A Prometida - Hiatus
6 Capítulo V
Notas iniciais
Castelo de Dumfries – Clã Black
A agitação no grande salão era normal, principalmente durante o jantar, quando todos estavam juntos, mas esta noite parecia que os Black haviam ganhado uma batalha, a animação era vista a distancia. Tudo isso pela promessa do fim da maldição.
Todo o clã observou enquanto o futuro laird saia com sua escolta ao encontro da sua noiva. A prometida.
Na grande mesa central, onde o laird e sua família apreciavam a refeição, era notável a satisfação de William, ele havia engatado uma conversa animada com Paul – sentado ao seu lado esquerdo, lugar de Jacob — e alguns homens, e as vezes lhe saiam gargalhadas. Ao seu lado direito encontrava-se sua esposa e logo após dela suas duas filhas, que cochichavam freneticamente.
__ Você esta certa?__ perguntou Rachel colocando uma das mãos para proteger a boca. Ninguém podia ouvir o que diziam.
__Sim, a avó de Claire disse que não posso ter mais que algumas semanas.__ respondeu no mesmo tom que a irmã, mas ela não disfarçava a alegria. Finalmente casaria com Embry!
__Papai vai estar enfurecido, você sabe. Terá sorte de que não mate a Embry assim que souber que estas grávida!__ a última palavra fora quase um sussurro.
__Ele ficará zangado, mas não me quererá como mãe solteira.__ ela resmungou.
__Aye, papai pode até segurar-se, mas pense em Jake, ele com certeza irá acabar com seu noivo.__ Rebecca rolou os olhos.
__Jake não fará nada. Sabe que ele nos ama demais para me tirar a felicidade. Sem contar que Embry é um de seus melhores amigos.__Rachel sacudiu a cabeça negativamente, a gêmea estava louca.__ Não fui a tão longe para perder meu noivo, Rach. Irei me casar com Embry nem que seja a última coisa que faça!__ determinação era um traço familiar.
Rachel desistiu de tentar pôr algum juízo na cabeça da irmã. Não adiantaria mais nada, afinal o que mais temia aconteceu. Ela ficou grávida de Embry. Depois de seduzi-lo de todas as maneiras possíveis, Becky conseguiu.
E pensar que tudo isso fora pelo simples fato de seu pai se negar a casa-los neste momento. Ele dizia que ainda eram jovens e esperassem pelo menos até o casamento de Jacob. Mas então, sua irmã impaciente...
Oh Deus, mamãe irá enlouquecer!
Rachel olhou para o lado, sua doce mãe continuava distante. Ela sempre ficava preocupada com as viagem de batalha de Jake, e se enchia de tarefas no castelo para distrair-se, agitava a todas as mulheres com suas atividades, mas dessa vez ela estava estranhamente quieta e calada. E isso a estava preocupando.
__Mam,__ chamou-a. Os olhos castanhos se voltaram para ela tristes.__ O que tens? Estou ficando preocupada.
Sarah suspirou. Não queria deixar suas filhas nem o marido preocupados, mas estava falhando miseravelmente.
__ Não há nada Rachel, querida.__ tentou sorrir__ Só estou pensando em seu irmão.
Um lindo sorriso surgiu dos lábios de Rachel.
__Ora mam, não tens que se preocupar! Jacob esta em uma escolta com os melhores soldados de Dumfries. Bem, nem todos...__ corou ao olhar timidamente para Paul, que agora ria de algo que seu pai falara__ Sem contar que ele é o melhor guerreiro da Escócia.__ levantou o queixo orgulhosamente__ Ninguém é como meu irmão.
Um sorriso espontâneo iluminou o rosto de Sarah. Tinha satisfação em ver o quanto seus filhos amavam um ao outro. No dia em que lhes faltasse, sabia que não estariam sozinhos.
__Sim querida, ninguém é tão bom quanto o nosso Jake.__ Rachel pareceu aliviada com sua resposta pois logo voltou-se para a sua comida.
Mas a senhora do castelo de Dumfries não estava tão conformada quanto a filha. Uma angustia agonizante a perturbava desde ontem a noite. E algo lhe dizia que tinha haver com Jacob.
__Coma esposa.__ ela sobressaltou um pouco com a voz profunda do marido. Ele deixara a conversa de lado para observar sua lady que não havia tocado em sua comida.__ Jacob esta bem.
Ela assentiu relutantemente. Não queria deixa-lo mais preocupado com suas intuições, mas...Isso realmente a estava consumindo.
__Garanto-lhe. Nosso filho deve estar fazendo sua refeição e apreciando a companhia de sua noiva.
Sarah fez uma careta. Tinha ouvido falar do temperamento de sua futura nora. Era uma moça mimada e com muitas exigências. Mas não era a personalidade da noiva de Jacob que a preocupava.
Alguém poderia ir até o castelo de Northumberland e saber que seu filho tinha chegado são e salvo? Ou ao menos mandar uma missiva para o chefe Cullen. Sim, ao menos a missiva Billy lhe poderia mandar. Ela tinha que ter certeza que Jacob estava bem!
__Billy eu...__ antes que pudesse fazer sua petição um dos soldados aproximou-se de seu marido e lhe falou ao ouvido. Ela franziu a testa.
Billy acenou e levantou-se da mesa. Sarah o olhou com duvidas.
__Estarei de volta em um momento.__ murmurou enquanto lhe dava um beijo carinhoso na têmpora.
Ela observou quando o marido saia pelas grandes portas do salão acompanhado pelo soldado e Paul. Todos pareciam alheios a movimentação, mas Sarah tinha um mal pressentimento.
Alguns momentos depois desculpou-se e se retirou da mesa, indo em direção a onde o marido tinha desaparecido. Ela não poderia aguardar mais por respostas.
Ao chegar no pátio viu mais alguns soldados Black – incluindo Paul – junto a Billy que parecia interrogar a dois jovens franzinos e com o plaid com as cores dos Cullen.
Jacob!
Todos ficaram silenciosos quando a viram, fora quando o marido finalmente a notou e logo dispensou os dois Cullen.
__Diga a Edward que aprecio sua...__olhou para esposa__ Mensagem e que espero a resposta da minha.
Assistiu calada os dois homens montarem em seus cavalos e partirem a todo galope.
__Marido... O que houve?__ sua voz saiu mais frágil do que pretendia.
Ele olhou-a por um breve momento.
__Paul, faça o que ordenei.__ disse com suas orbes negras ainda a perfurando.__Agora.__ acrescentou.
Em alguns segundos ninguém mais os rodeava e isso preocupou mais Sarah, fazendo sua respiração sair errática.
__Billy...
__Edward me mandou uma mensagem.__ começou suavemente.
__Sim?__ suas mãos já tremiam. Billy desviou o olhar por um momento.__ Billy, diga-me!__ exigiu com um pouco mais de força.
__Preciso que fique mais calma, mulher.__ disse ele cuidadosamente.
__ E eu preciso que me diga!__ estalou sem se importar que alguém visse__ É-é Jacob?__ conseguiu gaguejar.
__Na mensagem de Edward dizia que... Jacob não chegou a Northumberland.
__Não!__ suspirou enquanto sentia as pernas cederem, teria caído no chão duro se o marido não a tivesse aparado.
__Sarah!
__Procure-o Billy!__ disse com as lágrimas molhando seu belo rosto__ Procure-o e traga de volta meu menino!__ pediu antes de perder a consciência.
Cabana entre os Clãs de Cullen e Black
Nessie debruçou-se, puxando a túnica do homem, enquanto procurava a fonte de todo o sangue. Havia um enorme corte ao lado de suas vestes e quando ela afastou os frangalhos, ela suspirou fortemente.
Havia um corte que ia do seu quadril para logo abaixo do braço. A carne estava esfolada abrindo a ferida que tinha, pelo menos, um centímetro de profundidade. Felizmente não era mais profundo, pois certamente teria sido um golpe mortal.
Seria certamente necessário agulha e linha e um monte de rezas para que não sucumbisse a uma febre.
Ela passou as mãos ansiosamente sobre seu abdômen definido, procurando algum outro tipo de ferida. Era um guerreiro forte, grande e bem musculoso. Havia outras cicatrizes, uma na barriga e um no seu ombro. Essas eram mais velhas e não pareciam ter sido tão severas quanto a sua lesão atual.
O que faria?
Levantou-se e olhou para todas as direções, procurando algum indicio de onde tinha vindo ou até mesmo que a resposta caísse do céu. Suspirando Renesmee abaixou-se novamente.
Observou sua porta com o lábio inferior preso firmemente entre os dentes. Ele era enorme e não era páreo para uma moça de seu tamanho. Como carregaria-o para dentro de sua cabana?Se Seth estivesse aqui tudo seria mais fácil.
Renesmee olhou fixamente para o enorme alazão negro, que estava agora mastigando grama e uma ideia insana passou pela sua cabeça.
Ela definitivamente não teria forças para alavancar o guerreiro de volta a sela do cavalo. Correu para dentro da cabana e puxou o lençol que cobria sua improvisada cama de palha e voltou rapidamente para fora.
Levou um momento para posicionar o lençol, pois tinha que colocar pedras no fim de mantê-lo reto sem ondular a partir do vento.
Quando terminou, ela deu a volta ao outro lado do guerreiro e empurrou-o para rolar sobre o lençol.
Foi como empurrar uma rocha.
__Acorde e me ajude! Não pode ficar nesse frio.__ disse enquanto tentava novamente empurrar o homem para cima do lençol.
Ele grunhiu e Renesmee quase volta correndo para dentro a cabana.
__Mexa-se! Não tem amor a sua vida?__ ignorou o medo e voltou a empurra-lo__ Me ajude a coloca-lo em um lugar quente!
__Não vou ajuda-la a me levar para o inferno.__ sua voz profunda e rouca pegou Renesmee de surpresa. Não esperava que o homem estivesse consciente.
__Irá realmente ao inferno se não me ajudar a tira-lo do frio!__ ela falou entre os dentes quando mais uma vez empurrou-o para cima do lençol. Para sua surpresa ele ajudou-a rolando e posicionando no pano, mas nunca abriu os olhos.
__Sabia que no inferno só havia mulheres.__ ele resmungou.
__Estou realmente pensando em deixa-lo apodrecer no frio.__ ela disse. Logo calou-se, o homem deveria estar delirando e ela debatendo com ele.
Ela balançou a cabeça e foi buscar ao cavalo, que lhe veio de bom grado. Ela puxou as extremidades do lençol na sela e o cavalo. O cavalo trotou em sua cabana.
Havia pouco espaço para manobrar em torno do animal e do guerreiro. Eles encheram o interior minúsculo de sua cabana. Ela rapidamente desamarrou as extremidades do lençol e em seguida, teve o cavalo fora da cabana.
Estava exausta com seus esforços, mas seu guerreiro precisava de cuidados para sobreviver.
Seu guerreiro? Ela bufou. Sua mais nova dor de cabeça, mais provável. Não há necessidade de entretenimento estúpido, pensamentos fantasiosos. Se ele morresse, ela provavelmente seria responsabilizada.
Após uma inspeção mais próxima,concluiu que ele obviamente não era um Cullen. Ela franziu o cenho. Ele era um inimigo para os Cullen? Não que ela lhes devia sua lealdade, mas não podia trazer mais problemas a sua porta.
Estava agora mesmo salvando a vida de um homem que era uma ameaça para ela?
As cores de suas vestimentas não eram familiares, mas então nunca tinha estado mais longe do que as terras Cullen em sua vida.
Ela não tinha nenhuma esperança de leva-lo para sua cama para que ela fizesse um melhor atendimento. Então trouxe sua cama para ele.
Ela organizou os cobertores e travesseiros em torno dele para que pudesse ficar confortável, e depois acrescentou madeira para o fogo que estava morrendo. Daqui a pouco o frio abandonaria a sala.
Em seguida, ela recolheu seu material, misturou as ervas e triturou as folhas, acrescentando água suficiente para fazer uma pasta.
Quando estava satisfeita com a consistência, deixou de lado e começou a preparar bandagens de uma folha de linho mais velha para os curativos.
Quando tudo estava em ordem, voltou para o seu guerreiro e se ajoelhou ao seu lado. Ele não tinha recuperado a consciência desde que foi arrastado em sua cabana. Na qual ela estava grata, a última coisa que precisava era de um homem duas vezes seu tamanho para se tornar resistente.
Então, gentilmente Renesmee começou a limpar o seu enorme corte. Enquanto ela limpava o sangue seco, mais sangue fresco saia de sua ferida. Demorou algum tempo até tudo estar limpo, mas Renesmee era meticulosa nesse aspecto, não queria que sua ferida fosse costurada com sangue seco ao seu redor.
Quando tudo estava consideravelmente limpo, ela apertou a carne em volta e pegou a agulha, segurou a respiração quando o espetou, mas não houve reação por parte do guerreiro, ele estava profundamente adormecido.
Ela trabalhou para baixo, pairando sobre ele até que suas costas doíam e seus olhos nublavam da tensão. Rezava para que não sucumbisse a uma febre, somente pioraria as coisas, e de qualquer forma se sentiria dolorido os próximos dias.
Agora deveria colocar as bandagens que tinha separado, o ideal seria enrolar seu tronco com o linho. Mas como fazer isso em um homem de quase o dobro de seu peso e altura e ainda inconsciente?
Saiu da cabana indo em direção ao rio. O vento gélido era reconfortante depois de ter passado o que lhe pareceu horas dentro de uma cabana pequena, apertada e quente. Assim que encheu uma vasilha com água voltou para dentro e lavou a ferida e colocou a pasta que havia preparado.
Vendo que não tinha escolha, colocou o linho verticalmente na ferida. A bandagem agarrou em sua pele graças a pasta de ervas que havia feito. Se ele ficasse quieto nada sairia do lugar.
Depois que guardou tudo o que havia usado e deixado por perto o que poderia precisar, sentou-se junto ao grande homem adormecido em seu chão.
Era bonito.
Alisou o cabelo curtos e negros espetados. Este corte lhe era estranho, os homens Cullen levavam os cabelos um pouco mais cumpridos, mas novamente, ela não sabia de onde tinha vindo. Porem tudo nele era impressionante.
Atraída pela beleza de seu rosto, passou o dedo sobre sua bochecha e queixo. Ele realmente era um homem único. O maxilar quadrado e rude, os maçãs do rosto proeminente, os lábios grossos e a barba por fazer o deixava com um aspecto feroz. Incrivelmente tudo isso era harmonioso, deixando-o com feições dignas de um guerreiro.
Seu guerreiro.
Ignorando seu último pensamento. Ela se perguntou sobre seus olhos. Que cor seriam?
Verdes como os da maioria dos homens do clã Cullen? Ou azuis como os do maldito Carlisle Cullen?
Como se respondendo sua pergunta, suas pálpebras se abriram, seu olhar estava um pouco desfocado, mas ela pode saciar sua dúvida. Negros, como a cor de seus cabelos. Um olhar sombrio como o céu antes de uma tempestade. Combinava perfeitamente com seu rosto e impressionante corpo.
Bonito não começava nem a descrever adequadamente seu guerreiro.
Ele parecia agoniado e tentou levantar-se, mas Renesmee o deteve empurrando-o suavemente pelos ombros, o forçando a deitar.
__Durma guerreiro.__ sussurrou acariciando seu rosto.__ Precisa descansar. Tem uma grande recuperação pela frente.
O homem pareceu relaxar ao ouvir sua voz e quando já tinha os olhos fechados novamente, disse com aquela voz rouca porém grave:
__Você não deve me deixar, moça.
Sorriu com o seu comentário. Teve a impressão que estava lhe dando uma ordem.
__Não se preocupe, guerreiro. Não o deixarei.
Castelo de Dumfries – Clã Black
Os passos duros e rápidos de Billy foram ouvidos antes mesmo dele abrir a grande porta de seu aposento. Sua primeira visão, fora de Rachel que estava sentada na cabeceira da cama, os olhos lacrimosos e o nariz vermelho pelo choro. Ele aproximou-se da cama com uma ruga de preocupação na testa.
__Ainda não acordou?__ perguntou a filha enquanto ajoelhava-se ao lado do leito.
__Sim, mas Emily achou melhor dar-lhe um chá calmante. __ enxugou as lágrimas com um lenço.__ Desde então dorme um sono agitado.
O laird olhou a esposa desacordada. Seu coração encontrava-se apertado, não queria contar-lhes mas, também tinha medo – pela primeira vez- sobre o destino de seu filho.
Sarah parecia estar muito mais preocupada, mas então, ela era sua mãe e Jacob sempre teve uma ligação muito forte com ela, até mais que as irmãs.
__Pai...__ Billy voltou seu rosto em direção a grande janela do quarto, onde estava Rebecca. Sua outra filha, que sempre mostrou um gênio e personalidade fortes, tinha uma feição desolada__ Ainda acredita que estão atrasados?__ sua voz tinha um tom de esperança.
Suspirou. Sabia que Becky estava bastante preocupada com o irmão, mas ainda havia seu noivo, que acompanhava a Jacob. Billy hesitou em responder.
__Não, minha filha. Acredito que algo aconteceu.__ disse sinceramente.
Rebecca tentou conter um soluço, mas falhou miseravelmente. Billy levantou-se e foi até a filha a abraçando.
__Estou saindo agora para procura-los.__ afastou-a o suficiente para olhar em seu rosto vermelho.__ Por isso vim pedir-lhes que cuidem de sua mãe. Tente acalma-la, ela vai estar irritada e quererá procurar a Jacob por conta própria. Contenham-na.__ pediu e Rebecca assentiu assim como sua gêmea. A senhora do castelo de Dumfries era bastante teimosa quando queria.
Depositou um beijo nas têmporas das duas filhas e voltou a ajoelhar ao lado da esposa, segurando-lhe a mão.
__ O trarei de volta, Sarah. Nem que isso custe minha vida!__ prometeu e logo beijou suas duas mãos.
Assim que saiu dos seus aposentos gritou ordens para todos os soldados. Precisava levar bons guerreiros para começar a busca, mas teria que deixar os melhores para proteger ao clã, suas filhas e esposa.
Só esperava que Jacob estivesse vivo.
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