A Prometida - Hiatus
10 Capítulo IX
Notas iniciais
—_Uma mulher muito desagradável esta que trouxemos. – resmungou Sam ao Senhor de Dumfries.
Estavam viajando desde que partiram da pequena cabana, e não haviam parado para descansar em nenhum momento, passaram toda madrugada cavalgando incessantemente. Todos concentrados em chegar o mais rápido possível no clã e atentos ao redor, outro ataque não seria uma surpresa. Nenhum de seus homens conversava ou reclamava, a prioridade era voltar para casa com segurança. Por isso Billy estranhou quando seu sobrinho – filho de sua irmã – quebrou o silencio para reclamar a escolha da prisioneira.
William sorriu e olhou para os lados onde seus homens levavam Jacob entre eles.
Seu filho não havia acordado em nenhum momento, o que significava que estava descansando.
—_Ela tem um lado bom na cura e isso é tudo que importa. – Billy apenas disse olhando logo após para a mulher que cavalgava com Quil. A moça cedeu sobre o rapaz, e tudo o que ele podia fazer era ampara-la para não cair da sela.
—_Parece que ela não descansou em sua vigilância sobre meu filho – Billy murmurou.__ O clã precisa desse tipo de dedicação. Nesses últimos tempos, com tantas batalhas acontecendo, necessitamos de alguém com esse dom.
Sam acenou em acordo, mas claramente contrariado com a escolha da curandeira. Claramente um não suportava o outro.
—_ Mas logo isso acabará, senhor. – Billy voltou seu olhar para Sam __ Assim que Jacob casar-se com a moça Cullen.
O senhor dos Black nada respondeu, ainda precisava ter uma longa conversa com Edward. Jacob estava muito próximo as terras Cullen, e ninguém o havia visto. O ataque teria sido contra os Black ou os atacantes os confundiram com soldados Cullen?
Nenhuma das duas possibilidades agradava a William, mesmo os Cullen não estando sob sua responsabilidade, logo seria de seu filho.
Jacob...Poderia ter perdido seu primogênito neste ataque, se não fosse pela habilidade em batalha do filho e os cuidados da moça com nome estranho.
Continuava intrigado pelo fato de uma mulher com um dom tão útil vivesse sozinha e fora dos muros de Northumberland, mesmo afirmando que não possuía sobrenome, o mais correto seria que a garota fosse acolhida pelos Cullen. Edward sendo um homem tão íntegro não permitiria que a moça tão jovem ficasse desprotegida...
A moça despertou após um pequeno salto do cavalo, recompondo-se olhou William não como uma prisioneira, mas sim como uma senhora da nobreza. Seu olhar era descontente. William teve vontade de rir. Ela era uma coisa um pouco espinhosa.
Por que ela iria querer continuar a viver sozinha e na miséria em que estava?
—_ Há muito que cuida de feridas de guerras? – Ele gritou para ela.
Ela lhe lançou um olhar severo e seus olhos estreitaram. __ Sim, já salvei um ou dois homens de feridas por espadas.
—_Tem alguma habilidade com isso? – Ele persistiu.
—_ Bem, ninguém morreu se é isso que está perguntando. – disse ela secamente.
O senhor Black puxou as rédeas e parou – pela primeira vez- ao lado do cavalo de Quil, olhando diretamente nos olhos castanhos da pequena moça impertinente.
—_Ouça-me, megera. Uma das pessoas mais importante para mim precisa de suas habilidades. Não necessito do seu desrespeito. Quando você estiver em minhas terras e meu castelo, minha palavra é a lei. Eu sou a lei. Você vai me reconhecer como seu Senhor. Se não me ajudar, vai ficar neste clima de inverno sem abrigo e sem comida.”
A contragosto ela assentiu.
—_É melhor não ter a ira do Senhor, moça, – Quil sussurrou perto de seu ouvido. __ Ele está no limite com o desaparecimento do filho e a morte de tantos soldados.
Renesmee engoliu, sentindo-se arrependida por sua irreverência. Ainda assim, ela não poderia se culpar demais. Ela tinha sido roubada de sua cabana e ainda não sabia como seria tratada no outro clã. Mas ela era esperta o suficiente para não empurrar o senhor do clã quando ela ainda é apenas uma prisioneira.
—_ Trato de ferimentos de guerra desde criança, e nenhum guerreiro jamais morreu tendo sido cuidado por mim – confessou ao senhor a contragosto __Não vou deixar o seu filho morrer. Já coloquei em minha mente pela sua sobrevivência, e você vai ver, que não sou de desistir.
—_ Imaginei isso. Moça teimosa. – Sam murmurou. __ Ela e Rachel devem se dar bem.
Renesmee inclinou a cabeça confusa, mas Sam não parecia disposto a esclarecer.
—_ Grande idiota. – murmurou para si, mas ouviu o sorriso preso de Quil.
—_ Quanto tempo falta para chegarmos ao castelo, Senhor? – Ela gritou.
O Senhor virou em sua direção. __ Mais um dia, porém com Jacob dessa forma, podemos contar com isso levando mais tempo. Vamos viajar tão longe quanto possamos e acampando tão perto das terras Black possível.
—_ E quando eu curar o seu filho, então posso voltar para minha cabana?
O olhar do Senhor se estreitou. Sam parecia que iria gritar: Sim!
—_Vou considerá-lo. Mas não farei promessas. Nosso clã tem necessidade de uma curandeira qualificada.
Ela franziu a testa, mas acreditava que isto era melhor do que uma recusa absoluta.
Sem mais o que fazer, encostou-se em Quil sem cerimonia, o homem não tinha se importado da primeira vez.
Ela ajustou suas vistas sobre o campo, tentando reunir emoção para ver além da área que havia crescido e morava desde seu nascimento. Na verdade, não era tão diferente. Rochas se espalhavam pelo chão. Eles cavalgavam entre áreas densamente florestadas e vales verdes.
Sim, era bonito, mas não tinha diferença do que ela sempre imaginou.
Quando eles se aproximaram de um riacho, Senhor Black chamou em uma parada e ordenou aos seus homens para proteger o perímetro do seu acampamento.
Como uma operação bem afiada, cada um tomou uma tarefa diferente, e logo tendas foram montadas, fogos foram construídos, e os guardas estavam apostos.
Tão logo Jacob foi colocado perto do fogo, ela correu para ele, sentindo seu rosto e colocando sua cabeça perto do peito para ouvir sua respiração.
Sua ausência prolongada de consciência incomodava imensamente. Ele não tinha acordado uma vez durante sua viagem. Ela se esforçou para ouvir suas respirações. Eram superficiais e seu peito quase não levantava com o esforço.
Sua testa queimava ao toque. Seus lábios estavam secos e rachados. Virou a cabeça na direção aos soldados e ao Senhor Black, sabendo que eles estavam assistindo.
—_Preciso de água e preciso de um de vocês para me ajudar a dar-lhe de beber.
Sam foi para a água enquanto William ajoelhava-se no outro lado de Jacob e colocava o braço por baixo do pescoço de seu filho. O senhor levantou e Sam entregou uma caneca de barro para Renesmee.
Ela cuidadosamente levou aos lábios do guerreiro, mas quando verteu a água em sua boca, derramou para fora, e em seu pescoço.
—_Pare de ser teimoso, guerreiro – ela ralhou.__Beba para que possamos todos dormir esta noite. Tenho estado muito tempo sem dormir por causa de você.
Jacob reclamou ainda com os olhos fechados e ela aproveitou a boca aberta e inclinou a lata para que a água derramasse passando pelos lábios.
Ele engasgou e tossiu, mas engoliu a maior parte.
—_Sim, isso. Você vai se sentir melhor rapidamente. – Renesmee murmurou quando verteu mais água em sua boca.
Jacob obedientemente engoliu, e quando Nessie estava satisfeita que ele tinha tomado o suficiente, fez sinal para o Senhor abaixar o filho de volta ao chão.
Ela arrancou um pedaço de suas saias esfarrapadas e mergulhou-o na água restante. Então, limpou sobre a testa do guerreiro, aliviando as linhas esticadas que se reuniram na testa.
—_Fique tranquilo, guerreiro – ela sussurrou.
—_Anjo – ele murmurou e Renesmee revirou os olhos. Quanto mais ele a chamaria assim? __Fique perto de mim.
Renesmee olhou por cima do ombro para ver Sam carrancudo enquanto brilhava divertimento nos olhos de William. Ela estreitou os olhos para os dois.
O senhor de Dumfries não esperava que ela dormisse ao lado de seu filho... Esperava?
Billy adiantou-se. __ Eu vou pegar os cobertores para que você esteja ao mesmo tempo confortável. Aprecio você ficar perto dele quando ele está tão mal.
Mesmo estando escandalizada com o pedido do Senhor de Dumfries, Renesmee decidiu que William não era um homem mal. Ainda não iria julgar a Sam, o homem só a havia enviado olhares desagradáveis e palavras rudes, porém não aparentava ser uma pessoa sem caráter, só não a suportava sem motivos.
Nessie olhou ao redor para os soldados Black, esperando ver algum olhar reprovativo, todos haviam escutado a declaração de Billy e ela aguardava cochichos ou repugnância, mas cada homem estava concentrado em suas funções. Na verdade, parecia que apenas ela estava desconfortável com a situação...Ela e Sam.
Momentos depois o Senhor Black retorna trazendo alguns cobertores entregou-lhe e virou as costas, nada disse.
Renesmee arrumou os cobertores de modo que Jacob e ela ficassem mais confortáveis, logo deitou-se. Mesmo tendo cochilado quase toda viagem, sentia-se esgotada.
Ficou observando enquanto os soldados acendiam uma fogueira e encontravam um lugar para descansar próximo a ela. Com o frio que fazia e repousando na grama, não ficaria admirada se esses homens ficassem doentes.
—_Anjo... – o guerreiro sussurrou ainda de olhos fechados.
Renesmee virou-se totalmente para o homem ao seu lado, o calor que emanava dele era reconfortante.
—_ Estou aqui, guerreiro. – sussurrou de volta. Automaticamente Jacob passou seu grande braço por baixo de Renesmee a puxando para mais perto, e enfiando o rosto nos cabelos da moça.
—_Não me deixe, Anjo. – pediu. Renesmee estremeceu ao sentir o hálito quente no seu pescoço.
Ainda tensa a garota tentou afastar-se um pouco para manter o pouco que restara da sua reputação, mas logo desistiu e aconchegou-se ao lado de Jacob. Passara os últimos três dias sozinha com um homem doente em sua cabana e tinha sido sequestrada por um grupo de soldados, que reputação ela tinha a zelar neste momento?
Suspirou entristecida do modo que as coisas aconteceram em sua vida. Apenas tinha tentado ajudar a um homem, e agora encontrava-se em meio a um grupo de guerreiros desconhecidos para uma terra em que jamais esteve...Pior, sem saber o que esperar de seu destino.
Quando Nessie abriu os olhos, tudo o que podia ver era a largura do tórax de um homem.
Calor a cercava, como também duas toras de madeira, mas ela finalmente descobriu que eram braços. Jacob.
Durante a noite, puxou-a contra ele de modo que nem mesmo um sopro podia separá-los.
Ainda sonolenta ela mexeu o braço entre eles e correu o dedo sobre a testa do guerreiro. Ela franziu a testa e apertou os lábios preocupada. Ele ainda estava quente. Quente demais para seu gosto.
Ela torceu e virou a cabeça, olhando para o céu para ver que tinha apenas começado a clarear. Ao seu redor o acampamento estava agitado e os homens silenciosamente mexiam-se, preparando os cavalos e embalando o equipamento.
Quando ela avistou o Senhor Black ela chamou baixinho por ele.
—_Temos que nos apressar. – disse ela.__ Ele precisa de um quarto quente. Não vai melhorar até que possamos vê-lo fora deste ar frio e úmido. Sua febre ainda permanece esta manhã.
—_Sim, nós vamos sair imediatamente. Não estamos longe das terras Black. Vamos chegar ao castelo no meio da manhã.
Tinham cavalgado incansavelmente durante todo o dia anterior. Chegou a sentir pelos cavalos, mas pareciam que esses animais dos Black estavam acostumados a grande esforço. Uma viagem que – segundo seu primo Seth – duraria três dias, fora feita em um dia e meio. Suas nádegas doíam pelas horas sentadas desconfortavelmente
Renesmee olhou para o homem ao seu lado.
—_Você deve ficar bem, guerreiro. – sussurrou __ Creio que sua família não verá com bons olhos se você não ficar bem. Tenho muitos problemas para acrescentar-me mais a este.
A escolta continuou com sua cavalgada incessável, passando por verdes pastos e lugares rochosos, o ar estava ficando cada vez mais seco e Nessie já sentia o cheiro da neve se aproximando. A cada minuto lançava um olhar preocupado a maca em que seu guerreiro se encontrava. Gostaria de poder verificar sua febre e dar-lhe algo para aliviar as dores que certamente estava sentindo, mas não poderia forçar uma parada, atrasariam-nos. O que Jacob mais precisava no momento era de um local quente para descansar e ela pudesse cuida-lo melhor.
Algumas horas mais tarde, eles subiram uma elevação e Renesmee viu as águas escuras de um lago espalhando-se sobre o vale e batendo nas encostas. Aninhado na curva, havia um imenso castelo, era tão imponente quanto o castelo de Northumberland, porém seus muros pareciam ter sido planejados para proteger o castelo de qualquer ataque. Era deslumbrante.
Como se soubesse que admirava o castelo de Dumfries, o Senhor a olhou.
—_ Você será bem provida nas terras Black. Enquanto você faz as tarefas que te trouxeram aqui, será amplamente recompensada com um lugar para morar e comida na sua mesa.
Ela quase bufou. Ele fez parecer tão civilizado, como se tivessem contratado os seus serviços. Arrebatando-a do calor de seus cobertores dificilmente poderia ser interpretado como um convite.
Um soldado correu a frente para avisar sobre a chegada da escolta. Assim que passaram pelos grandes portões, Nessie sentiu um frio no ventre, não havia retorno, tinha que servir os Black até que William dissesse o contrário.
Cada vez mais pessoas apareciam enquanto a escolta adentrava nas terras Black, e assim que chegaram no que parecia ser o pátio interno, parecia que todo o clã havia parado as atividades para ver o que acontecia.
Os rostos dos homens e mulheres Black demonstravam preocupação e aflição enquanto viam alguns soldados carregarem a maca improvisada que servia de cama para Jacob.
Sentindo-se mais deslocada do que nunca, Nessie reparou que o clã Black aparentava ser um povo organizado e trabalhador, todos tinham uma função ali e apenas deixaram seu posto para ver se o futuro Laird havia retornado.
Os olhos de Nessie foram para o castelo, enorme e imponente, tão grande quanto Northumberland, porém muito mais protegido por muros de pedra. Era situado em um local estratégico em cima de uma grande e íngreme rocha o que dificultava qualquer ataque inimigo. O castelo era também de pedra com várias janelas e torres era, de fato, impressionante, tão belo quanto seu primo Seth a havia dito.
Dumfries era um castelo magnifico, porém uma diminuta figura que saíra do portão do castelo foi que lhe roubou atenção. Nitidamente uma mulher pequenina que corria, aflita, em direção a eles...Na verdade, corria em direção a Jacob. Renesmee prendeu a respiração quando a mulher ajoelhou-se ao lado da maca e o examinou dos pés a cabeça.
Imaginara que seu guerreiro poderia ter uma esposa e filhos, mas tinha colocado essa ideia tão profundamente em sua mente que tinha esquecido da possibilidade, mas vendo esta mulher e sua preocupação sentiu como se o estômago pesasse.
—_ Está bem, Billy? – perguntou ela com desespero na voz referindo-se ao seu guerreiro.
—_No momento não, mas ficará. Jacob é um homem forte. Não se aflija! – o laid disse colocando a mão no ombro da mulher, como apoio.
—_Não afligir-me? Trata-se de meu filho! E está ferido. – disse olhando com a testa franzida ferozmente. __ Devemos trazê-lo para dentro e tratá-lo.
Filho? Pensou impressionada.
Ou os pais de Jacob haviam se casado muito jovens ou os Black tinham algo impressionante com a juventude. A Senhora de Dumfries não aparentava ter mais que dez anos a mais que ela.
—_ Trouxe alguém que vai cuidar dele – a voz de William trouxe Renesmee de volta a realidade. A senhora Black virou bruscamente e olhou entre os cavaleiros que estavam desmontando até encontrar Nessie e suas sobrancelhas se levantaram em surpresa. Seus olhos estreitaram e seu rosto se fechou, pensativo.
—_ E ela é qualificada para cuidar das lesões de meu filho?
Nisso a moça se soltou de Quil, caindo no chão. Logo, se colocou de pé e enfrentou a senhora do castelo com indignação, sem importar-se com sua posição atual. Como ousam desconfiar de sua habilidade natural?
—_Fique sabendo que eu sou procurada regularmente por minhas habilidades de cura. Além disso, não tinha vontade de vir com o Senhor Black. Não me foi dada uma escolha! Estou qualificada? Certamente. Mas a pergunta que deve ser colocada é se estou disposta a cuidar dos ferimentos de Jacob.
Claro que ela estava disposta, porém ninguém a perguntou se queria. Esperando uma retaliação por parte da Senhora do castelo, surpreendeu-se.
A morena piscou e seu queixo caiu.
Suas sobrancelhas se juntaram em confusão pouco antes de ela se virar para seu marido, que estava olhando furioso para Nessie.
—_ Billy? Isso é verdade? Você sequestrou esta mulher? – a voz da Senhora saíra indignada.
Os lábios de William se contorceram em um rosnado. Ele apontou para Nessie e avançou. A moça prendeu as pernas juntas para manter os joelhos de bater. Ela não demonstrava medo, mesmo que estivesse aterrorizada até os dedos dos pés.
—_Você irá tratar a Senhora Black com respeito. Você tem duas opções. Pode aceitar o seu destino ou pode morrer. Você não tem um clã, mas deve aprender como se trata os Senhores de um. Não tenho tempo para petulância. A vida de meu filho está pendurada na balança. Cuidará dele e não deixará seu dever, fui claro?
Os lábios de Nessie se apertaram em uma linha e mordeu a língua para impedir-se de dizer o que realmente queria. Em vez disso, emitiu um aceno curto.
Sarah olhou entre Billy e seu marido, claramente confusa. __ Billy, você não pode simplesmente raptar esta mulher. O que será de sua casa? Sua família? Certamente há outra maneira...
Billy colocou novamente a mão no ombro de sua esposa. E a olhou docemente, diferente do senhor impetuoso que a atacara.
—_ Enquanto estamos aqui discutindo, Jacob piora. Vá e se apresse, prepare o quarto dele para que os meus homens possam levá-lo dentro Renesmee terá necessidade dos seus suprimentos. Certifique-se que as mulheres dão a ela o que ela precisa para cuidar de Jacob. Ela também vai ter necessidade de um quarto. Dê-lhe um ao lado de nosso filho para que possa estar perto o tempo todo.
Voltou-se para os soldados latindo ordens para que levassem a maca com Jacob até seu aposento, e que recolhessem e cuidassem dos cavalos.
Assim que encaminhados Billy girou para a esposa.
—_ Tenho alguns assuntos a tratar, mas não demoro. – completou docemente e logo que olhou para Nessie, sua expressão era negra __ Você vai me obedecer sem questionar, e vai fazer tudo em seu poder para ajudar a Jacob, me entende?
Nessie engoliu em seco e assentiu.
William Black virou as costas com desdém e partiu. De repente, todo o aglomerado de pessoas tinha se dissipado, voltando para suas tarefas. Por um momento ela ficou ali silenciosamente, sem saber o que deveria fazer.
—_ Sinto muito que meu marido a tenha arrancado de seu lar, mas Billy não mede as consequências quando o assunto é um de nossos filhos. – Nessie não havia reparado que a Senhora Black ainda permanecia com ela no pátio.__ E claramente o sinto por ter esquecido a educação – ela rolou os olhos negros__ Sou Sarah Black, Senhora do castelo de Dumfries. – disse sorridente e estendendo-lhe a mão como cumprimento, parecendo ainda mais jovem do que pensara.
Renesmee piscou várias vezes antes de erguer a mão e aperta-lhe.
—_Renesmee. – mal ouviu sua própria voz perante a surpresa. Supunha que como Senhora do castelo, Sarah fosse um pouco menos humilde, mas a tratara muito bem... pelo menos até agora.
Assistiu o cenho da Senhora Black franzir com desconfiança.
—_Um nome bastante incomum. – vagueou.
—_ Minha mãe... – disse apenas sem nada acrescentar. Ainda não sabia se poderia revelar tudo a seu respeito.
Olhou novamente ao redor e notou algumas semelhanças com Northumberland: havia o pátio, uma fonte, um jardim com urzes...
—_ Faça uma lista do que precisa para Emily. Ela conseguira tudo o que necessita. – Nessie se sobressaltou quando Sarah segurou seu cotovelo e a guiou para os portões do castelo.__ Vamos Renesmee, precisamos sair deste frio, Jacob precisa das suas preciosas habilidades de cura, como você mesma afirmou, não de uma curandeira congelada.
Poderia ter se sentido ofendida, mas Renesmee sorriu. Pela primeira vez em muito tempo estava começando a sentir-se relaxada, mesmo na situação em que se encontrava. A Senhora Black estava sendo gentil sem nem conhece-la, enquanto que várias pessoas do clã Cullen, que a conhecem desde menina, nunca proferiram uma palavra amável.
Esperava que uma possível piora do guerreiro não a faça mudar de atitude, já era ruim o suficiente estar longe de sua cabana.
Cabana próxima as terras Cullen
Pisando duramente pela grama ainda verde do prado, Tânia amaldiçoava a casa passo a sua filha.
—_Sempre me obriga em ser enérgica!
Estava com fome, não comia uma comida fresca e quente há dias, tudo por que a garota insolente sempre a desafiava. Agora tinha que andar vários quilômetros a procura da infeliz, a fim de ordenar que voltasse para casa e lhe fizesse algo de comer.
Desde criança sempre a desafiava, nariz arrebitado como se fosse a dona do universo e aqueles olhos enormes e castanhos que a encaravam com acusação...Por isso sempre teve prazer em puni-la, a garota questionava, culpava e a julgava com apenas um olhar, sem dizer nada.
—_Merece todos os castigos! – falou mais alto, como se assim a moça escutasse e entendesse.
Suspirou aliviada quando finalmente avistou a cabana na qual Seth a ajudara a construir.
“Se fosse você, moraria ali. Somente assim escaparia da sua mãe louca.” foi o que o garoto, outro insolente dissera certa vez. Antes de construírem a maldita cabana, Renesmee dormia em uma tenda improvisada embaixo do grande salgueiro.
Amaldiçoou mais uma vez, se ainda estivesse sob o salgueiro, não teria que andar tanto para procura-la.
Bateu a porta assim que ficara de frente para mesma, mas não obteve resposta imediatamente.
—_Renesmee, sou eu. Você pode voltar para casa. – disse em voz alta e afastou-se da porta pronta para partir novamente, ela sempre voltava sorridente e fazia tudo o que ela solicitasse. Mas, Tânia voltou-se para porta de novo, nenhum barulho era ouvido.
—_Renesmee!! Vamos garota, não me faça arrepender em aceita-la de volta! – gritou mais alto, sentindo a raiva começando a domina-la.__ Se não sair, juro que arrombarei a porta e destruirei esta maldita cabana!
A garota estava gozando de sua cara?
Pegando uma tora de madeira que estava jogado ao chão, a mulher avançou com toda força contra porta, e logo encontrava-se de cara para o chão de terra. A porta estava apenas encostada.
Pra onde teria ido a infeliz?
Decidiu, então esperar. A moça levaria alguns tapas antes de arrasta-la para casa.
Mas com o passar do tempo, e o cair da noite, Tânia percebeu que a moça estava muito mais longe do que imaginara. Não estaria no clã, sabia e lamentava sempre o quanto era odiada. Mas para onde foi?
O desaparecimento de Renesmee só fez com que um sentimento crescesse: a ira.
—_Como se atreve a abandonar-me neste inferno sozinha? – sussurrou para o vento. Olhou para o céu cinzento que indicava que logo uma tempestade cairia. Teria de voltar para casa, sem a garota e comer mais uma vez algo horrível feito por ela mesma.
—_Ah Renesmee...Você me pagará por isto! Quanto mais demorar a voltar, pior será o sua punição. – os olhos azuis de Tânia brilharam com as ideias que rondavam sua cabeça. Lhe daria um castigo que jamais esqueceria, mesmo se voltasse na manhã seguinte. Por que Tânia tinha apenas uma certeza:
Renesmee voltaria. Ela sempre volta.
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