A Prometida

3 Casamento


Notas iniciais
Finalização. Agradeço ao Squad mais lindo do mundo, por ter me recebido de braços abertos e me fazer sentir parte da porra toda! Amo vocês, meninas! Agradecimento especial à Lubs, que me ajudou com a cena final e ao Taioko, por me ajudar a editar! Amo vocês!

Agora que Lucius concluíra Hogwarts e passou a trabalhar no Ministério da Magia, meus pais estavam ainda mais convictos de que ele foi a escolha certa para meu marido. Eu pensei que teria paz no início das férias, já que minha festa de noivado estava marcada para a metade de agosto; não podia estar mais errada. Logo em meu primeiro dia de férias, minha mãe quase derrubou a porta de meu quarto, tamanha a força com que batia:

– Narcissa! ­– BAM! BAM! BAM! – Narcissa, acorde!

Levantei, vesti meu robe e abri minha porta, onde me deparei Coifa, que trazia uma generosa bandeja de café da manhã e minha mãe, que tomou a o que a elfa de suas mãos e bateu a porta de meu quarto, sem a menor cerimônia, a cara da pobrezinha:

– Sente-se Narcissa, coma alguma coisa. – Ela disse, pondo a bandeja em meu colo, quando me ajeitei de volta na cama – Temos muito o que conversar.

– Bom dia para você também, Mamãe. – Eu disse, aceitando a refeição.

– Agora escute menina, que eu não estou aqui para brincadeiras. – Ela disse em tom de repreensão, enquanto sentava aos pés da minha cama. – Por acaso você sabe quais são as bases para um casamento sólido e duradouro?

Pensei por um momento, enquanto mastigava minha torrada, e finalmente respondi:

– Confiança? Cumplicidade? Respeito?

Minha mãe fez uma careta de desprezo para as minhas respostas:

– Você anda lendo muitos romances, Narcissa. – Ela bufou de descaso – A base de um casamento é ser temente ao marido e, principalmente saber mais do que ele, ao passo que demonstre saber menos. – Eu discordava daquilo com todas as minhas forças, mas ouvia atentamente em silêncio, me ocupando com o meu desjejum. – Por isso vou treinar você nas artes da oclumência. Creio que saiba o que é, não?

– É a arte de defender a mente de invasores externos, não? – Minha mãe confirmou com a cabeça – Mas a senhora está me dizendo que vai me ensinar a mentir para o meu marido sem ser pega?

Minha mãe fechou os olhos, inspirou e expirou várias vezes, para manter a calma:

– Vou lhe ensinar oclumência para que você saiba a se proteger e proteger sua família, entendeu? – Acenei que sim com a cabeça. Proteger minha família sempre foi um assunto de muita importância para mim:

– Você ensinou oclumência à Bella também?

– Ora, mas é claro que sim! As mulheres da família Black, em sua maioria, são versadas em oclumência. – Não pude deixar de reparar no orgulho que havia em sua voz, que desapareceu assim que ela retomou seu discurso de instrução – Você jamais poderá desonrar seu marido, por isso ele vai exercer um controle quase que absoluto em sua vida e invadir cada aspecto do seu “eu”: desde as roupas que você vai vestir, a comida que vai comer, até a violação de seu corpo...

Engasguei quando ela terminou essa frase, mas ela não me deu atenção e continuou a falar:

— Mas você nunca, jamais pode deixar que ele invada sua mente. – Ela respirou fundo – Entendeu Narcissa? – Eu estava em choque. Já não sabia se Mamãe estava me preparando para meu casamento, ou para me vender num mercado como escrava.

Minha mãe não esperou resposta e foi logo me dando as primeiras instruções:

– A primeira coisa que eu vou pedir a você Narcissa, é bem simples: Eu quero que você passe a esvaziar sua mente antes de dormir e sempre que for falar com alguém, certo?

Quando minha mãe percebeu que eu tinha entendido, desatou a falar sobre a métodos mais e menos eficientes de ocultar pensamentos. E, todos os dias das minhas férias, passávamos pelo menos uma hora juntas para praticar. Mamãe disse ao meu pai que estava me preparando para o casamento e não houve questionamentos.

Além de treinar oclumência com a minha mãe, eu a vi junto com Bella o tempo todo planejando meu a festa do meu noivado sem me consultarem para nada. Sempre que eu oferecia ajuda ou pedia a elas que me deixassem ajudar, ambas diziam que eu não precisava me preocupar com nada e que eu tinha que adiantar os deveres de Hogwarts e treinar o que mamãe estava me ensinando, o que logicamente, meu pai pensava ser feitiços domésticos. Mal elas sabiam que, o fato de o meu noivado e casamento estar sendo preparados às cegas para mim, me deixavam realmente preocupada.

A única decisão da qual elas me deixaram participar foi a escolha da cor do vestido que eu usaria na festa onde Lucius e eu anunciaríamos nosso compromisso para a comunidade bruxa. Veja bem que eu disse a cor, pois segundo elas, o modelo já fora decidido há muito tempo. Eu já estava irritada, pois todas as cores que eu sugeria eram negadas: “Vermelho”, muito provocante; “Roxo”, muito funeral; “Verde”, muito sem graça; “Azul”, já usei no casamento da Bella. Por fim, decidi tentar uma última vez:

— Que tal preto? — Sugeri inocentemente – É uma cor bem básica e combina com tudo.

— Preto? Você ficou louca? – Disse Bella, beirando à histeria – É a sua festa de casamento, não um funeral.

— Mas você anda o tempo todo de preto! – Protestei de cara feia.

— É que eu sempre estou de luto pela virilidade do meu marido, já que é um sofrimento para fazer aquele órgão levantar... – Disse Bella, em tom de conversa.

— Bellatrix, não fale mal do seu marido dessa forma. – Minha mãe ralhou com ela – Suas intimidades não precisam ser expostas dessa maneira vulgar.

Houve um momento de silêncio onde cada uma de nós estava imersa em nossos próprios pensamentos, quando os olhos de Bella pousaram no alto de minha cabeça:

— Já sei! O vestido dela será dourado, para combinar com os cabelos da nossa anãzinha albina.

— Grande ideia, Bella! – Disse minha mãe, aplaudindo.

— Mas mamãe... – Eu disse em tom de súplica – Dourado não ficaria bom prá mim, porque... – Mas fui interrompida antes da minha explicação:

— Já basta, Narcissa! – Ela gritou, fazendo-me calar. – Está decidido. Vou enviar uma coruja ao Drúsius agora mesmo.

Eu estava tão farta disso. Tudo o que eu fazia era treinar oclumência e tentar descobrir como estava o andamento da minha festa. Meu pai sequer falava ou opinava sobre nada, mas em compensação trocava cartas febrilmente com Abraxas Malfoy, tanto que chegou a matar a nossa coruja de pura exaustão.

No dia da minha festa de noivado, acordei cedo e fui tomar café com os meus pais. O ambiente estava silencioso. Só se ouviam as xícaras sendo pousadas nos pires e a movimentação mínimas de três pessoas que faziam o desjejum podem fazer. Quando aquela mudez estava quase que nos esmagando, meu pai decidiu quebrar o silêncio:

— Druella, estou vendo que já acabou sua refeição. – Disse ele, olhando para a minha mãe – Por favor, retire-se. Quero conversar com nossa caçula. E feche a porta quando sair, sim.

Sem dizer uma única palavra, minha mãe levantou-se e saiu obedientemente da sala de jantar, porem antes de fechar a porta, ela fez um gesto significativo para mim: colocou a mão aberta ao lado da têmpora direita e em seguida a serrou em punho. Eu sabia que tinha que pôr em prática todo o meu treinamento, esvaziando e fechando minha mente. Tomei um longo gole de chá que me deu tempo para transformar minha cabeça numa espécie de vácuo.

— Enfim Narcissa, hoje é a sua festa de noivado. – Começou ele, buscando uma direção para um provável monólogo – Espero que você desempenhe seu papel de maneira no mínimo satisfatória, entendeu? – Ele me encarou com olhos severos.

Eu sustentei seu olhar, sem hesitar e respondi com a minha voz mais obediente:

— Sim senhor, papai.

Meu pai olhou para mim com olhos de análise crítica:

— Não vai me questionar, Narcissa? – Ele perguntou com um sorriso desagradável.

— Porque eu faria uma coisa dessas, papai? Deveria? – Perguntei, bebericando um pouquinho mais do meu chá.

— Você sempre me questiona, Narcissa. Não se faça de desentendida, menina insolente!

Olhei para ele demonstrando ofensa pela repreensão:

— Ora papai, eu aceitei a minha função como mulher da família Black, só isso. Não sou mais criança, sabe.

Uma expressão de triunfo, que me fazia sentir doente, se espalhou pelo rosto dele:

— Parece que sua mãe colocou um pouco de juízo na sua cabeça, afinal.

— Parece que sim, Papai. – Eu sorri, submissa – Agora se me dá licença, tenho que ir ao meu quarto para começar a me arrumar.

— Vá, vá. – Ele disse me dispensando com um aceno de mão – E chame a sua mãe para mim. Quero saber se ela comprou a nova coruja que eu mandei.

Pedi licença e saí. Quando cheguei ao meu quarto, minha mãe já estava lá, conversando com Bella:

— Como foi com o seu pai? – Ela perguntou, ansiosa.

— Foi bem, mamãe. Deu tudo certo. – Sorri para acalmá-la. – Aliás, papai quer lhe falar. Algo sobre uma coruja nova.

— Ah, claro. Com licença, meninas. – Ela foi saindo. – Volto já.

Assim que mamãe saiu do quarto, Bella encostou a porta e foi logo dizendo:

— Vamos conversar um pouco, Cissy. Só eu e você. – Ela tinha aquele brilho fanático nos olhos que sempre me assustou – Como anda a sua relação com Lucius Malfoy? Tiveram alguma melhora, um progresso?

— Bem, primeiro que ainda não existe uma “relação” – Eu disse irritada com a intromissão – Segundo, sim, nos acertamos em alguns pontos. Por que?

— Nossa, não precisa ser hostil, anãzinha. Só estou preocupadinha com você. – Ela disse com uma vozinha infantilizada que era igualmente perturbadora e irritante, enquanto apertava minhas bochechas.

Retomando o timbre normal de voz, continuou:

— É importante que você se case sem odiar seu marido. Você não precisa gostar dele, mas quando se casa com ódio, é mais difícil que pelo menos o respeito prevaleça.

Era realmente estranho para mim ouvir Bellatrix me dando conselhos amorosos:

— Você fala de mim e de Lucius, mas enquanto a você e Rodolphus? Também não tem o melhor casamento do mundo.

— Ah, mas nós não nos odiamos. Na verdade, ele e eu temos um acordo que agrada aos dois lados e, assim, vivemos felizes e satisfeitos. Não se esqueça que não se pode encontrar a felicidade plena num casamento.

Pensei em Andie e Teddy, mas me calei:

— Sei que não, Bella. – Eu disse, entristecida.

— Ora, não faça essa cara de elfo doméstico decapitado. Você fica ainda mais feia que de costume, e hoje, mamãe e eu vamos nos esforçar para deixar você apresentável.

— Obrigada, Bella. – Eu disse, sarcástica – Você realmente sabe como me animar.

Depois que minha mãe voltou, ambas se preocuparam com o fato de me arrumar: unhas, cabelo, maquiagem e, por fim, o vestido. Era, como disseram, dourado e cheio de pontos luminosos, que conforme a luz, faziam com que eu parecesse irradiar brilho. Quando fiquei pronta, já conseguia ouvir movimentação nos jardins da frente, onde seria celebrado meu noivado. Mamãe nos deixou, para ajudar meu pai a receber os convidados e Bella trouxe uma refeição leve para mim, e me advertiu enquanto eu comia:

— Coma tudo que tem aí. Tem muita comida lá em baixo, mas nada daquilo é para você. – Ela sentou ao meu lado, pegando duas uvas roxas do cacho em minha bandeja – Só os convidados podem comer, é deselegante que eles vejam você se alimentar. – Sem questionar, comi toda a comida e terminei os últimos retoques, que se resumiam em colocar joias, enquanto Bella ia até seu antigo quarto para se arrumar.

Quando desci as escadas, meu pai me esperava para que pudéssemos sair para o jardim de braços dados. Ele me conduziu em silêncio até fora da casa, onde nossos convidados já estavam prestigiando a festa. Lucius Malfoy estava me esperando, impecavelmente trajado com vestes tradicionais bruxas em numa tonalidade de azul escuro que lhe assentava muito bem. Ele veio até nós e fez uma reverência um tanto antiquada para mim e meu pai:

— Senhorita Black. – Disse ele, segurando minha mão e beijando suavemente meus dedos, como na primeira vez que nos vimos.

— Senhor Malfoy. – Eu fiz uma breve mensura a ele.

— Ora vocês dois, quantas formalidades. – Disse o velho Abraxas Malfoy vindo até nós – Acho que podem chamar um ao outro pelo primeiro nome, pelo menos, não?

Lucius e eu rimos, desconfortáveis. Não pude evitar a lançar a ele um olhar que gritava socorro, então ele me tomou pela mão:

— Se me dão licença, meu pai e Senhor Black, vou levar Narcissa comigo para recebermos nossos convidados.

Quando estávamos a uma distância segura, eu pude falar:

— Obrigada, Lucius.

— Não agradeça. Eu não aguentaria muito tempo da ladainha daqueles dois velhos. – Ele foi me guiando – Venha comigo, seus amigos estão aqui.

Lucius me guiou até uma das mesas próximas à fonte, onde estavam Amber, Howie e uma moça muito parecida com ele. Abracei meus amigos e só então as apresentações foram feitas:

— Cissy, essa é Dora Greengrass, minha prima. – Ele disse, sem me olhar nos olhos – Espero que não se importe por eu tê-la trazido.

— Claro que não! Seja bem-vinda, Dora! – Eu disse, a abraçando.

Durante nosso breve abraço, ouvi a moça sussurrar:

— Cissy sou eu, Andie.

Eu sobressaltei e acabei me afastando de forma meio brusca.

— Muito prazer, Narcissa. – Disse Andie naquele rosto e voz diferentes.

— Se me dão licença, ainda temos os outros convidados para ver. – Lucius disse a eles – Logo devolvo Cissy a vocês.

Passamos de mesa em mesa, falando com cada convidado e recebendo intromissões cada vez mais desnecessárias. Quando já estava bem difícil esconder a irritação de meu rosto, Lucius me disse:

— Seja paciente Cissy, logo vai acabar.

— Eu suporto meus pais me dizendo o que fazer, pois eles são meus pais e eu vivo na casa deles. Metade das pessoas aqui faz pelo menos dez anos que não dão o ar da graça. Só aparecem para comer e ser inconvenientes.

— Eu sei, eu sei. – Seu tom de voz exibia cansaço. – Porque não vai conversar com os seus amigos por um momento, enquanto eu vou beber alguma coisa com Crabbe e Goyle? Ainda nem falei com eles. Pode ser?

Eu sorri e agradeci, antes de ir até a mesa, onde eu queria ficar por toda a festa. Sentei-me com eles e fomos contando de nossas férias. Howie e Amber me disseram, entre sorrisinhos, que estavam saindo. Eu fiquei abismada, mas feliz por eles:

— Mas isso não quer dizer que vamos abandoná-la no nosso último ano em Hogwarts, ok? ­– Disse Amber, com seriedade. – Bem, acho que você e Dora poderiam conversar por um momento. Vem Howie, vamos achar alguma coisa para comer!

Quando os dois se afastaram de mãos dadas, virei-me para a falsa Greengrass:

— Como você conseguiu vir?

— Há! E você achou mesmo que eu ia perder a festa de noivado da minha irmãzinha? Nem pensar! – Andie sorriu para mim, com um rosto que não era dela. – Além de que, eu venho planejando isso com os dois há meses.

– Mas nenhum deles me disse nada! – Eu protestei, indignada.

— Eu pedi a eles que guardassem segredo. Além do mais, Teddy sempre foi bom com transfiguração. Gostou? – Ela disse virando o rosto de um lado para outro.

— Ficou incrível! Perfeita!

— Se tudo der certo, vou ao seu casamento, inclusive!

Não pude deixar de sorrir:

— Você é maluca, isso é o que você é!

— Mas me conte: como está se sentindo? – Ela tinha um tom preocupado na voz – O rapaz te trata bem? Lembro que nos seus primeiros anos, você o odiava.

— Odiava, de fato. Ele me perseguia, por que “gostava” de mim. – Disse fazendo uma careta de descontentamento – Mas conversamos e nos resolvemos.

— Como ele é como noivo, Cissy?

— Ele é gentil e galanteador, mas...

— Mas o que, Narcissa? – Ela soou urgente.

— Ele tem a mesma mentalidade anti-trouxa de todo o resto.

— Imaginei que sim. O que significa que será difícil nos vermos pessoalmente, não é? – Concordei, relutante – Não tem problema! Você não pode escrever à Andromeda Tonks, mas tenho certeza que não terá problemas em escrever para Dora Greengrass! – Ela me deu uma piscadela e continuou – Quanto ao comportamento misógino dele, é mais que esperado, vindo da família que vem. Eu me admiro, e fico muito feliz, de você não ter absorvido essa sujeira toda, embora você tenha que manter essa sua posição em absoluto segredo, pelo seu próprio bem.

— Obrigada, querida! – Eu disse, quase às lágrimas – Obrigada por, apesar da distância, sempre estar por perto para cuidar de mim.

Senti uma mão pousando em meu ombro e me virei para ver Lucius de volta:

— Vamos voltar para a festa, minha querida?

— Vamos, sim. – Me virei para Andie disfarçada – Foi um imenso prazer conhece-la, Dora. Espero que seus horários permitam que você venha com Howie ao meu casamento.

— Vou fazer o possível, Narcissa. – Ela disse sorrindo – Se eu ainda estiver no país, com certeza comparecerei.

— Seria uma honra para nós, senhorita Greengrass. ­– Lucius fez a ela uma educada mensura e me guiou novamente para o meio daquelas pessoas que eu tanto desprezava.

Em dado momento da celebração, Lucius e eu fomos convocados pela minha mãe até a mesa principal, onde se encontravam meu pai e o pai dele, prontos para mais um entediante discurso: Eles finalmente anunciariam meu noivado, o que tornaria oficial a minha condição de prometida. Papai, como anfitrião, chamou a atenção do público com aquela batidinha na taça, e logo começou dizendo:

— Queridos parentes e amigos, agradeço desde já a presença de cada um na data de hoje que para nós representa muita alegria. Hoje é um dia feito para celebração. Hoje, a família Black e a família Malfoy estão firmando um compromisso para a união dos nomes. Minha filha, Narcissa – Ele me puxou gentilmente pela mão – e Lucius Malfoy, filho do meu grande amigo, vão casar-se em breve! – Houve aplausos, enquanto Abraxas empurrava discretamente Lucius para o meu lado – Um brinde aos noivos!

Taças de espumante rosè foram entregues a nós e todos os convidados beberam à nossa saúde. Depois do brinde Lucius puxou do bolso uma caixinha onde havia um magnífico anel de esmeralda. Pegou minha mão direita e o colocou no dedo anelar. Quando ele me abraçou, sussurrou em meu ouvido:

— Temos que trocar um beijo.

Eu fiz que não da forma mais discreta que pude, mas seu olhar me dizia que, dessa vez, ele não seria contrariado. Puxou-me pela cintura e tocou os meus lábios com os dele num contato frio e distante, tão diferente daquele em seu último dia em Hogwarts. Mais aplausos e finalmente fomos dispensados desse picadeiro todo.

Após o grande anúncio, as pessoas começaram a se despedir e ir embora. Me despedi de tios, primos, amigos, conhecidos, do meu noivo e de Andie. Só Howie e Amber ficaram comigo e pudemos, finalmente, conversar. E assim o fizemos até altas horas, quando minha mãe disse que preparara um quarto para Howie e que Amber poderia dividir o quarto comigo, pois já estava muito tarde. Apesar deles dois já terem licença para aparatar, achamos que não era conveniente minha mãe saber disso.

Depois da festa, minhas férias seguiram mornas. Os preparativos para o casamento continuavam, mas eu precisava estudar para os meus N.I.E.M.’s, embora minha mãe tenha dito que, depois que eu casar, eu não vou precisar trabalhar fora, já que meu marido seria mais do que capaz de me sustentar.

Meu ano de despedida de Hogwarts foi o melhor de todos os anos: Apesar de Amber e Howie estarem namorando, nossa amizade não se abalou em nada, pelo contrário: se tornou mais forte do que nunca. Eu estava aproveitando cada segundo que me restava no castelo. Me correspondia regularmente com Andie e a cada duas semanas com Lucius, mesmo sem ter muito o que dizer numa carta. Mamãe me escrevia ocasionalmente me lembrando e me pondo à par dos preparativos do meu casamento, o que sempre acabava por esfriar o meu bom humor. Nesse ano, apesar das insistências de minha mãe, me dei o direito de passar o natal em Hogwarts, ao lado dos meus amigos, pois secretamente eu temia que nos afastássemos depois que meu casamento acontecesse. Eu não dividi esse receio com eles, pois eu sabia que eu ouviria todo um discurso sobre manter contato por cartas e afins, mas ainda assim, não sabia que limitações me seriam impostas pelo meu futuro marido. Os exames foram prestados e era hora de dizer adeus. Eu não estava preparada para me separar desses dois que me fizeram tão bem, para me enterrar numa vida de casada antes dos 20 anos. No último dia de aula, houve muita emoção em nossa despedida e em meio a essa maré de comoção, aproveitei para fazer um pedido especial para meus amigos:

— Howie e Amber, vocês são e sempre foram meus melhores amigos e companheiros. Sou grata a tanta coisa por vocês, por isso gostaria de propor uma coisa a vocês...

— Ih... Lá vem a chorona – Howie disse caçoando.

— Deixa ela falar, Howie! – Amber o repreendeu.

Eu sorri, enxugando as lágrimas:

— Gostaria de pedir que fossem meus padrinhos em meu casamento.

— Ah, mas é claro que sim! – Amber estava maravilhada e se adiantou para me abraçar.

– Espere, Amb. – Disse Howie, desconfiado – Seu noivo sabe disso? Concorda?

– Mas é claro que sim, seu bobo! – Eu disse, sorrindo – Eu me correspondi com Lucius e pedi a ele que me fizesse essa gentileza. Ele não tinha ideia de quem chamar para padrinho, e como a tradição reza para que haja uma dama de companhia para a noiva – Apontei para Amber – e um padrinho para o noivo, ele não se opôs, e em carta disse que era bom que nossos padrinhos fossem um casal que realmente quisessem o nosso bem, para variar!

– Ah, bom... Isso já muda as coisas de figura, eu suponho. – Howie respondeu, desconcertado. – Então, pode contar comigo também. Será uma honra para nós dois!

Saímos de férias e, quando voltei para casa, os convites já tinham sido todos enviados e muitos dos convidados já estavam mandando corujas com repostas de confirmações. Papai estava enlouquecendo com o fluxo de aves que ia e vinha de casa, já que o casamento de Bella não foi tão trabalhoso quanto o meu estava sendo, por ter sido planejado todo em cima da hora.

Num almoço qualquer, papai me informou que Abraxas Malfoy decidiu que nos casaríamos em novembro, mesmo mês que seria o aniversário de sua falecida esposa. E minha mãe aproveitou a deixa para me informar que eu teria que ajudar a escolher o vestido de dama de companhia que Bella usaria.

– Como? – Perguntei, estupefata. – Bella não será minha dama. Amber será!

– Rodolphus e Bellatrix são mais que qualificados para atuarem em seu casamento como dama de companhia e padrinho. – Minha mãe disse, contrariada.

– Não mesmo! – Eu me sentia a ponto de explodir – Lucius e eu já decidimos por Howie e Amber.

– Pare de bobagens, menina! – Meu pai gritou – Não é você que decide essas coisas!

– Ah não...? – Estreitei os olhos – Veremos então!

Levantei sem terminar minha refeição e sem pedir licença e fui rapidamente para o meu quarto: eu já sabia exatamente o que fazer.

Depois de trancar e enfeitiçar a porta para ter certeza de que eu não seria incomodada, peguei meu caldeirão e comecei a ferver uma série de ervas com cheiros fortíssimos, porém nenhuma delas com propriedades tóxicas. Cada planta que eu adicionava à infusão, me fazia querer por meu estômago todo para fora. Por fim, pinguei uma gota de corante verde à mistura, o que deu a ela uma aparência tétrica de veneno. Coloquei a mistura num frasquinho de bolso, limpei todos os vestígios de trabalho de meu quarto, deixando apenas o caldeirão vazio e malcheiroso sobre a escrivaninha e o livro que ganhei de Bella no último natal, intitulado “Veneno: a Arma das Mulheres” aberto na página intitulada “Aristolochia clematitis, o Fétido Fim”. Reuni toda a coragem que pude, fechei minha mente e fui até a sala de estar onde sabia que meu pai estaria só e entrei sem bater.

– Narcissa, o que significa isso? – Ele fechou bruscamente o livro de capa dura e sem título que estava lendo – Onde estão seus modos?!

– Meus modos não são o que interessam agora, papai. – Eu disse, me pondo a frente dele – O senhor e eu vamos negociar.

– Negociar? – Seu tom era puro desdém – Do que está falando, menina insolente?

– Eu quero ter o direito de escolher duas coisas do meu casamento. Apenas duas, ou...

– Escolher?! – Ele me interrompeu – Você tem que acatar as decisões da sua mãe e da sua irmã mais velha e se calar! Mas fale, fale... Ou o quê? – Ele sorriu, parecendo se divertir.

Tirei o frasco com o falso veneno do bolso e o abri, o cheiro pútrido da infusão invadindo a sala:

– Ou teremos um funeral ao invés de um casamento, conforme suas próprias palavras, Papai – Eu disse sem vacilar – E o senhor vai ter que explicar à Lucius e ao velho Abraxas o porquê a noiva apareceu morta um mês antes do casamento.

Meu pai estava atônito. Ele não sabia que reação ter diante de tal ameaça e, pela primeira vez, vi Cygnus Black vacilar:

– Narcissa, o que você está fazendo? Você enlouquece?

– Não, papai. – Eu respondi calmamente – Nunca estive mais sã.

– Por Merlin, menina... Pare com isso! Você vai arruinar o que resta de dignidade na família.

Com um aceno de varinha, fiz com que a poltrona de meu pai se virasse de frente para o sofá onde decidi sentar. Ele pareceu ultrajado com o ato, mas ainda assim, temeroso pelo que estava por vir:

– Eu não estou muito interessada no que o senhor chama de família, Papai. Agora me escute ­– Inclinei para frente, colocando o frasco malcheiroso sobre a mesinha de centro, diante de mim – Eu quero poder decidir meus padrinhos e escolher meu vestido de noiva, ou o senhor e a mamãe vão precisar bolar uma boa explicação para um veneno que não deixa rastros, apesar do cheiro forte.

Nesse momento, minha mãe entrou na sala, segurando o livro na página que eu deixara calculadamente aberta.

– Narcissa, o que é que você está fazendo? – Ela perguntou atirando o livro para meu pai, enquanto tapava o nariz com a manga das vestes por causa do cheiro.

– Ela quer ter o direito de escolher o vestido e os padrinhos, Druella. – Meu pai disse num tom entre que ficava entre raiva e frustração por estar sendo manipulado pela filha mais jovem e “inocente” – Ou ameaça tomar esse veneno.

– Vocês poderiam aproveitar os preparativos da festa e me dar um funeral digno. O que acham? – Eu respondi, afiada.

– Minha filha – minha mãe começou – Onde você está com a cabeça? Fazer uma dessa por causa de uma coisa tão pequena?

– Se é tão pequena quanto você diz, me deixe fazer! Me deixe decidir, ou... – Levei o pequeno frasco aos lábios.

– PARE! – Meu pai gritou – Está bem! Decida o que quiser, Narcissa! Mas pare com isso! Não suportaria ver outra Black tomar veneno às vésperas do casamento... Apenas pare com isso... Druella, deixe que ela decida pelos padrinhos e pelo que mais quer que seja. – Ele fez uma careta e em seguida baliu debilmente – Por favor...

Sorri triunfante, em seguida tampei o frasco e o recoloquei no bolso:

– Vou guardar a dose, por precaução. – Peguei meu livro – Com licença. Se precisarem de mim, estarei em meu quarto, pensando em meu vestido de casamento.

Antes de rumar para meus aposentos, fui para a cozinha procurar Coifa. Lá estava ela, polindo a prataria da casa:

– Coifa? Posso falar com você?

A elfa doméstica fez uma profunda reverência para mim e respondeu:

– Mas é claro, Senhorita Cissy. Eu vivo para servir a Nobre Casa dos Black.

– Certo... –­ Eu comecei, incerta – Eu quero saber qual das mulheres da família Black tomou veneno antes de se casar e qual era a relação dela com o meu pai. Você pode me contar?

Ela hesitou por um segundo. Ao invés de se recusar a me contar, tirou o próprio tempo para pensar enquanto me trazia chá com biscoitos de grãos, ainda quentes do forno:

– É uma história triste Senhorita Cissy – Ela falava, olhando fixamente para mim, com os olhos ligeiramente arregalados – O jovem Senhor Cygnus Black tinha uma tia avó chamada Senhora Belvina Black, que se casou com o Senhor Herbert Burke. Dessa união, nasceram três filhos: dois rapazes e uma moça. O jovem Senhor Cygnus e a jovem Senhorita Lynx, eram muito amigos, apesar de ela ser mais velha que ele. Ela o tratava como se ele fosse seu irmãozinho. Justamente como a Senhorita Andromeda... – Ela parou a história bruscamente para bater a própria cabeça na parede cinco vezes, conforme meu pai ordenara, sempre que ela falava de Andie. Quando se recompôs, retomou – Como aquela pessoa te tratava. Enfim, quando a Senhorita Lynx foi prometida em casamento ao Senhor Harrold Bulstrode, a pobrezinha enlouqueceu. Ela era apaixonada por outro rapaz, que morreu – Ela respirou fundo e fechou os olhos para dizer – acidentalmente numa partida de Quadribol, já que ele jogava na liga semiprofissional. Quando a Senhorita Lynx se viu sem saída, tomou veneno e acabou com a própria vida. E fim. – Ela disse, enxugando pequenas lágrimas na barra das vestes puídas.

Eu ouvi tudo em silêncio enquanto comia. Terminada a história, só pude dizer:

– Obrigada, Coifa. – Eu disse, saindo.

Finalmente confirmei com Lucius sobre nossos padrinhos e os preparativos do casamento prosseguiram. E eu pude ir me encontrar com Drúsius, junto com Amber, é claro para a encomenda do meu vestido. Os meses voaram e quando dei por mim, estava às vésperas do meu casamento. Tudo arrumado, meu vestido pronto e ajustado, minhas coisas foram empacotadas com ajuda de Amber, minha mãe e, inevitavelmente Bella, que fazia de tudo para me provocar e me tirar do sério, mas Amb sempre conseguia fazer minha irmã se calar, com uma resposta rápida e sutilmente ácida.

Na noite que antecedeu meu casamento, eu jantei com os meus pais. Embora eu tenha tentado dizer palavras bonitas, nada me saiu da garganta. Terminei minha refeição e pedi licença antes de ir para meu quarto. Quando entrei, deparei com o cômodo todo vazio, exceto pelas minhas roupas de dormir, meu vestido de noiva e uma maleta de mão, que eu deveria levar para a minha primeira noite em minha nova casa. Cada movimento que eu fazia parecia ecoar estranhamente no cômodo semivazio. Fechei as portas do meu antigo guarda-roupas e sentei-me uma última vez diante de minha tão querida e antiga penteadeira e comecei a passar a escova de cabelos pelas minhas madeixas douradas, precedendo o trançado para o sono. Uma batida leve na porta despertou-me de meu transe nostálgico e quando abri a porta, minha mãe estava ali em seu robe de veludo roxo:

– Narcissa, posso entrar?

– Claro. – Dei espeço a ela e fechei a porta, voltando para a penteadeira e retomando a tarefa de pentear meus cabelos, sem necessidade.

– Minha filha, hoje é sua última noite de solteira e tem algumas coisas que toda mãe deve falar para sua menina antes de ela se tornar uma mulher. – Ela disse, se acomodando na cadeira da minha antiga escrivaninha.

Eu não sabia o porquê, mas tinha certeza de que aquela conversa seria muito desagradável.

– Na Noite de Núpcias uma coisa completamente nova vai acontecer — Minha Mãe fez uma pausa, mas eu rompi o silêncio

— Eu sei o que acontece na Noite de Núpcias, mamãe. — Eu disse, querendo evitar aquela conversa.

— O que você está me dizendo, Narcissa? – A cor sumira de seu rosto.

— Que eu estou ciente do que vai acontecer entre mim e meu marido durante nossa primeira noite e... – Fui interrompida.

— Narcissa, eu estou entendendo errado, ou você já se deitou com um homem? Porque seu pai garantiu à Abraxas Malfoy que você é virgem! – Ela estava exaltada, seu rosto tão parecido com o de Andie.

Eu corei ao ouvir tal insinuação:

— Nunca, mamãe! – Eu estava igualmente envergonhada e irada – Mas Bella foi bem diferente; eu sempre a ouvia se gabar de suas proezas pelos cantos de Hogwarts! – Essa informação pareceu irrelevante para minha mãe, que a ignorou.

— Narcissa, olhe bem para mim e me responda com sinceridade, ou vou chamar um Curandeiro para fazer um exame detalhado em você ainda essa noite!

Respirei fundo, olhei nos olhos de minha mãe e respondi:

— Eu sou virgem, mamãe. – Eu sentia meu rosto fervendo de vergonha – Ou será que se eu não fosse, não seria uma mercadoria boa o suficiente para troca?

— Você sabe que não é assim que funciona, não sabe?

Estreitei os olhos, mas não respondi. Então ela continuou:

— Como eu dizia, sua noite de núpcias será uma das noites mais importantes de sua vida. Esse momento, é marcado pela primeira vez que o seu parceiro tocará o seu corpo de forma carnal e consumará o casamento.

Eu estava num nível de vergonha tão grande, que queria morrer.

— Está me ouvindo?

— Estou sim, mamãe.

— Nessa noite, você tem que se mostrar inocente e desejável, ao mesmo tempo e na mesma medida, entendeu.

— Vai doer? – Eu perguntei, sem poder evitar.

— Vai. – Minha mãe disse sem rodeios – E é provável que também sangre, mas é sua obrigação fazer com que ele se sinta bem-vindo em você, ou ele pode procurar satisfação em outras mulheres. – Minha mãe enrijeceu o maxilar por um instante antes de continuar – Apresente-se sempre bela e disposta para ele, principalmente nessa noite, que vai decidir o futuro de vocês como casal, entendeu?

— Sim, mamãe...

Eu estava acabada de vergonha e sentia meu rosto anestesiado, enquanto ela começou a me dar instruções de como agradar meu marido, e sobre prevenção de gravidez, o que na verdade, ela discordava, mas sabia que ia fazer parte da nossa vida, pois éramos jovens e tudo mais. Cada frase que ela falava, muitas vezes ilustrando em forma de gestos com as mãos, me fazia compreender sombriamente a morte da jovem Lynx.

— Espero que não se esqueça de nada do que eu disse, Narcissa. – Ela disse já à porta de meu quarto. Antes de abrir, salientou – E não se esqueça, principalmente, de fechar sua mente, certo?

— Sim senhora, mamãe.

— Agora vá dormir que amanhã você vai se casar!

Antes de fechar a porta, eu a vi sorrindo com lágrimas nos olhos. Não pude decifrar se eram lágrimas de felicidade ou de pesar.

Fui acordada no dia seguinte, com gentileza. Quando abri os olhos, Amber estava diante de mim, com um sorriso fraterno no rosto:

— Vamos acordar, Dona Cissy?

— Amb! O que você faz aqui a essa hora?! — Eu disse a abraçando.

— Ora, eu sou sua madrinha, não? Então tenho que ajudá-la com os preparativos o dia todo. E é por isso que nós vamos para a minha casa, ao invés de ficarmos aqui. – Abri a boca para responder, mas ela encostou o dedo indicador em meus lábios, calando-me – Já falei com sua mãe e juro, que se eu ficar mais meia hora no mesmo ambiente que sua irmã Bellatrix, eu vou arrebentar o focinho dela.

Não pude deixar de rir, afinal vindo de Amber, é bem provável que ela confrontasse Bella, quando perdesse a paciência por qualquer motivo que fosse.

— Sua mãe mandou te chamar para fazer sua última refeição em família, já que vou roubar você para almoçar em casa. E não se preocupe com Lucius, Howie já está na Mansão Malfoy com ele.

— Mansão? Como?

— Menina, você nunca foi lá?! – Amber boquiabriu-se com a informação – Você não devia ter ido almoçar, jantar ou alguma coisa assim na casa que você vai ocupar?

— Acho que o casamento apressado pulou essas partes diplomáticas.

— Entendi. Eu fui lá ontem com o Howie, para ter uma conversinha de Padrinhos para afilhado com o jovem Senhor Malfoy... E devo dizer: a casa é linda! Bom, está entregue! Vou deixar vocês três e ir ver o que a Coifa tem de comida lá em baixo.

A mesa do café da manhã estava toda cheia, parecia que pelo menos dez pessoas fariam a refeição conosco. Sentei-me junto de meus pais e fui comendo. Naquela refeição, meu pai decidiu falar, mas para minha surpresa, eram trivialidades. Logo estávamos nós três conversando e resgatando memórias de quando eu era pequena. Mesmo sendo um assunto delicado, pois quase todas as memórias envolviam Andie, minha mãe sempre contornava a situação: ela sempre tinha meu pai sob controle e eu nunca percebera isso até agora. Me despedi deles e recebi ordens de meu pai de chegar em casa lá pelas 16hs, já que o casamento seria celebrado às 17h15. Fui chamar Amber na cozinha, e ela estava comendo pequenas tortas de morango que seriam servidas aos convidados no casamento. Sorrindo uma para a outra, caminhamos até sair da propriedade, demos as mãos e aparatamos.

Amber Rosier morava numa casa pequena, pintada de azul bebê, o que dava a impressão de uma casa de bonecas na qual fora usada o feitiço engorgio. Amb a olhava sorrindo, com carinho:

— Não é muita coisa, mas é minha! – Ela me puxou pela mão – Vem!

— Quando me disse que íamos para a sua casa, pensei na casa da sua mãe. Quando foi que você passou a morar sozinha?

— Faz pouco mais que uma semana, mas eu não moro sozinha... – Ela sorriu, destrancando a porta com o toque de varinha.

— Você está falando sério? – Não pude conter a surpresa. – Por que vocês não me contaram que estavam de mudança?

— Você estava ocupada com os preparativos do casamento e Howie e eu achamos melhor fazer uma surpresa, então... SURPRESA! – Ela fez uma pose ridícula com os braços para cima no meio da sala também de madeira e toda adornada com fotos dela e de Howie, que me fez rir e ir abraçá-la.

— Merlin, estou tão feliz por vocês!

— Obrigada, Cissy! Vamos lá para cima, seu banho está pronto.

Apesar de ser uma casa de aspecto pequeno, era na verdade, bem grande por dentro. No andar de cima, havia quatro quartos e um banheiro. Rumamos para o fim do corredor, onde ela abriu uma porta rústica que revelou a suíte que dividia com Howie. Pequena e aconchegante. No banheiro, uma banheira espaçosa fumegava fumaças coloridas e perfumadas.

— Entre Cissy, esse banho foi preparado somente para você.

Enquanto me despia e entrava na banheira fumegante, Amber saiu e voltou com um creme verde de aparência feia e rodelas de pepino. Puxei meu cabelo todo para trás e fiz um coque, enquanto Amb estendeu um colchonete ao lado da banheira e sentou-se do meu lado. Nós duas passamos aquela gosma em nossos rostos e fomos conversando sobre as nossas expectativas para o futuro:

— Howie não quer ter filhos. – Ela disse e, embora eu não estivesse a vendo, devido às rodelas de pepino em meus olhos, sabia que ela estava chateada.

— Algum motivo em específico? – Eu perguntei, apesar de já saber da resposta.

— Howie me contou que a família Greengrass foi amaldiçoada algumas gerações atrás, você sabe não sabe?

— Uhun – Eu respondi.

— Enfim, essa maldição é hereditária, portanto apesar de ele ser saudável, pode afetar nossos filhos ou filhas.

— Sinto muito, Amber. De verdade.

— Não é nada! Só tenho que convencê-lo a adotar, de repente! – Tirei o pepino de um dos olhos para vê-la enxugar uma lágrima discretamente.

Acabei por desconversar do assunto com sutileza. Depois do banho aromático e da máscara de pepino, fomos dar um jeito nos pelos do corpo. Livradas desses pequenos inconvenientes naturais, nos demos uma folga para comer alguma coisa. A própria Amber quem cozinhou, o que de fato, ela fez muito bem e acabou por me surpreender de forma positiva. Ela me contou que Howie se recusou a administrar a loja do pai, mas abriu seu próprio negócio na Travessa do Tranco, onde vende ervas e ingredientes raríssimos para poções, enquanto ela foi admitida como Operadora de Honestímetro, no Gringotes. Quando Amb estava fazendo minhas unhas, uma coruja comum entrou pela janela, derrubou uma carta em meu colo, fez a volta e saiu novamente. O remetente era de Dora Greengrass. Sorri e abri a carta:

"Querida Narcissa,

Estou viajando a negócios no exterior e não tenho previsão de volta para o Reino Unido, então não poderei ir ao seu casamento, me perdoe. Prometo te mandar um presente adequado!

Meus mais sinceros votos de felicidade

Dora Greengrass”

Ainda sorrindo ao terminar a leitura, peguei minha varinha e ao tocar na carta, as letras se alteraram:

Minha amada irmãzinha:

Não vou poder ir ao seu casamento porquê meu bebê nasceu! Sim, você é titia! Ela, a Nynphadora, está com 9 meses, mas não posso deixá-la sozinha com Teddy por causa da amamentação e tudo mais. Assim que possível, providenciaremos e enviaremos seu presente. Se possível, venha ver a pequena (e verdadeira) Dora, ela é incrível!

Te amo muito, minha pequena!

Sua irmã

Andromeda Tonks"

Eu estava às lágrimas. Uma notícia maravilhosa dessa e eu nem poderia dividir com o meu noivo ou pais, mas eu aprendi que a vida é assim mesmo.

Amber e eu passamos o resto do tempo conversando e terminando meu penteado antes de irmos para a casa de meus pais para que eu pudesse pôr meu vestido e me maquiar.

Terminado o que poderíamos fazer por lá, juntamos minhas coisas e aparatamos para os fundos da casa de meus pais, onde havia uma entrada discreta. Com ajuda de Amber e Bella, e sem muito falatório, fui vestida e maquiada. Quando olhei no espelho de corpo inteiro, fiquei satisfeita com o resultado: Meu vestido era de corte simples e decote canoa. Não havia bordados nele, já que a estampa do próprio tecido era o melhor complemento que eu poderia querer. Era longo e eu usava anáguas por baixo para avolumar a saia e dar o caimento correto da cauda. Meus cabelos foram escovados e presos pela metade num coque elegante onde foi preso o meu véu, que descia pelas minhas costas até a altura dos quadris. Nos pés, eu calçava sandálias de salto grosso de 7cm, nada muito alto ou chamativo, já que o vestido foi planejado para cobrir qualquer calçado que eu usasse. Em meu rosto, uma maquiagem leve, que evidenciava meus olhos e meus lábios. E por fim, o buquê de rosas amarelas, pontuados aqui e ali por margaridas brancas. Não são as minhas flores preferidas, mas o arranjo era bem bonito e fez uma harmonia interessante com o resto do conjunto.

Meu pai foi até meu quarto, bateu na porta e pediu licença para Amber e Bella, para falar comigo antes da cerimônia. Quando fiquei em pé para recebê-lo, ele parou para me mirar por um momento e, por fim, sorriu satisfeito:

— Está muito bonita, Narcissa. – Ele disse num falso tom agradável.

— Obrigada, papai – Eu respondi, sem emoção. – O senhor também está muito elegante.

— Hoje é o seu grande dia, e espero que você se esforce para fazer seu marido feliz e lhe dar filhos.

Eu mastiguei e engoli mil respostas, mas tudo que disse foi:

— Certo. Cuide bem de mamãe, por favor.

Ele sorriu em resposta e me deu o braço. Eu sabia que significava: a hora chegara e eu não tinha mais escapatória, a não ser aceitar meu destino e tentar ser feliz.

Descemos as escadas e fomos para a porta dupla principal da casa. De lá, sairíamos para o jardim da frente, onde seria realizado o meu casamento. Esperamos por um momento, em silêncio, um momento que estava ficando muito longo. Quando eu estava já de postura relaxada, e o com o buquê segurado de um jeito que não fosse doer minha mão, as portas se abriram, revelando os convidados e um caminho traçado por um tapete vermelho, que nos conduzia até um arco de flores onde estavam meus padrinhos, o juiz que realizaria o casamento e o meu noivo.

Meu pai olhou para mim com olhos severos e me deu um beijo no rosto, sem um pingo de sentimento. Pegou minha mão é a entregou a Lucius... A memória de uma carta que trocamos me invadiu a cabeça, onde ele dizia que não queria casar vestido de preto, e assim o fez: Suas vestes bruxas tradicionais eram de um verde muito escuro, mas ainda assim, brilhante. Na camisa, que pouco aparecia, ostentava um lenço antiquado no lugar da gravata, que lhe caía muito bem. Seus cabelos estavam milimetricamente puxados para trás num rabo de cavalo baixo e impecável. E, por fim, seu rosto estava iluminado por um sorriso sincero e convidativo. Entreguei meu buquê para Amb, só então ele segurou minhas mãos e nos viramos para o bruxo que celebraria nossa união e o ouvimos falar e falar e falar... Um discurso infinito sobre a importância da fidelidade e mais alguma coisa que eu não prestei atenção já que sua voz tinha o mesmo timbre anestesiador do Professor Binns, até ser despertada do torpor de sua fala clássica: "Srta. Narcissa Black, repita depois de mim..." Depois de feitos os votos e colocadas as alianças, trocamos um beijo discreto e enfim estávamos casados. Os aplausos foram estrondosos e caminhamos pelo caminho de volta no tapete vermelho, nossos primeiros passos como marido e esposa. Demos espaço e com vários agitos de varinhas, as mesas foram colocadas em seus lugares e os convidados puderam se acomodar.

A festa foi a definição de chatice que eu carreguei por toda a vida: Estávamos em nossa mesa, recebendo felicitações e palpites para a nossa vida de casada, inclusive Bellatrix, que disse à Lucius, sem o mínimo de pudor:

— Cuidado com essa anãzinha, Malfoy. Ela tem quadris de pardal, se forçar um pouco a mais, vai parti-la ao meio. – E riu de forma histérica, acompanhada pelo marido, Rodolphus.

Finalmente chegou a hora da valsa dos noivos e me senti satisfeita comigo mesma por sair de minha mesa sem ofender ninguém. Dançamos os primeiros acordes sozinhos logo, os pares foram se fazendo ao nosso redor. A música acabou e voltamos para a nossa mesa, onde papai e Abraxas fizeram o discurso do brinde, como reza a tradição. Partimos o bolo, fomos fotografados mil vezes e o tédio era mortal. Acredito que Lucius tenha percebido minha expressão, pois sussurrou para mim:

— Vamos para a casa, querida? – Eu me senti corada, mas concordei com a cabeça.

Ele se levantou e ofereceu a mão para mim, que a aceitei, sem hesitar.

— Bem, já vamos! – Ele disse, bem-humorado.

Imediatamente, a cena que vi no casamento de Bella se repetiu: Os convidados gritando baixarias e obscenidades para nós. Antes de sairmos, joguei o buquê para trás, mas não tive tempo de ver quem o pegou, pois rodopiamos e aparatamos.

A fachada da casa era enorme, os portões duplos com dois grandes “M” em cada face era, na verdade assustador. Quando passamos por eles, vi um jardim simples e monocromático, todo verde e sem flores. Ainda assim, algo chamou minha atenção: dois belíssimos pavões albinos rodeavam uma única fêmea. Ambos de causas abertas e esplendorosas, destacavam-se facilmente na falta de colorido do jardim da Mansão dos Malfoy:

— Lucius! São lindos! – Exclamei feliz.

— Gostou, Cissy? – Ele parecia satisfeito e aliviado. – Como disse, sempre guardo essas pequenas informações comigo. É bom vê-la sorrindo! Vamos entrar?

Eu estava tensa. Não havia como não estar. Diante de todas as instruções que mamãe me dera, o máximo que eu poderia fazer nesse momento é respirar fundo.

O interior da casa era escuro, iluminado apenas por velas em castiçais, tão diferente da casa onde eu crescera. As janelas em forma de losangos, altas e bonitas vistas pelo lado de fora, do lado de dentro estavam cobertas por pesadas cortinas de veludo, dando à casa um aspecto sinistro de casa abandonada, apesar da limpeza impecável do local. Confessei a mim mesma que estava intimidada.

Lucius me guiava para seu quarto segurando minha mão, e animadamente contava uma história a respeito de algumas travessuras que fizera nesses corrimões na infância, quando eram recém-encerados. Eu sabia que ele fazia isso para me manter relaxada pois provavelmente ele sentira meu nervosismo traduzido em tremores pelo corpo todo.

— Chegamos, Cissy – disse ele virando-se para mim com um sorriso estampado no rosto.

Quando ele abriu a porta, não pude deixar de suspirar, o quarto era lindo e, de certa forma, acolhedor. Era um lugar imenso, tão escuro quanto o restante da casa, mas com móveis visivelmente novos, como a cama de dossel, uma escrivaninha que fora posta em frente a uma das janelas cobertas com cortinas, um grande guarda-roupas de madeira escura e uma penteadeira duas vezes maior do que aquela que eu deixara na casa de meus pais. No cômodo também haviam mais duas portas: uma que estava entreaberta, revelando um closet que aparentava ter apenas roupas e pertences meus, e a outra porta fechada, indicando um banheiro, o que confesso, me fez sentir mais confortável. Também pude reparar que próximo à cama já estava minha mala de mão, que mamãe recomendara que eu fizesse, afim de passar a primeira noite com meu marido sem precisar me preocupar com nada. Provavelmente algum dos elfos domésticos dos Malfoy providenciara isso.

Lucius suspirou ao meu lado, ainda segurando minha mão e virou-se para que ficássemos de frente um para o outro, olhos nos olhos:

— Fique à vontade, querida. Esse quarto, e essa casa, também são seus agora – acrescentou, levando minha mão aos lábios. Senti meu coração perder uma batida com essa atitude.

Pedi licença, peguei minha mala de mão e me encaminhei até o banheiro. Como tudo na casa o banheiro também era enorme, muito mais espaçoso do que o meu quarto de solteira. Contava com uma grande banheira com beirais de mármore, pias duplas, um grande espelho e um pequeno cômodo, com porta independente que abrigava o vaso sanitário. Tirei o vestido e, graças a mágica, consegui dobrá-lo junto com as anáguas sem problemas. Troquei as roupas de baixo confortáveis por um conjunto de lingerie branco, dado por Bella, que ficou perfeito em meu corpo. Por cima, vesti um vestidinho lilás de seda. Encarei o espelho e decidi manter o cabelo arrumado e a maquiagem no rosto. Respirando profundamente, voltei para o quarto.

A iluminação estava diferente, mais claro, com pontos de luz que pairavam sobre o ar, era lindo. Foi provavelmente a coisa mais romântica que Lucius já tinha feito por mim até então.

Ele me esperava sentado à cama, e já havia se trocado também. Quando me viu, levantou-se e me estendeu uma das mãos, e então percebi que na outra ele segurava uma flor. Um narciso. Segurei sua mão livre e acabei sorrindo enquanto aceitava a gentileza de meu marido.

— Sei que não é como você sonhava, mas isso é o que temos, um ao outro. E eu espero te fazer feliz, Cissy. Eu quero te fazer feliz. É esse o meu dever a partir de agora. – Sorriu ele antes de levar minha mão à boca e depositar um beijo suavemente sobre ela, sem nunca afastar seus olhos dos meus.

— Eu sei Lucius, eu... Também quero te fazer feliz – consegui responder sem gaguejar, e ele sorriu antes de me beijar.

Pude sentir a intensidade de suas intenções nesse beijo. Havia vontade, calor, pode-se dizer que até paixão. Deixei que ele se aprofundasse em mim, e dei vazão à maior intimidade passando meus braços por seu pescoço, ao passo que ele me puxava mais fortemente para perto de si pela cintura. Depois de um tempo, já sem fôlego, nos afastamos, mas não muito, as testas ainda coladas. Não pude evitar, acabei estremecendo.

— Está nervosa, Cissy? – Perguntou ele num meio sorriso, me olhando nos olhos. Apenas fiz que sim, e ele roçou seu nariz no meu, a fim de me acalmar – Não fique. Eu não vou te machucar. Nem hoje, e nenhum dia de nossas vidas.

Mais uma vez assenti, sem saber exatamente o que dizer. Acabei sentando-me na cama, para que ele entendesse que apesar do meu nervosismo era o que eu queria. Não poderia fugir daquele momento, afinal o casamento para ser válido, precisava ser consumado, era o meu dever. Ainda assim, sentia em meu peito uma arritmia nada característica, mas ao mesmo tempo, não era ruim.

Ele entendeu, e sentou-se ao meu lado, aproximando seu rosto do meu e me puxando para me beijar mais uma vez. Aos poucos, acabei me deitando, puxando-o comigo. No começo foi suave, e então foi tornando-se como o anterior, cheio de vontade.

Lucius era carinhoso. Suas mãos vagavam por meus braços, quadris e pernas lentamente, talvez para me deixar mais à vontade também. No momento em que ele separou seus lábios do meu, senti que ele me olhava como se pedisse permissão para avançar. Como resposta, segurei o barrado de sua camisa e fiz menção de puxá-la acima de sua cabeça. Ele pareceu gostar. Sorri para ele, e ele sorriu de volta, e nossas bocas uniram-se novamente.

Aos poucos, ele fez questão de tirar o vestido leve que eu usava, deixando-me apenas de lingerie. Enquanto ele ainda me beijava, passei minhas mãos por seu abdômen e sinceramente não esperava que ele fosse tão definido. Sorri com minha própria audácia e pensamento. Logo, ele tirou a própria calça, ficando somente de cueca, e cuidadosamente baixou as alças do meu sutiã, depositando quantos beijos fosse capaz naquele espaço. Depois, ao baixar as taças e atirá-lo para longe, ele deteve seu olhar sobre mim, e seus olhos faiscaram. Senti-me corada, mas não invadida: eu queria aquilo tanto quanto ele.

— Você é linda, Narcissa Malfoy. Linda. – disse ele antes de me beijar mais uma vez. Pude sentir suas mãos viajando mais fervorosamente sobre meu corpo, parecia querer gravar todos os meus traços em sua memória, sempre muito cuidadoso. Não pude fazer outra coisa senão retribuir o toque. Seu corpo embora fosse rijo, tinha pele macia e firme. Era bonito, não podia negar.

Foi somente no momento em que ele desceu seus beijos cálidos para meus seios que senti meu corpo revogar a decisão por um instante, mas ele foi atencioso, e creio que paciente o bastante para esperar que eu estivesse confortável novamente para seguir em frente. Suspirei. Não demorou muito para que uma de suas mãos parasse na borda de minha calcinha, demorando-se ali como se também precisasse de permissão. Ele se afastou apenas alguns centímetros de mim, para me olhar nos olhos. Assenti para ele, mesmo nervosa. Parecia que meu coração ia sair pela boca. Foi somente puxando-o para outro beijo profundo que conseguiria afastar a insana ideia de fugir dele, mas não podia e, por menos que admitisse, não queria. Era justamente ali que eu queria estar.

Ele deslizou a diminuta calcinha de renda alva por minhas pernas com muito jeito, e em seguida pude senti-lo fazer o mesmo com sua cueca, o que sem dúvida me deixou nervosa, quase que em choque, na verdade. Ele precisou se afastar um instante para dar atenção às questões preservativas, e nesse momento só pude pensar em fechar os olhos e respirar profundamente. Ele não pareceu perceber tanto meu nervosismo, pois baixou-se para mim, beijando carinhosamente na boca, queixo e pescoço, enquanto senti uma de suas mãos descer para minha intimidade.

Seus toques eram suaves, mas precisos, e causaram a medida certa de surpresa e satisfação. Talvez ele não estivesse esperando por isso, porque foi algo que desejei e pedi por mais, pedi que ele não parasse. Me senti mais à vontade depois de um tempo, seus beijos iam me seduzindo na medida e nos lugares exatos. Vez suspirava, vez os reprimia, tentando não parecer boba ou infantil, mas não conseguia abrir os olhos. Quando Lucius retirou sua mão, olhei pra ele, que voltava a dar atenção à minha boca, enquanto abria minhas pernas aos poucos. Meu coração pareceu perder uma batida, e voltei a fechar os olhos enquanto sentia ele se aproximar de mim.

— Olhe para mim, Cissy – sussurrou ele enquanto entrava em mim, suavemente. Olhei para ele, que se movimentou uma vez, e pude sentir uma pontada de dor surgir. Ele me beijou e lentamente se movimentou mais uma vez. Suspirei, beijando-o de volta.

Conforme minha mãe dissera, eu senti dor. Uma dor aguda que só o rompimento da carne causa, mas Lucius era cuidadoso demais para seguir o próprio ritmo. Podia senti-lo se controlando para não ir rápido afinal ele prometeu não me machucar, até que eu me acostumasse com a sensação.

Ele manteve os movimentos, certo de que em algum momento eu cederia, e ele não tinha pressa. Beijava-me desejosamente, o que me fez sentir como se ali fosse realmente o meu lugar. A dor ainda se fazia presente, mas inesperada e gradativamente uma onda de prazer passou a fazer parte da nossa dança.

— Olhe para mim, querida – Lucius sorriu, como se pudesse adivinhar o que eu estava sentindo, ele acariciou meu rosto, e beijou-me em seguida, mantendo os movimentos sobre mim. Podia sentir o suor se formando sobre nossos corpos, facilitando suas ações.

Quando ele aumentou um pouco mais o ritmo, desejei que ele não parasse. Seria assim mesmo? Aos poucos o prazer foi dando maior espaço, e a dor quase não era sentida. Não pude deixar de suspirar, o que fez Lucius entender que eu estava, de fato, gostando. Ele sorriu próximo ao meu rosto, sem jamais se afastar.

— Lucius, eu... – Mas a frase morreu ali, eram sensações demais para serem reprimidas naquele momento.

— Você é linda Cissy, linda demais. Eu tenho muita sorte por ter você aqui... – respondeu ele sussurrando, quando pela última vez senti-o aumento um pouco mais o ritmo. Não sabia o que fazer o quando senti uma onda maior ainda de prazer me invadir, ao passo em que ouvia o próprio Lucius gemer junto a mim. Talvez ele estivesse se sentindo tão entregue quanto a mim naquele momento. Pelo menos é o que eu queria acreditar.

Depois de nossos prazeres se completarem ele tombou ao meu lado, afastando-se cuidadosamente de mim, como se qualquer descuido fosse me machucar. Então, ele me puxou para si, beijando-me suavemente. Pude ver que não havia só o cansaço que eu sentia em seus olhos, mas também carinho, enquanto sorria.

— Você está bem? — Perguntou ele, afastando uma mecha de cabelo do meu rosto terrivelmente suado – Machuquei você?

— Estou bem, Lucius – respondi sorrindo de leve para ele, com uma irreprimível cara de boba – não se preocupe, você não fez nada de errado. Foi bom. Muito... – acabei acrescentando sentindo o rubor subir por meu rosto enquanto seu sorriso se abria mais.

— Obrigado por me completar, Narcissa Malfoy – confessou ele, e diante disso sorri mais ainda, antes de beijá-lo mais uma vez.

Eu senti uma onda de calor ultrapassando meu peito quando ele me chamou pelo nome de casada e, de alguma forma eu sabia, que ele poderia e seria capaz de me fazer feliz.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Reviews são bem-vindas! Beeejo! ^v^ Essa história continua em Memories: https://fanfiction.com.br/historia/726392/Memories/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!