A Promessa

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Eu, que nunca consegui superar o final de Uma Odisseia Coreana (ou Hwayugi), decidi criar minha própria continuação. Uma fanfic curta, apenas para tirar o peso no coração causado pelo último episódio.

Ele nunca fora sincero consigo mesmo. Sempre evitara as consequências do que sentia, afastando-se de emoções que lhe viessem perturbar os pensamentos. Ele, que já fora um ser celestial, esquecia-se da própria insignificância. Talvez, se fosse diferente, não estaria em tal situação. Caso detivesse a coragem necessária para enfrentar seus verdadeiros sentimentos, sem se esconder em um bracelete, ela ainda estaria viva. Eles, talvez, teriam conseguido. Juntos. Mas tais pensamentos de nada lhe serviam, ela estava morta.

A lembrança de mãos trêmulas e ensanguentadas tocando-lhe a face, ainda queimavam em sua memória. A terna voz suspirava a felicidade que continha seu coração, já fraco. As palavras proferidas ecoavam em sua mente. “Ainda está com o bracelete. Dessa forma, posso ir tranquila, pois meu amor nunca o abandonará.” O fato que ela não sabia na época, e só descobriria muito depois, em sua forma espiritual, era que o amor não estava no bracelete, mas em seu coração. Ele genuinamente a amava. Sem bracelete, sem feitiço, sem mentiras. Seu coração ardia com a vontade de tê-la ao seu lado. E tal sentimento estava levando-o rumo aos confins do inferno para resgatá-la.

Ele não existia em um mundo sem ela. Não importava o mal que fizera, as punições que recebera ao longo dos anos. Àquela punição ele não sobreviveria. Ser queimado vivo na Masmorra de Mármore em nada se comparava com andar em um mundo onde ela não estava. “Não importa em que forma esteja, eu vou te reconhecer. Irei atrás de você, me espere.” Elevou as mãos ao peito, sentindo uma profunda dor em seu coração. A dor, mais cruel que o aperto do bracelete, lembrava-o que aquilo era real. O que ele sentia era real, e não mais suportava tamanha agonia. Precisava vê-la.

A estrada para o submundo era demasiada longa. Oferecia ao viajante tempo para se arrepender e retornar antes de alcançar temido destino, sendo que, apenas seres sobrenaturais podiam nela transitar. Ao início assemelhava-se a uma estrada comum, localizada no interior do país. Paisagens bucólicas, que aos poucos se transformavam nas águas do mar. Encontrava-se sobre uma ponte, acelerando o máximo que o carro permitia. Tinha pressa. Os únicos pensamentos em sua mente tratavam-se da necessidade de salvá-la. Precisava tê-la ao seu lado. Ele não era como a cegonha, não continuaria sua vida normalmente até o momento em que encontraria a paz eterna após a morte. Não. Ele iria buscá-la, e caso a morte fosse seu destino, ele a enfrentaria.

Não havia destino fatal. Ele a encontraria. Nada havia sentido sem ela ao seu lado. Como poderia continuar respirando sem o seu chamado; Por longas horas, dirigiu, sob o sol e sob a chuva, perdido em seus pensamentos. Admitia não ter um plano, por assim dizer. Ele estava seguindo-a. Sentia seu chamado, seu desespero. Não como antes, porém a sentia. Distante. Um sussurro frágil, volátil. Conseguiria ignorá-la, caso desejasse. Mas esse não era o caso, precisava estar com ela. “Estou chegando. Espere por mim.” Sussurrou, esperando que ela o sentisse se aproximar.

Notas finais
Please save me from hell, because I’ve got one foot in the grave.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.