A Profeta

7 The shopping


No supermercado, passavamos pelos corredores de frios e laticínios. Meu protetor me acompanhava em modo que todos pudessem vê-lo, ou seja , na forma humana. Segurava a cestinha onde eu colocava, quer dizer, jogava, os itens escolhidos e que também já estava quase cheia de iogurtes, refrigerantes em latas, batatas fritas, chocolates e entre outras gordices a mais.

– Já pensou em ser mais saudável? — Ele reparava os alimentos dentro do recipiente.

– Isso não foi um conselho muito gostoso. — Zombei enquanto escolhia qual dos doritos levar. É muito difícil escolher entre um pacote grande e um outro maior ainda.

– Isso não foi um conselho, foi uma pergunta. — Disse.

– Isso não foi uma pergunta muito gostosa. — Zombei novamente a modificar a frase.

Por fim, o dorito mais caro venceu. Ou seja, de fato, o maior. O joguei na cesta.

– Perguntas não foram feitas para serem gostosas e sim para serem respondidas.

UI. Isso por acaso foi uma tentativa de tirada e me obrigar a trocar uma lasanha por uma beterraba?

– Essa não foi uma cortada muito saborosa. — Retruquei. Odeio beterrabas.

Cruzamos o corredor e encontramos um freezer contendo várias pizzas, Stick, hamburguês e lasanhas congeladas. O abri e retirei duas caixas de pizza, três de lasanha e coloquei na cesta.

– O que você tem contra vegetais e legumes? — Indagou.

– O que você tem contra alimentos que podem entupir as suas veias com tanto colesterol alto e fazerem elas explodirem com tanta diabete?

Ele revirou os olhos sabendo que não iria adiantar em nada, pegou mais uma caixa de pizza e a jogou na cesta. Estranhei.

– Olhe com atenção. — Disse ele.

Peguei a pizza que ele colocou e reparei o sabor. Era milho com brócolis e cebola. Por que diabos um pizza iolo faz um pizza de milho com brócolis e cebola? Quem coloca brócolis em uma pizza? Brócolis com cebola? Milho? Cebola? Brócolis?

– Quem sabe algo com massa faça você comer algo saudável. — Presumiu.

Esse anjo. Não seja esse anjo.

– Você quer que eu tenha uma overdose de mau hálito isso sim. — Lhe disse, devolvendo o envenenamento de conspirações de massas e verduras não bem-vindas ao meu estômago ao freezer.

– Sua gorda! — Gracejou.

– Nem se eu quisesse.

– Você terá o ódio eterno das gordinhas. — Disse.

– Não será necessário. Eu não tenho preconceito contra elas. Muito pelo contrário. Sempre quis ser uma modelo pin-up plu size. Mas não tenho corpo para isso.

– Por isso você come esse tanto de porcaria? Para tentar engordar? — Indagou.

– Porcarias são muito gostosas. — Ironizei ao zombardia-lo.

– Você não tem preconceito porque é uma pessoa boa. — Ignorou, trazendo de volta uma história bem longa. Mas longa que a era medieval. E sabe o que eu acho sobre história? Eu sempre dormia nas aulas.

– De novo esse assunto... — Murmurei.

Ignorei e curvamos o corredor.

– Um assunto que você sempre tenta fugir mas não consegue. — Ele acompanhava meus passos enquanto eu o ignorava e continuava em direção ao caixa.

– Não adianta fugir. Querendo ou não o passado sempre voltará para assombrar o presente. — Falei. Uma tentativa fúnebre de filosofia, pois eu também dormia nas aulas.

– Ele só te assombra porque você não o deixa tornar o seu futuro. — Argumentou.

– Já podemos parar com o papo filósofo sem noção. Filosofia não é a minha matéria favorita. — Protestei.

Vendo que novamente não iria dar em nada, ele suspirou de leve como o de costume e disse:

– Como quiser senhorita Veron!

– Obrigada!

– Mas só para finalizar... — Acrescentou. — O mundo precisa de você e de seus dons. Se você parasse de beber e saísse dessa vida que anda levando, talvez...

Suspirei fundo. Parei e o encarei.

– Escuta aqui criatura celeste. — O interrompi. O tom de voz mais firme e grossa. — 1º : Eu gosto da minha vida do jeitinho medíocre que eu a levo. E 2º: O mundo não precisa de mim.

– Não seja tão egoísta, azulzinha. — Aconselhou ele, sem se intimidar com o início do meu nervosismo.

– Esse mundo vasto de decepções não precisa de mais uma garota qualquer que vaga por ele com dons estranhos que ela não pediu para ter. — Continuei.

– Também não seja tão mal agradecida. — Parado ao meu lado, ele apontava o indicador para algumas barras de chocolates fazendo "uni-duni-tê". — Se ele te concebeu esse dom é porque sabe exatamente quem você é e quem irá se tornar.Não só você. Ele sabe o destino de qualquer ser vivo.

– Pois acho que dessa vez ele se enganou. — Afirmei. — Porque não me imagino curando pessoas vivas e muito menos mortas.

– Ele nunca se engana.

Olhei para ele e o vi com a mão esticada segurando uma barra de chocolate branco.

– Eu sei que esse é o seu favorito! — Disse.

Peguei e a joguei na cesta.

– Obrigada!

Ele novamente sorriu, apenas.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.