Notas iniciais
Aqui estou eu, e vou ficar... eu espero. *sorri* Então, aqui está mais um capítulo, espero que gostem :)

O jantar era um caso estranho àquela noite. Todos estavam em silêncio, o que era comum quando papai se juntava ás refeições, mas esse era um silêncio estranho. Papai parecia irritado e mamãe parecia apreensiva, os únicos que não tinham ideia do que estava acontecendo eram meus irmãos e eu.

– Eu soube da recepção que o príncipe Antony recebeu durante sua ultima visita. – Disse papai, sua voz era leve, mas seus olhos eram tão duros como aço. Eu engoli em seco e olhei para meus irmãos; Lian estava olhando para a mesa e Rebeca parecia confusa, mas eu sabia melhor. Lian queria esconder o hematoma em seu rosto e Rebeca, por mais que parecesse confusa, seus olhos estavam tão frios como gelo.

– Não tenho certeza do que o senhor está falando. – Falei com a voz mais leve possível.

– Ah, mas eu tenho certeza de que Lian sabe. – Disse papai e eu sabia que estávamos perdidos.

– Na verdade não, eu não sei. – Respondeu Lian, olhando para nosso pai.

– Parem de mentir! – Papai finalmente estalou.

– O senhor poderia pelo menos ouvir nossa versão da história antes de apontar todas as armas para nós? – Rebeca perguntou, nosso pai abriu a boca com raiva, mas mamãe colocou a mão em seu braço.

– Querido, por favor. – Disse ela olhando em seus olhos, os dois se encararam por alguns segundos, mas ele finalmente assentiu.

– Foi Antony quem realmente começou. – Disse Lian. Papai abriu a boca para falar, mas mamãe apertou a mão que ainda estava em seu braço.

– Estávamos assistindo Lian jogar golfe, quando Antony chegou. Ele praticamente exigiu falar comigo, mas quando eu recusei, ele agarrou meu braço e me puxou. Foi quando Lian chegou e me afastou de Antony, que tentou me agarrar novamente. Lian então lhe socou no rosto. – Contei. É claro que omiti algumas coisas, mas eu tinha que defender Lian.

– Não foi assim que me contaram. – Disse papai.

– E quem te contou? – Perguntei. Se ele falasse que foi Antony...

– Príncipe Antony, é claro. – Respondeu ele. Eu fechei meus olhos por um momento, me contendo pra não gritar. Lian, é claro, não aguentou.

– Aquele bastardo! – Rosnou ele. – Da próxima vez eu vou fazer pior do que quebrar apenas o seu nariz.

– Lian Alexander Black! – Exclamou mamãe. Ela parecia surpresa e furiosa. – Olha como você fala!

– Mas é verdade! Ele é um bastardo sem coração! – Gritou Lian. – Eu não vou deixar ele chegar perto da Dóris!

– Lian, já chega! – Gritou papai. Seu rosto estava vermelho de raiva e sua expressão era autoritária. – Você está de castigo, a partir de amanhã você vai ajudar nos estábulos. Vamos ver se um pouco de trabalho braçal remove um pouco dessa tua arrogância. – Continuou ele. Lian parecia congelar por alguns segundos, antes de seu rosto ficar limpo de qualquer expressão.

– Assim disse o rei. – Disse Lian amargamente, antes de caminhar para a porta e sair da sala.

– Papai, por favor, reconsidere... – Começou Rebeca, mas nosso pai levantou a mão calando-a.

– Eu já tomei minha decisão. – Disse ele, e eu senti minha fúria subir.

– Por que você defende tanto esse príncipe arrogante? Por que o escolhe acima de seu próprio filho? Acima de Rebeca e eu? Por que ele é tão importante pra você? É por causa de Costa Luna ou de seus interesses pessoais? – Eu estava ofegante até o final de minhas perguntas, enquanto recuperava o fôlego e olhava furiosamente para meu pai, percebi que tinha levantado e estava com as mãos em punhos em cima da mesa.

O silêncio era ensurdecedor. Enquanto mamãe e Beca me olhavam com espanto, papai me olhava friamente.

– Você vai se juntar a Lian em seu castigo. Parece que fui muito negligente com vocês dois. – Eu queria quebrar alguma coisa depois daquela resposta.

– Será que você não pode ver que Antony é o vilão aqui? – Rebeca também levantou e olhava incrédula para nosso pai. – Foi Antony quem queria forçar Dóris para falar com ele, é Antony quem continua com insinuações e atração doentia! Lian estava falando a verdade quando disse que ele é um bastardo sem coração, ele só se importa consigo mesmo! Ele só quer Dóris como um troféu! Como você não pode ver isso?! – Até o final de seu discurso Rebeca estava gritando.

– Já chega! – Nosso pai gritou, levantando da cadeira e apontando um dedo para nós. Mamãe estava observando cautelosa, mas eu sabia que ela iria ficar ao lado de papai, como sempre.

– Rebeca, você vai ajudar nas cozinhas por tempo indefinido. – Continuou papai, Rebeca abriu a boca para protestar, mas nosso pai virou as costas para nós e caminhou pra fora da sala.

– Seu pai tem razão, vocês estão sendo irracionais. Estou muito decepcionada com vocês duas e seu irmão. – Mamãe disse, antes de sair da sala.

Eu ouvi um suspiro engasgado ao meu lado e olhei pra Rebeca. Seus olhos estavam cheios de lágrimas não derramadas; a vida inteira Beca tentou fazer nossos pais orgulhosos dela, mas para ser dito que mamãe estava decepcionada com ela era um duro golpe. Beca então olhou pra mim, e embora as lágrimas, sorriu.

– Eu vou sempre estar ao seu lado Dóris. Nossos pais podem pensar que somos irracionais, mas sabemos a verdade. Eles são os errados.

Eu assenti com a cabeça e sorri. A culpa era minha que meus irmãos estavam sendo punidos, mas eu também sabia que era a escolha deles. Eu só esperava que desse tudo certo no final. Pra nós três.

Notas finais
Sim, eu sei, capítulo angustiante, mas vai melhorar. Comentários me fazem feliz :)