A Prova De Um Amor Verdadeiro
6 O Passeio e um Incidente
Notas iniciais
6- O Passeio e um Incidente
Estávamos todos tomando café da manhã quando Dylan e seu pai entraram.
– Vai ou não vai? – Rebeca sussurrou em meu ouvido.
– Depois. – Respondi.
– O que vocês duas estão cochichando aí? – Perguntou mamãe, que estava sentada na nossa frente.
– Nada. – Disse Rebeca.
– Estamos apenas falando sobre o livro que a Beca leu. – Respondi.
– Hoje ninguém vai sair pra longe, a previsão do tempo é pra temporal. – Contou papai.
– Que pena. – Falei.
– Por quê? – Perguntou Lian, levantando uma sobrancelha.
– Nada. – Respondi.
– E agora? O que vai fazer? – Sussurrou Beca.
– Vou tentar.
Depois de comer, me dirigi para a biblioteca, depois de alguns minutos, Dylan apareceu.
– Oi. – Disse ele.
– Oi. – Respondi.
– Será que chove mesmo? – Perguntou ele.
– Talvez, eu estava pensando em dar um passeio, mas agora não sei se vai dar. – Muito sutil Dóris, me bati mentalmente.
– Onde você pensou em ir? – Os olhos de Dylan brilhavam em curiosidade.
– Até a praia, é um lugar muito bonito. – Eu disse com ar sonhador.
– E vai sozinha? – Perguntou ele.
– Sim, se ninguém quiser me acompanhar. – Respondi e percebi ele endireitar sua postura.
– Eu poderia... – Disse ele e eu sorri, era exatamente o que eu queria.
– Se você quiser, pode me acompanhar. – Eu disse, como se só naquele momento eu tive a ideia dele ir junto.
– Se você me convidar. – Brincou ele.
– Está convidado. – Falei e ele sorriu.
– Quando vamos?
– Logo depois do almoço. – Sugeri.
– Pode ser, onde nos encontramos? – Perguntou.
– Nos estábulos. – Falei e ele assentiu.
– Tudo bem. – Disse ele e logo saiu. Eu esperei alguns segundos pra ter certeza de que ele não iria voltar, e então permiti minha alegria para sair.
Ao subir pro meu quarto, lembrei que tinha que fazer algo antes, fui até o quarto de Lian e bati na porta, ele não abriu, mas resolvi entrar mesmo assim, ele sempre fazia isso comigo e uma vez não ia fazer mal.
– Depois sou eu a bela adormecida! – Exclamei e ele me olhou irritado. Sim, senhoras e senhores, Lian estava dormindo.
– Por que não bateu? – Reclamou ele.
– Eu bati, você não ouviu. – Falei deitando ao lado dele.
– O que você quer?
– Estou com um pequeno problema pra resolver. – Respondi.
– E o que é? – Perguntou ele irritado. Lian não é uma pessoa da manhã.
– Pensei, já que você é o meu irmão querido e amado, não poderia me emprestar seu cavalo? – Perguntei olhando pra ele com o meu rosto mais angelical.
– Não. – Disse ele.
– Ah Lian, por favor! – Falei me lamentando.
– Não. – Disse ele novamente.
– Deixa de ser malvado e atende o pedido de sua irmã. – Falei implorando.
– Pra que? Você não tem o seu? – Perguntou ele com uma sobrancelha levantada.
– Mas não é pra mim. – Respondi e ele me olhou desconfiado.
– É pra quem então?
– Eu e o... – Foi tudo o que eu disse antes que ele me interrompeu.
– Não precisa falar que eu já sei. – Disse ele e eu o olhei em expectativa.
– Então, vai emprestar ou não?
– Deixa o pai saber disso. – Disse ele e eu perdi a paciência.
– Ele não vai saber se você não contar. – Falei, então sorri maldosamente. – Se você não emprestar eu como todas as suas tortas!
– Sem essa! – Exclamou ele. – Eu empresto!
– Obrigada! – Exclamei abraçando ele, antes de correr pro meu quarto.
Estava me arrumando, ou melhor, terminando de me arrumar quando escutei uma batida na porta.
– Quem é? – Perguntei.
– É a Rebeca, posso entrar?
– Claro. – Eu disse, me olhando no espelho.
– Conseguiu convidar ele? – Perguntou ela, sentando em minha cama.
– Sim, como estou? – Perguntei girando na frente dela.
– Linda, por que vai levar bolsa? – Perguntou ela olhando para minha bolsa transversal preta.
– É meu kit de primeiros socorros.
– Ah, bom.
– Eu já vou indo. – Disse saindo do quarto.
– Bom passeio. – Ouvi Beca dizer.
Não encontrei ninguém no caminho. Quando cheguei ao estábulo ele ainda não estava lá. Sentei-me para esperar, até que o vi chegar.
– Demorei? – Perguntou ele.
– Não, cheguei agora. – Respondi indo em direção aos cavalos.
– Esse é seu cavalo? – Perguntou Dylan.
– Sim, o Lian emprestou o dele pra você. – Respondi e apontei na direção de um cavalo branco com pintas pretas. O meu era de um marrom acobreado.
– Obrigado.
Estávamos em silêncio até chegarmos perto do bosque, quando alguém resolveu falar.
– Mas você ainda não me disse o que gosta de fazer. – Disse ele.
– Sempre venho até a praia. – Respondi.
– O que há ali de tão interessante? – Perguntou Dylan genuinamente curioso.
– É um lugar calmo, só se ouve o som das ondas, isso me faz bem.
– Onde eu moro não tem praia por perto. – Disse ele quase melancólico.
– Mas o que tem de interessante onde você mora? – Agora eu estava curiosa.
– Museus, os bosques, a arquitetura da cidade, são alguns. – Listou ele.
– Mas vamos deixar isso pra lá, me conte sobre você e sua família. – Falei e ele ficou alguns segundos calado.
– Eu, ao contrário de você, não tenho irmãos. – Começou ele.
– E sua mãe? – Perguntei curiosa.
– Eu não tenho mãe, ela morreu no parto. – Disse ele e eu me arrependi de fazer a pergunta ao vez sua expressão de dor.
– Sinto muito por sua mãe, eu não devia ter perguntado. – Falei, mas ele balançou a cabeça.
– Não, está tudo bem. Ás vezes precisamos desabafar com alguém. – Disse ele.
– Quando quiser estou a disposição. – Falei e ele sorriu. Eu senti meu rosto esquentar e resolvi mudar de assunto. – Estamos quase chegando.
Eu já podia ouvir o barulho do mar, quando passamos por algumas árvores com galhos mais baixos, resolvi propor algo pra ele.
– Mais alguns metros e vamos chegar à praia, que tal apostarmos uma corrida? – Perguntei e Dylan sorriu.
– Aposto que eu ganho. – Provocou ele e eu ri.
– Vamos ver. – Eu falei já avançando. – Cuidado com a cabeça.
Eu estava ganhando, quando olhei pra trás e não o vi em qualquer lugar. Desci rapidamente e amarrei o cavalo em uma árvore. Voltei correndo pelo caminha, quando o vi deitado no chão.
– O que aconteceu? – Perguntei me abaixando ao seu lado.
– Acho que meu cavalo se assustou quando bati nele. – Respondeu ele sentando lentamente.
– E então ele te derrubou. – Completei e ele assentiu.
– Se machucou?
– Acho que bati a cabeça. – Disse ele. Eu me aproximei para ver o ferimento. – Ai! – Reclamou ele.
– Você consegue levantar? – Perguntei.
– Acho que sim, não foi grave. – Disse ele. Eu o ajudei a levantar e caminhamos até a praia. Sentamos-nos embaixo de algumas palmeiras. Tirei tudo o que tinha de minha bolsa, peguei um lenço e molhei com água de uma garrafa que trouxe se ficássemos com sede; entreguei o lenço pra Dylan, que me observava.
– Passe no seu rosto, vai aliviar a dor um pouco. – Falei lhe entregando o lenço. Enquanto ele fazia isso eu procurava algo pra secar o ferimento.
– O que está procurando? – Perguntou Dylan, enquanto cautelosamente passava o lenço no rosto.
– Uma pomada cicatrizante. – Respondi distraída. – Quando eu e meus irmãos éramos pequenos e saíamos para cavalgar com o papai, eu sempre levava essa bolsa com medicamentos. Certa vez Lian caiu do cavalo e pensou que iria morrer; então eu limpei seu machucado e coloquei um curativo, ele ficou por muito tempo me chamando de enfermeira. – Contei.
– Vai doer enfermeira? – Brincou Dylan, quando eu fui para aplicar a pomada em sua testa. Eu sorri.
– Não, é só não mexer a cabeça. – Respondi e ele riu. Terminei de passar a pomada e fiz um curativo em sua testa. – Prontinho. – Falei provocando e ele fez beicinho. Guardei minhas coisas na bolsa. Quando me virei, Dylan estava bem perto de mim, eu olhei em seus olhos e vi que ele me pedia permissão, que eu concedi; fechei meus olhos quando senti seus lábios nos meus, era como um sonho se tornando realidade. Era como se uma parte de minha alma me estivesse sendo devolvida. Não sei por quanto tempo ficamos ali, mas quando se afastamos eu me sentia mais feliz do que já estive.
– Temos que voltar. – Disse Dylan e quando eu olhei para o horizonte eu tive que concordar. Estava ficando tarde e se não fossemos logo pegaríamos chuva no nosso caminho.
Voltamos onde eu deixei meu cavalo e vimos que o cavalo de Lian estava ali também. Montamos e enquanto cavalgávamos de volta para o castelo um vento forte começou a soprar. Por causa do vento meus cabelos começaram a se espalhar por meu rosto, eu estava com um pouco de raiva, quando ouvi Dylan rir.
– Tá rindo do que? – Perguntei irritada.
– Ficou descabelada. – Disse ele e então riu ainda mais da minha expressão irritada.
– É melhor nos apressarmos. – Falei mudando de assunto. Cavalgamos o mais rápido que os cavalos poderiam ir. Quando chegamos aos estábulos, não só os guardas estavam lá, mas também Lian e Rebeca.
– Pensamos que não chegariam a tempo. – Disse Rebeca enquanto Dylan me ajudava a descer,
– Aconteceu alguma coisa? – Perguntou Dylan.
– Não, mas vocês chegaram antes do papai. – Disse Lian e então notou o machucado na testa de Dylan. – O que aconteceu com você? O que andavam fazendo?
– Deixa de ser chato Lian! – Exclamei.
– O que aconteceu é que o seu cavalo me derrubou. – Respondeu Dylan.
– O meu cavalo? Ele não faria isso! – Exclamou meu irmão.
– Mas fez. – Disse Dylan.
– E pelo que eu estou vendo a dória brincou de enfermeira. – Provocou Lian. Eu senti minha raiva subir, Rebeca talvez sentindo minha ira resolveu intervir.
– Não comecem! Vamos entrar que já começou a pingar. – Disse Rebeca me puxando.
– O que deu em você? – Perguntei pra ela quando entramos no castelo.
– Nada, mas acho que você já passou tempo suficiente com ele. – Respondeu ela. – Que tal passar algum tempo de qualidade com sua irmã não é?
Depois de tomar banho e me vestir deitei um pouco e acabei pegando no sono. Quando acordei estava escuro, olhei no relógio: eram nove horas. Levantei e fechei as cortinas da janela; a chuva estava forte, mas eu sabia que não iria conseguir dormir. Eu sabia que todos estavam dormindo, então não tinha ninguém para conversar. Resolvi descer até a cozinha pra pegar um copo de água, conforme andava pelos corredores escuros tinha que me esforçar pra não fazer barulho. Finalmente cheguei à cozinha, mas parecia que eu não era a única que estava acordada.
– Está acordada ainda? – Me perguntou Dylan.
– Sim, estou sem sono. – Respondi.
– Eu também.
– Como vai sua cabeça? – Perguntei depois de pegar um copo e encher com água.
– Ainda dói um pouco, mas já passou. – Respondeu ele. Como estava escuro eu não podia ver muito bem seu rosto, mas ouvir sua voz e sentir sua presença já era tudo.
– Você já se apaixonou alguma vez? – Perguntou ele curioso.
– Você é o primeiro. – Respondi corando. – E você?
– Você é a primeira. – Respondeu ele e eu sorri. Ficamos em silêncio, até que ouvimos um barulho.
– Ouviu isso? – Perguntou ele. Eu assenti.
– Parece que tem alguém descendo as escadas. – Falei; aproximei-me pra ver quem era quando reconheci a silhueta. – É o Lian. – Sussurrei.
– O que vamos fazer? – Perguntou Dylan quando tive uma ideia. – Venha. – Falei puxando-o. O que nos restava para nos esconder era a mesa ou um sofá. Escolhi o sofá e nos abaixamos atrás dele. Como estava escuro esperava que Lian não nos achasse ali.
Estava tudo bem até que um trovão soou e eu me assustei e soltei um grito, Dylan foi para tampar minha boca com a mão, o fazendo perder o equilíbrio e cair, me puxando junto com ele. Eu fechei os olhos, mas o estrago já estava feito quando eu ouvi passos vindos em nossa direção.
– O que está acontecendo aqui? – Perguntou Lian, enquanto eu e Dylan lutávamos para levantar.
– Nada de interessante. – Respondi e Lian me encarou.
– Isso não é o que eu vi. – Disse meu irmão.
– Estávamos nos escondendo de você. – Respondeu Dylan. – Mas com o barulho do trovão a Dóris se assustou e eu perdi o equilíbrio e cai, puxando ela junto.
– Hum, mas por que estavam acordados até essa hora?
– Estávamos sem sono. – Respondi.
– Tá, agora entendi, vou tomar a água e vou dormir. – Disse Lian, terminando sua água e saindo. Depois que ele saiu me aproximei de Dylan e o beijei.
– Não acham que está muito tarde pra namorar? – Nos viramos para ver Lian sentado na escada.
– Não tinha ido dormir? – Perguntei exasperada.
– Estou esperando vocês para apagar as luzes. – Respondeu ele e eu sabia que era mentira.
– Boa noite então. – Falei pra Dylan, que sorriu.
– Boa noite. – Respondeu ele.
Eu estava indo em direção à escada quando ele me chamou.
– Eu não te falei, mas me diverti muito hoje com você.
– Eu também. – Falei sorrindo.
– Agora podemos ir dormir? – Perguntou Lian, e eu queria dar um soco na cara dele.
Subi na frente deles, Dylan ficou esperando Lian apagar as luzes. Fiquei feliz que os dois se deram bem. Aquele dia tinha sido ótimo e agora eu estava cansada, amanhã com certeza eu iria dormir até mais tarde, isso se Rebeca ou Lian não fossem me acordar. Talvez eu fosse até a loja da Madame Carter, ver se ela tinha algum novo modelo de vestido.
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