vida. Sai do hospital e fui procurar por meus irmãos, que estavam dispostos e me ajudar. Meu irmão mais velho, Caius, havia começado uma empresa de comercialização de tecidos e me deu um emprego lá, na área de produção, porque nas palavras dele nada se ganha sem suor, e eu suei pra caramba, trabalhei mais ainda e todo o dinheiro que eu ganhava mandava para você, antes disso eram meus irmãos que mandavam os cheques para seus avós e eu fiz questão de pagar centavo por centavo a eles. Depois de muito tempo trabalhando feito um condenado meu irmão propôs que se eu voltasse a estudar que teria um cargo garantido na administração da empresa para mim e eu estava animado por isso.

“Voltei a estudar, e estava me dedicando para ser alguém digno e estava disposto a ir me aproximando de você aos poucos. Contratei um detetive para descobrir tudo sobre você. No dia que eu resolvi simplesmente aparecer na porta de sua casa para me apresentar passei muito mal e fui parar no hospital. Depois de muitos exames para descobrir o que eu tinha fui diagnosticado com leucemia.”

–Desculpe, como? –o interrompi em sua narração mais uma vez.

–Isso mesmo, leucemia já em estado avançado, isso foi há alguns meses atrás. Eu resolvi procurar sua namorada porque naquele momento eu estava mais inseguro do que nunca, imagine você a cara de surpresa que Isabella fez quando terminei de contar essa mesma história para ela. –ele riu. –Eu não havia lhe dado nomes, mas ela é muito inteligente e logo descobriu quem eu era e sobre quem aquela história se tratava, e ela brigou comigo, depois de sua mãe nunca ouvi uma mulher falar tantos palavrões.

–Bella é incrível. –sorri orgulhoso pela minha mulher.

–Ela é e então em todas as sessões ela tentava me obrigar a contar tudo para você, as sessões todas se baseavam nisso, ela brigando comigo para falar com você e ela estava prestes a te revelar tudo quando decidi te procurar, mas então aconteceu o acidente, sempre que eu estou pronto para te enfrentar algo acontece, mas enfim agora estamos aqui. –deu de ombros.

–Você está tratando da sua doença?

–Sim, mas os medicamentos não estão surtindo muito efeito, semana que vem vão começar com medicações e uma quimioterapia nova e mais agressiva. Acredito que em pouco tempo vou me encontrar com a sua mãe.

–Pare de ser covarde! –eu disse bravo, sentindo em meu peito meu coração disparado de raiva, Anthony me encarou assustado. –Você não pode simplesmente aceitar que vai morrer, não vai lutar?

–Isso é o que tenho feito desde que sua mãe se foi, lutado para sobreviver. –e então algo em seus olhos me fez acreditar em suas palavras, mas não aceitá-las.

–Então você simplesmente resolve aparecer do nada em minha vida, fazer com que te entenda só para simplesmente se deixar morrer? –cuspi as palavras em sua direção. –Não era melhor deixar tudo como estava, eu sabia da sua existência e você da minha, ponto, não precisávamos ter tido contato algum um com o outro, você não precisava ter vindo aqui, me contar tudo isso só para me dizer que está desistindo.

–Edward...

–No dia do meu acidente sabe quem me salvou? Minha mãe, ela esteve comigo e me pediu para não desistir, assim como ela não desistiu de viver, e eu sei muito bem que é isso que você pensa, ela simplesmente fez uma escolha entre a vida dela e de alguém que ela amava. Ela era uma lutadora, como alguém tão forte como a minha mãe pode ter se apaixonado por alguém fraco como você?

–Eu também não sei. –balançou a cabeça tristemente. –Mas imagine você, se a sua Isabella partisse e você não pudesse ter se despedido ou ter estado ao lado dela, o que você faria, como se sentiria?

Aquelas palavras me calaram. O que eu faria sem a Bella, como seria minha vida sem ela. Eu não podia nem imaginar algo assim.

–Eu consigo te entender. –disse por fim. –Mas se ela tivesse me deixado um filho, fruto do nosso amor, eu iria lutar até o fim e não desistir, e daria amor a essa criança.

–Ao contrario de você, eu não sou filho de Elizabeth e nem fui criado por Esme e Carlisle, aprendi a ser corajoso em meio a uma guerra de armas e a ter força bruta para lutar contra um oponente, mas não aprendi a ser um lutador e ter força mental e emocional para lutar contra meus próprios sentimentos.

–Esme e Carlisle são as melhores pessoas do mundo. –eu disse.

–Eles são, criaram as duas pessoas que mais amei na vida.

–Certo. –olhei para direção contrária a ele, não conseguindo encará-lo naquele momento.

Tudo aquilo que ele havia me dito hoje era demais para assimilar.

–Eu preciso de tempo, preciso pensar nisso tudo, e preciso saber que você não está desistindo. –falei encarando-o nos olhos, sabendo que tudo o que eu sentia naquele momento estava mais do que exposto, me sentindo como o garotinho de doze anos que chorava escondido por achar que o pai biológico o odiava por ter matado a sua mãe. –Não estou te dizendo que de uma hora pra outra seremos uma família feliz e unida, pra isso é preciso tempo e eu preciso saber que você está disposto a lutar por um lugar em minha vida, e também quero que saiba que você nunca vai ocupar o lugar de Carlisle em minha vida, no momento tudo o que eu posso te oferecer é a minha sincera amizade, mas não estou pronto pra confiar inteiramente em você.

–Então eu acho que vou ter que continuar a lutar pela sua confiança até o fim. –disse simplesmente.

–É só isso que estou te pedindo: lute.

E então me surpreendendo completamente ele se levantou vindo em minha direção e me abraçou com força. Eu não sabia muito bem como explicar o que senti naquele momento, só sei que eu o abracei de volta sentindo uma mistura de emoções diferentes e apesar da dor física que aquele abraço apertado estava me causando, da maneira que eu podia devido a um braço quebrado e as costelas que doíam pra porra, eu o apertei com mais força ainda em meus braços, sentindo meus olhos queimarem pelas lágrimas me sentindo vulnerável de uma maneira que nunca me senti antes.

Notas finais
É sério... Nunca uma fic durou tanto tempo em minha mão ashausahsu E nunca me orgulhei tanto de um capitulo, apesar de esse não ser o capitulo completo, porque tinha ficado gigantessssco sério... Então para não cansar vocês dividi o capitulo, até porque eu não consegui terminar kkkkk Surgiram mais coisas em minha mente para escrever pro capitulo e se continuasse assim nunca ia ter fim! kkkkkk Mas então o que acharam desse capitulo? Eu achei linda essa cena do Edward com o pai dele! Quem achou que o Edward ia perder a memoria e que ele e a Bella iam ficar brigados e que o Edward ia ser um ignorante com seu pai biológico se enganou feio hahahaha Minha fic não é previsível e muitas surpresas surpreendentes estão por vir aguardem! No próximo capitulo teremos os filhotes :3 E cenas hot hmmmm Então é isso! Vocês que nunca comentaram antes comenta pelo menos para me desejar parabéns pelo 1 ano de fic... Imaginem que a caixa de comentários é o Robert Pattinson, Bruno Mars ou o Caio Castro... usem, abusem e se lambuzem nela kkkkkkk Reforço que quem recomendar entra pro grupo e eu soltei um monte de spoilers essa semana por lá para matar ou aumentar a ansiedade das leitoras kkkkk Bjus Leh! xoxo OBS: PARABÉNS PARA MIM por escrever uma história foda como esta por um ano;D #SemHumildade OBS2: PARABÉNS para você que me acompanhou desde o primeiro capitulo e não me abandonou por ter ficado um tempo de tumulto pessoal sem postar OBS: PARABÉNS PARA VOCÊS QUE LEEM ESSA FIC INCRÍVEL #MaisUmaVezSemHumildade ;D