A Proposta
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Bella saiu para o alpedre da casa e contemplou as montanhas que se estendiam perante ela. Aquela panorâmica deixou-a sem respiração e lembrou-se da razão que a tinha levado a desafiar a sua família e mudar-se para ali há duas semanas.
Os seus pais eram muito protectores e tinham tentado dissuadi-la do que consideravam ser uma decisão estúpida da sua parte, visto que acima de tudo não queriam perdê-la de vista. Mas a ela já lhe tinha parecido suficientemente duro que um motorista a levasse ao colégio diariamente e um guarda-costas a seguisse para todo o lado até ter feito vinte e um anos.
O mais triste era que não tinha sabido da existência do seu avô até lhe terem notificado a leitura do seu testamento. Não a tinham avisado a tempo de assistir ao funeral e em parte ainda estava chateada com os pais por lho terem ocultado.
Não sabia que tinha aberto uma brecha permanente entre pai e filho, mas fosse qual fosse a disputa entre ambos, não deviam tê-la incluído. Tinha todo o direito a conhcer Herman Swan e tinha-o perdido.
Antes de se ir embora de Savannah tinha recordado aos seus pais que já tinha vinto e cinco anos e que era suficientemente crescida para tomar as suas próprias decisões. E tanto o fundo fiduciário que os seus avós maternos tinham estabelecido como a quinta que acabava de herdar do seu avô paterno lhe facilitavam enormemente a tarefa. Era a primeira vez na sua vida que fazia algo realmente seu.
Seria pedir muito que Charlie e Renée Swan vissem as coisas desse modo? Eles tinham deixado claro que não era assim. Não se surpreenderia se nesse preciso instante estivessem a consultar um advogado para procurarem um modo de a obrigar a voltar para Savannah. Mas ela tinha noticias para lhes dar: aquele era o seu lar e tinha intenção de ficar.
Se eles pudessem decidir, ela estaria em Savannah comprometida com Mike Newton. A maioria das mulheres consideraria Mike, pela sua aparência e riqueza, um bom partido. E se ela pensasse duas vezes, também poderia vê-lo assim. Mas esse era o problema: tinha de pensar duas vezes. Tinham saído juntos em muitas ocasiões mas nunca tinha surgido uma ligação entre ambos e nenhuma faísca de entusiasmo por parte dela. Tinha tentado explicar aos seus pais com toda a delicadeza do mundo, mas eles não tinham deixado de impor a vontade deles, o que demonstrava que não conseguiam deixar de ser autoritários.
E por falar de autoridade...o seu tio Kenneth tinha-se tornado noutro problema. Tinha cinquante anos, era meio-irmão do seu avô e ela tinha-o conhecido na sua primeira viagem a Denver para a leitura do testamento. Ele pensava que ia herdar a quinta e tinha-se sentido muito dececionado ao descobrir o contrário. Também esperava que ela vendesse tudo e, quando tinha decidido não o fazer, tinha-se zangado e tinha-lhe dito que a sua amabilidade tinha terminado, que não mexeria um dedo para a ajudar e que desejava que descobrisse da pior maneira que tinha cometido um erro.
Sentada na espreguiçadeira do alpendre, pensou que não se tinha enganado ao decidirfazer a sua vida ali. Tinha-se apaixonado pela quinta e não lhe tinha custado chegar à conclusão que, embora lhe tivessem negado a oportuniade de conhcer o seu avô em vida, viver ali permitir-lhe-ia saber como ele era. Uma parte dela sentia que, embora nunca se tivessem conhecido, ele tinha adivinhado de algum modo a infância tão triste que tinha tido e estava a oferecer-lhe a oportunidade de desfrutar de uma vida adulta mais feliz.
Ia voltar a entrar na casa para continuar a empacotar as coisas do seu avô quando viu ao longe alguém que se aproximava a cavalo. Conforme se aproximava, reconheceu-o e sentiu um formigueiro no estômago. Era Jacob Black.
Bella perguntou-se pela razão daquela visita. Tinha-lhe comentado o seu interesse pela quinta e por Hércules. Teria ido para a convencer que ela se tinha enganado ao mudar-se para ali, tal como tinham feito o seu tio e os seus pais? Tentaria insistir para lhe vender a quinta e o cavalo? Se fosse esse o caso, a sua resposta ia ser a mesma que tinha dado aos demais. Ia ficar e Hércules continuaria a ser seu até que decidisse o contrário.
—Olá, Bella.
—Jacob –ela levantou a vista para os olhos castanhos que a observavam e quase jurava que irradiavam calor. O tom da sua voz provocou-lhe um formigueiro na pele igual ao da outra noite. – A que se deve esta visita?
—Disseram-me que estás a estrear como latifundiária.
—Sim, é verdade. Algum problema?
—Não, de modo algum – disse ele com soltura. – A decisão é tua. No entanto, não tenho a certeza se sabes que não vai ser fácil.
—Sim, tenho a consciência disso. Alguma outra coisa que queiras dizer-me?
—Sim. Somos vizinhos, portanto, se alguma vez necessitares de ajuda, não hesites em chamar-me.
Ela surpreendeu-se. Estava a oferecer-lhe ajuda?
—Estás a ser agradável porque continuas a querer comprar o Hércules? Porque se assim for, tens de saber que ainda não tomei uma decisão a respeito disso.
Ele ficou sério e o seu olhar tornou-se rude.
—A razão pela qual estou a ser agradável é porque sou uma pessoa amável. E quanto ao Hércules, sim, continuo interessado em comprá-lo, mas isso não tem nada a ver com a minha oferta.
Bella viu que o tinha ofendido e arrependeu-se imediatamente. Normalmente não era tão desconfiada com as pessoas, mas mostrava-se suscetível quando se falava da quinta porque tinha muita gente contra si.
—Talvez não devesse ter-me precipitado nas minhas conclusões.
—Sim, talvez.
Todas as células do seu corpo começaram a estremecer sob o intenso olhar de Jacob. Nesse momento soube que a sua oferta tinha sido sincera. Não entendia bem como podia sabê-lo, mas assim era.
—Reconheço o meu erro e preço-te desculpa – disse.
—Desculpa aceite.
—Obrigada – e como queria recuperar a boa sintonia que tinha com ele, perguntou: — Corre tudo bem na tua quinta, Jacob?
—Não me posso queixar – as suas feições descontraíram-se e desmontou do enorme cavalo como se fosse a coisa mais fácil do mundo.
«Eu também não me posso queixar», pensou ela, ao ver que subia as escadas do alpendre. Quando chegou à sua frente, ficou sem fala. Algo que só pôde descrever como um desejo ardente e fluido apoderou-se dela, impedindo-a de respirar, porque ele mantinha o olhar fixo nos seus olhos, tal como o tinha feito no baile.
—E tu como estás, Bella?
Ela pestanejou ao aperceber-se de que estava a falar com ela.
—Como? Eu? – a forma com Jacob sorriu fê-la pensar em coisas que não devia, como no quanto gostaria de beijar aquele sorriso.
—Como passaste estes dias...estiveste ocupada? – perguntou ele.
Bella inspirou com força e disse:
—Foram uns dias de muito trabalho, às vezes de autêntica loucura.
—Imagino. O que disse antes dizia mesmo a sério. Se alguma vez precisares de ajuda, diz-me.
—Muito obrigada pela tua oferta – ela tinha visto o desvio para a sua quinta. Havia um cartaz que dizia: Casa do Jacob. Pelo que tinha conseguido adivinhar por entre as árvores, era uma quinta enorme com uma bela casa de dois andares .
De repente lembrou-se das suas maneiras e disse-lhe:
—Ia tomar um chá. Apetece-te?
Ele apoiou-se num pilar e o seu sorrisotornou-se ainda maior.
—Chá?
—Sim.
Ela supôs que ele achava graça. A última coisa que poderia apetecer a um trabalhador depois de montar um cavalo era uma chávena de chá. Com certeza uma cerveja fresca teria seido mais do seu agrado, mas era a única coisa que não tinhano frigorífico.
—Se não te apetecer, eu entendo – disse ela.
—Uma chávena de chá vai-me saber muito bem.
—Tens a certeza?
—Absoluta.
—Ótimo – abriu a porta e ele seguiu-a até ao interior da casa.
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