A Promessa
8 Capítulo 7 - Esclarecimentos
Notas iniciais
Quando a aula acabou e Lúcia se levantou para ir para casa observou Peter fazer o mesmo mecanicamente. Aquilo, por algum motivo, a fez se sentir culpada. Culpada por não ter contado a verdade a Peter e por ter mentido para ele. Ela não gostava de mentir, nem mesmo quando era preciso. Então tomou uma decisão.
–Peter? – Ela chamou-o.
Peter a encarou enquanto ela dava mais um passo em sua direção. Notou que não havia mais o nervosismo de mais cedo e sim uma certeza clara em seu olhar.
–Preciso contar algo a você. Poderia esperar comigo até que todos fossem embora? –Ela perguntou.
Peter apenas assentiu em silêncio e esperou. Alguns minutos se passaram até que o último aluno saiu da sala. Então ele se sentou novamente e indicou que Lúcia fizesse o mesmo.
–Eu queria me desculpar... Por ter mentido mais cedo. –Ela disse.
–É uma atitude muito nobre admitir uma mentira e se desculpar. –Peter falou tranquilamente. –Se bem... Que eu não poderia esperar outra atitude vinda de uma rainha.
Lúcia imediatamente empalideceu de susto. Como Peter poderia saber disso?
–Então é mesmo verdade. –Peter sorriu largamente.
–Como... Como sabe? –A garota quase não conseguiu balbuciar a pergunta.
–Na verdade, eu não tinha certeza. Mas você se encaixa na descrição.
–Que descrição? –Ela indagou apressada.
Então Peter se virou e tirou de sua mochila um livro, colocando-o diante de Lúcia. Era antigo, de couro com detalhes dourados. Parecia um livro de contos iguais aos que ela viu uma vez em um antiquário.
Peter abriu o livro em uma página marcada e lá estava... Toda a sua história, todas as suas aventuras em Nárnia estavam narradas nas páginas daquele livro. Ela não soube como reagir, então encarou Peter.
–Esse livro foi passado na minha família de geração em geração. Alguns dizem que são uma reunião de contos incríveis, mas eu não acredito nisso... Antes de vir para essa cidade eu ainda não havia visto esse livro, mas pouco antes de partir eu o recebi. Comecei a ler para passar o tempo e fiquei espantado quando encontrei no livro duas descrições que coincidiam perfeitamente com a sua e com a do seu irmão, que eu já tinha visto uma ou outra vez na casa de Eustáquio. Por uma brincadeira do acaso eu vim estudar justo na mesma escola que vocês e na mesma sala que você, Lúcia. Então eu não pude evitar me aproximar para ter certeza...
–Você sumiu quando tentei te apresentar ao meu irmão... –Lúcia se lembrou.
–Eu fugi, não estava preparado para conhecê-lo de perto. –O garoto explicou.
–E depois você simplesmente evaporou. –Ela continuou.
–Eu voltei para casa, para perguntar sobre o livro e meus pais disseram que eu poderia falar com um tio meu que sabia mais sobre o livro do que eles. Então eu fui até outra cidade e falei com o meu tio, pretendia ficar apenas um dia, mas ele me contou tanta coisa que eu acabei ficando lá uma semana para saber mais. –Ele esclareceu.
–E não quis me contar o motivo do seu sumiço porque não tinha certeza sobre mim e meu irmão. –Lúcia concluiu por si mesma.
–Então, quando a ouvi falar a palavra Nárnia, eu tive certeza. –Ele contou.
–Mas eu menti e não quis contar a verdade para você... –Lúcia abaixou os olhos culpando-se por não ter confiado nele.
Peter fez Lúcia encara-lo erguendo seu queixo com a ponta dos dedos e sorriu para ela.
–Não fica bem para alguém tão destemida sentir-se culpada. –Ele disse, fazendo Lúcia rir levemente. –O que diriam os inimigos de Nárnia se vissem a destemida abaixar os olhos?
–Realmente, não ficaria nada bem para a minha imagem. –Ela disse sorrindo largamente.
Peter, então, se levantou e ajudou Lúcia a fazer o mesmo, colocando rapidamente o livro de volta em sua mochila e se dirigindo para a porta.
–Até amanhã. –Ele disse se afastando.
–Espere... Você ainda não me disse para que fez tudo isso. –Lúcia falou.
–Achei que seria legal ser amigo de uma rainha. –Ele disse e atravessou a porta.
Lúcia riu, mesmo sabendo que alguém não se daria todo esse trabalho apenas para fazer uma nova amizade.
–Ah, aí está você. –Ela ouviu Edmundo dizer. –Estava te procurando.
–Já estou indo Ed. –Ela disse pegando seus materiais escolares e indo para a saída.
–O que andou fazendo nessa sala até agora? Perdeu a caneta e estava procurando? –Edmundo perguntou brincando enquanto caminhava ao lado da irmã.
“Não, não perdi uma caneta, mas acho que encontrei uma aventura”. Ela riu de seus pensamentos.
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