A Promessa.
1 Eu prometo
Notas iniciais
Eram 15:30. Eu estava em uma festa que um amigo meu me convidou.
Tava tudo uma bosta.
Todas aquelas pessoas se divertindo, rindo, e eu nessa puta depressão.
Pra explicar de um jeito que você não queira sair dessa fic, eu vou falar rapidinho.
Eu me sinto uma bosta o tempo todo. Olho pro espelho e vejo um cara feio. Vejo por aí casais e me convenço de que nunca vou ter alguém pelo simples fato de mesmo com alguém gostando de mim, levei um pé na bunda. E coisas do tipo.
Até agora.
Uma galera estava dançando, e eu vi uma menina bonita ali no meio, festejando no estilo White Boy Wasted. Nos primeiros momentos, eu fiquei olhando pra ela, admirado. Mas aí, a realidade voltou pra minha cabeça. Eu fiquei pensando como se outro eu estivesse discutindo comigo.
"Cara, desiste."
"Ah, mas ela parece tão..."
"Parece tua mãe de quatro. Agora esquece!"
Nesse meio tempo, adivinha quem chegou. Por algum motivo, ela veio falar comigo.
– Oi! — Disse ela, sorridente. Ela vestia uma touca amarela cobrindo o cabelo moreno curto de pontas verdes, e uma jaqueta azul com calça jeans.
Eu olhei pros lados umas 5 vezes pra ter certeza que foi comigo.
– Hã...o-oi. — Respondi.
– Como vai?
– Como eu pareço estar? — Admito que fui meio grosso. Ela me olhou de um jeito meio "preocupado".
–...meu nome é Anna, mas todos me chamam de Ann. Qual seu nome?
– Harry. Desculpa eu ter sido grosso com você agora. Eu..eu só acho que não tô legal hoje.
– Então porquê veio pra uma festa?
– O cara é meu amigo de infância. Eu não faltaria na festa de um amigo de infância meu.
–Hm...entendi. Diga, você foi sempre assim tão pra baixo?
– Eu sei lá...nem lembro ao menos da ultima vez que eu dei um sorriso, sem ser vendo comédias.
Ela me segurou pela mão, e quase que eu fico vermelho.
– Eu prometo.
– Hã?
– Eu prometo que vou fazer você sorrir, nem que seja a última coisa que eu faça.
– Eu duvido muito...tem muita merda acontecendo na minha vida. Qualquer dia, eu vejo um episódio de Looney Tunes, e me mato com a frase "Isso é tudo, pessoal" escrita numa tela passando vários episódios.
– Wow...isso é macabro.
Eu não tinha muita fé na promessa dela, mas queria saber realmente no que daria aquilo tudo.
** – Ok.. pra começar, por quê você não tenta se enturmar mais? — Perguntou Ann — Vai dançar, jogar alguns fliperamas que têm ali no canto, beber algo...viva a vida, rapaz!
– Primeiro de tudo, eu sou tímido. — Respondi. — E além do mais, maioria das pessoas são um bando de idiotas falando "mó chavão" ou "pode pá"...daí que eu não consigo me enturmar.
– Ora, deixa de ser chato. Vamos pros fliperamas! — Exclamou, me puxando pela mão. – Mas eu disse que... – FLIPERAMAS!! — Ann interrompeu-me.
Suspirei e então concordei com ela. Talvez um joguinho me animasse. Chegando perto dali, eu me sentia meio ridículo.
– Eu me sinto como uma criança de 4 anos... — suspirei.
– Nesse caso, cala a boca e vai brincar, filhinho. — Ann brincou. — Escolha um jogo aí e vamos jogar.
– Ok, ok...talvez aquele de armas?
– ¹ArmageddonGun 2..boa escolha! — Disse ela, sorrindo pra mim e logo puxando-me pela mão mais uma vez. O que há com minha mão, afinal?
Escolhemos os personagens, e então o nível começou. Era um jogo de zumbis. Eu comecei atirando na cabeça de cada zumbi que aparecia. O engraçado é que a cada ação que eu fazia, Ann notava alguma coisa. Eu atirei na cabeça de alguns zumbis que eram um tanto gigantes.
– Sua cabeça está acumulada de problemas, da qual parece que vão estourar á qualquer momento? — Perguntou ela.
–...como adivinhou? — Perguntei, sem tirar os olhos da tela.
– Você atira na cabeça dos maiores ali com muita frequência. Isso é um sinal. Eu me interessei mais pelos sinais psicológicos dela. – Há mais algum sinal? Isso parece um tanto...interessante. Seu sorriso aumentou mais e suas bochechas coraram um tanto.
– Vamos ver...olha ali um pacote de vida extra! Pega!!
– Não é importante agora. Eu preciso matar esse zumbi, que está me incomodando demais. — Ela parou pra pensar um pouco.
– Você está com metade de vida perdida, e deixou pra lá um pacote de vida extra por causa de um zumbi que enche o teu saco...você não percebe o que há de bom na sua vida, talvez. — Eu larguei o controle em forma de pistola. Eu não sei porquê, mas aquilo me deu um clareamento, daqueles que depois você fala Eureca! (se for um cientista) ou então fica todo alegrinho.
– Talvez..talvez seja isso. Muito obrigado, Ann. Muito obrigado mesmo. Suas bochechas rosaram e seu sorriso se iluminou mais ainda. Eu não conseguia sorrir ainda, pois ainda me sentia depressivo. Mas, meus colegas, eu adoraria ver ela sorrindo daquele jeito o tempo todo. Minha depressão foi de 100 pra 95%.
No fim da festa, eu não entendia o porquê daquilo...ela chegou em mim, e de repente quis me fazer sorrir. Não entendo isso. Quer dizer, temos momentos em que uma criança está perdida e alguma alma bondosa chega e diz "Cadê a mamãe? Vamos procurá-la."
Porquê ela quis me ajudar de repente? Eu estou tão mal assim?
Depois da festa, ela me abraçou, me pediu algumas informações (telefone e facebook) e se despediu.
– Tchau, Harry! Eu ainda consigo fazer você sorrir um dia!
– Falô. — Eu tenho mania de parecer um criolo do rap quando vou cumprimentar...
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