A Profecia dos Amantes
30 Primeira Ignição
O quarto de Rum'ea estava em silêncio, o que não seria realmente incomum se não fosse pela diferença dos silêncios que normalmente se instalavam.
Havia ali o tipo de quietude que só surgia depois de uma longa travessia interior, como se o próprio ar tivesse aprendido a esperar com ela. A luz de Coruscant, filtrada pelas janelas altas do Templo, entrava já amortecida pela noite em formação, pousando em faixas pálidas sobre a cama estreita, sobre a mesa coberta de pequenas ferramentas já guardadas, sobre alguns datapads empilhados e sobre as mãos de Rum'ea, fechadas ao redor da empunhadura do sabre de luz desligado.
Ela o segurava com cuidado demais para alguém que já o montara peça por peça com telecinese e já ouvira Huyang dizer, com todas as letras, que não explodiria ou faria barulhos altos, inadequados e definitivamente indignos de uma arma Jedi.
Não era insegurança mecânica. Era o seu primeiro objeto verdadeiramente Jedi e, ao mesmo tempo, a peça mais pessoal que já construíra com as próprias mãos. Sob aquela superfície escura, porém, por frestas finíssimas quase invisíveis a um primeiro olhar, corriam pequenos veios azuis. Não brilhavam de modo vulgar ou chamativo: eram, na verdade, discretos, internos, escondidos sob camadas, como se a luz própria do sabre tivesse escolhido não se oferecer inteira de uma vez. Rum'ea gostara disso assim que viu o resultado final. Parecia certo, como luz sob interferência. Como estrela sob estática.
Rum'ea respirou fundo, mas não fez coisa alguma.
O sabre continuava desligado em suas mãos.
Era ridículo, ela pensou. Tinha atravessado Kyrmora. Tinha sobrevivido fome, frio ruim, chuva ácida, vendas, algumas explosões, medo, corredores, missões, testes, Ilum, o corredor escuro de Ilum, um kyber, montagem, meditação, toda a lógica irritante da Ordem Jedi e, ainda assim, estava sentada no próprio quarto incapaz de apertar um ativador.
Mas o problema nunca fora o gesto — era a irrevogabilidade. Enquanto o sabre permanecesse desligado, ainda havia um espaço mínimo para dúvida. Um intervalo entre o processo e a confirmação. No instante em que a lâmina surgisse, isso acabaria. Ela finalmente veria o que tinha feito. Veria o que a Força decidira pôr em sua mão. Veria a cor do kyber que se recusara a se revelar mesmo estando claramente (e talvez até mesmo um pouco excessivamente) conectado. E então aquilo seria real de uma forma que nenhuma meditação preparatória conseguira antecipar.
Rum'ea ajustou a posição dos dedos na empunhadura e tentou uma vez.
Parou antes de pressionar.
Tentou outra.
Parou de novo.
No vínculo, que ela deixara fechado o bastante para privacidade e conforto, veio um toque leve. Nada intrusivo ou assustado, mas um toque paciente, como nós dos dedos batendo na lateral de uma porta.
Rum'ea?
Ela ergueu a cabeça.
Sim?
Posso entrar?
Rum'ea ficou imóvel por um instante, mais surpresa pela precisão do momento do que pelo pedido em si. Ela não o chamara conscientemente, tinha certeza disso. Não enviara pedido algum, e definitivamente não abrira o vínculo em busca dele. No entanto, de algum modo, alguma parte da ansiedade dela devia ter vazado por baixo da porta interna do vínculo, pelo menos o bastante para que Tarla, do lado de fora, ouvisse.
Você está esperando aí fora?
Estou.
Há quanto tempo?
Houve uma pausa curta.
Tempo suficiente para decidir que seria melhor pedir antes de apenas entrar.
Isso a fez bufar pelo nariz, ainda sentada na beira da cama.
— Entre logo, Tarla.
A porta se abriu em seguida e Tarla entrou com a quietude habitual, fechando-a atrás de si sem ruído desnecessário. As vestes caíam nele com aquela ordem natural que Rum'ea já conhecia, e a luz do quarto pegava de leve nos fios grisalhos misturados ao castanho do cabelo longo. Seus olhos verdes pousaram primeiro no rosto dela, depois no sabre em suas mãos, e ele pareceu compreender tudo sem precisar de explicação imediata.
— Não acendeu ainda. — Disse em voz baixa.
Rum'ea olhou de volta para a empunhadura.
— Não.
Tarla se aproximou apenas o necessário e parou, dando a ela espaço suficiente para não sentir a presença dele como invasão. Não havia piedade em sua expressão, tampouco expectativa frustrada. Havia apenas atenção.
— Quer me dizer por quê?
Rum'ea apertou um pouco mais os dedos no metal escuro.
— Porque... — Ela fez uma careta, irritada consigo mesma. — Porque, no momento em que eu apertar, vai ser isso. Acabou. Não tem mais “talvez”. Não tem mais “ainda vou ver”. Não tem mais nenhuma distância entre mim e a… A coisa real.
Tarla inclinou levemente a cabeça.
— a coisa real assusta?
— Sim.
— Por quê?
Rum'ea soltou um riso sem humor.
— Porque pode ser errada.
— O sabre funciona. Professor Huyang já o testou.
— Não foi isso que eu quis dizer.
— Eu sei.
Ela olhou para ele, irritada por ele saber.
— Eu posso não gostar.
— Pode.
— Eu posso olhar e sentir que não é meu.
— Sim.
— Eu posso achar horrível.
— Rum'ea, você fez escolheu com atenção quase obsessiva cada componente e quase rosnou quando Professor Huyang sugeriu mudar um dos internos. Seu gosto já foi exercido em profundidade.
Apesar de tudo, ela soltou uma risada curta.
— Isso não ajuda em nada.
— Pena. A intenção era ajudar pouco.
— Não conseguiu.
Tarla deixou que o riso pequeno se acomodasse antes de continuar.
— A primeira vez que acendi o meu sabre foi com outros dezessete younglings.
Rum'ea ergueu os olhos imediatamente.
— Dezessete?
— Sim.
— Horrível.
— Extremamente.
Ela estreitou os olhos, curiosidade começando a infiltrar-se no medo.
— E você odiou.
— Profundamente.
— Por causa das outras pessoas?
— Em parte. — Ele cruzou as mãos atrás do corpo por um instante, a memória claramente voltando com nitidez suficiente para desgostá-lo ainda depois de tanto tempo. — Eu já não apreciava a ideia de um momento daquele acontecer diante de tanta gente. Parecia pressão desnecessária. Observação desnecessária. Testemunhas demais para algo que eu considerava... Privado.
— E ainda tinha a cor.
Tarla soltou um pequeno suspiro, desta vez quase divertido.
— Ainda tinha a cor.
Rum'ea enfim sorriu de verdade.
— Você ficou chateado porque queria azul.
— Fiquei.
— Mesmo já sabendo que o Kyber era verde.
— Crianças às vezes têm fé demais em mudanças estruturais.
— E não podia demonstrar em público.
— Não sem parecer extraordinariamente ingrato perante a Força, a Ordem e dezessete outras crianças que teriam achado o episódio memorável pelo pior motivo possível.
A imagem mental se formou tão vívida no vínculo que Rum'ea quase a viu sem que ele precisasse mostrá-la: um Tarla muito mais jovem entre os younglings mais velhos, tentando manter a dignidade enquanto o sabre verde brilhava em suas mãos e seu roato inteiro parecia dizer “eu queria azul”. Ela riu, desta vez cobrindo a boca com a mão livre.
— Você parece ofendido só de lembrar.
— Porque estou.
— Você superou.
— Eventualmente.
— E agora anda por aí com cara de quem nasceu para um sabre verde.
— Isso é calúnia retrospectiva.
Rum'ea riu de novo, e a rigidez em seus ombros afrouxou um pouco. Tarla percebeu, mas não apressou o momento. Aproximou-se um passo a mais, ainda com o cuidado de sempre.
— Posso ouvir o medo inteiro? — Perguntou.
Ela baixou os olhos. Por um momento, pareceu que diria não: que o guardaria dentro de si, como guardara tantas coisas, transformando confusão em hostilidade e ansiedade em irritação. Mas então respirou mais fundo e falou, primeiro em voz baixa, depois também pelo vínculo, onde as palavras vinham mais nuas.
— Eu acho que, se eu gostar demais, vai doer. Porque vai ser real. — Ela passou o polegar perto da área lisa do ativador sem acioná-lo. — E, se eu não gostar, vai doer também. Porque eu já me esforcei demais para chegar até aqui. Porque Ilum me escolheu. Porque o kyber me escolheu. Porque você me ajudou a montar. Porque todo mundo vai olhar. Porque... Porque, se for estranho demais, eu vou ser mais uma vez a coisa errada no lugar certo.
Tarla a ouviu sem interromper.
— E se for comum demais? — Ela continuou, mais baixo. — E se não disser nada? E se eu olhar e pensar “foi só isso”?
Ele absorveu a pergunta como quem segura algo delicado.
— Rum'ea, o sabre não é uma sentença sobre o seu valor. Não é um veredito moral. Não é um julgamento da Força sobre quão correta ou incorreta você é. É uma lâmina. Uma extensão. Um encontro entre você e o kyber. Se for estranho, será estranho. Se for simples, será simples. Se for belo, ótimo. Se for desconcertante, ótimo também. Nada disso a invalida.
Ela ficou quieta.
— Você diz isso como se fosse fácil.
— Não é fácil. É só verdade.
O silêncio entre os dois não pesou. Em vez disso, assentou-se.
Tarla olhou para o sabre em suas mãos, depois de volta para ela.
— Quer que eu faça junto com você?
Rum'ea ergueu os olhos imediatamente, e a resposta veio antes que pudesse ser maquiada.
— Quero.
A palavra saiu tão direta que quase a fez enrubescer por tê-la dito sem defesa nenhuma. Tarla, porém, apenas assentiu, como se ela tivesse pedido algo simples e perfeitamente razoável. Ele sentou ao lado dela na beira da cama, com espaço suficiente para não encostar de imediato, e só depois de um segundo de silêncio levantou as mãos, deixando que ela visse o movimento inteiro.
— Posso?
Rum'ea fez que sim. Tarla então pousou as mãos sobre as dela, cobrindo-as com cuidado ao redor da empunhadura. O contato foi firme e leve ao mesmo tempo, sem tentar tomar o sabre, apenas compartilhando o peso. Rum'ea sentiu, no primeiro instante, o velho impulso de rigidez atravessar o corpo, o reflexo que nunca deixava de existir por completo quando um homem a tocava. Mesmo ele. Mesmo assim. Mas Tarla, sempre paciente, não fez nada brusco. Apenas ficou ali, as mãos grandes e quentes sobre as dela, a presença dele no vínculo tranquila.
— Respire, Rum’ea. — Disse ele, baixo.
Rum'ea percebeu que tinha prendido o ar e obedeceu. Tarla ajustou só o bastante para alinhar o polegar dela com a superfície lisa do ativador.
— Não precisa fazer sozinha. — Murmurou.
Ela fechou os olhos por um instante. Quando abriu de novo, fixou o olhar na parede à frente como se não ousasse olhar diretamente para o sabre. Tarla tocou-lhe o vínculo com uma suavidade estável.
Pronta?
Não.
Ele soltou um sopro quase risonho.
Resposta honesta.
Sim. Mas vai assim mesmo.
Vai.
Muito devagar, ele pressionou gentilmente o dedo dela contra o ativador.
A lâmina surgiu em silêncio.
Não com estrondo, com exibição, ou com qualquer teatralidade exuberante. Ela simplesmente apareceu. Uma linha de luz subindo da empunhadura como se sempre tivesse estado ali, esperando a decisão certa, e Rum'ea prendeu a respiração outra vez.
A lâmina era branca.
Não um branco morto, nem um branco vazio. Branco vivo, claro, cortante como neve sob um céu limpo, mas com um núcleo azul pálido no centro, quase etéreo, como gelo atravessado por luz distante. O contraste entre a pureza branca e o coração azul interno fazia a lâmina parecer ao mesmo tempo silenciosa e incomum, como se carregasse dentro de si uma segunda história. Não era uma lâmina comum. Nem de longe.
Tarla sentiu a surpresa antes de conseguir escondê-la: ela passou pelo vínculo numa onda curta, involuntária, mas nítida o bastante para Rum'ea percebê-la imediatamente.
O corpo dela se retraiu só o bastante para que a alegria assustada do primeiro instante fosse atravessada por outra coisa, mais antiga e mais cruel: está errado; de novo; como sempre; demais; é simplesmente demais; estranho; não serve. Os ombros endureceram. As mãos quase afrouxaram na empunhadura. Os olhos saíram da lâmina para o rosto dele com a rapidez de um animal procurando confirmação de perigo.
Tarla percebeu o impacto que a própria surpresa causara e falou antes que a mente dela pudesse completar a pior interpretação possível.
— Rum'ea.
Ela não respondeu.
— Incomum não é ruim.
O vínculo dela continuava tenso, cheio de estática fina.
— Eu me surpreendi porque não é uma lâmina comum. — Disse ele com calma, sem apressá-la, sem recuar do que era verdade. — Eu me surpreenderia se fosse amarelo. Se fosse roxo. E isso é diferente de “há algo errado”.
Rum'ea olhou de volta para o sabre, ainda aceso, a luz branca com núcleo azul iluminando o quarto e o rosto dos dois.
— Vão olhar.
— Sim.
— Vão comentar.
— Provavelmente.
— Vão perguntar.
— Quase certamente.
Ela apertou a mandíbula.
— Eu não queria mais uma coisa para explicar.
Tarla afrouxou as mãos sobre as dela, sem soltá-las completamente.
— Então não explique.
Rum'ea franziu a testa, ainda tensa.
— Como assim?
— Diga o que quiser dizer. Ou não diga nada. Ou diga que o kyber a escolheu em Ilum e que isso basta. Porque basta. — A voz dele se manteve baixa, mas firme. — Esse é o seu sabre. O seu kyber. A sua lâmina. Você não tem de pedir desculpas por ela a ninguém.
A frase caiu entre eles com um peso sereno. Rum'ea voltou a olhar a lâmina. Desta vez por mais tempo.
Branca.
Com um núcleo azul pálido.
Silenciosa.
Linda, ela pensou antes de conseguir se defender do próprio pensamento. Muito estranha também. Desconcertante. Mas linda como um inverno limpo. Como a pausa entre ruídos. Como o corredor silencioso que a levara até o kyber antes que o outro, errado, se abrisse nas margens da caverna. Havia naquela luz algo de decisão contida, algo que não se oferecia ao mundo para ser aplaudido. Apenas existia.
Eu gosto, admitiu ela pelo vínculo, tão baixo que quase não parecia fala.
Tarla sentiu o alívio nisso como se um nó interno afrouxasse.
Eu também, respondeu.
Ela lançou a ele um olhar rápido, desconfiado.
— Você está dizendo isso porque é meu Mestre.
— Não tenho obrigação de mentir sobre nada apenas porque sou seu Mestre. Estou dizendo isso porque é verdade.
— Você pode estar fazendo os dois.
— Você fala como se não me conhecesse, Rum’ea.
Isso arrancou dela um sopro de riso pequeno, tremido, e a tensão foi descendo devagar. Não desapareceu inteira, não ainda, mas cedeu espaço à realidade simples da lâmina ainda acesa em suas mãos. Tarla retirou primeiro uma mão, depois a outra, deixando que Rum'ea sustentasse o sabre sozinha agora. Ela o fez. O peso pareceu diferente do que imaginara — mais sólido, mais inevitável, como se o objeto tivesse finalmente se instalado no mundo.
Rum'ea ergueu um pouco a empunhadura, estudando o reflexo da luz branca nos anéis gravados, nas placas irregulares, nas frestas azuis do metal grafite. A inscrição em keshtari quase brilhou por um instante sob aquele fulgor.
— Tai nil kaëla ailunë-sara. — Murmurou.
Tarla inclinou levemente a cabeça.
— Sim.
— Você escolheu isso de propósito.
— Escolhi.
— É uma frase grande para colocar num sabre.
— É uma frase precisa.
Rum'ea passou o polegar, desta vez com cuidado, sobre o anel onde a escrita dele estava gravada.
— Ainda não sei exatamente o que ela é aqui.
Tarla não tentou responder por ela.
— Não precisa saber hoje.
Ela assentiu, muito de leve. Depois olhou para a lâmina mais uma vez, e alguma coisa em seu rosto se transformou. A felicidade aberta da sensação de não ter sido esquecida. Não por Tarla, nem pela Ordem, não por Ilum... E especialmente não pela própria Força.
— Ela é muito bonita. — Disse enfim, em voz quase infantil de surpresa, como se ainda não acreditasse poder dizer isso sem punição.
Tarla sorriu, pequeno.
— É.
— E estranha.
— Bastante.
— E vai chamar atenção.
— Vai.
Rum'ea fez uma careta.
— Ótimo.
— Rum'ea.
Ela olhou para ele.
— Não peça desculpas por existir do jeito que existe. Nem por aquilo que a Força colocou em suas mãos.
O vínculo se aqueceu. Não com excesso, não com nada que a assustasse, mas com aquela ternura calma que nele vinha às vezes como luz sob gelo. Rum'ea a recebeu em silêncio, sem fugir.
Depois de alguns instantes, ela respirou fundo e desligou a lâmina.
O quarto pareceu maior quando a luz branca desapareceu. Mas não vazio. Nunca mais vazio do mesmo jeito.
Rum'ea ficou olhando para o sabre desligado nas mãos, agora sem o mesmo medo. Ainda havia nervosismo, claro. Ainda havia a antecipação do que os outros diriam quando vissem. Ainda havia o desconforto de ser outra vez algo incomum em um lugar que se orgulhava de seus padrões. Mas, por baixo disso, havia também certeza.
Tarla levantou-se devagar.
— Quer ficar sozinha um pouco com ele? — Perguntou.
Rum'ea olhou para a empunhadura escura com seus veios azuis escondidos, para as gravações minúsculas, para a superfície lisa do ativador, para a frase em keshtari escrita pela mão dele.
— Sim.
Tarla assentiu.
Foi até a porta, mas, antes de sair, parou e olhou para trás.
— Quando alguém comentar, e alguém vai comentar, você pode me deixar lidar com os mais insuportáveis.
Rum'ea ergueu uma sobrancelha.
— Quantos você acha que haverá?
— Estatisticamente?
— Sim.
— Muitos.
Ela bufou, mas sorriu.
— Ótimo.
— Se a consola, Jedi tendem a ser contidos, então o número de pessoas que perguntarão se torna menos significante.
— Vá embora, Mestre.
— Como quiser, Padawan.
Ele saiu, fechando a porta atrás de si.
Rum'ea permaneceu sentada na beira da cama por muito tempo depois disso, o sabre ainda nas mãos, o vínculo repousando tranquilo entre ela e Tarla como uma linha morna por baixo das paredes do Templo. Em dado momento, ergueu de novo a empunhadura, estudando-a à meia-luz. Passou o polegar sobre a área lisa do ativador. Sobre a gravação em keshtari. Sobre os metais reaproveitados que agora pareciam menos restos de uma vida antiga e mais fundamento de outra.
E então, sozinha no quarto, sem testemunhas, sem pressão, sem dezessete younglings assistindo, Rum'ea acendeu a lâmina uma segunda vez.
Branca.
Com um núcleo azul pálido.
Silenciosa.
E inteiramente dela.
Fale com o autor