A Promessa das Estrelas
1 Único
Notas iniciais
Gostaria também que vocês lessem o "O Amuleto Rafma", pois seria muito bom para vocês entenderem o que irão ler aqui e para quem leu a fic do Amuleto isso é uma prévia para uma continuação que acontecerá.
Boa Leitura ^^
Abraços o/
Vila Dalbada, ano 1790
A mulher pegou o menino pelo pescoço e o atirou contra a parede da casa de madeira que se despedaçou com o impacto.
- Onde está Doug? Onde está Doug, seu pirralho! – A mulher tirou o menino debaixo das tábuas e fez ele olhar para ela – Onde está ele? Onde está ele, droga!
O menino, que estava com alguns aranhões e uma roupa toda suja, olhou para a mulher com a face de seu rosto demonstrando frieza, ódio.
- Ta vendo ali? Ta vendo aqueles corpos? – A mulher apontou para dois corpos que estavam derrubados no chão – Então, eles são seus pais! Eles são seus pais! E sabe o que irei fazer com eles?
A mulher, que tinha cabelos vermelhos e pele verde, com um corpo cheio de curvas, arrancou um revolver, que saiu uma mancha roxa em direção aos corpos dos dois quando disparou.
Aquela mancha grudou neles e foi consumindo suas peles, deixando em carne viva e em poucos segundos, sobraram só esqueletos e algumas partes de gorduras espalhadas por volta dos ossos.
O menino olhou assustado para o que aquela mulher tinha feito com seus pais. Ele começou a chorar.
Ela guardou sua arma e passou sua mão esquerda em seu rosto enquanto os ajudantes da mulher olhavam, parecendo inconformados com o que ela fazia.
- Qual é o seu nome? – A mulher diminuiu a voz para não o assustar mais – Podes me dizer qual é o seu nome?
- Trevon. Trevon Salquetren. – O menino tentava secar as lágrimas que cada vez vinha mais.
- Ok, Trevon! Você pode me dizer onde está o Doug? A gente precisa conversa com ele.
- Você vai matar ele? Você vai matá-lo que nem fez com meus pais agora? – Trevon perguntou fixando os olhos vermelhos da mulher.
- Se você me dizer onde está o Doug pelo menos eu posso deixar você vivo ainda, seu merda! – Ela atirou ele até o chão – Eu estou a um passo de te matar, garoto. Me diga logo onde está o Doug!
Trevon tentava se levantar, enquanto tossia pelo chão de areia. Viu que ela continuava em sua cola e seus ajudantes vinham logo atrás. Trevon saiu correndo e entrou floresta adentro.
Passou por inúmeras árvores, sendo que tropeçava em umas. Mesmo conhecendo aquela floresta muito bem, ele não conseguia raciocinar direito, pois sabia que poderia morrer a qualquer momento. Ele conseguia ouvir passos. O pior é que parecia vir de dois lados. Um dos barulhos estava ficando mais forte até que de um arbusto, perto da árvore onde Trevon tinha parado para se esconder, saiu um cachorro que foi em direção dele.
- Bob! Meu cachorro! Vem aqui, garoto! – Trevon chamou e Bob o obedeceu, indo ao seu encontro – Que bom ver você! – Trevon deu uma espiada e percebeu que estavam vindo atrás dele – Fiquei quieto! Eles não podem nos ouvir!
Eles começaram a procurar Trevor por cada canto daquela floresta.
- Eu sinto o cheiro dele! Ele está por aqui. Eu posso sentir isso. – A mulher chegou perto de uma enorme árvore e a cheirou, dando uma volta nela – Trevoooorrrr! Vem aqui, meu querido. A gente não irá te machucar! Só queremos falar com você! Só isso! – Ela parou de falar quando, ao dar a volta na árvore, conseguiu ver Trevon e seu cachorro coladinho nela, na parte de trás – Aí está você!
Ela se abaixou para tocar em Trevon, até que Bob avançou nela e mordeu seu braço para proteger seu dono.
- Bob! – Trevon viu que os outros ajudantes estavam vindo e teve que deixar seu cão enfrentando aquela mulher, enquanto fugia.
- Saco! Que cachorro dos infernos! – Ela pegou a arma e mirou na cabeça do cão que foi atingido, largando o braço dela – Vamos atrás dele! Precisamos saber onde está o Doug e ele é o único que sabe!
- Um disparo? Bob? – Trevon parou de correr por um momento – Bob? Eles mataram todos de minha família! Cretinos! – Trevon continuou a correr enquanto enchia seu rosto de lágrimas.
Trevon corria o mais rápido que podia, mas a mulher era mais veloz e em poucos segundos conseguiu alcançar ele, dando um soco em sua cabeça. Trevon caiu no chão.
- Eu já perdi minha paciência com você, garoto! Me diga logo onde estáDoug? – A mulher o levantou e jogou contra uma árvore – Não vai me dizer? Ok! Klazen, prepare a arma.
Klazen, um dos ajudantes que tinha todo seu corpo tampado por um manto e um capuz pegou uma arma de sua mochila e algumas balas. Carregou a arma e entregou para a mulher.
- Aqui está, senhora! – Klazen entregou a arma para ela com mãos trêmulas.
Trevon observou a arma. Ela era preta com detalhes em vermelhos. Do jeito que a arma era esquisita, poderia ter uma força e tanto, já que Trevon desconhecia armas.
A mulher atirou no braço de Trevon que caiu no chão gritando de dor.
- Eu acho que já estou sendo muito paciente, não achas, Trevon? Me diga logo onde está o merda do Doug!
“Ela vai me matar se eu não dizer! Ela vai me matar!” – Trevon fez o maior esforço para levantar de novo – Ele está lá no templo junto com Nape. – Trevon abaixou a cabeça e se segurou seu braço fortemente para tentar amenizar a dor – “Me desculpe, Doug!”
- Hum... o templo. Espero que você não esteja me enganando, garoto, por que senão... você sabe. – A mulher deu as costas para o menino e seus ajudantes foram logo atrás, sendo que um ficou observando Trevon.
- Vocês vão matar Doug? – Trevon perguntou chegando mais perto dela. Era uma moça que estava com uma espécie de armadura, com vários arranhões e cicatrizes em volta do corpo.
Ela se abaixou e ficou de cara a cara com o menino.
- Por que vocês querem matá-lo? O que ele fez? Por que vocês fazem isso? – Trevon segurou seu braço mais forte ainda.
- Meu nome é Kiran. – Kiran passou sua mão sobre o braço do menino e a ferida se fechou, formando uma pequena cicatriz – Você vai ficar bem, ta?
Kiran se levantou e foi andando deixando o menino para trás.
- Kiran! – Trevon correu até Kiran e a perguntou – Que raça são vocês?
- Raça? Err... – Kiran pensou um pouco e respondeu – Humanos! Somos humanos!
- Humanos? Certo! – Trevon secou suas lágrimas — Eu juro que irei matar todos de sua raça. Eu juro!
Kiran olhou com pena para aquele menino. Ela deu as costas para ele e foi junto com seu grupo. Trevon olhou para cima e percebeu que estava anoitecendo.
“Meu pai dizia que quando pessoas que a gente gostava morria, elas viravam estrelas. E elas eram as estrelas mais brilhantes.” – Trevon percebeu que havia algumas estrelas que brilhavam com mais intensidade do que as outras – Eu irei matar todos, papai. Eu irei vingar vocês, não se preocupem.
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