A Prova De Um Amor Verdadeiro
16 Decisão
Notas iniciais
Ah, o dia prometia ser muito bom... Se não fosse pelo detestável príncipe Antony.
Querida Dóris
Espero que esteja bem.
Estou morrendo de saudades suas. Você tem um poder sobre mim, princesa, pois no momento em que olho para seus lindos olhos cor de âmbar, sinto que finalmente minha vida faz sentido.
Hoje não poderei visitá-la, mas ainda essa semana estarei aí.
Com todo o meu amor
Antony
— Acho que vou vomitar. – Foi a primeira coisa que saiu da boca de Lian ao terminar de ler o bilhete.
— Ele está tentando ser doce. – Disse Rebeca pensativa.
— Ele está tentando me deixar louca, isso sim. – Falei, me jogando em uma das poltronas da biblioteca. O bilhete havia chegado não fazia muito tempo, e a bolha feliz que havia dentro de mim estourou. Eu sabia o que ele estava tentando fazer, tentando entrar em minhas boas graças, mas eu já tinha visto o seu lado negro. Antony era cruel e sem coração. Eu nunca me apaixonaria por ele!
— O que você vai fazer? – Perguntou-me Rebeca e eu suspirei derrotada.
— Essa é uma pergunta que eu gostaria de ter a resposta. – Falei. Lian e Beca se entreolharam.
— Você não está pensando em aceitar, está? – Perguntou Lian e eu fechei meus olhos. Essa era a pergunta de um bilhão de dólares, eu aceitaria ou não?
— Eu não sei. – Eu me sentia horrível, como se o peso do mundo estava em minhas costas. Não queria me casar com um canalha auto centrado como Antony, mas ele havia ameaçado meu irmão, assim como Dylan. Eu simplesmente não sabia o que fazer.
— Vamos jantar, ficar remoendo isso não vai ajudar em nada, e, além disso, nossos pais vão ficar desconfiados se nos atrasarmos. – Disse Beca enquanto se levantava. Eu suspirei e me levantei, ela tinha razão.
Andamos em silêncio, cada um perdido em seus pensamentos. Quando entramos na sala de jantar, nossos pais já estavam ali. Mamãe nos olhou com uma expressão severa e eu senti uma pontada no coração, ela não era assim, onde estava a mulher doce que sempre nos apoiava? Senti Beca endurecer ao meu lado e sabia que ela estava pensando a mesma coisa. Olhei de soslaio pra Lian, que ao contrário de nós, olhava com uma expressão de pedra para nosso pai. Nosso pai, que não tinha nenhuma expressão no rosto, mas eu já podia imaginar o que se passava por sua cabeça.
Nos sentamos em silêncio, e começamos a escolher o que comer. Eu já havia perdido a fome e tudo o que queria era correr para o meu quarto, deitar em minha cama e dormir; só então acordar e esperar que tudo isso fosse só um sonho.
— Amanhã o príncipe Antony vai chegar e eu espero que vocês estejam em seu melhor comportamento, estou sendo claro? – Nosso pai ainda estava com o rosto em branco, mas seus olhos tinham um aviso: “Não façam isso, e vocês vão pagar”.
— Sim senhor. – Respondemos quase ao mesmo tempo. Ele assentiu satisfeito e se levantou.
— Vou para o meu escritório, tenho alguns papéis pra terminar. – Disse ele pra mamãe, que assentiu com um pequeno sorriso.
— É claro, querido. – Disse ela. Quando nosso pai saiu, mamãe se virou pra nós. Seu olhar brilhou um pouco, não pude ler o sentimento, mas então ela sorriu e disse as palavras que me surpreenderam:
— Estou orgulhosa de vocês.
Senti um nó na garganta, mamãe quase nunca falava que estava orgulhosa, dizia que poderia perder a doçura da surpresa de falar essa frase pra nós. Embora eu tivesse certeza de que essa frase nunca ficaria velha pra mim.
— Obrigado, mãe – Disse Lian com a voz rouca, aparentemente ele estava tão emocionado, embora tentasse não demonstrar.
— Vou me deitar. – Disse mamãe. – Boa noite, queridos.
— Boa noite, mãe. – Falamos. Ao que parece, nossa antiga mãe retornou.
—Me ignore, eu sou uma linha-
O dia amanheceu frio e chuvoso, assim como meu humor. Eu só queria ficar deitada o dia inteiro, mas sabia que não podia fazer isso. Afinal, não podemos sempre ter o que queremos.
Levantei e fui para o banheiro, precisava de um bom banho; quem sabe o que Antony aprontaria.
Estava secando meu cabelo com a toalha e pensando no que vestiria, quando bateram em minha porta.
— Entre. – Falei e Beca espiou.
— Você vai querer estar preparada hoje. – Disse ela por meio de saudação e eu senti meu estomago afundar.
— Ele já chegou? – Perguntei, e ela assentiu.
— Lian já está lá embaixo fazendo companhia ao nosso ilustre convidado. – Respondeu ela se sentando em minha cama. Eu interpretei como: Está matando o príncipe mimado com os olhos. Senti pena de Lian, mas antes ele do que eu. Se bem que em pouco tempo seria eu no lugar dele.
Suspirei e levantei, tinha que me arrumar e jogar a boa anfitriã. Olhei para o meu guarda-roupa pensativa, tinha que vestir algo que fosse modesto, mas elegante. Decidi por um vestido de manga longa cor bordô que ia até os joelhos, como estava frio coloquei uma meia calça preta por baixo e pra completar minha bota de cano curto. Escovei os cabelos e os deixei soltos.
— Está bonita, Dóris. – Disse Rebeca quando terminei.
— Você também Beca. – Falei. Ela usava um vestido branco que ia até os joelhos e tinha renda na barra, meia calça azul escura que quase parecia preta, um casaquinho azul escuro e sua bota cinza de cadarço azul escuro. Uma coisa que acho que todos sabem é o amor de Rebeca para a cor azul. Se ela não estiver com pelo menos uma peça de roupa com essa cor, podia saber que algo estava errado. E nesse dia, como ela estava quase toda vestida com essa cor, eu sabia que ela estava nervosa.
— Vamos descer? – Perguntei e ela assentiu.
Descemos em silêncio. Eu não sabia o que dizer e como nos aproximávamos da sala de jantar para o café da manhã, eu ficava cada vez mais nervosa. O que deveria dizer? Deveria dizer sim? Ou não? Tinha que pensar nos prós e contras de cada decisão. Se dissesse não, seria forçada a me casar, ou seria renegada. Como renegada não teria um sobrenome, seria apenas Dóris Alicia, não mais uma Black e com certeza o pai de Dylan não gostaria que ele se casasse com uma ninguém. Seria obrigada a viver nas ruas, até conseguir um emprego, o que seria difícil, como meu pai com certeza daria uma ordem de não abrigo a uma traidora da Coroa. Eu sei disso como já aconteceu antes. Como não poderia ter uma emprego em Costa Luna, seria forçada a sair para outro país. E então sabe-se lá o que aconteceria.
Se dissesse sim, ah, então o contrário aconteceria. Eu continuaria a ser uma princesa, mas seria Princesa Dóris Black-Ganzer, esposa de Príncipe Antony Ganzer, herdeiro de Corfu e mais tarde quando o rei Arthur morresse ou desistisse da coroa, Antony seria Rei e eu sua Rainha. Eu teria uma ótima vida e seria amada por muitos. Mas teria que usar uma máscara de felicidade na frente de todos, incluindo meu marido. Seria forçada a seguir suas regras e agir como uma esposa troféu na frente de todos, na frente de Dylan.
Mas pelo menos todos estariam seguros, se eu voltasse a atenção de Antony para mim.
— Dóris, chegamos. – A voz de Rebeca me quebrou de meu devaneio, e vi que realmente estávamos em frente das portas da sala de jantar. – Está pronta?
— Como nunca vou estar. – Respondi e ela me deu um olhar triste, como se já soubesse qual seria minha decisão.
Entramos e a atenção de todos se voltaram para nós. Percebi que Lian estava com o maxilar tenso, se forçando pra não dizer algo ofensivo a Antony, que olhava presunçoso a meu irmão. Foi então que nossos olhos se encontraram e ele abriu um grande sorriso.
— Princesa Dóris, princesa Rebeca, bom dia – Disse ele se aproximando. Me forcei a manter o rosto inexpressivo quando ele pegou minha não e deu um beijo. Ele repetiu o gesto com Rebeca, que lhe deu um olhar gelado.
— Bom dia, príncipe Antony. – Respondi. Na sala estavam meus pais, Lian, Rei Arthur, Julia e quem me fez empalidecer um pouco: Marcos, o pai de Dylan.
— Então princesa, estou muito ansioso para sua resposta. – Disse Antony e eu senti meu sangue gelar, com Marcos ali, não havia nenhuma maneira de evitar que Dylan ficasse no escuro sobre minha resposta. E eu sabia que isso era obra do ser em minha frente.
— O que você decidiu Dóris? Vai aceitar se casar com Antony? – Perguntou papai e eu senti vontade de chorar, mas mesmo assim disse formalmente:
— Príncipe Antony Ganzer, eu Dóris Alicia Black aceito me casar com você, que nossos reinos possam formar uma aliança abençoada.
Era isso, eu estava oficialmente condenada.
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