A Prova De Um Amor Verdadeiro
14 Chantagens
Notas iniciais
Dylan ficou um total de dois dias no castelo, mas foram os melhores dias da semana para mim.
Meus irmãos e eu ainda estávamos de castigo, mas pra mim foi bom, pois a maior parte do dia Dylan passava comigo nos estábulos, conversando comigo ou me ajudando. Mas foi no jantar logo após ele e seu pai partirem que meu pai decidiu fazer sua proclamação:
– Vocês estão liberados do castigo. – Eu não sabia se ficava feliz ou triste. Já tinha me acostumado á rotina.
– Por que só agora? – Perguntou Rebeca. Seu rosto e tom de voz não traíram suas emoções, mas pude dizer que papai ficou surpreso com a pergunta.
– Eu decidi que vocês já aprenderam a lição. – Respondeu em tom cortante. Beca abriu a boca para falar novamente, mas Lian fez sinal para que ela ficasse quieta.
– Tenho papelada para preencher. Não me espere para dormir. – Papai falou para mamãe, que assentiu. Ele então saiu da sala. Mamãe se virou pra nós.
– Espero que tenham aprendido a não contrariar seu pai. Ele é um homem sábio, que tem muitas escolhas para fazer. Vocês podem questionar algumas delas, mas é para o bem de nosso reino. – Com isso ela se levantou e saiu.
Eu não poderia acreditar que ela realmente disse aquilo. Tudo bem que um rei tem que pensar em seu reino, mas e em sua família? Certamente ele como rei tinha que tomar decisões difíceis, mas isso não era desculpa para punir seus próprios filhos por discordarem de suas decisões. Nem era desculpa para escolher a palavra de um príncipe de um reino distante sobre a de seus próprios filhos.
– Ela não disse isso. – Rebeca estava indignada.
– Ela disse. – Lian falou mais para si mesmo que nós.
– Eu vou para o meu quarto. – Rebeca se levantou e saiu. Lian e eu nos entreolhamos e decidimos fazer o mesmo.
Eu suspirei ao entrar na biblioteca. Beca ainda estava de mau humor e Lian parecia pensativo. Eu não sabia o que sentir; ainda estava feliz da visita de Dylan e raramente tirava a pulseira que ele havia me dado. Mas também estava preocupada, sabia que algo estava para acontecer.
Suspirei novamente e comecei a navegar por entre as prateleiras do fundo da biblioteca. Precisava de um livro para me distrair. Já havia lido o livro que Dylan tinha me dado de presente e havia amado o romance do cavaleiro e a princesa. Parecia muito com a minha vida, a diferença era que Dylan não era um cavaleiro, embora fosse de família nobre.
– Olá princesa. – Disse uma voz atrás de mim. Eu parei e o livro escorregou de minha mão para o chão. Não poderia ser ele...
– Você – Eu disse ao me virar e ver Antony ali, sorrindo presunçosamente.
– Eu – Respondeu ele. – Vim ver como estava a princesa mais linda de todos os reinos está.
– Estou muito bem, obrigada. – Respondi me abaixando para pegar o livro do chão. Quando levantei novamente, percebi que ele olhava para minha pulseira. Senti meu coração acelerar.
– Linda pulseira. – Comentou Antony e eu ergui uma sobrancelha.
– Obrigada. – Disse enquanto passava por ele, mas Antony me impediu de ir muito longe ao segurar meu braço.
– Ganhou de presente? – Perguntou se aproximando.
– Sim. – Não senti nenhum ponto em negar. Os olhos negros de Antony brilharam por um momento.
– É, o filho do conselheiro tem bom gosto pelo menos. – Disse ele me soltando. Afastei-me rapidamente.
– Não tenho ideia do que você está falando. – Respondi nervosa.
– Ah, mas eu sei sim. Sei das declarações de amor, de vocês dois conversando nos estábulos, saindo para cavalgar. – Listou ele e eu senti meu sangue gelar. Como ele sabia de tudo isso?
– Agora a pergunta é: Eu deveria contar para o rei? – Continuou ele com um sorriso maroto.
– O que você quer de mim? – Perguntei receosa. Não sabia o que se passava pela mente de Antony, mas sabia o que se passava pela mente de meu pai. Eu estava presa entre uma pedra e um lugar duro, não havia escapatória dessa vez.
– Simples: Eu quero você. – Respondeu ele depois de um momento e se aproximou novamente. Eu recuei.
– Isso está fora de cogitação. – Proclamei e Antony riu.
– Ah, mas tenho certeza de que podemos chegar a um acordo. Fique comigo ou eu conto ao seu pai.
– Nunca. – Eu disse, mas Antony continuou sorrindo.
– Fique comigo, ou eu terei certeza de que Costa Luna ficará sem seu príncipe herdeiro. – Foi então que senti meu sangue congelar. Não poderia deixar ele machucar Lian. – Pense nisso princesa. Te darei até o seu aniversario, então quero a resposta.
Antony sorriu mais ainda e saiu da biblioteca. Foi quando eu desmoronei no chão. Não podia deixá-lo machucar Lian, não o meu irmão. Mas era também a minha felicidade em jogo. Eu com certeza sei ler nas entrelinhas, não era apenas Lian em perigo mortal, Dylan também estava. Senti as lágrimas escorrerem por meu rosto, mas não as limpei, elas não seriam as ultimas que eu derramaria.
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