A Profecia do Destino - O Domínio de Alucard
8 O drama de Vergil
Então, eles foram dormir na casa de Roland, que, desta vez, se tornou uma casa mesmo: era formada de móveis confortáveis, as paredes de madeira bem limpas, quartos amplos e muitas outras coisas. Tiveram uma agradável noite de sono, exceto Vergil, que estava tendo um terrível pesadelo: sonhou que estava num campo muito escuro que só dava para ver um palmo de distância à sua frente. Correu às cegas tentando encontrar alguma coisa, e seu coração pulsou rapidamente quando a viu: Suzan estava caída no chão, não tinha pulsação, estava morta. De repente, uma raiva incontrolável tomou conta dele até que ouviu uma risada desdenhosa, uma risada macabra, que faziam os cabelos da nuca arrepiar. Mas para ele, nada mais lhe fazia efeito, nada mais lhe importava, só queria que o responsável pelo assassinato fosse morto. Quando se virou para ver quem era, acabou acordando do pesadelo. O coração palpitando aceleradamente, o suor escorrendo pelo seu rosto. Recobrando os sentidos, olhou para os lados: viu que todos dormiam tranqüilamente, e deu mais um suspiro de alívio quando viu que Suzan dormia profundamente. Deitando-se e não conseguindo dormir mais, esperou até que o sol clareasse todo o quarto e a voz de Roland chamá-los:
– Vamos meus aprendizes! Hora do café! – Cole se levantou de um salto e correu para a cozinha. Os demais demoraram um pouco mais e foram também para a cozinha, mas Vergil saiu por último, ainda pensando no terrível pesadelo que teve. Comeu como todos e saiu para um passeio, não chamando ninguém. Andando alguns metros, sentiu que alguém lhe seguia. Virando-se rapidamente e energizando seu punho, viu que era Claire:
– Calma, eu não mordo não! Mas deixando para lá: o que está lhe incomodando? – falou ela astuciosamente.
– Não tem nada me incomodando – mentiu Vergil, tentando parecer o mais displicente possível.
– Hum... Você não me convenceu. Tem a ver com Suzan, não é? – disse Claire, agora lhe apontando um dedo. De repente, à menção daquele nome, o fluído azul-claro de Vergil aparecera, apesar de ele estar se controlando ao máximo para fazê-lo parar.
– Sério Claire. Não tem nada me incomodando. E não tem a ver com ela nem tem a ver com ninguém. Agora, com licença, eu quero ficar sozinho – disse Vergil, se retirando dali e finalmente parando seu fluído, embora ficasse um pequeno fluxo de vento ao seu redor. Andando a deriva, absorto em seus pensamentos, quase perde a casa de Roland de vista. Voltando correndo, sem reparar ao seu redor, acaba colidindo com alguém. Quando se levanta, vê que é Suzan:
– Caramba! Desculpe-me, não te vi passando – disse Vergil, estendendo-lhe a mão. Ela ignorou a ajuda, se levantou e lançou-lhe um olhar indiferente. Vergil ficou estarrecido, agora correndo na direção oposta, começando a chover intensamente, dirigiu-se a um campo aberto e se sentou lá, lamentando-se até a alma por ter feito aquilo e por não ter falado com ela diretamente.
– Que droga! Eu sou um idiota mesmo! Agora ela não quer me ver de jeito nenhum! – gritou ele, o desapontamento pairando em sua cabeça, como uma pedra prestes a cair. Por fim, socou a árvore que fez sua mão ficar dolorida.
– Ai! – lágrimas correram por seu rosto, tanto de raiva como de tristeza. Ele não sabia por que, ainda pensava nela, e seu fluído azul-claro reaparecera com muita força, fazendo as folhas das outras árvores se mexerem violentamente. Permanecendo com raiva da árvore que aplicara o soco, bradou “Duodecim Attonitus Lupus Eruptio”. Duas esferas de trovão se materializaram em cada mão sua. Depois, começaram a aumentar de tamanho devido a energias externas estarem se agregando a elas. Quando elas estavam duas vezes maiores que suas mãos, ele as juntou numa só e as disparou, saindo um intenso trovão azul da junção de suas mãos e batendo em cheio na árvore, que além de ser lançada para trás com força, fora queimada até o máximo, apenas deixando um pedaço enorme de carvão. Caiu no chão ofegante, o fluído desaparecendo conforme seus sentidos foram falhando. Quando o fluído desapareceu, sentiu-se exausto até sentir uma leveza no corpo que não sabia descrever, vendo um rosto preocupado que não conseguiu distinguir antes de desmaiar. Acordou numa cama muito confortável e viu que todos estavam ao seu redor:
– O que aconteceu comigo? – perguntou ele, ainda desnorteado.
– Você nos deu um susto e tanto – falou Roland com sua voz grave – A sorte foi que um de seus amigos o viu antes de desmaiar e me avisou, embora não sendo eu que lhe levou para aqui. Kenneth me ajudou bastante a curar seus ferimentos. Agora devo me retirar, pois preciso completar o treinamento de vocês. Até mais tarde Vergil, quando se sentir melhor é só falar para eu treinar você também.
– Obrigado.
Roland se retirou e todos os outros também, exceto Suzan. Estava com uma expressão indecifrável no rosto:
– Quero falar com você.
– Falar o que? Pela sua expressão quando eu esbarrei em você, já me disse tudo – respondeu Vergil, fingindo uma cordialidade que não era sua.
– Eu só quero lhe perguntar se o que Cole me falou é verdade. É ou não?
– O que ele lhe falou? – disse, receando a resposta.
– Disse que você estava afim de mim. É ou não? – falou ela.
– Bom... – começou e tomando fôlego, Vergil respondeu – É sim, mas pela sua expressão, entendi que você não quer nada comigo. Pareceu que você estava com raiva de mim.
– A questão não é essa. Eu não estou com raiva de você, apenas não estou preparada para isso agora. Eu só gosto de você como amigo, e só.
– Sério? – falou Vergil com ânimo novo, apesar de não transparecer isso em sua voz — Está bem. Saiba que eu estarei aqui se quiser conversar. Qualquer coisa, se mudar de opinião, eu estarei para ouvi-la.
Então ela saiu do quarto, deixando Vergil sozinho, mas ele estava se sentindo melhor do que nunca. “Então eu ainda tenho uma chance com ela”, pensou. “Só preciso tomar cuidado e não ferir os sentimentos dela”. Levantou-se rapidamente e foi ao encontro de todos. Chegando lá, tomou um susto: cada pessoa tinha um animal de aspecto feroz ao seu lado. De repente ouviu a voz de Roland de longe:
– Que bom Vergil! Agora só falta você completar o treinamento. Venha.
Vergil se dirigiu para perto de todos e Roland recomeçou a falar:
– Bom, a magia que vou tentar lhe ensinar é chamada “Invocação de Avatar”. Você terá que estar no nível normal de energia. Essa magia invoca o animal-símbolo de cada pessoa, que é uma manifestação espiritual da natureza da pessoa.
– Acho que entendi – falou Vergil com particular interesse – O que é necessário que eu faça para invocá-lo?
– Você deverá relaxar sua mente, tentando focalizar seu pensamento em uma só coisa. Assim que você conseguir, você deverá falar com bastante clareza “Patrono Invocatio”.
– Está bem – e fechou os olhos, tentando se concentrar em alguma coisa. Como estava eufórico por Suzan não o ter dispensado, focalizou seu pensamento nela, tentando controlar o fluído de poder que estava querendo refulgir. E então falou com bastante clareza: “Patrono Invocatio!”. Sentiu que um grande volume estava se materializando à sua frente. Caiu no chão cansado, como se tivesse corrido uma maratona de 50 quilômetros sem parar. De repente, quando abriu os olhos, viu que um lobo estava à sua frente e o olhava fixamente. Levantou-se de um salto e energizou seu punho, pronto se o lobo o atacasse. Mas ao invés do lobo recuar ou atacar, ele chegou perto de Vergil e lambeu sua mão que estava abaixada, até que finalmente o entendimento caiu sobre sua cabeça: o lobo era seu avatar, ou seja, seu animal-símbolo.
– Muito bom! Sua invocação de avatar foi muito bem trabalhada! – falou Roland aplaudindo-o e entrando em sua casa, deixando a patota lá.
– Legal o animal de vocês. Mas o meu é o mais rápido de todos – disse Vergil, se sentando e alisando os pêlos de seu lobo, que se sentou também.
– Gostei do meu dragão – falou Kenneth animado, pois invocara um dragão que, apesar de estar em uma escala reduzida, parecia bem forte.
– O meu leão é legal e até pode me levar – disse Cole, sentando-se em seu leão.
– Minha águia é muito rápida também e pode nos ajudar em batalha – falou Suzan de longe, com sua águia pousada em seu ombro. Vergil olhou para ela e esta retribuiu o olhar, desta vez com particular interesse ao invés do desprezo.
– Tá brincando? Esse tigre é muito forte! – falou Jane que invocara um grande tigre.
– É melhor tomarem cuidado com minha cobra. Ela pode me informar o que vocês andam fazendo escondidos – brincou Claire, onde todos caíram na gargalhada.
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