A Prometida - Hiatus
12 Capítulo XI
Notas iniciais
Castelo de Northumberland — clã Cullen
__Não me parece preocupada, Elizabeth. – Esme comentou enquanto observava a neta escovando despreocupadamente os longos cachos loiros.__ Ainda permanecemos sem notícias de seu noivo.
Edward e Carlisle haviam formado um grupo com alguns homens para procurar a Jacob. No dia anterior tinham percorrido toda propriedade Cullen e não havia um sinal de Jacob Black. Hoje concentraram as buscas do lado de fora dos muros mais próximos à fronteira.
Esme suspirou. Este rapaz precisava aparecer vivo, ou então não sabia o que poderia acontecer ao seu clã. As esperanças dos Cullen estavam neste casamento, era tudo no que seu povo falava nos últimos anos. Enquanto que todos estavam apreensivos, sua neta, a quem mais este desaparecimento poderia afetar, estava incrivelmente calma e serena.
__Para quê desesperar-me, minha avó? – perguntou com desdém esticando as pernas para cima do banco de madeira e encostando-se nas almofadas macias. __ Jacob entende sua obrigação, logo aparecerá. E preocupações só me trariam dores de cabeça.
__Ainda está convencida que seu noivo desapareceu propositalmente? – Esme comentou indignada.
__Até que se prove o contrário... – Esme lhe repreendeu com o olhar __ Ora minha Senhora, a fama galante de Jacob é conhecida ao longo dos clãs da fronteira. Não me surpreenderia que tivesse fugido para alguns dias luxuriosos.
A antiga Senhora Cullen a observou chocada.
__E se fosse verdade seu palpite, não se incomodaria?
__Obvio que não! – parecia confortável com o assunto__ Nosso casamento será realizado por causa desta maldição, minha avó. Assim que gerarmos nosso herdeiro não haverá relacionamento nenhum. Apenas, o título que herdaremos. Com certeza ele aceitará, encontraremos uma forma de satisfazer aos dois.
__Mas, não pretende ter mais filhos? E se por acaso apaixonar-se por seu marido? – Esme ficará chocada com as declarações da moça.
__Sabes que não gosto de crianças. – fez uma careta__ Só terei este menino para que a profecia se cumpra, não vou estragar ao meu corpo ficando inchada por crianças. Enquanto ao meu futuro marido, não há nada em um homem bárbaro como Jacob Ephaim Black que me atraia.
__Mas... – Esme foi interrompida pela entrada do marido no aposento, uma ruga de preocupação em sua testa era a evidência que temia: ainda não tinham encontrado Jacob.
__Então, avô? Acharam-no? – perguntou Elizabeth.
__Não, querida. Como você, desconfio que este rapaz tenha desaparecido de propósito.
__Carlisle! Não apoie os absurdos que Elizabeth diz! – ralhou Esme.
__Com certeza este rapaz se esconde, esposa. Há dias Jacob deveria ter chegado a Northumberland e até agora não temos nenhuma pista de onde pode estar, é obvio que escondeu-se propositalmente. – falou enquanto sentava-se junto a neta, como se para apoia-la__ Edward deve cobrar explicações a William.
Elizabeth riu forçadamente.
__O senhor sabe que meu pai nunca confrontou em nenhum momento a William, avô. Duvido-o que o faça agora. – alfinetou a moça maldosamente.
__Se Edward não o fizer, farei eu, minha menina. Não deixarei que este rapaz a humilhe publicamente. – Esme ouvia tudo balançando a cabeça negativamente. Até que ponto seu marido cedia aos caprichos de sua neta?
__Amo-o avô, por que me entendes. – olhou diretamente para a avó __ Agora preciso descansar, toda esta espera me deixou esgotada.
Quando Elizabeth bateu a porta da sala fechando-a, Esme voltou-se para o marido.
__Você mima demais a esta moça. – falou em tom de repreensão.
Carlisle deu de ombros, ele sabia que falava a verdade, mas não se incomodava com isso. Elizabeth era sua única neta, a moça que seria o futuro de seu clã.
__Agora diga-me como foi a procura. – disse ela acomodando-se em uma das poltronas na sala.
Assim que Elizabeth chegou a seu aposento encontrou Leah preparando sua cama. Quando a mulher a viu inclinou-se ligeiramente, como ela havia solicitado que fizesse.
__Então, moça. Encontraram-no? – perguntou parecendo preocupada. Lizzie rolou os olhos.
__Parece que os Cullen preocupam-se demais com Jacob. – ralhou. __Ainda não o acharam, e creio que isso não acontecerá até que o próprio decida aparecer. Pegue minha roupa de dormir, Leah.
Correndo para atender o pedido, Leah respondeu.__ Estamos preocupados por causa da maldição, moça. Se algo acontecer ao guerreiro Black a profecia não se realizará e estaremos condenados.
__Deveriam preocupar-se comigo que sou a futura Senhora deste clã, com Jacob ou sem Jacob! – retrucou já irritando-se enquanto Leah a ajudava vestir-se.
__Mas a senhorita esta em casa e a salvo, o rapaz não. – tentou explicar ouvindo um grunhido em resposta.
__Esta me irritando, sua criada insolente. Vá embora, posso trocar-me sozinha. Prefiro eu mesma me vestir a ter que escutar suas ideias idiotas. – apontou para porta. Leah apressou-se em obedecer, quando a moça se irritava era tolice não acatar suas ordens rapidamente.
Havia um rapaz alto e forte andando de um lado a outro na cozinha, atraindo atenção das moças que lá estavam. Assim que viu o rosto de Seth, soube que algo ruim aconteceu.
__Onde está nossa mãe? – perguntou ele agoniado __ Estou procurando-a a horas.
__Parece-me que foi auxiliar o parto de uma mulher do outro lado do clã. – explicou__ Venha, vamos conversar lá fora. – arrastou o irmão para a horta, longe dos olhares curiosos das moças. __ O que aconteceu?
__Renesmee desapareceu. – disse em um tom angustiado.
__Como assim desapareceu? – perguntou alarmada. Não se dava muito bem com a prima, mas sabia do amor que sua mãe e Seth lhe dedicavam.
__Não sei! Fui visita-la em sua cabana alguns dias atrás por que tia Tânia a expulsou de casa. E como não tinha ido a tempos por causa do trabalho na estelaria, decidi vê-la hoje, mas não estava lá! – começou a andar de um lado a outro novamente.
__Calma,meu irmão. Ela deve ter retornado para casa com sua mãe e …
__Não! Fui até lá. Tia Tânia estava muito irritada e disse-me que não a via há dias. – explicou.__ Depois procurei-a na floreta, nos campos e no rio. Mesmo sabendo que não estaria, procurei em todo clã, mas também não esta. Como falarei isso para nossa mãe?
Sue tinha um amor real de mãe para com Renesmee, devido ao tratamento que a prima recebia da mãe. Com certeza Sue se desesperaria ao saber que a moça havia desaparecido.
Sequestro, estupro, ataque de animais... já podia imaginar nas desgraças que sua mãe pensaria que tinha acontecido com Renesmee.
__Não contaremos nada por enquanto. Amanhã o ajudarei a procura-la melhor, se não a acharmos diremos a nossa mãe, ela pode pedir ajuda a Senhora do castelo.
Seth assentiu freneticamente. Se não a encontrassem rapidamente alguém iria perceber. Renesmee era bastante requisitada por causa do seu dom para cura. Logo todos estariam sabendo. Ela precisava aparecer.
Castelo de Dumfries — clã Black
Renesmee precisou piscar algumas vezes, sentiu-se tola por estar afetada pelo sorriso de Jacob.
__Seus pais chegarão a qualquer momento. Eles estão mais preocupados com a sua lesão. Preciso olhar os pontos para certificar que estão presos, e se você se sente forte o suficiente, você deve comer. – conseguiu murmurar.
__ Prefiro continuar como estamos – disse dando uma leve porém maliciosa apertada em sua cintura.
Com uma suave repreensão, ela golpeou o peito dele. Para sua surpresa, ele riu, mas desistiu de abraçá-la. Soltou-se e alisou suas roupas amassadas e o cabelo desgrenhado.
Ela manteve seu olhar sobre o peito largo e nu. Não que o peito de um homem fosse um mistério para ela. Nem o resto da anatomia masculina. Ela já tinha visto muitos homens nus devido ao seu dom para a cura. Mas este homem lhe roubava o fôlego. Ele era... magnífico.
Os olhos dela o comeram, e ela não estava sendo totalmente discreta sobre isso. Esperava que a febre e a dor o impedissem de perceber sua ávida atenção.
__Eu tenho que olhar o seu ferimento. – disse ela mais para si mesma do que para ele.
Ele olhou para baixo e depois, lentamente, rolou para o lado bom de modo que sua lesão fosse para fora.
__Devo agradecer a você, Nessie. Não me lembro muito sobre o dia em que fui ferido, só que eu sabia que iria morrer se não procurasse ajuda imediatamente. Quando abri meus olhos e vi você, sabia que Deus tinha me enviado um Anjo. – a sinceridade transparecia em sua voz.
__Desculpe desapontá-lo – disse ela levemente enquanto dava atenção a sua ferida. __ Anjo eu não sou. Sou apenas uma mulher comum que é hábil nas artes da cura. Nada mais do que conhecimento adquirido de outras mulheres que vieram antes de mim.
__ Não, – ele negou. Estendeu a mão e pegou a mão dela, quando se aproximou, trazendo-lhe os dedos aos lábios.
Ela sentiu um formigamento em seu braço e peito se apertar de prazer. Era difícil não sorrir para um guerreiro bonito que dizia palavras tão ternas. Ela puxou seu pulso e se inclinou para examinar novamente a ferida costurada. Gostou de ver que o vermelhidão havia diminuído.
__ Qual é o veredicto? Eu vou viver? – Ele perguntou em diversão.
__Sim, guerreiro. Você vai viver uma vida longa e saudável. Você está em forma, que irá ajudá-lo a uma recuperação completa.
__Fico feliz em ouvir isso.
Quando ela lhe permitiu voltar a posição anterior, ele esfregou a barriga e fez uma careta.
__Com fome? – perguntou com um leve sorriso.
__Sim. Morrendo de fome.
__ É um bom sinal – disse ela com um aceno de aprovação. __Vou pedir uma tigela de comida.
__Você não me deixa. – Ela levantou a sobrancelha, porque não era um pedido. O comando de sua voz era evidente. Claro, o homem havia crescido para comandar e ser o laird do clã Black.
E dos Cullen também. Sua mente a lembrou. Renesmee fez uma careta.
__Por favor. – ele pediu com a voz mais baixa, e ela quase se derreteu.
__Sim. Eu vou ficar.
Ele sorriu, mesmo com as pálpebras fechadas. Piscou, lutando contra o desejo de dormir. Ela colocou sua mão sobre a testa.
__ Descanse, guerreiro. Vou ter o seu alimento em um momento. – Ela se levantou da cama e alisou as saias do vestido de Rachel.
Chegou à porta e estava preste a abri-la quando ela se abriu. Ela fez uma careta para o intruso, deixando-o saber que não era bem-vindo.
Sam fez uma careta de volta, deixando-a saber, que não ficou impressionado com a sua ira.
__ Como ele está? – Ele perguntou preocupado.
Ela apontou para cama. __Veja por si mesmo. Ele estava acordado há poucos momentos e está com fome.
Sam passou por ela e ela fez uma careta às suas costas. Quando se virou para sair, ela quase corou para William.
__Eu não suponho que você vai esquecer que viu isso. – ela murmurou envergonhada pela atitude infantil.
Os lábios do Senhor Black se contorceram em diversão. __ Viu o quê?
Nessie acenou com a aprovação e, em seguida, passou, sem saber para onde ir, mas definitivamente poderia tomar um pouco de ar. Ainda sentia-se tonta pela arrebatadora presença de Jacob Black. Não teria saída enquanto tivesse que cuidar de seus ferimentos, mas logo que estivesse curado, solicitaria ao Senhor Black que a deixasse voltar a sua cabana. Ela não podia viver no mesmo clã que Jacob, sabendo que estaria casado com outra em poucos meses. Principalmente sabendo que a moça era uma Cullen.
Ficar próximo ao guerreiro não era uma opção.
Jacob manteve o olhar preso na moça até que desapareceu de vista. Então atirou a seu primo Sam um olhar feroz.
__Há algo que você queria? – Perguntou ele, irritado.
__Sim, – Sam rosnou. __Por exemplo, para saber se ainda estava vivo ou não. – os dois haviam sido criados como irmãos, e tratavam-se como tal.
__Como você pode ver estou. Não há outra coisa que você poderia estar fazendo?
William balançou a cabeça e sentou no banco ao lado da cama. __Esqueça o seu fascínio pela moça por um momento. Há coisas que devemos saber. Começando com quem fez isso com você.
Jacob suspirou. Sua ferida doía. Sua cabeça parecia que tinha passado a última semana se afogando em uma caneca de cerveja, e estava com fome e rabugento para morder alguém. A última coisa que queria era uma inquisição.
__Não sei, – disse ele honestamente.__ Eles emboscaram-nos no meio da noite. Foi um massacre. Estávamos em desvantagem, pelo menos, 6 contra 1. Talvez mais. Eu mal consegui escapar e não me lembro muito além de acordar sentindo como se estivesse sendo queimado pelo fogo do inferno, mas com um Anjo acalmando a dor.
Sam bufou irritado.
__Ela salvou minha vida – disse Jacob defendendo-a.
__Sim, ela fez – William concordou. __ Ela tem um lado bom para cura. Penso que deva ficar em nosso clã, necessitamos de uma curandeira.
Um inesperado prazer e uma excitação percorreram o sangue de Jacob, mexendo com sua libido. Ele teve e tinha vários casos. Apenas sexo rápido para satisfazer as necessidades de um homem. Mas esta moça fez o seu sangue esquentar, mesmo quando ainda dormia. Disso lembrava-se.
__Ela concordou em vir aqui e ser a nossa curandeira? – Jacob perguntou casualmente.
Sam riu. __Não exatamente.
Jacob apertou os olhos. __O que significa isso?
__Isso significa que não demos a ela uma escolha sobre isso. Você precisava de suas habilidades. Então eu a trouxe aqui. Não o veria morrer sem atendimento quando havia uma moça habilitada para cuidar de você. – William disse com um encolher de ombros.
Típico de seu pai. Ele tomava uma decisão e agia sobre isso. Embora ele gostou da ideia de estar perto de Nessie, ele não se sentiu bem que seu pai a havia maltratado.
__Esqueça a mulher, – Sam disse sombrio __ A menos que você se esqueceu, que tem um compromisso com Elizabeth Cullen.
Não, ele não tinha esquecido. Podia ter empurrado isso em sua mente temporariamente, mas não tinha esquecido por que embarcou na viagem em que ele tinha perdido vários de seus melhores homens.
__Recebi uma mensagem de Edward algumas dias atrás – William explicou __ Ele estava preocupado que você não havia chegado. Então desconfiei que havia algo errado.
__Foi como eu disse – Jacob disse cansado. Levantou a mão e esfregou sua testa dolorida. __ Nós tínhamos parado para a noite. Seis homens estavam de guarda. No meio da noite, fomos atacados com velocidade e ferocidade. – parou analisando suas palavras. A ultima batalha feroz que tivera fora contra...__ Vulturi. – sussurrou.
William soprou o fôlego, com os olhos tão escuros como uma tempestade de inverno.
__E quem mais? Isto não era um sequestro. Você não abate as pessoas que tem esperanças de ter uma recompensa. – Billy completou __ As runas mostraram ao Ancião, fora um ataque ordenado por Aro.
__Parece que ele ainda tem interesse de impedir que nossos clãs se alie, – apontou Jacob. __ Aro tem conhecimento sobre a maldição e sabe que os Cullen e os Black se unirão.
__O miserável tem medo da união entre nós e os Cullen, por que sabe que teremos a maior porção de terras da fronteira, sendo assim seríamos o clã com maior poder. – O Senhor concordou __ Vou mandar uma mensagem a Edward informando o que ocorreu. Melhor alertá-lo para que esteja em guarda contra um possível ataque por Aro. Vamos determinar o que está a ser feito sobre o seu casamento com Elizabeth.
Sam assentiu com a cabeça. __Por enquanto nosso foco deve ser em sua recuperação e treinamento de novos soldados. Estamos vulneráveis quanto a segurança. Todo o resto pode esperar. – parece que tinham realizado uma reunião.
Porém Jacob também acenou com a cabeça, o alívio correndo por seu corpo até que a sensação o deixou tonto. Ele sabia que seu clã precisava desta aliança com Cullen. O futuro do seu clã dependia disto. E ele mal esperava para governar suas terras. Mas isso não significava que estava com pressa para deixar tudo o que prezava. Ele não quis dizer que estava pronto para correr ao casamento com uma mulher que inspirou nada dentro dele.
Talvez isso explicasse sua atração razoável a Renesmee. Não só a moça o salvou, mas a proximidade e o fato de que estava hesitante em ligar-se com outra mulher poderia explicar para ele querendo ela por perto dele. Ela era uma distração.
Sentindo-se melhor agora que tinha explicado o seu fascínio estranho por ela, ele voltou sua atenção para seu pai e primo.
__ Eu não estarei na cama por muito tempo. É nada além de um corte. Estarei de pé e em campo de treinamento em algum momento. E depois podemos voltar nossa atenção a coloração do campo com o sangue de alguns Vulturi, com sorte, com o sangue do próprio Aro.
Sam bufou. __Um pequeno corte? Você quase morreu. Vai descansar e fazer o que a moça instruir mesmo se eu tiver que amarrá-lo e sentar-me em cima de você.
Jacob fez uma careta para seu primo.
__Este corte não vai me impedir de dar-lhe uma surra.
William rolou os olhos __ Vocês agem como um bando de crianças.__ É óbvio que você precisa passar os próximos dias na cama – continuou William severamente.__ Sam está correto. Se tivermos que amarrá-lo, nós vamos fazê-lo. Não me teste, filho.
Jacob soprou seu hálito. __ Não preciso de seus mimos. Não se preocupe. Sairei da cama quando estiver pronto. Enquanto isso, não tenho pressa. Tenho a intenção de permitir que Renesmee cuide de mim em todos os sentidos.
Sam balançou a cabeça. __ Eu não tenho nenhuma ideia o que você vê nessa moça espinhosa. Ela tem o apelo de uma urtiga.
__ Então não tenho que avisá-lo para não dar em cima dela, não é? – Jacob disse com um sorriso.
__Lembre-se de seu dever e seu futuro casamento. – William disse calmamente. Sabia o quanto o filho gostava de se divertir com as mulheres, mas ninguém jamais o fez esquecer de suas obrigações.
Jacob ficou sombrio. __ É tudo o que posso pensar, meu pai. Não corro o risco de esquecer.
William levantou. __ Vamos deixá-lo descansar agora. Renesmee deve estar de volta com a sua refeição em um momento. Então talvez você devesse permitir que a moça fosse para seu quarto descansar. Ela tem cuidado de você pelos últimos dias sem dormir. – disse o pai __ Sua mãe irá cacarejar como uma galinha ao seu redor quando voltar da vila. Prepare-se – William acrescentou com um sorriso.
Jacob rolou os olhos. Quando se tratava dos filhos Sarah Black era insuperável.
Enquanto a Renesmee, ele não tinha intenção de permitir que ela dormisse sozinha em seu quarto.
Ela ficaria com ele. Em seus braços.
Quando seu pai e primo sairam, Nessie entrou com uma tigela em uma mão e uma taça na outra. Jacob olhou para o rosto corado. Sim, ela parecia cansada. Desgastada completamente. Ela tinha zelado por ele.
Ele ainda estava doente. Não estava em seu melhor estado, não importava o que disse a seus parentes. Precisava dos cuidados de Nessie e se certificaria de que ela tinha tudo o que precisava.
Ela deu um passo em direção a cabeceira da cama.
__Eu tenho caldo e cerveja. Eu queria água, mas Emily insistiu que um homem deve beber cerveja se ele quer recuperar sua força.
__ Emily está certa. Uma boa cerveja cura qualquer doença.
Nessie franziu o nariz, mas não discutiu.
__Você pode sentar-se?
Jacob se apoiou no colchão e tentou dar um empurrão para cima. Ele sentiu dor do seu lado, roubando sua respiração. Congelou, ofegando suavemente enquanto uma névoa cobria sua visão.
Nessie alarmou-se e de repente estava ao seu lado. Colocando os braços ao seu redor e ajudando a sentar. Sacudiu vários travesseiros atrás dele e ajudou-o a se encostar.
__Lentamente, guerreiro. Eu sei que dói.
Ele estava lá ofegante, um brilho de suor na testa. Náuseas brotaram em sua barriga e foi tudo o que podia fazer para não debruçar e vomitar. Jesus, mas o pequeno corte em seu lado ferido doía como o diabo.
Ele começou a protestar quando ela se afastou, mas antes que pudesse abrir a boca, estava de volta, tigela e cerveja na mão. Ela deu-lhe a caneca e depois deslizou na cama ao lado dele.
__Beba lentamente até o seu estômago acostumar – ela murmurou.
Como sabia que estava enjoado, fez questão de seguir seus conselhos e tomou goles cautelosos da forte bebida. Depois de alguns goles, fez uma careta e colocou o copo a distância.
__Eu acho que você tinha razão, Nessie. Acho que água pura seria mais fácil no meu estômago. É a verdade que a cerveja parece muito ruim.
__Aqui, – disse ela em voz suave. __ Beba o caldo da tigela. Veja se isso cai melhor. Vou descer e pegar um pouco de água para você em um momento.
__Não, não se mova. – e lá estava novamente, o tom de ordem em sua voz.
Nessie saltou ao lado Jacob quando ele gritou por Quil. Como sabia ele que o homem estava ao lado de fora do quarto?
__Desculpe, moça, – disse ele.__ Eu não queria assustá-la.
Quil logo abriu a porta e enfiou a cabeça dentro. Nessie lhe lançou um olhar confuso e Jacob riu.
__É seu dever manter-se fora do meu quarto, no caso que eu precise de algo. Eu sabia que ele não estaria longe. – explicou ele.
__Foi isso apenas um teste? – Quil resmungou.
__Não, eu preciso de água e não queria Renesmee tendo que buscá-la sozinha. Ela está cansada e tem subido essas escadas mais do que suficiente.
__ Eu vou voltar em um momento – disse Quil quando se retirou.
__Vai comer esse caldo agora? Ou vai continuar berrando para seus homens?
Jacob sorriu com a nota ácida em sua voz. __Eu poderia ter necessidade de ti para me ajudar. Estou me sentindo um pouco fraco.
Nessie revirou os olhos, mas se virou para ele, equilibrando a tigela na palma da mão quando ela guiou-o à boca. __Beba, – ela disse. __Não muito rápido. Deixe repousar em seu estômago antes de tomar mais.
Jacob sugou um pouco do líquido em sua boca e saboreou o calor reconfortante que escorregava na garganta dele. Mais do que o conforto do caldo, sentia o cuidado carinhoso de Nessie ao seu lado. Ela ajoelhou e inclinou, dando-lhe uma ampla visão de seu decote. Os seios surgiam acima do decote da blusa. Ele podia prová-la agora e tudo o que tinha que fazer era se inclinar...
Ela segurou seu queixo e o levantou até o olhar dele encontrar o dela. Castanhos. Ricas piscinas castanhas. Seus cílios eram espessos, tornando seus olhos ainda maiores e mais exóticos.
__Beba. – ela disse.
Ele sorriu descaradamente e voltou a solver goles do caldo.
Depois de alimentado, Jacob apoiou as costas contra os travesseiros da cama, relaxado. O caldo o havia deixado satisfeito e um pouco sonolento.
__Deve descansar agora, guerreiro. Vai precisar de toda sua força para se recuperar. – ela falou enquanto descansava a vasilha vazia em uma cadeira.
__Deite-se comigo, Nessie. Nós dois precisamos de um descanso. Vou conseguir dormir melhor com você ao meu lado.
O rosto dela corou, mas permitiu que ele a puxasse para o colchão.
__ É verdade, estou cansada. – Ela sussurrou.
__ Sim, e você tem motivo para estar assim.
Ele deslizou a mão para cima e para baixo em suas costas e apoiou o queixo no topo da cabeça. Aos poucos, ela relaxou até que se sentiu mole contra ela.
__Renesmee?
__Sim. – Ela perguntou sonolenta.
__ Obrigado por cuidar de mim e me trazer de volta para minha família.
Ela ficou em silêncio por um momento e então respondeu:
__ De nada, guerreiro.
__ Mandou chamar-me, meu pai? – perguntou Rebecca temerosamente. Sabia por que seu pai a aguardava, ela mesma pediu um momento com ele. Mas agora, no momento derradeiro, ela sentia sua coragem esvair.
__Sim, minha filha. Pretendo escuta-la agora. – falou sentando-se na cabeceira de sua mesa e apontando para uma cadeira vaga ao seu lado.
O Senhor do castelo estava mais aliviado depois que falou com o filho. Jacob ficaria bem rapidamente.
__Podemos aguardar um momento? – ela perguntou ainda de pé próximo a porta, como se a qualquer instante correria porta a fora. William franziu o cenho.
Esperar?
Antes que pudesse perguntar o que esperariam, Paul entrou no aposento fechando a porta atrás de si. Enquanto Rebecca sentava-se ao seu lado direito na mesa, o guerreiro permaneceu de pé, como um guarda costas.
__O que está acontecendo aqui? Por que Paul esta presente, Rebecca? Pensei que fosse algo em particular. – perguntou ele com uma voz mais rude, a desconfiança o dominando.
__E-eu solicitei sua presença, meu pai. Logo entenderá o porquê. – disse gaguejando um pouco.
Desconfiado William assentiu.
__Agora diga-me, o que tem de tão importante para falar-me? – o Senhor do castelo ajeitou-se melhor na cadeira.
Ainda com a voz trêmula, Rebecca seguiu o conselho da irmã, contando-lhe tudo desde o inicio. No momento em que contara que decidiu seduzir a Embry ela hesitou, porém Billy assentiu a orientando para prosseguir. Ela parou seu relato no momento em que descobrira a morte de Embry.
__Então era isto? – perguntou ele levantando-se ameaçadoramente da cadeira. __ Queria revelar-me que minha filha não é mais uma donzela? – disse asperamente.
As palavras rudes do pai fizeram o rosto de Rebecca esquentar de vergonha.
__Você sabe que agora será difícil arranjar um bom casamento. E deve compreender que estou profundamente decepcionado com você, minha filha. – seus três filhos eram o grande orgulho de William. Jacob seria um grande líder e guerreiro, Rachel era uma moça pacifica e incrivelmente inteligente para uma mulher e Rebecca era recatada, porém demostrava o gênio forte dos Black. Ficou decepcionado em saber que sua filha havia quebrado uma regra tão importante para a sociedade.
Rebecca engoliu em seco. Como agora contaria que estava grávida a seu pai? A mataria!
__H-há mais, meu pai. – disse em um sussurro.
Dando-lhe as costas William fez um sinal para prosseguir com as mãos.
A moça olhou nervosamente para Paul. Este apenas negou com a cabeça demonstrando que não falaria por ela.
Desconfiado pela demora do relato, William voltou-se para filha vendo-a com olhar suplicante para Paul. Ele explodiu.
__O que há mais? Não creio que vá me decepcionar mais do que já fez, Rebecca! Então termine de falar! – a moça deu um pulo quando o pai aumentou o tom de voz, era muito difícil tirar a serenidade de William Black.
Ela tentou falar, abriu e fechou a boca diversas vezes mas nada saia. O olhar cada vez mais impaciente se seu pai contribuía para sua falta de palavras. Billy nunca tinha olhado ou falado daquela maneira com ela, mesmo quando ela fez as mais diversas traquinagens.
__Devo então questionar ao Paul? Ao que me parece o rapaz sabe de tudo o que acontece neste castelo! – sua desconfiança ia em direção a Paul.
__Estou aqui apenas para garantir que escute o que Rebecca tem a dizer. – o rapaz disse inabalavelmente.
O Senhor do castelo ficou em frente ao rapaz. Paul era mais alto que William e mais encorpado, porém a habilidade do Senhor com a espada era lendária e apenas isto fez Paul dar um passo atrás.
__E por que razão não escutaria minha própria filha? – perguntou o homem ameaçadoramente.
O rapaz olhou de relance para Rebecca e tornou a calar-se.
__ Conte-me o que esta moça se nega a me dizer. – ordenou com voz alterada.
__Não posso, meu Senhor. – Paul respondeu, sabendo que a paciência de seu Senhor estava no limite.
__Meu rapaz, você testa minha paciência. Sabe que... – sabendo que seu pai estava a ponto de punir Paul por não obedecê-lo, Rebecca decidiu reagir.
__Estou grávida, meu pai! – gritou.
William permaneceu parado em choque. As lágrimas já rolavam pelo rosto de Rebecca a certeza que seu pai a baniria do clã a dominava. Ela merecia, entendia isto mais do que nunca, porém ninguém tiraria seu filho e de Embry de seus braços.
Paul – que estava de frente com o Senhor – viu quando suas feições se transformaram de choque em uma careta que misturava ira e magoa.
Momentos depois William virou-se para filha com ira nos olhos.
__O que disse? – sussurrou ameaçadoramente.
__Espero um filho de Embry, pai. E não pretendo abrir mão dele! – acrescentou corajosamente, já havia feito a pior parte.
Billy alcançou uma cadeira e a atirou na parede juntamente com um urro bravo.
__Como pôde fazer isto? – gritou para filha __ Pensei ter criado uma moça digna e respeitável, mas vejo que me enganei, parece que tenho sob meu teto uma... – calou-se no ultimo instante. __ O que pretendia com tudo isto? Sabe que sendo filha do laird deve ser exemplo para as outras moças. Agora o primeiro neto do laird dos Black será um bastardo!
__Sinto muito por tê-lo envergonhado, papai. Mas não arrependo-me de meu filho. Foi a única coisa que Embry me deixou. – Rebecca disse com a cabeça erguida.
__Envergonhado-me? Arruinou-me! Sempre repudiei este tipo de atitude em meu clã. Puni as moças e rapazes que tinham filhos fora do matrimônio, e agora você... – parou rapidamente procurando algum outro objeto para descontar sua frustração.
__Não fale assim, meu pai. eu... – ele não a deixou terminar.
__Vá embora! Deixe-me ou não respondo por mim. Tenho que decidir o que fazer com você! – disse-lhe dando as costas, no momento queria dar umas boas palmadas na moça, e se continuasse a olha-la faria isso.
__Mas papai... – tentou falar, porém Paul a parou, e com pressa levou-a até a porta.
__Deixe-o. O irritara mais ficar ali, ou pior, fará com que a expulse do clã. – disse Paul __ Tentarei ajuda-la, suba ao seu quarto, assim que tiver uma resposta de seu pai avisarei.
Assentindo a moça correu escadas a cima.
Quando voltou ao escritório Paul encontrou o poderosos Laird dos Black sentado derrotadoramente em sua cadeira, tinha o cotovelo em cima da mesa e o rosto enfiado na mão.
__Senhor...?
Com um suspiro pesado, William levantou a cabeça.
__O que faço agora, Paul? – perguntou. O rapaz se surpreendeu com a pergunta. O laird dos Black sempre sabia o que fazer.
__Precisa acalmar-se, Senhor. Encontraremos uma forma. – disse solidariamente, sabendo que seja qual fosse a punição de Rebecca o Senhor dos Black sofreria.
William amava a moça, mas não podia ignorar o que havia feito só por que se tratava de sua filha. Não haveria regalias. O pai da criança estava morto e não poderia reparar o que havia feito, e seria difícil encontrar um homem que aceitasse casar-se com uma moça que não era donzela e ainda grávida de outro.
__Só existe uma forma... – falou decidido, ainda com a cabeça baixa. – Rebecca deve ir embora do clã Black.
Fale com o autor