Notas iniciais
Cá estou eu com um novo capítulo. Espero que gostem.

Bella saiu para o alpedre da casa e contemplou as montanhas que se estendiam perante ela. Aquela panorâmica deixou-a sem respiração e lembrou-se da razão que a tinha levado a desafiar a sua família e mudar-se para ali há duas semanas.

Os seus pais eram muito protectores e tinham tentado dissuadi-la do que consideravam ser uma decisão estúpida da sua parte, visto que acima de tudo não queriam perdê-la de vista. Mas a ela já lhe tinha parecido suficientemente duro que um motorista a levasse ao colégio diariamente e um guarda-costas a seguisse para todo o lado até ter feito vinte e um anos.

O mais triste era que não tinha sabido da existência do seu avô até lhe terem notificado a leitura do seu testamento. Não a tinham avisado a tempo de assistir ao funeral e em parte ainda estava chateada com os pais por lho terem ocultado.

Não sabia que tinha aberto uma brecha permanente entre pai e filho, mas fosse qual fosse a disputa entre ambos, não deviam tê-la incluído. Tinha todo o direito a conhcer Herman Swan e tinha-o perdido.

Antes de se ir embora de Savannah tinha recordado aos seus pais que já tinha vinto e cinco anos e que era suficientemente crescida para tomar as suas próprias decisões. E tanto o fundo fiduciário que os seus avós maternos tinham estabelecido como a quinta que acabava de herdar do seu avô paterno lhe facilitavam enormemente a tarefa. Era a primeira vez na sua vida que fazia algo realmente seu.

Seria pedir muito que Charlie e Renée Swan vissem as coisas desse modo? Eles tinham deixado claro que não era assim. Não se surpreenderia se nesse preciso instante estivessem a consultar um advogado para procurarem um modo de a obrigar a voltar para Savannah. Mas ela tinha noticias para lhes dar: aquele era o seu lar e tinha intenção de ficar.

Se eles pudessem decidir, ela estaria em Savannah comprometida com Mike Newton. A maioria das mulheres consideraria Mike, pela sua aparência e riqueza, um bom partido. E se ela pensasse duas vezes, também poderia vê-lo assim. Mas esse era o problema: tinha de pensar duas vezes. Tinham saído juntos em muitas ocasiões mas nunca tinha surgido uma ligação entre ambos e nenhuma faísca de entusiasmo por parte dela. Tinha tentado explicar aos seus pais com toda a delicadeza do mundo, mas eles não tinham deixado de impor a vontade deles, o que demonstrava que não conseguiam deixar de ser autoritários.

E por falar de autoridade...o seu tio Kenneth tinha-se tornado noutro problema. Tinha cinquante anos, era meio-irmão do seu avô e ela tinha-o conhecido na sua primeira viagem a Denver para a leitura do testamento. Ele pensava que ia herdar a quinta e tinha-se sentido muito dececionado ao descobrir o contrário. Também esperava que ela vendesse tudo e, quando tinha decidido não o fazer, tinha-se zangado e tinha-lhe dito que a sua amabilidade tinha terminado, que não mexeria um dedo para a ajudar e que desejava que descobrisse da pior maneira que tinha cometido um erro.

Sentada na espreguiçadeira do alpendre, pensou que não se tinha enganado ao decidirfazer a sua vida ali. Tinha-se apaixonado pela quinta e não lhe tinha custado chegar à conclusão que, embora lhe tivessem negado a oportuniade de conhcer o seu avô em vida, viver ali permitir-lhe-ia saber como ele era. Uma parte dela sentia que, embora nunca se tivessem conhecido, ele tinha adivinhado de algum modo a infância tão triste que tinha tido e estava a oferecer-lhe a oportunidade de desfrutar de uma vida adulta mais feliz.

Ia voltar a entrar na casa para continuar a empacotar as coisas do seu avô quando viu ao longe alguém que se aproximava a cavalo. Conforme se aproximava, reconheceu-o e sentiu um formigueiro no estômago. Era Jacob Black.

Bella perguntou-se pela razão daquela visita. Tinha-lhe comentado o seu interesse pela quinta e por Hércules. Teria ido para a convencer que ela se tinha enganado ao mudar-se para ali, tal como tinham feito o seu tio e os seus pais? Tentaria insistir para lhe vender a quinta e o cavalo? Se fosse esse o caso, a sua resposta ia ser a mesma que tinha dado aos demais. Ia ficar e Hércules continuaria a ser seu até que decidisse o contrário.

—Olá, Bella.

—Jacob –ela levantou a vista para os olhos castanhos que a observavam e quase jurava que irradiavam calor. O tom da sua voz provocou-lhe um formigueiro na pele igual ao da outra noite. – A que se deve esta visita?

—Disseram-me que estás a estrear como latifundiária.

—Sim, é verdade. Algum problema?

—Não, de modo algum – disse ele com soltura. – A decisão é tua. No entanto, não tenho a certeza se sabes que não vai ser fácil.

—Sim, tenho a consciência disso. Alguma outra coisa que queiras dizer-me?

—Sim. Somos vizinhos, portanto, se alguma vez necessitares de ajuda, não hesites em chamar-me.

Ela surpreendeu-se. Estava a oferecer-lhe ajuda?

—Estás a ser agradável porque continuas a querer comprar o Hércules? Porque se assim for, tens de saber que ainda não tomei uma decisão a respeito disso.

Ele ficou sério e o seu olhar tornou-se rude.

—A razão pela qual estou a ser agradável é porque sou uma pessoa amável. E quanto ao Hércules, sim, continuo interessado em comprá-lo, mas isso não tem nada a ver com a minha oferta.

Bella viu que o tinha ofendido e arrependeu-se imediatamente. Normalmente não era tão desconfiada com as pessoas, mas mostrava-se suscetível quando se falava da quinta porque tinha muita gente contra si.

—Talvez não devesse ter-me precipitado nas minhas conclusões.

—Sim, talvez.

Todas as células do seu corpo começaram a estremecer sob o intenso olhar de Jacob. Nesse momento soube que a sua oferta tinha sido sincera. Não entendia bem como podia sabê-lo, mas assim era.

—Reconheço o meu erro e preço-te desculpa – disse.

—Desculpa aceite.

—Obrigada – e como queria recuperar a boa sintonia que tinha com ele, perguntou: — Corre tudo bem na tua quinta, Jacob?

—Não me posso queixar – as suas feições descontraíram-se e desmontou do enorme cavalo como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

«Eu também não me posso queixar», pensou ela, ao ver que subia as escadas do alpendre. Quando chegou à sua frente, ficou sem fala. Algo que só pôde descrever como um desejo ardente e fluido apoderou-se dela, impedindo-a de respirar, porque ele mantinha o olhar fixo nos seus olhos, tal como o tinha feito no baile.

—E tu como estás, Bella?

Ela pestanejou ao aperceber-se de que estava a falar com ela.

—Como? Eu? – a forma com Jacob sorriu fê-la pensar em coisas que não devia, como no quanto gostaria de beijar aquele sorriso.

—Como passaste estes dias...estiveste ocupada? – perguntou ele.

Bella inspirou com força e disse:

—Foram uns dias de muito trabalho, às vezes de autêntica loucura.

—Imagino. O que disse antes dizia mesmo a sério. Se alguma vez precisares de ajuda, diz-me.

—Muito obrigada pela tua oferta – ela tinha visto o desvio para a sua quinta. Havia um cartaz que dizia: Casa do Jacob. Pelo que tinha conseguido adivinhar por entre as árvores, era uma quinta enorme com uma bela casa de dois andares .

De repente lembrou-se das suas maneiras e disse-lhe:

—Ia tomar um chá. Apetece-te?

Ele apoiou-se num pilar e o seu sorrisotornou-se ainda maior.

—Chá?

—Sim.

Ela supôs que ele achava graça. A última coisa que poderia apetecer a um trabalhador depois de montar um cavalo era uma chávena de chá. Com certeza uma cerveja fresca teria seido mais do seu agrado, mas era a única coisa que não tinhano frigorífico.

—Se não te apetecer, eu entendo – disse ela.

—Uma chávena de chá vai-me saber muito bem.

—Tens a certeza?

—Absoluta.

—Ótimo – abriu a porta e ele seguiu-a até ao interior da casa.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo. Desculpem ainda não ter respondido aos comentários, mas não sou muito boa com respostas (mas tentarei, juro). Beijinhos e até ao próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.